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Profª. Marilene Oliveira de Andrade

Nosso caso de amor

Profª. Marilene Oliveira de Andrade   Postado por Colunista - Profª. Marilene Oliveira de Andrade - 20/04 22:38h
Nosso caso de amor

Quando te vi pela primeira vez

Confesso, tive medo, fiquei muito assustada...

Diante da escassez da coragem

 Como as minhas necessidades pelo conhecimento são ilimitadas

Lancei-me sem reserva nessa aventura.

Não sei exatamente o que me espera nas curvas

A minha demanda pelo inusitado é muito grande

Não sei se encontrarei excesso de oferta

Ou excesso de demanda

Pouco importa...

O que e quanto produzir, como produzir e para quem produzir

É um problema que será resolvido sabiamente

Sei que há imperfeições no sistema econômico dos nobres sentimentos

No mercado misto da vida, o amor e o ódio caminham lado a lado.

Nas curvas de oferta e de demanda

Não quero me deslocar nem para a direita, nem para a esquerda

Contemplarei e seguirei o horizonte da aprovação.

Necessito centralizar o amor e conservar os bens essenciais

Complementar a vida com tudo que me apraz

Na curva de possibilidade de amor ao próximo

Essa fronteira máxima pode produzir recursos benfazejos

Ao praticar o custo de oportunidade

Não sacrifico os bons sentimentos

Desejo empregá-los sem reserva.

Preciso analisar a vida de forma positiva e normativa

Buscando sempre o equilíbrio entre a razão e a emoção

No coeteris paribus: tudo o mais constante!

Necessito ter uma visão micro e macro de mundo

Não me perderei no mínimo nem quero me afogar no máximo

Quero, apenas, de uma gota de sabedoria

De Adam Smith, Karl Marx, Thomas Robert, dentre outros.

No quesito valor utilidade

 Não estou satisfeita com a saúde, educação e segurança...

Que me são oferecidas

Trabalho muito, pago muitos impostos...

Geralmente, os meus sonhos estão alcançando a utilidade total

Aos poucos começam a ser saturados pelas desilusões

E caminham em direção à utilidade marginal decrescente

Chego até pensar que são paradoxais.

Às vezes me sinto indiferente...

Comerei mais batata ou menos carne?

Ah! Pouco importa!

Ah! Pouco importa se vai fazer sol ou chover

Na dúvida, tenho o meu guardo sol e o meu guarda chuva!

A vida é como um sopro...

Não restringirei o meu orçamento

Não limitarei as minhas possibilidades

Quem sabe amanhã não haverá mais sol...

Então penso!...

“Eu devia ter amado mais, errado mais, devia ter visto o sol nascer”

Tropecei na pedra de Drumonnd

Prendi-me nas variáveis que afetaram a minha demanda

Na busca pelo novo.

Talvez, foi o preço do próprio bem... nunca se sabe...

A elasticidade da minha vida me faz muito mal...

Não quero me sentir maior ou menor, prezo a igualdade.

Quanto ao nosso caso de amor...

“Se é bom ou mau, só o tempo dirá”

“Mas que seja eterno enquanto dure”.

 Para os que amam a Economia.

Marilene Oliveira de Andrade - Professora, Graduada em Letras Vernáculas, Pedagogia, Especialista em Estudos Linguísticos e Literários, Mestranda em Gestão de Políticas Públicas e Segurança Social, membro da Academia de Letras do Recôncavo, poetisa, contista, cronista, autora de três livros e integras diversas obras literárias.

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Quem é este?

Profª. Marilene Oliveira de Andrade   Postado por Colunista - Profª. Marilene Oliveira de Andrade - 20/03 18:51h
Quem é este?

Quem é este que não se usurpou ser igual a Deus

Deixou seu trono de glória

Veio ao mundo

E por todos nós padeceu?

Quem é este que por todos nós se entregou

Pelo rico, pelo pobre, escrevo e senhor

Sem fazer acepção de pessoas

A todos de igual modo amou?

Quem é este que um dia a tempestade acalmou

Quando os seus discípulos estavam a perecer

Todos ficaram admirados

Com o seu grande poder?

Quem é este que fez uma linda flor brotar

A colocou um perfume singular

Apesar dos seus espinhos

Consegue a todos encantar?

Quem é este que nas bodas de Caná

Seu primeiro milagre operou

Todos ficaram maravilhados

Pois, água em vinho transformou?

Quem é este que com o seu olhar de misericórdia

Toda a humanidade alcançou

Derramando seu precioso Sangue

Para remir todo pecador?

Quem é este que a dez leprosos curou

Que estavam condenados a morrer

Os seus corpos ficaram limpos

Novamente “voltaram viver”?

Quem é este que a mulher adúltera

Com muito amor a acolheu

Devolvendo-lhe a graça do viver

E em seus braços a recebeu?

Quem é este que a Lázaro ressuscitou

Após quatro dias de falecido

Ordenando-lhe que saísse do túmulo

E voltasse para seus entes queridos?

Que darei a este Homem

Por tantos benefícios que realizou?

Nada tenho a lhe oferecer

Além do meu amor!

Afinal, quem é este que uma cruz pesada carregou

Nasceu, cresceu, morreu e ressuscitou?

O seu nome é Jesus Cristo

Nosso Senhor e Salvador!

 

Marilene Oliveira de Andrade - Professora, Graduada em Letras Vernáculas, Pedagogia, Especialista em Estudos Linguísticos e Literários, Mestranda em Gestão de Políticas Públicas e Segurança Social, membro da Academia de Letras do Recôncavo, poetisa, contista, cronista, autora de três livros e integras diversas obras literárias.

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E agora Brasil?!

Profª. Marilene Oliveira de Andrade   Postado por Colunista - Profª. Marilene Oliveira de Andrade - 02/08 01:50h
E agora Brasil?!

O Brasil está vivenciando uma fase muito crítica. Assim, como milhões de brasileiros e brasileiras, que estão indignados e indignadas com a situação pela qual o país encontra-se no momento, também faço parte dessa triste estatística.

Como posso pôr a mão no peito e cantar orgulhosamente o Hino Nacional? Como posso deitar eternamente em berço esplêndido se o meu país encontra-se atordoado em meio a vozes clamando por justiça? “A situação é grave”! Até quando meu Brasil terei que ver cenas tão esdrúxulas como essas que estamos vivenciando no cenário político e econômico? Oh! “Gigante pela própria natureza”! Está na hora de mostrar a tua força!

Parece até irônico cantarmos que os "Nossos bosques têm mais vida". O desmatamento desenfreado e a ambição capitalista têm acinzentado a imagem do teu “formoso céu, risonho e límpido”. ”A imagem Cruzeiro resplandece”... Sim! A imagem do teu Cruzeiro resplandece e é vista diariamente por um número considerável de brasileiros e de brasileiras que madrugam em filas de postos médicos para conseguir uma ficha. O que deveria ser um espetáculo da natureza torna-se uma cena dolorosa. Enquanto isso, o Gigante encontra-se adormecido.

Cadê o penhor dessa igualdade? Perante a Constituição, somos todos (as) iguais, mas na prática prevalece “a lei do mais forte”, ou seja, do (a) privilegiado (a).

Não queremos paz apenas no futuro, muito menos, glória apenas no passado. Milhões de pessoas clamam por paz no presente. Não suportamos ver diariamente pessoas vitimadas por tantos tipos de violências, das mais cruéis possíveis. E agora Brasil?! Como dormir no berço esplêndido, enquanto teus filhos e tuas filhas dormem na fria calçada? Ouve, “Ó Pátria amada”! O brado retumbante daquelas pessoas silenciadas pela opressão, assustadas pelo medo e retraídas pela insegurança.

E agora Brasil?! Quando voltaremos a cantar orgulhosamente o teu Hino? Oh! “Gigante pela própria natureza”! Está na hora de mostrar a tua força! Os teus filhos não fogem à luta.

 

Mestranda em Gestão de Políticas Públicas e Segurança Social, pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).

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Refletindo sobre a cultura nacional e os seus valores histórico, estético e político

Profª. Marilene Oliveira de Andrade   Postado por Colunista - Profª. Marilene Oliveira de Andrade - 01/11 18:17h
Refletindo sobre a cultura nacional e os seus valores histórico, estético e político

(05 de novembro - dia Nacional da Cultura)

O Brasil é um país marcado ricamente por uma gama de diversidades culturais que precisam ser apreciadas, respeitadas e difundidas, especialmente, no ambiente escolar. O educador deve estar atento às diversidades culturais manifestadas pelos educandos, que são muito importantes na relação ensino-aprendizagem.

Sobre a cultura brasileira podemos afirmar que Mario de Andrade foi um ícone que procurou, nas suas obras literárias, valorizar e resgatar a cultura nacional, o modo de vida, o falar e as manifestações culturais do povo brasileiro, agregando-as valores puramente locais e nacionais. 

Por volta de 1922, o país viveu um período de efervescência cultural e política, pois foi instituído o partido comunista, além da Semana de Arte Moderna - uma grande magicatura - que veio acompanhada da iniciação do movimento tenentista que, durante toda a década de 20, atacou o governo federal.

Foi no processo de estabelecimento da nova mentalidade cultural e nacional em que Mário de Andrade se destacou como teorizador e ativista cultural. Pretendendo estimular uma nova consciência por meio de uma renovação modernista, visando infundir o desenvolvimento da cultura em suas várias manifestações.

Corroborando com as ideias de Mário de Andrade, Marilena Chauí (2009, p. 19), assegura que, “[...] é preciso discutir cultura brasileira a partir da amplitude dos espaços contemporâneos, da multiplicidade de olhares disciplinares e, sobretudo, da multiplicidade de práticas constitutivas da vida nesse território do Brasil”.

No que diz respeito à diversidade cultural brasileira, não podemos nos esquecer do movimento modernista (1922) que, acompanhou e contribuiu para a dinâmica da sociedade brasileira do século XX. Várias características novas surgiram, houve uma remodelação da cultura nacional, começaram a questionar as influências e os resquícios de um país colonizado, sensibilizando para uma busca de características próprias, que demarcassem uma identidade nacional.

Dessa forma, desenvolveram um espírito crítico e revolucionário, que marcou a história literária, social, política, econômica e cultural do povo brasileiro. Mas qual o objetivo da história cultural? A história cultural, segundo o historiador cultural Roger Chartier (1990, p. 16), “[...] tem por principal objecto identificar o modo como em diferentes lugares e momentos uma determinada realidade social é construída, pensada, dada a ler”. Assim, a história cultural se preocupa em reconhecer os variados modelos, aos quais a realidade social é submetida, no que diz respeito ao seu processo de construção. Assim, surge uma cultura puramente humana regida por leis cujo objetivo é à busca pelo equilíbrio em sua totalidade.

A sociedade contemporânea vivencia um momento muito fértil, em especial, na área das Humanidades, pois, possibilitam novas maneiras de compreender os objetos de estudo, facilitando a interpretação de temas de extrema importância teórica, histórica, estética e ética, pois cogitam questões de ordem cultural, favorecendo a construção identitária nos espaços sociais. Consideramos que, nas últimas décadas o processo interdisciplinar conseguiu agregar saberes os quais antes estavam à parte, fruto de ideias conservadoras. Todavia, com a propagação do marxismo abriu-se um leque para diversos tipos de estudos na área de gênero, da masculinidade, discursos ligados a etnia, dentes outros temas de grande relevância social e cultural, de interesse puramente humanitário.

