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Quarta-feira, 22/02/2012
Boa noite

Artigos

Prof. André Gustavo

Postado por: Colunista - Prof. André Gustavo Comente agora
Jan
26
12:57h
Os 5 "C" do sucesso

Há muitas regras e caminhos para o sucesso. Apesar de uma meta distante, que exige suor, esforço e planejamento, obter êxito naquilo que desejamos e colocamos como um objetivo depende principalmente como nos comportamos e das ações que empreendemos. Nesta caminhada haverá momentos de ascensão e declínio, apoio e oposições, oportunidades e ameaças. O mundo não é tão linear quanto imaginamos, por isso é preciso ter consciência e estar preparado para as adversidades que surgirão pelo caminho.

 Para que possamos avançar rumo à realização de uma meta, e obter o tão desejado sucesso, pelo menos cinco palavras que começam com a letra C são necessárias. São elas: Compromisso, Comunicação, Colaboração, Clareza e Consenso.

 O Compromisso com o progresso é o primeiro destes C´s. O quanto de dedicação e esforço destinamos a algo que queremos alcançar é fundamental. Tudo começa pelo nível de tempo, força e idéias que você coloca em algo. A relação do nível destes componentes com o sucesso de algo é diretamente proporcional. O comprometimento é essencial para o alcance do sucesso.

O segundo “C” é a Comunicação, que precisa ser clara, direta e objetiva. As pessoas somente se engagarão em algo quanto acreaditam verdadeiramente no que fazem. É a comunicação que leva à pessoas a mensagem, que fazem elas entenderem o que devem fazer, o por que devem fazer e os beneficios que trarão. A boa comunicação facilita parcerias, remove obstáculos, cria conexões e transmite nossa mensagem, envolvendo pessoas.

 

A Colaboração é o terceiro “C”. A colaboração é o verdadeiro poder. Somente em ambientes colaborativos, as idéias e ações ganham poder de realização. As histórias e mitos do herói solitário, não funciona nos dias de hoje. A diversidade de ideias e pensamentos, a força da ação conjunta e a pluralidade, são elementos que enriquecem qualquer caminhada para o sucesso.

 A Clareza é a limpeza do caminho. Mesmo sabendo que andamos em um mar de incertezas e que bonanças e réves estarão presentes, buscar o máximo de clareza naquilo que estamos dispostos a alcançar é fundamental. Nas ações, na comunicação, no planejamento, nas metas, etc, buscar sempre ser o mais objetivo possível, deixando todos os envolvidos a par do que realmente queremos. Em ambientes de escuridão, a luz é um porto seguro. Este é o quarto “C” para o sucesso.


E por último, porém, não menos importante, o Consenso. Aqui não nos referimos a acordo unânime, já que a diversidade de idéias é importante para qualquer evolução, mas a capacidade de um grupo divergir mais decidir por uma ou por algumas alternativas. Para evoluírmos precisamos abandonar muitas coisas pelo caminho e há momentos que precisamos nos desapegar de ideias e pensamentos para em grupo, consensuar e elovuir. Consenso está ligado a desapego.

Clareza, comunicação, colaboração consenso e compromisso são fundamentais para o sucesso nos negócios, na política e na vida. Sem eles, teremos dificuldades de progredir e constantemente estaremos esbarrando nas nossas próprias limitações, fazendo emergir um sexto “C”, o Conflito. Este é fruto do individualismo, da falta de respeito, do egoísmo, quando o conflito emerge todo mundo sofre.

Por isso, como líder, chefe, gerente ou mesmo fazendo parte de um grupo de trabalho ou família, procure exercitar e disseminar estes cinco “C” que nos leva ao sucesso. Boa caminhada.

 

 

André Gustavo de Araújo Barbosa, Diretor da INTR3NDS – Soluções para o Futuro, Doutorando e Mestre em Administração, Professor Universitário de Graduação e Pós Graduação, Presidente do CDL/Saj, Analista do SEBRAE/Ba e Vice-presidente do Observatório Social/Saj.

