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Tensão aumenta entre Trump e CNN

08/11/2018 20:45

Foto: AFP

A conflituosa relação entre Donald Trump e a CNN alcançou, na quarta-feira, um novo nível de tensão que rendeu ao jornalista estrela da emissora o fim do seu acesso à Casa Branca, enquanto cada parte reforçava o seu papel. “A CNN deveria ter vergonha de você trabalhar para eles. Você é uma pessoa muito grosseira e terrível”, disse o presidente americano a Jim Acosta, apontando com o indicador direito durante uma entrevista coletiva que deu a volta ao mundo. A declaração, em resposta à negativa do jornalista de entregar o microfone após fazer várias perguntas, foi seguida do fim de seu credenciamento.  A Casa Branca justificou a medida “até nova ordem”, mas não pelas insistentes perguntas de Acosta, e sim por seu comportamento indevido com uma jovem estagiária que tentou tirar o microfone dele. Sarah Sanders, porta-voz da Casa Branca, assegura que o jornalista “colocou suas mãos” na jovem e publicou um vídeo editado de forma a dramatizar a cena. As imagens originais mostram, contudo, que é a estagiária quem tenta tomar o microfone de Acosta e que o jornalista apenas tenta afastar seu braço, enquanto pede desculpas. As acusações de “agressão” da Casa Branca são “um insulto às verdadeiras vítimas de assédio e agressão”, escreveu no site da CNN a colunista britânica Jane Merrick. A sequência desatou a polêmica e a imprensa credenciada na Casa Branca considerou “inaceitável” que tenham acabado com o acesso de Acosta. Desde a entrevista coletiva que Trump concedeu como presidente eleito, em 11 de janeiro de 2017, quando tiveram um primeiro diálogo tenso, Jim Acosta se tornou o símbolo da CNN odiada pelo ex-magnata imobiliário. O jornalista de 47 anos foi atacado por seu estilo agressivo que contrasta com a fala suave de seus colegas diante de Trump. Também teve duros diálogos com Sanders: acusou-a de “não se ater aos fatos” e de não querer repudiar a expressão “inimigo do povo” usada por Trump para criticar a imprensa.A imprensa denunciou praticamente de forma unânime que tenham acabado com o credenciamento de Jim Acosta, uma sanção inédita desde a criação da associação de correspondentes da Casa Branca, em 1914. Mas alguns também criticaram o jornalista. “Quando um funcionário da Casa Branca vai em direção ao microfone que você está segurando, dê a ele e deixe que a insistência do presidente em cortar as perguntas dos jornalistas (…) fale por si só”, escreveu nesta quinta-feira o colunista do Washington Post Erik Wemple. “Não acho que (o que Jim Acosta fez) justifique a suspensão do seu credenciamento”, escreveu Sara Gonzales, jornalista do site de informações conservador The Blaze, “mas é difícil ter simpatia por alguém que basicamente estava pedindo por isso”. (Isto é)


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