  1. Professora, cabeleireira, poetisa, contista, cronista, membro da Academia de Letras do Recôncavo, Licenciada em Pedagogia, Letras Vernáculas e Estudos Linguísticos e Letrários. Mestranda em Ciências da Educação e Multidisciplinaridde.
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O silêncio das vozes

Profª. Marilene Oliveira de Andrade   Postado por Colunista - Profª. Marilene Oliveira de Andrade - 12/08 16:49h
O silêncio das vozes
  • Quantas vozes tremulam por ai a fora...
  • A voz do excluído... do marginalizado...
  • Do injustiçado... da criança órfã...
  • “Com as expressões encovadas de fome
  • E o corpo encharcado de frio”.
  • Vozes... vozes... Quantas vozes ecoadas!...
  • Quem as ouvirá? Quem se importará?
  • Sei que muitas vezes são emudecidas.
  • Essas vozes querem ser escutaaaadassss!
  • O silêncio opressor fala mais alto as sucumbido.
  • Quantas vozes mentirosas são ouvidas!
  • Retóricas recheadas de futilidade
  • Matam impiedosamente, mutilam sonhos.
  • A voz da verdade, como um vento impetuoso
  • Será soprada e levada aos quatro cantos do mundo.
  • -
  • Professora, cabeleireira, poetisa, contista, cronista, membro da Academia de Letras do Recôncavo, Licenciada em Pedagogia, Letras Vernáculas e Estudos Linguísticos e Letrários.
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Sociedade do espetáculo

Profª. Marilene Oliveira de Andrade   Postado por Colunista - Profª. Marilene Oliveira de Andrade - 05/02 09:05h

  • Abre-se a cortina do picadeiro da dissimulação
  • Todos de olhos atentos a mais um espetáculo
  • Sorrisos lúgubres escorrem maleficamente
  • Oriundos de uma sociedade hipócrita
  • Marcada pela presunção e a empáfia.
  • - 
  • As luzes sombrias escondem faces perversas
  • Esse espetáculo é a manifestação
  • Do mau humor social
  • Amarrotado pelas lágrimas insólitas.
  • - 
  • A razão desse espetáculo é a morte e o não morrer
  • É a conservação de cadáveres vegetativos
  • De essência decomposta pelos vermes da corrupção
  • Que corroem silenciosamente
  • A consciência alienada.
  • A sociedade fria gela a alma incandescente
  • Esse espetáculo é uma constante guerra
  • Do eu e o outro
  • O mundo real se dissolve entre os dedos
  • O tato não contém mais a sensibilidade.
  •  -
  • Chega ao fenecimento desse espetáculo ignóbil
  • E, todos com rostos plissados,
  • Marcados pelo alarido fugaz.
  • NÃO! A sociedade do espetáculo!
  • Silenciosamente...
  • Fecha-se a cortina!...
  •  
    1. Professora, cabeleireira, poetisa, contista, cronista, membro da Academia de Letras do Recôncavo, Licenciada em Pedagogia, Letras Vernáculas e Estudos Linguísticos e Letrários.
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Versificando a vida

Profª. Marilene Oliveira de Andrade   Postado por Colunista - Profª. Marilene Oliveira de Andrade - 01/09 04:58h
Versificando a vida
  • Viver vagando,
  • Viajando velozmente,
  • Vendo vidas vertiginosas,
  • Valores varridos, vulgaridade,
  • Verdade vetada, vitórias vendidas,
  • Vencedores vencidos,
  • Vidas versadas, vilãs veem vantagens,
  • Vagabundos violam,
  • Velhice vulnerável,
  • Vergonha ver vidas violentadas,
  • Vândalos vangloriam-se vergonhosamente.
  •  -
  • Vida? Vida!  Vida.
  • ˙ɐpıʌ ¡ɐpıʌ ¿ɐpıʌ
  • -
  • Vingança venal,
  • Vampiros vigam-se, vadios vultuosos,
  • Vaidade vazia, vexame vergonhoso,
  • Vozes voam, vocábulos vazios vomitados,
  • Verdadeira verborragia.
    1. Professora, cabeleireira, poetisa, contista, cronista, membro da Academia de Letras do Recôncavo, Licenciada em Pedagogia, Letras Vernáculas e Estudos Linguísticos e Letrários.
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In(certeza)

Profª. Marilene Oliveira de Andrade   Postado por Colunista - Profª. Marilene Oliveira de Andrade - 10/01 16:49h
  1. (*) Marilene Oliveira
  2. Meus pés tocam as nuvens
  3. caminho sobre o acaso
  4. sou passageira do futuro
  5. vago no cosmo da miragem
  6. arrasto-me sobre os meus pensamentos. 
  7. -
  8. Tenho a bússola ao meu alcance...
  9. consulto o meu destino
  10. que sussurra baixinho ao meu ouvido.
  11. -
  12. Rasgo o mapa do passado
  13. calculo as consequências
  14. transito por caminhos insaciáveis. 
  15. -
  16. Meu coração bombeia a exaustão
  17. substâncias oxidantes se derramam ao pó
  18. meu cérebro lateja e incendeia a minha alma
  19. pura emoção em cada curva do destino.
  20.  -
  1. Meus poros exalam o fulgor da chegada
  2. cheiro doce de esperança no ar
  3. penetra o meu cérebro andante.
  4.  -
  5. Lanço palavras ao vento tépido
  6. recolho o inesperado
  7. nessa minha caminhada 
  8. estou de passagem pela vida.


  9. Professora, cabeleireira, poetisa, contista, cronista, membro da Academia de Letras do Recôncavo, Licenciada em Pedagogia, Letras Vernáculas e Estudos Linguísticos e Letrários.
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Eva ou Maria? A representação do feminino e as suas imagens dicotômicas ao longo da história

Profª. Marilene Oliveira de Andrade   Postado por Colunista - Profª. Marilene Oliveira de Andrade - 02/07 13:12h

O comportamento e a natureza feminina sempre causaram certo estranhamento no homem. Outro mote intrigante, dizia respeito a sua capacidade de fecundidade, o que se constituía como sendo um estado misterioso.

A idealização da igreja católica era que a mulher fosse uma espécie de Maria, imaculada, assexuada e que não representasse nenhum tipo de mal ao homem nem o levasse a cair na tentação carnal, mas como era impossível esse ideal de santidade e virgindade, passou a ser considerada como um demônio. No período da Baixa Idade Média, as forças demoníacas eram latentes, como a mulher simbolizava toda a raiz do mal, passou-se a estabelecer um paralelo entre ela e o demônio.

Analisando essa associação dela com a imagem demoníaca, percebe-se a ideia de que era um indivíduo marginalizado e estigmatizado, responsável por todo mal; um ser humano totalmente calcado pela sociedade masculina.

A maneira desprezível do homem se referir à mulher demonstrava um sentimento de rejeição e total repulsa. Por fazer parte de um contexto excludente, ela deveria permanecer calada sem direito a sua autodefesa – se fosse o caso –. Nessa relação homem/mulher eram notórias as marcas de opressão do primeiro sujeito em detrimento do segundo. Além disso, era silenciada pelos sermões e punições religiosas. “Os padres buscavam os defeitos das mulheres, veem-nas como eternas Evas, na busca pelo prazer sexual, na busca pela dominação do homem” (VASCONCELOS, 2007, p. 23). Tudo que era negativo e maléfico tinha relação direta com a mulher, conforme a visão dos religiosos e da sociedade da época.

De acordo Frade, (2008, p. 5), a formação da palavra Eva proporciona uma leitura muito diferenciada, quando há uma troca de posição dos signos linguísticos, forma-se uma nova palavra: Ave, expressão utilizada pelo anjo Gabriel para saudar a Virgem Maria, a jovem noiva prometida em casamento ao carpinteiro José. Três letras dizem tudo, de acordo com a maneira como são compostas em latim. “A mulher é a pecadora (Eva), que leva simultaneamente à magnífica Virgem Mãe Maria (Ave) e à desgraça (Vae). A mulher conduz à vida e à morte”.

A Igreja pretendia transformar Eva em Maria, ou seja, de uma mulher pecadora a uma mulher modelar, pura, imaculada, redentora e capaz de procriar, sem, contudo, aflorar o desejo sexual – carnal –. Essa idealização de um ser totalmente divino, possivelmente a trouxe diversos transtornos. A condição de virgem a elevava a um patamar diferenciado, sobrepondo às demais. Destaca-se que havia certo preconceito racial, a saber, as mulheres brancas eram para o casamento e as negras e as índias poderiam ser “usadas” para o sexo livre, praticado pelos senhores portugueses. Essas concepções vigoraram no país por muitos séculos e essas mulheres foram vítimas de uma sociedade oportunista e discriminatória. De um lado, as brancas – Marias – e do outro lado, as negras e as índias – Evas –, responsáveis pelas ruínas e pelo mal na vida dos homens.

Na construção desse discurso, nota-se que o homem era considerado a vítima dessa relação, toda a culpa recaía sobre a personagem feminina.  Por muito tempo ele a concebeu como um indivíduo dúbio, sendo responsável pelo bem e pelo mal da humanidade. De acordo com Vasconcelos (2007, p. 19), “[o]s sentimentos do homem em relação à mulher sempre foram expressos de forma ambígua e contraditória, variando da atração à repulsão, do amor ao ódio”.

Para Fallador (2009), a sociedade elencava dois tipos de mulheres: as honradas e as desonradas. As honradas eram aquelas que viviam de acordo com os moldes, os padrões estabelecidos socialmente e as normas religiosas; as desonradas se referiam àquelas que praticavam relações sexuais fora do casamento e cometiam ações que não condiziam com os princípios sociais.

 Diante da configuração feminina negativa, a Igreja pretendia conceber uma mulher à imagem de Maria era um ideal quase impossível, por causa da sua natureza carnal, mas era cultivado, na pessoa dos seus líderes religiosos – os padres –.  Nessa tentativa, recorreu-se ao culto mariano que “[...] foi trazido para o Brasil com os colonizadores, assim como foi levado para outras regiões colonizadas e ocupadas por portugueses e espanhóis”. Essa preocupação em disseminar a fé cristã, em especial a católica, ganhou muita repercussão e foi aumentando paulatinamente. Conforme (VASCONCELOS, 2007, p. 26), “[...] o culto à Virgem Maria ganha força”.

Geralmente, a religião é utilizada como aparelho ideológico de estado, para coibir, reprimir e dominar os indivíduos, pelos seus atos, quando não forem considerados corretos. “As sociedades se valem de suas instituições para controlar as pessoas em acordo com suas regras vigentes determinando o que ser ‘mau’ ou ‘bom’ para aquele grupo” (Idem). Sendo assim, entende-se que há uma imposição de preceitos e que estes devem ser cumpridos à risca, sob a pena de punição para os sujeitos que violarem esses princípios.