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Jan
07
10:52h
O Mundo em 2012

(*) André Gustavo

Chegamos vivos em 2012, ufa! O ano que findou há cinco dias foi um golpe de realidade em um mundo que sinalizava um longo período de abundância, crescimento e tranqüilidade para o status quo dominante. Após a crise imobiliária e financeira de 2009, que afetou principalmente os EUA, e deixou um rastro de impacto em outros países do mundo, tudo caminhava para a volta ao “normal” e para um novo ciclo virtuoso do capitalismo. Mas, não foi bem assim. O ano de 2011 se tornou um ano símbolo para o futuro, tendo como fatos marcantes:  a volta das populações as ruas na Europa, nos EUA e no oriente, se destacando aqui a chamada “Primavera Árabe”; a crise em diversos países da Europa e da união Européia; a deposição de diversos ditadores pelo mundo e o começo do fim dos regimes ditatoriais; e a China se consolidando como maior importador e maior fabricante do mundo. Assim o ano novo nasce em meio a um cenário turbulento e imprevisível, onde alguns fatos que são esperados que aconteçam, podem aprofundar a crise econômica, social e ambiental que vivemos, ou iniciar um novo momento na nossa história. Cito abaixo cinco destes fatos que acontecerão em 2012 e podem mudar tudo que esperamos:

  1. A crise econômica financeira continuará, e há grandes chances de se aprofundar, na Europa e dos EUA. As falhas e indecisões políticas, nos dois territórios citados acima, repercutirão em 2012. Com nível bastante alto no desemprego e com problemas para aumentar a produção industrial e retomar o crescimento do comércio interno, tanto a zona do euro quanto os Estados Unidos, terão dificuldades com suas finanças. A redução dos investimentos sociais e ambientais na Europa e EUA será uma realidade. A China reduzirá substanciamente o ritmo de crescimento
  2. O povo e os movimentos sociais continuarão nas ruas, protestando contra os governos, mas também contra os modelos de dominação hegemônicos, como a concentração de riquezas, contra os estados que funcionam a serviço das grandes corporações e contra o sistema financeiro. O movimento conhecido como “Primavera Árabe” se estenderá para o continente africano, começando pela região subsaariana.
  3. As eleições nos EUA, na França, na Rússia e na China, serão motivo de tensão e de grandes expectativas para o mundo. Principalmente nos dois primeiro, o cenário é de muita indecisão e há reais possibilidades de mudanças. Na França, o socialista François Hollande pode vencer, com a crise financeira se agravando no país. Nos EUA, a decepção Obama pode levar a vitória dos republicanos. Na Rússia e China o cenário é mais tranqüilo, mas pode haver surpresa e o clima interno sempre fica tenso nestes momentos. 
  4. Preocupados com a estabilidade em seus países e com a retomada econômica, as questão ambientais serão colocadas de lado. O evento global sobre mudanças climáticas e demais questões ecológicas, o Rio+20, que acontecerá na cidade do Rio de Janeiro em julho de 2012, será um fiasco. Deverão participar os lideres de países pequenos e de menor expressão políticas. Os países onde terão processos eleitorais não devem vir ao Brasil.
  5. Na América Latina, a crise mundial colocará em prova os governos atuais e a união regional. Alguns países têm crescido a taxa de dois dígitos, outros com menor crescimento mais com uma dinâmica de geração de emprego, políticas sociais e estabilidade econômica de fazer inveja a Europa dos bons tempos. Nesse momento de turbilhão mundial, a América Latina e suas lideranças serão testadas. No México haverá eleição para presidência, mas continuarão sofrendo com o momento do EUA. O Brasil, a Argentina e o Chile devem se sair bem desse novo ano, outros países menores podem pegar carona nos líderes regionais. 


