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Salvador: Mãe pede para reconhecer corpo do filho em tragédia de Pituaçu

13/03/2018 19:03

"A gente sempre vê as tragédias nos jornais, mas nunca imagina que pode acontecer com a gente". A afirmação é de uma senhora que perdeu dois filhos e dois netos no desabamento de um prédio na comunidade de São João, em Pituaçu, na manhã desta terça-feira (13). Com cerca de 1,5m de altura, Iara Maria de Jesus, a Dona Iara, parecia perdida no meio da multidão que se aglomerava na entrada da viela onde ficava a casa da família. Emocionada, ela pediu para acompanhar o trabalho das equipes de resgate, foi acolhida em uma casa que fica ao lado da tragédia, e passou a manhã na janela observando, com aflição, a retirada de cada um dos corpos. O primeiro a ser encontrado foi o pequeno Robert Pereira, 12 anos. O menino era estudante do 7º ano na Escola Municipal de Pituaçu, mas ainda não havia saído para a aula quando o acidente aconteceu, pouco antes das 6h. O jovem fazia parte da turma C e os colegas o descreveram como um adolescente bem humorado e divertido.O segundo corpo encontrado foi o do irmão do adolescente, portanto, o segundo neto de dona Iara. O pequeno Arthur tinha apenas 1 anos e três meses de vida. Os bombeiros retiraram ele dos braços da mãe, Rosemary Pereira de Jesus. Os dois morreram abraçados, embaixo de uma escada. A retirada do corpo de Arthur comoveu a comunidade. Enquanto os peritos subiam a ladeira carregando a gaveta com o corpo da criança, muitos moradores acompanharam com um olhar triste a cena. Alguns ficaram bastante emocionados. "São nesses momentos que a gente vê como os nossos governantes são miseráveis. O povo deveria ter moradia digna para que tragédias como essas não acontecessem", disse uma mulher, indignada.

Não identificado
A tragédia atraiu a atenção de tantos moradores que a Polícia Militar e a Guarda Municipal precisaram interditar o acesso ao local da tragédia para não atrapalhar o trabalho das equipes de resgate. Por volta das 10h20 começou um alvoroço quando começou a se espalhar a notícia de que um corpo retirado dos escombros não havia sido identificado. Os peritos carregaram a vítima até a saída da viela e colocaram dentro do carro do Instituto Médico Legal (IML). Dona Iara apareceu logo depois, pedindo para ver o corpo. "O rapaz (perito) disse que os vizinhos não reconheceram, mas eu quero ver se é mesmo meu filho. Preciso ter certeza", disse, ainda emocionada. Alguns moradores saíram em defesa dela e pediram para que os policiais permitissem que a mulher fizesse a identificação do corpo. Sensibilizados, os peritos atenderam a solicitação. Dona Iara se posicionou na parte traseira do rabecão, e foi amparada por dois familiares, enquanto o pano que cobria o rosto da vítima foi retirado. Mais uma vez, a comunidade se emocionou.

"É ele, é meu Allan. Oh, meu Deus! É meu filho", disse Dona Iara, recebendo um abraço apertado de um dos familiares. Um dos peritos perguntou se eles tinham certeza. "Esse é o Allan, vocês reconhecem?", e os três responderam que sim. "É ele sim, é o Allan". O policial fez algumas anotações e o corpo foi novamente recolhido. Rosemary foi retirada dos escombros alguns minutos depois, e os bombeiros deram as buscas por encerradas no final da manhã. No total, quatro pessoas morreram: Allan, Rosemary, e os dois filhos dela Robert e Arthur. Eles estavam no térreo do prédio. Outras três pessoas sobreviveram: Alex, 29, Beatriz, 35, e Sabrina, 11 meses, que estavam no 1º andar. Alex, Allan e Rosemary são irmãos e filhos de Dona Iara. O prédio foi construído por Alex e tinha, além do subsolo, térreo e 1º andar, uma cobertura. Segundo a Codesal, a estrutura foi erguida de local irregular. (Correio)


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