As transformações no âmbito social bem como a concepção da nova mulher passaram a vigorar a partir do início do século XII, visto que a igreja buscava regenerá-la, transformando-a numa nova criatura, da qual fosse apagada toda a imagem diabólica.

Destarte, percebe-se que ao longo da história, a mulher sofreu muitos preconceitos, embora ainda continua sendo vítima de uma sociedade discriminatória, mas graças a sua capacidade intelectual, tem se revelado ao mundo com muita força e determinação. 



Professora, cabeleireira, poetisa, contista, cronista, membro da Academia de Letras do Recôncavo, Licenciada em Pedagogia, Letras Vernáculas e Estudos Linguísticos e Letrários.

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Amor matemático

Profª. Marilene Oliveira de Andrade   Postado por Colunista - Profª. Marilene Oliveira de Andrade - 06/06 05:21h
  1. Quando te vi pela primeira vez
  2. Meus batimentos cardíacos
  3. Foram a cento e cinquenta
  4. Comecei a idealizar o nosso triângulo amoroso
  5. Eu, você e a nossa felicidade. 
  1. Meus pensamentos, às vezes,
  2. Pareciam uma circunferência
  3. Queria descobrir um meio para te falar
  4. Do meu amor ao quadrado
  5. O medo me fazia experimentar
  6. Momento côncavo e convexo
  7. Pensei uma... duas... três vezes...
  8. Em te dizer que os meus sentimentos
  9. Estão se multiplicando a cada dia.
  10.  
  11. Igual adolescente
  12. Quando está descobrindo a paixão
  13. Resolvi escrever meia dúzia de frases românticas
  14. No meu coração retangular.
  15. Desejo dividir com contigo
  16. Todos os meus pensamentos incógnitos
  17. Somar os momentos felizes
  18. Diminuir a distância
  19. Proporcionada pelas retas
  20. E em cada curva da nossa vida
  21. Descobrimos um ponto de intersecção entre nós.
    1. Profª. Marilene Oliveira de Andrade


    1. Professora, cabeleireira, poetisa, contista, cronista, membro da Academia de Letras do Recôncavo, Licenciada em Pedagogia, Letras Vernáculas e Estudos Linguísticos e Letrários.
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Na calada da noite

Profª. Marilene Oliveira de Andrade   Postado por Colunista - Profª. Marilene Oliveira de Andrade - 04/05 10:43h

Na calada da noite... 

  1. Entre faróis e becos
  2. rostos são revelados
  3. transformados
  4. desfigurados. 
  5. Homens escravos de
  6. si mesmos
  7. fumaça expelida
  8. corações e cérebros poluídos
  9. corpos comercializados
  10. feito mercadoria barata. 

Na calada da noite... 

  1. O silêncio é perturbador
  2. a alma chora o frio da solidão
  3. sonhos se transformam em marasmo
  4. olhos se revelam assustados
  5. há fuga para o próprio interior. 

A noite dorme... 

  1. Neste exato momento
  2. sirenes acordam
  3. o jogo fica mais forte.
  4. Salve-se quem puder!


    1. Profª. Marilene Oliveira de Andrade
    1. Professora, cabeleireira, poetisa, contista, cronista, membro da Academia de Letras do Recôncavo, Licenciada em Pedagogia, Letras Vernáculas e Especializando em Estudos Linguísticos e Literários.
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Paradoxo

Profª. Marilene Oliveira de Andrade   Postado por Colunista - Profª. Marilene Oliveira de Andrade - 24/04 07:29h
  1. (*) Colunista Marilene Oliveira
  2. Tão perto,  tão distante
  3. tão calma,  tão atroz
  4. sensível,  embrutecida
  5. às vezes forte,  às vezes frágil
  6. em algum momento, amo intensamente
  7. em outro, detesto ardentemente
  8. me perco,   me acho
  9. seduzo e sou seduzida
  10. canto e choro também
  11. falo muito  ou falo quase nada
  12. abraço sem reserva, afasto sem piedado
  13. ágil como um corça
  14. prudente como uma serpente
  15. decidida,  confusa
  16. interessada, indiferente
  17. delicada,  selvagem
  18. expansiva,  tímida
  19. feliz, padecente
  20. livre, dependente 
  21. Afinal, quem eu sou de verdade?
  22. Um pássaro que voa livre pelo infinito
  23. Ou uma estrela presa no firmamento?


  1. Profª. Marilene Oliveira de Andrade
  1. Professora, cabeleireira, poetisa, contista, cronista, membro da Academia de Letras do Recôncavo, Licenciada em Pedagogia, Letras Vernáculas e Especializando em Estudos Linguísticos e Literários.
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Eu, amante da vida

Profª. Marilene Oliveira de Andrade   Postado por Colunista - Profª. Marilene Oliveira de Andrade - 10/04 14:11h
  1. Tento expor meus sentimentos através da poesia...,
  2. tenho sonhos, desejos, medos e inquietações...
  3. Sou como qualquer mortal, limitada e volúvel.
  4. Às vezes, me perco na minha imaginação,
  5. medrosa e assustada, tento voltar ao meu aprisco
  6. e, como uma ovelha muda, oculto-me no meu silêncio. 
  1. A inquietação me constrange,
  2. tento voar em outros céus, na busca do infinito.
  3. Persistente, me lanço em outros mares, “à procura do meu
  4. porto seguro, onde eu possa ancorar a minha nau”.
  5. E, como uma amante incondicional da vida, sinto-me enamorada
  6. das suas belezas e, o meu coração pulsa veemente.
  7.  
  8. Beijo o mar, com todo o seu encanto,
  9. e enlaço-me nas suas ondas profusas e envolventes.
  10. Galanteio o sol, o reverencio e sujeito-me aos seus pés.
  11. Aprecio a lua solitária e fico extasiada com toda a sua candura e paixão.
  12. E, com a alma cândida e sem mácula, posso voar mais leve,
  13. alcançando os lugares superiores.
  14.  
  15. Tento desenhar a vida na tela do meu coração,
  16. falta-me a delicadeza, a leveza e a sensibilidade do pintor.
  17. Não me acovardo e insisto nessa arte.
  18. E, com um toque suave, artístico e bem intencionado,
  19. começam a surgir os primeiros rabiscos.
  20.  
  21. Tento dar o máximo de mim e, com muita inspiração,
  22.  intrepidez e de forma irrefutável,
  23. concluo a minha arte bela, fascinante e majestosa:
  24. minha paixão pela vida, pois ela, em sua essência,
  25. é uma sublime poesia, a ser declamada diariamente
  26. pelos que são apaixonados pelo milagre do nascimento.


    1. Profª. Marilene Oliveira de Andrade
    1. Professora, cabeleireira, poetisa, contista, cronista, membro da Academia de Letras do Recôncavo, Licenciada em Pedagogia, Letras Vernáculas e Especializando em Estudos Linguísticos e Literários.
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Ratos

Profª. Marilene Oliveira de Andrade   Postado por Colunista - Profª. Marilene Oliveira de Andrade - 21/03 07:29h
  1. Ratos, ratos, muitos ratos por toda parte
  2. Por todos os lugares
  3. Nos becos, nas praças
  4. Nos casebres e nos palácios. 
  1. Ratos... ratos... ratos!
  2. De várias cores, de vários tamanhos
  3. Querem o meu queijo, querem a minha consciência
  4. Audaciosos, persuasivos, sensatos, indiferentes.
  5. Tento me proteger, acham-me
  6. Ajudo-os a construírem os seus castelos, às vezes...
  7. Seria ingenuidade da minha parte?
  8.  
  9. Ratos... ratos... ratos!
  10. Em grupos, individualmente
  11. Em disparada, ou em câmara lenta
  12. Não importa, são ratos.
  13. Devoram, desconstroem, constroem.
  14.  
  15. Eles brigam entre si
  16. Eles fazem aliança entre si
  17. Dividem o queijo, fatiam a pizza, todos se saciam
  18. Enquanto isso continuo faminta
  19. Faminta de justiça, faminta de direito
  20. Esquecida. Ah! Não por muito tempo
  21. Muitos ratos voltarão em busca de mais queijo.

    1. Profª. Marilene Oliveira de Andrade
    1. Professora, cabeleireira, poetisa, contista, cronista, membro da Academia de Letras do Recôncavo, Licenciada em Pedagogia, Letras Vernáculas e Especializando em Estudos Linguísticos e Literários.
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Poesia: instrumento de fruição, desenvolvimento intelectual e denúncia social

Profª. Marilene Oliveira de Andrade   Postado por Colunista - Profª. Marilene Oliveira de Andrade - 07/03 10:38h

14 de março – dia da Poesia. Parabéns, ó amada da minh’alma! 

Ler poesia é uma prática muito antiga. Os povos gregos utilizavam esse instrumento como forma de diversão e prazer em suas diversas manifestações culturais. Essa prática foi se enriquecendo ao longo dos anos e dos séculos. Hoje, a poesia, mais que um ato de prazer, é fonte de conhecimento, de interação e de descoberta do mundo. Ela cria um link entre o universo ficcional e o universo real.

A poesia nos transporta para mundos desconhecidos, revelando aspectos de nossa constituição psicoemocional, cognitiva, lúdica e cultural, podendo, por conseguinte, ser utilizada como recurso valioso na formação educacional de jovens em idade escolar. A escola tem, dentre as suas atribuições didáticas, o objetivo de estimular a leitura de poesias em sala de aula.

Em virtude da sua hegemonia podemos afirmar que, a vida se cristaliza na essência poética. Ela tem a capacidade de elevação, provoca uma inquietação e movimento interno no leitor, tornando, assim, extremamente significativa para a formação do indivíduo. A sua presença é marcante em diversos espaços: familiar, religioso, nas relações amorosas, nas discussões filosóficas, políticas, enfim, está direta ou indiretamente vinculada à sociedade.

A leitura poética é uma espécie de fonte da qual emanam múltiplas possibilidades, favorecendo ao sujeito a interação com o mundo. É na literatura – poesia –, que se encontra o espaço da criação e da liberdade de pensar. “Ler literariamente é, portanto, impedir que a alma engorde, abrir janelas para o saber transformador” (ARAÚJO, 2006, P.47).

O homem na sua excelência tem revelado a sua grandeza por intermédio da arte, seja na música, na pintura, na escultura, na dança, mas através da literatura, torna-se um sujeito completo, possibilitando dar asas a sua imaginação e aguçar a sua percepção. 

No período da Ditadura Militar ocorrida no Brasil em 1964, a poesia foi um veículo de grande relevância social. Utilizada por muitos compositores e cantores para transmitir mensagens de repulsa ao sistema dominador. Sorrateiramente foi adentrando na sociedade e dando o seu recado.

Destarte, a escola precisa resgatar o trabalho com a poesia, introduzi-la nas mais diversas atividades docentes, não apenas como mera atividade curricular, mas como uma grande aliada no desenvolvimento crítico, afetivo, emocional, cognitivo dos educandos e das educandas.

