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Ejaculação precoce tem solução

18/01/2012 03:52

 A  ejaculação precoce, definida como a incapacidade de controlar ou adiar suficientemente a ejaculação masculina, aflige grande parte dos homens, principalmente no início da atividade sexual. As causas podem ser orgânicas ou psicogênicas, “mas a boa notícia é que, independente da origem do problema, existe solução para ele”, declara o uro-andrologista da Clínica do Homem, Francisco Costa Neto. “Se a causa for orgânica, o tratamento costuma ser medicamentoso”, conta. Muitos adolescentes ficam condicionados a um rápido gozo na masturbação, por ser esta uma atividade secreta, escondida, perseguida pelo medo da descoberta. Este impulso na direção do desempenho rápido geralmente é transferido para a primeira experiência com o sexo oposto. Além disso, não é incomum que a primeira relação sexual de um rapaz aconteça no banco de trás de um automóvel, de um jeito apressado, não planejado, ou num sofá, na casa da garota, com o medo premente de que os pais dela possam voltar a qualquer momento. 

“Em todas essas situações, acha-se presente não somente a excitação sexual, mas também uma boa dose de exigência por um desempenho rápido. Esses são alguns pontos primários que influenciam na ejaculação precoce”, esclarece o médico. Outras situações que podem gerar o distúrbio são apresentadas quando o homem alimenta sentimentos hostis de desconfiança ou de insegurança, de despeito frente à “luta pelo poder” em relação a sua parceira, ou coito num relacionamento clandestino, onde predominam sentimentos de culpa. “O ‘coito interrompido’ para evitar a gravidez também costuma aumentar o nível de ansiedade, embora o ato não previna Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) nem a gravidez, já que durante a relação (antes da ejaculação) o homem libera gotas de uma secreção transparente (esperma) que serve para lubrificação, a qual possui inúmeros espermatozoides que podem fecundar o óvulo de uma mulher em período fértil”, explica o diretor da Clínica do Homem. 
Ações provocantes da parceira, a percepção de que ela deseja fazer sexo (“caça versus caçador”), a “ditadura do orgasmo”, as circunstâncias de inibição (defeitos físicos, mito do pênis pequeno), entre outros eventos regulares, previsíveis e algumas vezes normais, tornam-se subitamente caóticos e imprevisíveis diante do excesso de ansiedade. “Quando percebo que a causa do problema está ligada a qualquer destes fatos, converso bastante com meus pacientes e, a depender do caso, indico uma psicoterapia específica”, diz Neto. 
Causas Orgânicas – Embora seja menos comum, a ejaculação precoce pode ser influenciada pela disfunção erétil ou causada por enfermidade local da uretra ou, como ocorre com a perda súbita do controle urinário, a incontinência ejaculatória secundária pode ser um sintoma de patologia ao longo do trajeto do nervo que serve aos mecanismos do reflexo que controlam o orgasmo (medula espinhal, nervos periféricos ou centros nervosos superiores). Isto pode ocorrer com mais frequência em casos de pacientes com esclerose múltipla ou em outros distúrbios neurológicos degenerativos. “Também podem desconfiar mais de causas orgânicas homens com um histórico de ejaculação normal e que, de repente (sem nenhum motivo psicológico aparente), passaram a apresentar o problema”, aponta o uro-andrologista Francisco Costa Neto.
 
Uma investigação clínica completa de quem procura ajuda médica deve conter dados sobre a história clínica do paciente, sua função ejaculatória (tempo de latência, controle), sua atividade sexual (freqüência, avaliação detalhada de sua parceira, interação sexual, etc.), perfil psicológico (contexto sociocultural, histórico da disfunção, relação com situações específicas, etc.), entre outros. As opções de tratamento são muitas e somente um profissional capacitado está habilitado a indicar a melhor para cada paciente. 
Tratamento psicológio ou com remédios 
Um medicamento representante dos antidepressivos, comumente indicado para tratamento da ejaculação precoce, é a clomipramina, que costuma gerar aumentos médios no tempo de latência de dois a sete minutos. Entretanto, os estudos com esta substância revelam que de 10 a 30% dos pacientes não respondem bem à droga. Os casos complicados por insuficiência erétil (dificuldade de ereção), por exemplo, não alcançam os mesmos resultados. A fluoxetina e a paroxetina também apresentam efeitos da inibição ejaculatória. Estas drogas apresentam menos efeitos colaterais, parecem interferir muito pouco com o desejo sexual e com a ereção (o que é positivo), no entanto não são tão eficazes quanto a clomipramina. “A clomipramina parece ser a opção mais eficaz para inibir a resposta ejaculatória, mas pode não ser bem tolerada por alguns pacientes, e por isso sua indicação deve ser muito bem avaliada”, explica Neto. 
Tratamento psicológico – Entre os vários métodos sugeridos por terapeutas, destaca-se o método comportamental “stop-squeeze” (para-comprime), que sugere que o homem avise a sua parceira quando sentir a vontade de ejacular, aproximando-se. Neste ponto interrompe-se o ato sexual e a mulher aplica pressão manual na glande do pênis, até ocorrer redução da vontade. O método de “para-comprime” pode ser treinado, inicialmente, com a masturbação. Outro método, o “start-stop” (começa-para), para o tratamento da ejaculação precoce, utiliza uma pausa, ao invés de um aperto no início da fase ejaculatória. Acredita-se também que a posição durante a relação sexual, com a mulher por cima ou a posição lateral, permitem um maior controle da ejaculação. Segundo Francisco Costa Neto, em todos os casos, o casal deve ter habilidade para abordar amplamente a expressão sexual e a criatividade durante o ato. A participação da parceira é de grande importância na solução do problema. Várias outras abordagens podem ser utilizadas no tratamento da ejaculação precoce, problema comum e de grande repercussão na vida sexual do casal. “A principal arma para o tratamento é o reconhecimento de que a utilização de técnicas folclóricas e caseiras não trazem resultados e podem agravar o quadro”, conclui o uro-andrologista. (Tribuna)

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