Hoje, percebemos a importância da leitura literária nas escolas, todavia, já foi muito criticada. Segundo Zilberman (1993, p. 13), no século XVIII, com a difusão da leitura proveniente da ação das escolas ocorre uma democratização do saber, “[...] aparecem as primeiras expressões de uma cultura massificada, devido à explosão de uma literatura popular [...]”. Esse tipo de literatura foi condenado nas escolas da época, pois influenciados pelo Iluminismo, os pedagogos daquele período preferiam as obras de caráter informativo e religioso, que impedissem o escapismo e a fantasia. As pessoas deveriam viver atreladas a uma educação dominadora. A difusão das obras literárias poderia causar um choque social, entre as classes dominante/dominada, uma vez que para a sociedade daquela época, quanto mais as pessoas vivessem na escuridão do conhecimento, melhor seria, porquanto, não representavam nenhum tipo de ameaça ao elitismo.



  1. Profª. Marilene Oliveira de Andrade
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Uma alma, muitos corações

Profª. Marilene Oliveira de Andrade   Postado por Colunista - Profª. Marilene Oliveira de Andrade - 02/03 09:07h
  1. Como deveria ser o mundo,
  2. sem a presença de um ser tão humano, sensível,
  3. que Deus criou para preencher o coração solitário?
  4. Qual deve ser a medida da sua capacidade de amar?
  5. Talvez, infinita como os números
  6. ou imensa como os grãos da areia do mar!
  7.  
  8. Às vezes frágil como um pássaro ferido,
  9. busca refrigério para a sua dor,
  10. sempre forte, guerreira, lutadora...
  11. Mesmo nos momentos mais difíceis,
  12. jamais se curva ante as intempéries da vida.
  13.  
  14. Mulher é saudade, afeto, benignidade...
  15. É a resposta certa, a porta aberta
  16. o sorriso convidativo, que se abre puro e docemente
  17.  envolve, fascina, encanta.
  18. Mulher é alvedrio, é porto seguro,
  1. poesia que emociona, que extasia,
  2. proporciona uma viagem ao sobre natural.
  3. É a música que acalma,
  4. as mãos que afagam suavemente.
  5.   
  1. Mulher é à busca incessante,
  2. a morada do amor.
  3. Seus olhos embebidos de emoção,
  4. revelam a nobreza da sua essência,
  5. que guarda no seu cerne,
  6. as delícias de uma alma cândida e imponente.
  7.  
  8. Ela abre caminhos, cria atalhos,
  9. derruba cercas, constrói pontes,
  10. ama sem reserva, perdoa sem limite,
  11. sorrir mesmo que seja entre lágrimas em profusão.
  12. Uma heroína por excelência!
  13.  
  1. Mulher é vida, semente, broto que floresce
  2. com força e vigor.
  3. Despoja-se de todo seu ser,
  4. reveste-se de simplicidade e benevolência.
  5. É a mais sublime obra de arte,
  6. esculpida pelo Grande Artífice do Universo.



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Modernismo brasileiro: 90 anos de renovações literária e social - (1922/2012)

Profª. Marilene Oliveira de Andrade   Postado por Colunista - Profª. Marilene Oliveira de Andrade - 23/02 15:08h

(*) Marilene Oliveira

O movimento modernista foi considerado de extrema ruptura com as normas padrões nos modelos tradicionais da literatura, no século XIX. Tinha como objetivo promover uma renovação na literatura e na sociedade daquela época, buscando a valorização da língua, da realidade brasileira, com os temas de cunho nacional, folclórico e histórico, o que ocasionaria uma espécie de oposição entre as classes sociais vigentes.

O Modernismo nasceu com a intenção de valorizar aquilo que é próprio do país, seu povo, sua língua, sua história e suas manifestações culturais. Ele produziu mudanças no cenário literário, fez nascer um espírito nacionalista, voltado para a inteligência e consciência nacional.

 De acordo com Afrânio Coutinho (1983), a literatura moderna no Brasil pode ser intitulada de Modernismo, marcada pela a historiografia literária e caracteriza o período estilístico surgido com a “Semana de Arte Moderna”, que aconteceu na cidade de São Paulo, entre os dias 13 a 18 de fevereiro de 1922.  O movimento abarcou toda a época contemporânea e surgiu como indignação à decadência na qual se encontrava o Parnasianismo, após a Segunda Guerra Mundial de 1914 a 1918. O movimento não se restringiu a sete dias apenas, mas se estendeu por muito tempo.

O movimento modernista acompanhou e contribuiu para a dinâmica da sociedade brasileira do século XX. Várias características novas surgiram, houve uma remodelação da cultura nacional, começou-se a questionar as influências e os resquícios de um país colonizado, sensibilizando para uma busca de características próprias, que demarcassem uma identidade nacional. Dessa forma, desenvolveu-se um espírito crítico e revolucionário, que marcou a história literária, social, política e econômica do povo brasileiro.

São inúmeras as contribuições do movimento modernista para a sociedade brasileira representado por diversos autores, que traduziram em suas obras o sentimento de mudança que almejavam para a nação, como também criticavam aqueles que, de certa forma, dominavam o pensamento e o comportamento da população do país. As influências e visões eurocêntricas permeavam o fazer literário e a sociedade brasileira daquele período. A língua também sofreu um processo de modificação, integrando as formas de expressão de grandes poetas modernos, os quais contribuíram para a determinação de traços peculiares para representar o sentimento nacionalista que o Modernismo propôs.

Segundo Afrânio Coutinho (1983), uma das mais fecundas consequências do Modernismo refere-se à língua e ao estilo brasileiro como legítimo instrumento da literatura aqui produzida, pois houve um rompimento com os traços lusos e buscava-se uma língua nacional. Tudo isso refletiu diretamente na produção poética da época. Destarte, a poesia moderna ganha estética e linguagem características do modernismo de modo profícuo já que “[f]oi a expressão poética a que mais pronta e mais radicalmente se alterou com a viagem modernista” (BOSI, 2006, p. 438).

A poesia moderna valorizava a livre associação de ideias, as expressões coloquiais, os temas do cotidiano; como também a conquista do verso livre, a incorporação do subconsciente, a libertação do rigor métrico. Nessa perspectiva, a liberdade temática, com a utilização de uma linguagem poética modernista já estruturada, permitiu aprimorá-la, direcionando e ampliando a temática da inquietação filosófica e religiosa, sobretudo, pela liberdade de estilo e com uma língua nacional, em suas múltiplas facetas.

Ao  realizar  um  percurso  na  linguagem,  fazendo  do  poema  um  espaço de jogo de palavras, propondo a fragmentação da frase e dos vocábulos, a descontinuidade, entre outras inovações no uso gramatical, apontam-se caminhos para que, na poesia moderna, as palavras deixem de falar apenas por meio de relações gramaticais e passem a irradiar (impor-se) por si mesmas diversas possibilidades significativas.

Dentre os autores brasileiros de projeção nesse período, pode-se destacar: Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Morais, dentre outros, nos quias a poesia moderna ganhava, com certeza, traços significativos com a contribuição em especial de Jorge de Lima, um grande poeta transgressor de fases literárias.



  1. Profª. Marilene Oliveira de Andrade
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Poeta do lixo

Profª. Marilene Oliveira de Andrade   Postado por Colunista - Profª. Marilene Oliveira de Andrade - 06/02 09:53h
  1. (*Marilene Oliveira)
  2. Minhas rimas são pobres,
  3. meus versos exalam cheiro de repulsa
  4. minhas estrofes são um amontoado de revoltas.
  5. Reviro cada partícula, escavo cada centímetro
  6. procuro uma gota de simetria.
  7.  
  8. Palmilho no caminho da incerteza,
  9.  busco sobrevivência ao acaso
  10.  meu grito ecoou, minhas mãos fragilizaram-se
  11. pareço estar abaixo do limbo,
  12. vermes espertos querem engolir-me.
  13. Meu céu está nebuloso, tosco, sem estrutura
  14. agarro-me ao invisível, falo o indizível.
  15.  
  16. Sou poeta do silêncio!
  17. Ninguém me vê, ninguém me ouve!
  18. Como escreveu Clarice Lispector:
  19. “Um feto jogado na lata do lixo embrulhado em um jornal”.
  20.  
  21. Sinto-me reciclável a cada quatro anos
  22. recebo até um abraço fingido,
  23. minhas lágrimas trazem ao palato
  24. o sabor insulso dessa partícula atômica indissolúvel.
  25. Ah! Sociedade artificial!
  26. Experimento o mimetismo,
  27. minha razão recusa essa covardia.
  28.  
  29. Meus sonhos parecem estar afunilando
  30. vejo armas perversas e egoístas 
  31. sendo apontadas em direção a minha cabeça
  32. Atiro - me de joelhos, peço perdão pela minha franqueza
  33. desejo saltar com os olhos vedados na imensidão
  34. modo suicida de não enfrentar o amanhã,
  35.  não sei que futuro me espera.
  36.  
  37. Talvez a minha atitude pareça covarde
  38.  medo me domina, castra os meus ideais,
  39. deixa-me completamente inerte
  40. muitos querem me ver assim... desejo da nata...
  41. meus versos protestam, dizem NÃO!



    1. Profª. Marilene Oliveira de Andrade
    1. Professora, cabeleireira, poetisa, contista, cronista, membro da Academia de Letras do Recôncavo, Licenciada em Pedagogia, Letras Vernáculas e Especializando em Estudos Linguísticos e Literários.
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Constituição do Português Brasileiro: Aspectos históricos e culturais

Profª. Marilene Oliveira de Andrade   Postado por Colunista - Profª. Marilene Oliveira de Andrade - 28/01 12:59h

Pensar sobre a “Constituição Histórica do Português Brasileiro” é remeter-se ao passado histórico, precisamente ao ano de 1500, quando os portugueses chegaram aqui e começaram a impor a sua língua para os autóctones – indígenas –. A partir do contato entre eles instalou-se um novo marco histórico, que paulatinamente produziu uma nova identidade cultural, social e linguística. Sendo que, antes da chegada dos portugueses, aqui no Brasil existia um número considerável de indígenas, a princípio, esses colonizadores foram obrigados a aprender a língua predominante, a saber, a língua dos tupinambás.

Segundo Dalva Del Vigna (2001), vale ressaltar que, mediante o encontro inicial das línguas portuguesa e indígena, em especial, a língua Tupi, surgiram as denominadas línguas gerais, destacando a Geral Paulista e a Geral Amazônica ou Nhhengatu, como as principais. Já em meandros dos séculos XVII e XIX, a população brasileira era composta por um grande contingente de africanos. Destaca-se que as línguas africanas também influenciaram nesse panorama linguístico, por conta desses povos que foram trazidos pelos colonizadores para o Brasil.

Mediante essa gama de línguas e dialetos, houve uma fragmentação linguística, tornando o país plurilinguístico. Mas buscou-se a utilização de uma língua, que servisse como base para todos os povos, nesse caso, foi apontada a língua portuguesa, ou seja, a língua do dominador-colonizador, por conta de interesses sócio-econômico, político e cultural. Aponta-se também como um fator muito relevante na constituição do português brasileiro (PB), segundo Silvana Araújo e Jean Araújo (2009), em 1808, a chegada ao Rio de Janeiro de um número exorbitante de portugueses, que ali se refugiava da invasão francesa. Em seguida chegaram mais imigrantes de várias nacionalidades, fortalecendo o falar dialetal brasileiro, precisamente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil.

 Na conquista de territórios, geralmente ocorria a imposição da língua, dos hábitos e cultura do colonizador, quando acontecia a assimilação da língua desse sujeito por parte do conquistado denominava-se de substrato, mas podia também ocorrer o contrário e a língua do dominado sobrepor a do dominador, nesse caso tinha-se um superstrato ou ainda, as línguas tanto do dominador quanto do dominado mantinham-se em vigor caracterizando o chamado adstrato.    

 Os substratos são empréstimos inevitáveis às línguas novas, uma vez que não é possível abolir dos falantes uma manifestação linguística, bem como qualquer prática cultural de modo absoluto.  Caso particular de influência do substrato é o do português brasileiro, que a priore, proposto como língua oficial do Brasil, apenas como português puro, porém, sofreu forte influência dos substratos das línguas indígenas e africanas, posto que ambas as línguas se mesclaram ao português alterando consideravelmente o idioma oficial, que foi implantado por um processo colonizador, quando o país já possuía uma língua própria (a língua geral) marcadamente indígena.

Destarte, a partir desses fatores o português que se fala deixou de ser o português de Portugal apenas, para ser português brasileiro diferente do português luso e daqueles presentes em outros países de língua portuguesa. Diferente, inclusive, foneticamente em razão de grande participação africana.

Portanto, o Português Brasileiro (PB) sofreu a influência de povos, sendo eles autóctones e imigrantes que aqui chegaram, instalaram e passaram a impor a sua língua, desconsiderando a existência de uma língua aqui predominante: Tupi. Aponta-se que os fatores sócio-histórico-culturais marcaram fortemente a constituição da língua brasileira. 


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Coluna: O empreendedorismo feminino: A força varzedense

Profª. Marilene Oliveira de Andrade   Postado por Colunista - Profª. Marilene Oliveira de Andrade - 11/01 17:30h

(*) Marilene Oliveira

Parabéns, mulheres varzedenses! Vocês podem muito mais! A força vos pertence!

 Até o ano de 1989, Varzedo era distrito e pertencia à cidade de Santo Antonio de Jesus/BA, que está a aproximadamente a 18 km deste município – Varzedo –. Nesse mesmo ano, mediante um plebiscito, se emancipou constituindo-se cidade. A sua economia é basicamente a agricultura e a pecuária. Limita-se com os municípios de São Miguel das Matas, Castro Alves, Laje, Conceição do Almeida e Elísio Medrado e fica situada a 200 km da capital baiana. Sua população, segundo o recenseamento do IBGE de 2010 é de 9.109 habitantes, a maioria pertencente a zona rural, sendo que, o número de homens é superior ao número de mulheres.

No que diz respeito às mulheres varzedenses, estas têm se destacado no contexto sócio-econômico local, uma vez que são elas que lideram esse cenário. Empreendedoras por excelência, atuam nos seus estabelecimentos comercias, demonstrando grande capacidade em administrar, sem mesmo terem feito um curso universitário em Administração de Empresas. São exemplos de força, determinação, progresso e quebra de paradigmas patriarcais, sem perderem de vista, o seu papel de mães, esposas e até mesmo donas-de-casa.

Além das empreendedoras, pode-se elencar muitas varzedenses desenvolvendo funções diferenciadas: secretária da educação, secretária da saúde, policial, dentista, líder religiosa, diretoras e vice-diretoras escolares, frentistas, cabeleireiras, professoras etc. Nesse contexto, destaca-se que muitas delas são jovens, porém, muito competentes e responsáveis nos afazeres. Como afirma Michelle Perrot: “Elas estão presentes aqui e acolá”. Essa conquista profissional é resultado da capacidade feminina e da força que emerge das suas entranhas.

No passado, a sociedade determina o tipo de profissão cabível para a mulher, hoje, é possível que ela exerça profissões que antes competiam apenas aos homens.  Sabe-se que, durante muito tempo – até o século XIX –, a sociedade patriarcal negou à mulher o direito de exercer tarefas seculares; o trabalhar em outros espaços, além do doméstico, significava o não cumprimento do seu papel de mãe, esposa e consequentemente, o de dona-de-casa. Cogitava-se o exercício do magistério, por ocupar apenas um turno e, no outro, a mulher estaria em casa. 

Paulatinamente a mulher começou a promover grandes mudanças na sociedade patriarcal, passando a representar um divisor de águas – silêncio versus discurso –. O estigma de fragilidade aos poucos foi se modificado, pois mostrou-se cada vez mais determinada, livre e atuante nos variados espaços sociais.

Já o século XX representou um período de muitas rupturas e inquietações no universo feminino. A mulher começou a experimentar muitas conquistas e visibilidade, graças ao Movimento Feminista. Ecos do silêncio gritante tornaram-se fortes vociferações, que passaram a ser ouvidas em toda a sociedade da época. Ela – a mulher – travou intensas lutas em prol de direitos políticos e civis igualitários, que até então, pertenciam exclusivamente ao homem. A figura masculina foi descentralizada e a mulher assumiu uma nova postura social.

Vale ressaltar, a importância da baiana Leolinda Daltro teve uma grande importância no cenário feminino, ao criar o Partido Republicano Feminino, cuja finalidade era movimentar as mulheres quanto a adesão deste, assim como, a Associação Feminista, que visava o apoio nas greves operárias ocorridas em São Paulo, precisamente em 1918.  As mulheres apoiaram massivamente essas duas instituições, por se configurarem como suas grandes parceiras na luta por igualdade.

“A luta continua”! 


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Coluna: Literofobia

Profª. Marilene Oliveira de Andrade   Postado por Colunista - Profª. Marilene Oliveira de Andrade - 20/12 05:29h

Uma paciente chamada Literofobia foi levada a escola-hospitalar da sua cidade. Encontrava-se muito adoentada. O mal era sedicioso, pois não se tratava de uma doença comum, o que deixou o educador-médico muito preocupado. Ele buscou ajuda junto a uma conceituada equipe educacional.

Após vários dias de estudos e uma série de exames educacionais, chegou-se ao seguinte laudo: a paciente apresenta RAQUITISMO, pois nos seus primeiros anos escolares não foi bem alimentada com a leitura.

Os seus MAXILARES são desproporcionais, prejudicando a sua dicção, uma vez que na sua infância, não desenvolveu o hábito da mastigação de palavras, frases e textos. Apresentou sintomas de ARTRITISMO, pois não gosta de escrever e exercitar as suas articulações.

Ressaltou-se os diversos problemas estomacais, porquanto, não pode digerir bem o que ler. Há presença de ARRITIMIA já que o coração da paciente pulsa descontroladamente, dessa forma não consegue se concentrar durante as leituras e assim, não apreender as informações com clareza e eficiência.

Apresentou GLOSSOFOBIA quando é convidada para fazer leitura de textos em público, revela fortes sinais de palpitações, nervosismo e transpiração, de tal modo que, há grande possibilidade de desenvolver DOENÇAS CARDÍACAS acompanhadas de fatores de riscos imutáveis, caso a paciente não se esforce para vencer o problema da METATESIOFOBIA.

Constatou-se DOENÇAS CRÔNICAS RENAIS, já que não consegue filtrar as informações recebidas, inclusive muitas de alguns programas de TV; as absorvem sem questionar aquelas duvidosas e incoerentes, fator responsável que contribui  progressivamente para o desencadeamento da OBSEDADE comportamental.

Foi preciso fazer também o exame oftalmológico, que revelou alto grau de MIOPIA, dessa forma sua visão de mundo é restrita, limita-se apenas ao que ouve de terceiros.

A equipe médica ainda diagnosticou a AERODROMOFOBIA, sendo que a paciente sente medo de viajar nas asas do livro nem se encanta com as suas histórias.

Averigou-se ELEUTOROFOBIA, já que a paciente prefere se manter presa aos seus dogmas, não quer se libertar dos seus preconceitos. Para agravar o seu quadro de saúde educacional, nota-se a presença de FRONEMOFOBIA uma grande preguiça de pensar. A sua intelectualmente está afetada e estagnada, seguida de GNOSIOFOBIA, teme o conhecimento.

Ela é vitima de HEDONOFOBIA, tem medo de sentir prazer ao ler um livro, prefere utilizar o seu tempo com coisas supérfluas. Também apresenta IDEOFOBIA, é totalmente desprovida de ideias. Sente pânico às letras, pois é sequelada pela LITEROFOBIA. E se tratando da leitura poética, há forte indício de MOTROFOBIA, pois apresenta pavor a textos poéticos.

Estudos detalhados seguidos de pesquisa revelaram que, a doença é GENÉTICA, os seus familiares nunca adquiriram um livro, não gostam de ler, preferem passar boa parte do tempo em frete ao televisor, que às vezes atinge o sistema moral, intelectual, emocional e espiritual.

Toda a junta médica educacional está totalmente envolvida na tentame de sanar esse terrível problema, que afeta muitas pessoas, dentre elas, as crianças e os adolescentes.

O tratamento é lento e processual. Nunca deve ser interrompido e recomenda-se uma alimentação ligth, à base de leituras divertidas, interessantes, intrigantes e instigantes, que despertem o interessa da paciente e estimule o seu metabolismo.  Evitar os “enlatados”, alguns programas de TV, principalmente, aqueles que não transmitem informações construtivas, que não formam indivíduos intelectualmente sadios, apesar de serem digeridos mais facilmente e não exigirem muito conhecimento dos telespectadores. 


  1. Prof. Marilene Oliveira de Andrade
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Imprensa: A voz da sociedade

Profª. Marilene Oliveira de Andrade   Postado por Colunista - Profª. Marilene Oliveira de Andrade - 03/12 02:48h

(*) Marilene Oliveira

Parabéns, Voz da Bahia, pelo seu trabalho em prol da sociedade!

 Pensar na historia do Brasil é pensar antes de tudo na importância da imprensa, seu papel decisivo nos acontecimentos políticos, econômicos e sociais ocorridos no contexto colonial. Mesmo diante da “lei do silêncio”, a imprensa jamais foi omissa aos fatos. Acredita-se que ela instigou as transformações sociais, incentivou o povo a lutar pelo ideário de independência. Luca e Martins (2008, p. 8), afirmam que, “[a] nação brasileira nasce e cresce com a imprensa. Uma explica a outra. Amadurecem juntas. Os primeiros periódicos iriam assistir à transformações da Colônia em Império e participar intensamente do processo. A imprensa é, a um só tempo, objeto e sujeito da história brasileira”. A imprensa marca decisivamente o período sócio-histórico vivenciado aqui no Brasil no Regime Colonial. Ora se colocando como objeto, ora como sujeito nesse processo, mas de grande relevância para a sociedade brasileira.

Segundo Sodré (1999), a imprensa no período do Império vivia atada, os seus editores sob total observância da Corte e expostos a toda sorte de ameaça e “perigo”. Em virtude desse entrave, Hipólito da Costa[1] resolveu fundar o seu jornal fora do país, a saber, na capital inglesa, alegando a perseguição e os perigos da censura aqui no Brasil, precisamente no começo do século XIX. “No que se refere à imprensa brasileira, é fácil hoje compreender como a restrição à sua liberdade interessava às forças feudais européias, à metrópole lusa e seu governo [...]” (SODRÉ, 1999, p. 44). O fazer jornalístico de Hipólito trazia matérias que certamente iriam de encontro aos interesses dos senhores feudais, já que ele criticava o regime escravocrata e, na oportunidade, apontava as máquinas como recursos para acabar como o trabalho servil.

            Conforme Paulo Alberto, assinante do jornal O Palladio (1942, p. 2), “[n]o Brasil, é incontestável o serviço que a imprensa tem prestado à soberania dos princípios democráticos e à defesa da liberdade e da proteção à justiça”. O jornalismo pode ser considerado como “a voz da sociedade” e deve estar antes de tudo, comprometido em denunciar, informar, criticar, elogiar, etc.

Segundo Sodré (1999), o Diário Constitucional foi o primeiro periódico a circular na Bahia em 4 de agosto de 1821. Seus conteúdos estavam voltados para os interesses do povo brasileiro, rompendo o paradigma da imprensa áulica, que se encontrava embasada em um jornalismo comum e rotineiro. Em 10 de maio de 1822, sofreu alteração no seu título, passando a ser chamado apenas de O Constitucional, pois não se configurava mais como diário. O Constitucional era o único periódico que se atrevia a lançar em rosto daqueles tiranos sua arbitrariedade, sua injustiça, sua barbaridade” (SODRÉ, 1999, p. 52). Assumir a postura desse jornal não era uma tarefa fácil, pois significava afrontar as autoridades “poderosas”. Foi um ato heróico e corajoso do seu editor, que não temeu pagar, até mesmo com a própria vida, por esse seu trabalho.

Quanto à Imprensa Régia, ela detinha o poder, o seu trabalho de impressão era muito caro, estava restrito a poucas pessoas, destinava-se apenas a grupos seletos, como os comerciantes.  De acordo com Morel (2008, p. 31), “[a] própria Impressão Régia não pode ser considerada apenas divulgadora de papéis oficiais, pois desenvolveu ampla e complexa atividade tipográfica, tornando-se a primeira editora a funcionar em território brasileiro”. Paulatinamente foram surgindo outras tipografias no Rio de Janeiro: “[...] a Nova Tipografia e a de Moreira e Garcez” (SODRÉ, 1999, p. 36). E, continuamente, novas Tipografias foram se instalando no Brasil.

Por meio de Carta Régia, em 1811, Manuel Antônio da Silva Serva conseguiu o consentimento que lhe outorgava o direito de funcionamento para a sua tipografia. “Depois da revolução do Porto, apareceram outras oficinas: o processo da independência se acelerava, com o regresso da Côrte a Lisboa [...]” (SODRÉ, 1999, p. 36). A imprensa sempre foi vista por muitas pessoas como um veículo imprescindível de comunicação, capaz de alterar/modificar a história de um povo, de uma nação.

Parabéns ao Voz da Bahia e a toda a sua equipe, pela conquista merecida desse título e pelo brilhante trabalho em prol da sociedade, sempre se posicionando de forma imparcial, responsável e verdadeira. 

[1] Hipólito da Costa – Fundador, dirigente e redator do jornal o Correio Brasiliense,em Londres. Sodré, 1999, p. 26.


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Em memória a imprensa Santantoniense do Século XX: O Jornal O Palladio

Profª. Marilene Oliveira de Andrade   Postado por Colunista - Profª. Marilene Oliveira de Andrade - 12/11 16:00h

(*) Marilene Oliveira

O poeta, fundador e proprietário do jornal O Palladio, Antonio Mendes de Araujo – Antonio Mendes – nasceu na cidade de Maragogipe/BA, em 1872. Teve uma rápida passagem no jornal O Combate, no início da sua publicação. Ainda em Conceição do Almeida/BA, já trabalhava em um periódico.  Mudou-se para Santo Antonio de Jesus/BA e fundou o jornal O Palladio.

O jornal O Palladio foi instituído em 15 de novembro de 1901 e tratava-se do periódico semanal de maior circulação na Bahia. Era produzido em chapa de chumbo – oficina própria –, impresso em máquina rotoplana “Diamant” e exigia muita habilidade e atenção dos tipógrafos.                                    

Durante toda a sua existência, O Palladio sempre se colocou como uma mídia valiosa para a sociedade baiana. Noticiou acontecimentos regionais e internacionais, a exemplo da primeira guerra-mundial ocorrida entre os anos de 1914-1918, os acontecimentos locais da vida privada de pessoas públicas, a morte do grande romancista baiano Xavier Marques, a implantação de um banco do Distrito Federal em Santo Antonio de Jesus/BA, a possível invasão dos alemães ao Brasil, dentre outros acontecimentos importantes. Contou com vários colaboradores de destaque da sociedade santoantoniense, a exemplo dos professores Rômulo Almeida, Isaias Alves, fundador da Faculdade de Filosofia da Bahia, o poeta Silvestre Evangelista e do escritor Fernando Pinto de Queiroz, membro da Academia de Letras de Feira de Santana.

O Palladio foi um jornal consistente, conseguiu se destacar dentre outros jornais, tais como: A Tribuna, O Combate, Actualidade, além do seu grande concorrente, o jornal A Tarde. Para viabilizar o trabalho de impressão, Araujo conseguiu junto ao governo Goes Calmon, máquina e material novo.

 Era um jornal sem fins lucrativos, sobrevivia apenas mediante o apoio dos seus assinantes. Agamenom Magalhães, um dos seus assinantes, em nota ao referido jornal – edição de 1942 –, escreveu: “O jornalzinho do interior não tem publicidade paga. Não ganha. A sua é, porém, a função do jornal – informar, orientar, defender o regime e o interesse público”.

Para Agamenom Magalhães, O Palladio representava um grande parceiro da população e ele acreditava na seriedade desse veículo de comunicação. E vai além: “quem sabe se a imprensa matuta não acabará por reformar com o rigor e beleza de sua orientação, a imprensa das capitais? Não creio na máquina, sem o nervo e o pensamento. Não creio na máquina, sem o homem”. O Palladio exerceu forte influência sobre a vida de muitos baianos, que o consideravam de suma importância para a sociedade.

Em nota ao O Palladio, o leitor Agamenom Magalhães se referiu a esse jornal chamando-o de “jornalzinho”, não de forma pejorativa, acredita-se que de maneira íntima e carinhosa, ao afirmar que:

 O jornalzinho que no interior resiste ao rádio, ao automóvel e à técnica da circulação instantânea das notícias e do pensamento, dos fatos e dos acontecimentos mais distantes, e não cede o seu lugar, nem perde a sua influência local, é o testemunho de uma tradição e de uma cultura que não morreu, é o espírito das cidades sempre aceso, como um fio das lamparinas nos santuários humildes. Tenho grande admiração por esses jornalzinhos. Leio todo o número que me chega às mãos.

 Segundo a visão desse leitor, O Palladio foi de grande relevância naquele período, mostrando o seu valor social e cultural.

Antonio Mendes foi um homem habilidoso e diligente, e assim conseguiu fazer com que esse jornal sobrevivesse por mais de 50 anos. No dia 30 de maio de 1952, ao completar 80 anos, Antonio Mendes de Araujo faleceu. Depois do seu falecimento, o jornal foi desativado pelo seu filho, o bacharel Uranio, e todo o maquinário foi deixado em um museu, onde não era permitida a visitação pública.



  • Prof. Marilene Oliveira de Andrade
  • Professora, cabeleireira, poetisa, contista, cronista, membro da Academia de Letras do Recôncavo, Licenciada em Pedagogia, Letras Vernáculas e Especializando em Estudos Linguísticos e Literários.
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O livro: elemento imprescindível para a difusão do saber e transformação da sociedade

Profª. Marilene Oliveira de Andrade   Postado por Colunista - Profª. Marilene Oliveira de Andrade - 26/10 11:47h

(*) Marilene Oliveira

A imprensa sempre foi um veículo de divulgação do livro, embora enfrentasse sérios problemas de censura no período colonial, já que havia enorme preocupação das classes dominantes quanto à propagação do livro, pois poderia gerar novos conhecimentos nas classes dominadas, o que representava ameaça à elite que detinha o poder.

Ressalta-se o papel da maçonaria na disseminação de doutrinas revolucionárias, de tornar públicos os livros que, nesse período, tinha a sua circulação proibida. Apenas os livros de cunho religioso recebiam enfoque, revelando o poderio da religião, representada pela Igreja Católica.

Na primeira era moderna, especificamente na escola tradicional, a aprendizagem acontecia apenas mediante “um livro de preces ou um caderno solto” (CHARTIER, 2001, p. 74). O que faz crer que esse tipo de aprendizagem era extremamente limitada, até porque formar uma população intelectualmente esclarecida não era a intenção da Igreja nem do Estado.

O livro no Brasil, de acordo Sodré (1999, p. 11), era visto como “[i]nstrumento herético [...]” entre os indivíduos comuns, apenas no poder dos religiosos não representava nenhum tipo de ameaça à elite. As bibliotecas aqui existentes na época estavam restritas aos mosteiros sob aguarda dos religiosos. Quando da expulsão pombalina, os livros sequestrados pertencentes à biblioteca dos jesuítas – Bahia –, por se encontrarem em estado de decomposição, passaram a ser utilizados pelos comerciantes, denominados – boticários – “para embrulhar adubos e unguento” (Idem, p. 12).

No Regime Colonial, o livro estava sob as ordens da Corte e passou a ser fiscalizado severamente, já que representava perigo ao Estado. De posse dos livros, os indivíduos adquiririam conhecimentos que consequentemente poderiam ser usados contra as classes dominantes. Para os líderes, quanto mais às pessoas permanecessem na escuridão do pensamento melhor seria. “A abertura das mentes era facilitada pelo acesso a obras proibitivas por serem tão raras e caras, além de literalmente proibidas pelo próprio obscurantismo da Coroa Portuguesa” (LUSTOSA, 2000, p. 24).

Um fator relevante para a considerável entrada de impressos – livros – no país aconteceu graça à abertura do Porto. Mediante apoio do governador Luiz de Rêgo e em função do movimento portuense, acontece a divulgação do primeiro periódico brasileiro. Vale ressaltar que não demorou muito para, mais uma vez, o cerco se fechar contra os livros ou qualquer outro material impresso, que só poderiam entrar no Brasil mediante uma severa fiscalização da alfândega e conforme permissão do desembargador do Porto.  Muitos livros, na verdade, entravam no país de forma clandestina

Apenas os livros de conteúdo que não representasse nenhum tipo de reflexão poderiam circular normalmente entre as pessoas. “Os bons livros, os livros autênticos, entravam de contrabando” (SODRÉ, 1999, p. 14). A propagação de livros de caráter crítico-reflexivo não era de interesse algum da sociedade dominadora, o que justificava a entrada clandestina de muitos deles, já que essa era a única forma do povo ter acesso a uma literatura transformadora. 



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Enquanto uns choravam, outros sorriam

Profª. Marilene Oliveira de Andrade   Postado por Colunista - Profª. Marilene Oliveira de Andrade - 25/10 12:58h

Em uma cidadezinha do Recôncavo Baiano havia apenas uma funerária para atender a demanda dos defuntos. Houve um período em que muita gente estava morrendo. Que horror! Quase toda semana morria pelo menos uma pessoa.  Já acontecerem até três sepultamentos em um único dia. Para uma pequena cidade era um número estarrecedor.

Coitado do coveiro! Não tinha mais sossego. Se ausentar da cidade, só se fosse em pensamento! O seu trabalho tinha aumentado e muito. Era um subir e descer a ladeira de acesso ao cemitério. Pensou até em construir uma casinha ali mesmo, ao lado da mansão de todos nós. Às vezes, mal chagava em casa, alguém batia na sua porta, pedindo-lhe para ir cavar outra cova. Quando o solo estava úmido, ótimo para executar o serviço, mas quando demorava para chover, era um sufoco. E, assim, foi a sua rotina por muito tempo.

Como a lei da procura era superior à lei da oferta, nas suas poucas horas vagas, o coveiro já ia adiantando o serviço, cavando novas covas. As pessoas supersticiosas não estavam gostando nada disso, começaram a atribuir a razão de tantas mortes ao “agouro” do coveiro.  

Se não bastasse, uma das paredes laterais do cemitério desmoronou e o local ficou aberto por um bom tempo. Muitos diziam que a porta estava aberta, chamando as pessoas. Esses fatos renderam muita conversa na pacata cidade.

As pessoas que participavam de todos os velórios, até ficando mais gordas já estavam, ficando, uma vez que os familiares enlutados servirem bolacha “poca zói”, pão, café e nem mesmo a “pinga” ficava fora desse cardápio. O que deveria ser luto, tristeza, sentimentos fúnebres, tornava-se em uma noite de lazer, bate papo e reencontro de velhos amigos. Os donos dos botequins estavam desesperados, pois não contavam mais com os seus fieis clientes.

Era quase impossível encontrar uma flor na cidade. Os jardins não prosperavam mais. Só se viam as mulheres à procura de flores na vizinhança. Eram flores de todas as espécies: dálias, cravo de defunto, rosas vermelhas, rosas brancas e tudo que se assemelhasse com flores.

Bom para os donos de mercearias e mercadinhos, pois no dia de finados vendiam uma quantidade exorbitante de velas, dos mais variados tamanhos e marcas, nem mesmo as velas coloridas eram recusadas.

 O prefeito municipal teve que dobrar o tamanho do cemitério. O pior, não demorou muito e quase todo o terreno já estava loteado e edificadas muitas casas eternas. 

Vendo que o negócio era lucrativo, um morador dessa cidade, resolveu também apostar no seu sucesso empresarial. Tratou logo de abrir uma funerária. Lucro certo, movimento garantido. Tudo estava conspirando ao seu favor.

Em se tratando de funerária, sabe-se que não é um tipo de casa comercial aprazível. Ninguém gosta de frequentá-la.  Dessa forma, o senhor X, procurou ser criativo na decoração da loja, adquiriu os mais variados modelos de caixões, para todos os gostos. Digo, gosto dos vivos! Eu pude conferir de perto. Nunca tinha ido a uma funerária, mas quando um primo meu faleceu, fui até lá escolher um “envelope” para ele. Passei um bom tempo examinando os modelos, os detalhes e, por fim, escolhi um, por sinal, muito bonito, todo em madeira talhada. Acho que, se o meu primo tivesse vivo, iria amá-lo. Ah! Já ia esquecendo de um detalhe importante, nem foi muito caro. Era preciso economizar o “dindim” do finado, porquanto tinha outras dividas a serem pagas.

Uma pessoa da minha família, comerciante, moradora da cidadezinha e também prima do falecido foi até a funerária efetuar o pagamento do tal “envelope”. O empresário, contente com a “grana” que acabava de receber, disse:

- Qualquer coisa que a senhora precisar, é só mandar alguém vier aqui. Estamos às suas ordens.

- Deus é mais! Quero distância desse lugar!

No meio desse caloroso diálogo, já na saída do estabelecimento comercial, ela “deu de cara” com o filho do dono da funerária e procurou saber como estava o movimento. Ele, como sempre, muito feliz, inconscientemente respondeu:

- Você nem imagina. Está um excelente movimento. Graças a Deus a gente tem vendido muitos caixões.

A minha parenta fez uma cara de espanto ao ouvir o que o jovem falou. Ele, meio desapontado com a barbaridade que disse, tentou amenizar a situação.

- Desculpa, amiga, foi mal.

O filho da minha parenta arregalou os olhos e disse:

-Ah! Fio de uma mãe, tu parece que é doido!

Todos riram da conversa nada engraçada. 


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Os percalços sócio-histórico-culturais e as conquistas femininas

Profª. Marilene Oliveira de Andrade   Postado por Colunista - Profª. Marilene Oliveira de Andrade - 17/10 17:33h

"Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade''. ( Simone Beauvoir)

                                                            

Ao longo de toda a história da humanidade até o final do século XVIII, a mulher era considerada como um objeto, uma vez que a sociedade sempre a considerou um ser humano passivo, ficando sujeito às ordens masculinas. Um modelo de uma sociedade patriarcal, na qual o homem – chefe da família – era o centro de tudo. 

A partir do século XIX, a sua participação nos mais variados espaços sociais começou a ganhar corpo, não era mais, apenas, a dona-de-casa que vivia para os seus filhos e para o seu esposo. “Esta mulher é um artigo inflamável cujas reações são temidas pelas autoridades” (PERROT, 2005, p. 212). A mulher despontou-se com uma nova roupagem, uma nova configuração, uma força ameaçadora.

Segundo Perrot (2005), contrariando o sistema dominador da época, não se calou, fugiu, não mais aceitou viver sob a “escravidão”, a sua voz se fez ouvir por todos os lugares, passando até a fazer discursos em locais públicos. Por representar “uma “ameaça” ao homem, passou-se a criar espaços puramente masculinos nos quais a mulher era proibida de frequentá-los.

Pretensiosa, passou a delimitar o seu espaço, percorreu universos jamais permitidos e conquistou outros ambientes, além do doméstico.  “Trabalhadora ou ociosa, doente, manifestante, a mulher é observada e descrita pelo homem” (PERROT, 2005, p. 198). Por que tanta preocupação com a mulher? O que isso significou? Antes um ser humano tão indefeso, tão frágil e tão submisso! Notou-se que ela, “água dormente”, começou a despertar-se, assumindo outro papel, embora ainda um tanto quanto tímida, em função de um contexto sócio-histórico-cultural de domínio exclusivamente masculino.

Já na contemporaneidade, são muitos os exemplos de mulheres que são mães, esposas, profissionais, etc. Essa dinâmica do mundo moderno as faz seres humanos tridimensionais. A cada dia elas têm conquistado o mercado de trabalho e se destacado em virtude da sua competência e da sua qualificação profissional.

No passado era simples coadjuvante nos espaços profissionais, hoje está assumindo lugar de destaque em muitas empresas nacionais, multinacionais e na política, o que representava apenas privilégio do homem. Não obstante, ocupando o mesmo cargo que um homem ocupa, ainda ganha menos que ele. Oportunizar a mulher as mesmas condições de trabalho e salários igualitários, entende-se como algo justo e necessário. Destarte é dar-lhe o direito que lhe foi negado ao longo da história, oriundo de um contexto histórico excludente que ainda subsiste. Não se pode pensar em uma sociedade democrática e igualitária, onde homem e mulher possuem direitos iguais, se uma categoria é beneficiada em detrimento da outra, dessa maneira, estar-se reproduzindo os ranços da sociedade do passado. 

Reconhecer as conquistas femininas é algo extremamente valioso, mas infelizmente muitas mulheres ainda são vítimas de vários preconceitos e também de violências, a saber, violência de gênero, violência física, violência sexual, violência psicológica, etc. Quase diariamente a imprensa falada e escrita noticia ocorrências, em que foram brutalmente assassinadas, violentadas e agredidas moralmente pelos seus companheiros, esposos, namorados... É lamentável deparar-se com esse tipo de notícia. Faz-se necessário que esses indivíduos – agressores – se eduquem, se conscientizem e evitem essas atrocidades, para que a lei seja o último recurso a ser aplicado.

Infelizmente a mulher ainda carrega consigo um estigma de “coitadinha”, de “frágil”, fruto de uma geração arcaica, ainda reportada de maneira implícita e até mesmo explícita na modernidade. Se não bastassem, há na mídia, letras de músicas nas quais é depreciada. Chega! Chega!

As experiências e expectativas vividas pela mulher permitiram que ela chegasse atualmente ao pináculo da esfera sócio-global, vinculando outras vertentes personalizadas da figura feminina. Acredita-se ser esse o momento oportuno para todas as brasileiras conclamarem mais segurança, respeito, proteção à vida e igualdade de diretos, pois pela primeira vez na história política nacional, tem-se na presidência da República, uma mulher – Dilma Rousseff. Em seu primeiro discurso após ser eleita, ela falou para todos (as) brasileiros (as): “Pais e mães podem olhar nos olhos de suas filhas e dizer ‘sim, a mulher pode".

As brasileiras “poderosas” do século XXI desejam e esperam da “companheira” a Exma. Srª Dilma Rousseff – presidenta do Brasil –, um olhar mais sensível para as causas femininas.

 “As mulheres, que força”!

 

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Em uma fria noite de verão

Profª. Marilene Oliveira de Andrade   Postado por Colunista - Profª. Marilene Oliveira de Andrade - 13/09 09:49h

(*) Prof.  Marilene Oliveira de Andrade

Fim de expediente. Começo de noite. Trânsito congestionado. Pessoas apressadas dirigem-se ao ponto de ônibus. Todos lutam por um espaço. Crianças, adolescentes, jovens, muitos dispersos nas ruas. Talvez, vítimas de uma sociedade desigual. Apática. Sem nenhum medo ou receio, usam, vendem e partilham drogas. Rostos desfigurados, olhares sombrios. Diálogos confusos. Ficam prontos para aplicar o golpe nas pessoas que passam por ali. Ameaçadas por esses sujeitos, algumas reagem. Outras correm. De outras, tudo é levado. Gritos, choros, pânicos, correrias, revoltas, protestos. Valores transgredidos, condutas violadas... Abismo à frente. Olhos vedados. A rua é o mundo. O espaço. O tudo. Observo as cenas. As pessoas. Os atos.

O céu está nebuloso. Parece que vai chover. Não demora muito e a chuva cai. O asfalto fica brilhando. Em pouco tempo pequenas lagoas são formadas. Ruas inundadas. Caos total em alguns pontos da cidade. Os carros passam em disparada espirrando aquele líquido contaminado em tudo e contaminando as pessoas que estão por perto.

- Mal educado! Seu filho da “p...” alguém grita.

A noite fica mais tensa. A chuva não cessa. Ligo o som. O limpador de pára-brisas dança para lá e para cá incessantemente. A visibilidade fica comprometida. Os vidros embaçados. O semáforo fecha. Sinto medo... Fiquei angustiada. Ao redor vejo crianças vendendo balas. Em meio a tudo isso, aproveito a parada para trocar o CD. Preciso ouvir uma música para relaxar. 40, 39, 38... 3, 2, 1. O sinal abre. Alguns motoristas imprudentes e mal educados querem sair às pressas, buzinas, xingamentos, palavrões. Seria tão bom se fôssemos eticamente corretos!

Observo os carros a minha frente, cada um segue destinos variados. Para onde estão indo essas pessoas nesse momento? Arrisco um palpite: umas devem estar voltando para casa. Para a sua família. Outras, para o barzinho. Para o cinema... Motel..., talvez. Como é intrigante a diversidade!

A chuva está aumentando. Raios começam a cruzar o céu escuro. Estremeço-me. Não tenho muito medo de trovões, mas confesso que não me agradam. Já ouvi casos de pessoas que foram mortas, vítimas de raios.

Logo a minha frente vê uma multidão. Pessoas tumultuando o local. Sinto vontade de parar para ver o que está acontecendo. Desisto. Parece ser um acidente e pelo visto, grave, pois há corpo no chão. Será que morreu alguém? Tomara Deus que não! A morte é muito cruel. Não gosto dela. Quero-a bem longe de mim. De repente, a sirene é ativada. O carro dos bombeiros passa em alta velocidade em direção a um

hospital que fica a 500 metros do local do acidente. Oxalá que essa vítima consiga ser atendida!

Nesse momento recordo-me das pessoas atingidas por “balas perdidas”. Perdidas?! Ou achadas?! Diria, achadas em peitos inocentes, em corações cheios de sonhos, em cérebros geniais. A família enlutada passa a experimentar o sabor amargo dessas balas cruéis. Quem são os culpados? Melhor pensar em outras coisas para não aumentar a minha indignação.

Entrarei na próxima rua à direita. Acionarei o controle do portão da garagem e entrarei rapidamente. Tenho medo de ser assaltada. Sequestrada... Assaltada representa uma possibilidade, mas sequestrada, não. Iriam sequestrar uma professora? Só se estivessem bem drogados. Com certeza iriam até mesmo pagar pela minha libertação. Professores ainda ganham muito mal nesse país. Uma profissão tão nobre, educar outros seres humanos. Fico intrigada quando penso que qualquer outro profissional, precisou passar antes por um professor. O que há de errado com esse indivíduo tão mal remunerado?

Procuro o controle do portão e vejo que não está ali. Ligo para casa. Rapidamente o portão se abre e estaciono na garagem. Sinto-me mais segura agora. Mais segura. Sim. Não totalmente. O perigo está em toda parte. Preciso tomar um banho e descansar, tirar o “peso do mundo dos meus ombros”. Tive um dia muito cansativo. Compromissos. Compromissos. Uma lista interminável de atividades. A sociedade capitalista dita às ordens: “ser”, “ter” e “poder”. Ser superior ao outro; possuir muito dinheiro e poder controlar o mundo.

Para variar ligo a TV, só vejo desgraças por toda a parte. Fome. Guerra. Terremotos. Enchentes. Assassinatos. Parece até que virou moda a violência contra a mulher no nosso país. Choro enquanto contemplo essas cenas esdrúxulas Revolto-me ao mesmo tempo, pois muitos homens são os responsáveis por essas atrocidades. Não suporto desligo a TV e vou ler um pouco, vai me fazer bem. Por hoje chega. Preciso esquentar-me dessa noite fria de verão, pois minha alma parece estar gelada. Apago a luz e vou dormir. Boa noite!

 

Prof. Marilene Oliveira de Andrade

Professora, cabeleireira, poetisa, contista, cronista, membro da Academia de Letras do Recôncavo, Licenciada em Pedagogia, Letras Vernáculas e Especializando em Estudos Linguísticos e Literários.

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Por uma consciência nacional: Relação Homem e Sociedade

Profª. Marilene Oliveira de Andrade   Postado por Colunista - Profª. Marilene Oliveira de Andrade - 04/09 18:16h

(*) Prof.  Marilene Oliveira de Andrade

O Brasil é considerado o melhor do mundo no futebol, já conquistou cinco títulos. Realmente é muito bom, nos deixa orgulhosos, somos cinco estrelas, brilhamos mundialmente. O carnaval é outra atração que encanta multidões e atrai milhares de turistas estrangeiros; possuímos uma das maiores riquezas naturais, a Floresta Amazônica, com a sua rica biodiversidade, que desperta a cobiça de muitos países. Temos a maior reserva de água doce do planeta. Quantas coisas imponentes! Até aí, tudo é muito lindo e maravilhoso.

Não podemos esquecer que é também o país do contraste. Há um número exorbitante de pessoas que vivem em condição subumana, excluídas da sociedade. A fome, o desemprego, a violência, o analfabetismo, a falta de moradia, a desigualdade social, têm obscurecido a tão bela imagem esculpida do nosso país.

Diariamente somos surpreendidos por cenas que jamais gostaríamos de ver: pessoas buscando a sobrevivência nos lixões, disputando restos de alimentos com os ratos, com os urubus, com os cães. Essa cruel realidade é muito bem descrita pelo poeta Manoel Bandeira no seu poema O bicho, ao afirmar que tinha visto um bicho na imundície do pátio, catando alimento e quando o achava, sem que o examinasse, o devorava com toda voracidade. Para a surpresa do poeta, não se tratava denotativamente de um bicho, um animal. Surpreendentemente concluiu: O bicho, meu Deus, era um homem. Quantas pessoas hoje não vivem nessa mesma condição? E as nossas crianças? Muitas delas não têm o direito de viver a sua infância, logo cedo abandonam a escola, ou mesmo nunca a frequentaram, pois precisam trabalhar para ajudar as suas famílias. Que futuro as espera? Precisamos mudar essa realidade!

Estamos imersos numa sociedade capitalista em que a divisão de bens sofre diferenciações gritantes, gerando a dicotomia entre exploradores e explorados, numa relação de oprimidos e opressores. O filósofo Jean-Jacques Rousseau (1997), no seu Discurso sobre a Origem e os Fundamentos das Desigualdades entre os Homens discute a respeito da desigualdade moral ou política, resultado de uma analogia na qual alguns indivíduos usufruem de vários benefícios, enquanto outros permanecem em situação desprivilegiada.

Outro problema sério diz respeito à saúde pública. Diariamente temos filas quilométricas nos hospitais, pessoas que vão à busca de atendimento médico, muitas morrem ali mesmo ou voltam para casa insatisfeitas e sem a menor esperança de terem o seu problema resolvido. As condições precárias das unidades hospitalares, a falta de medicamentos, equipamentos e profissionais da área, têm contribuído para que a saúde encontre-se na UTI. As autoridades competentes afirmam que faltam recursos para maiores investimentos na saúde. Porém, o Brasil é o país que arrecada a maior carga tributária do mundo, entretanto, onde está o dinheiro público? Em que está sendo usado? Rousseau assegura que, seria bom se o homem permanecesse no estado de natureza, pois gozaria de plena saúde, das forças físicas, bem como, desfrutaria das qualidades do espírito e da alma. O homem no estado de natureza ou natural é considerado um homem feliz.

Nossa sociedade tem vivenciado uma série de problemas, há um despautério assustador, cresce demasiadamente o número, principalmente de jovens e adolescentes que adentram no mundo das drogas, do crime, da prostituição; jovens sem perspectivas de vida, sem sonhos. Cadê os nossos jovens políticos, que nas suas campanhas defendem políticas de valorização da juventude? Não podemos fechar os olhos para as causas sociais.

Dados alarmantes revelam que há na rua, milhares de bandidos, aterrorizando a população, praticando crimes hediondos, assassinatos, tráfico de drogas. Nas cadeias superlotadas, as pessoas já perderam a sua identidade de cidadão. E o que nos deixa mais intrigados ainda é sabermos que essas pessoas gastam mensalmente dos cofres públicos quantias demasiadas para o seu sustento. Aí está parte dos nossos impostos! Precisamos repensar e intensificar alternativas que possibilitem a essas pessoas, um futuro promissor. Ouvimos sempre falar de novos presídios construídos e reformados, pois as cadeias não comportam mais a superlotação. Qual a razão dessa trágica realidade? Esses indivíduos não escolheram nascer delinqüentes. Se fossem construídas mais escolas, não seria uma maneira de mudar essa realidade que tanto nos angustia? Se fossem oferecidas mais oportunidades para os jovens, não evitaríamos parte desses problemas? É mais fácil educar crianças do que manter homens encarcerados.

O Estado gasta por mês valores altíssimos com um presidiário, no entanto, para uma criança que precisa de muitos cuidados, como uma alimentação adequada e educação de qualidade, são destinadas uma mísera quantia. Que paradoxo revoltante! O dinheiro utilizado na educação não é para ser visto como despesa, porém, como um dos mais nobres investimentos do país. Precisamos repensar essa questão tão importante para a nossa sociedade.

No Brasil não existe guerra com tanques, mísseis, bombardeios, mas cotidianamente morrem muitas pessoas, vítimas de balas perdidas, de tiroteio entre policiais e bandidos. Uma guerra não declarada! O que efetivamente, nós brasileiros estamos fazendo para minimizar esse problema de ordem nacional? Não podemos continuar omissos a essas questões, somos todos responsáveis, direta e indiretamente. Questões que merecem um olhar mais atento dos nossos lideres políticos.

A educação pública brasileira ocupa uma das piores posições mundiais. Sabemos que mediante a intervenção do processo educacional, o sujeito poderá conquistar a sua emancipação, se livrar dos dogmas elitistas, mudar de postura e intervir positivamente no meio ao qual está inserido. Mediante essas reflexões, por que a educação encontra-se tão mal no país? Investir num firme projeto educacional é despesa supérflua ou ameaça ao elitismo? O sistema não tem medo de um pobre com fome, mas de um pobre que sabe pensar. Reconhecemos o quanto a educação é fundamental para a formação de um sujeito pensante, critico, reflexivo e autônomo.

Os nossos professores, em troca do seu digno e árduo trabalho, recebem um salário insignificante. Entendemos que representam uma categoria que poderia ser muito mais valorizada, pois a função que ocupam é de uma responsabilidade imensurável por atuarem diretamente na formação de seres humanos.

O que nós brasileiros esperamos no século XXI não é apenas ser hexacampeões sediar a copa do mundo em 2014, atingir records de exportação mundial, atrair mais investimentos para o país, fechar negociações políticas, comungar do acordo ortográfico. Queremos que a dignidade humana seja resgatada, crianças vivam plenamente a sua infância, jovens possam desfrutar de melhores condições de vida com direito a mais acessibilidade às universidades públicas e que o nosso voto faça valer de verdade. Esperamos, de fato, que o nosso país se liberte dos seus passos claudicantes, acorde do sono indolente e que os nossos representantes políticos, as nossas vozes, estejam mais atentos às questões sociais que tanto nos afligem e nos incomodam. Enfim, esperamos recolorir o nosso verde-amarelo que muito nos engrandece, pois brasileiro não desiste nunca.

 

Prof. Marilene Oliveira de Andrade

Professora, cabeleireira, poetisa, contista, cronista, membro da Academia de Letras do Recôncavo, Licenciada em Pedagogia, Letras Vernáculas e Especializando em Estudos Linguísticos e Literários.

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