    • André Gustavo de Araujo Barbosa, Doutorando e Mestre em Administração, Professor universitário de Graduação e Pós Graduação, Presidente do CDL/SAJ, sócio da Intrends “Soluções para o futuro” e Analista do SEBRAE/BA. 
    • Contatos: andre.gustav@hotmail.com    Twitter: @andregustavo
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Dez
19
11:26h
Dinamismo Regional

O Brasil caminha a passos largos para se tornar uma das cinco maiores economias do mundo. Segundo o Centro de Pesquisa Econômica e de Negócios da Inglaterra (CERB, na sigla em inglês), chegamos ao final de 2011 superando o Reino Unido e chegando a sexto nesse ranking, com um PIB de 2,9 trilhões de Reais. Alguns dos principais jornais do mundo apontam a crise bancária de 2008 e a crise financeira que persiste como principais motivos deste fato, mas poucos falam do ciclo econômico de expansão por que passa o Brasil, pelas políticas públicas de incentivo ao investimento e pela consolidação da gestão econômica e financeira do país.

Com o aumento de 22% para 30% da demanda mundial por produtos primários no comércio, o Brasil que sempre foi um grande produtor de commodities e rico em recursos naturais, vive um período de aquecimento na sua produção e comercialização destes produtos. Apesar de muitos especialistas criticarem essa política que enfraquece a indústria local, tirando investimento deste setor, algumas regiões do país aproveitam este momento promissor e emergem se tornar verdadeiros pólos de crescimento econômico e de desenvolvimento. Nestas regiões a combinação do crescimento do PIB per capita, do número de empregados formais e o aumento acima da média de empresa abertas se tornaram indicadores dos bons resultados regionais.

 Em recente pesquisa realizada pela empresa de consultoria Deloitte, junto com a Revista Exame, elas chegaram a alguns dados que mostram o dinamismo destas regiões: crescimento real nos últimos três anos de 45%, enquanto no Brasil foi de 16%, e participação no PIB nacional com 5% (147 bilhões de Reais) do total, enquanto em 2008 foi de 4%. Foram identificadas as dez regiões mais dinâmicas de nosso país, excetuando dezoito microrregiões já consolidadas, mostrando que elas têm um ponto em comum: todas estão ligadas ao boom mundial das commodities.

É importante observar que estas regiões são produtoras de setores que, tradicionalmente, são ligadas a economias de baixa tecnologia e ultrapassadas, mas na verdade essa visão é apenas mitos, já que os setores de mineração, agricultura, energia e logística de distribuição da produção agroindustrial, predominantes nestas áreas, são altamente consumidores de alta tecnologia e de mão de obra qualificada, além de serem grandes indutores do surgimento e crescimento do comércio, dos serviços e da construção civil (Revista Exame edição 1006). As 10 regiões de destaque são: Sudeste do Paraense (Mineração e Metalurgia); Sul Maranhense (Logística e Armazenamento); Norte Potiguar (Petróleo, Gás e Energia Eólica); Sudeste Mineiro (Mineração e Turismo); Norte Fluminense e Sul Capixaba (Petróleo e Gás); Litoral Paranaense (Porto); Litoral Norte Catarinense (Porto e Turismo); Noroeste Gaúcho (Grãos e Agroindustria); Sul Goiano (Produção de etanol e Açucar); e Norte e Sudeste Mato-Grossense (Produção de Grãos e Agroindústria).

Segundo o economista prêmio Nobel de economia de 2008, Paul Krugman, outras regiões não tradicionalmente pólos econômicos vão se viabilizando após um ciclo de investimento do país em infra-estrutura, em redução dos custos de transporte, em oferta de mão de obra e surgimento de novas empresas. Esse fenômeno faz com os investimentos e a renda se concentre em algumas regiões e depois se expanda. É o que vivemos hoje no Brasil. Para nós baianos, é importante notar que, apesar do pólo agrícola do Oeste e do pólo petroquímico, esse já consolidado e fora da pesquisa, não temos nenhuma dessas dez regiões em nosso território, o que não deixa de preocupar, já que temos investimentos e potenciais nas quatro áreas apontadas pela pesquisa, mineração, agricultura, energia e logística de distribuição da produção agroindustrial, mas alguns elementos importantes ainda falta para fazer das nossas regiões serem apontadas como das mais dinâmicas do país.


  • André Gustavo de Araujo Barbosa, Doutorando e Mestre em Administração, Professor universitário de Graduação e Pós Graduação, Presidente do CDL/SAJ, sócio da Intrends “Soluções para o futuro” e Analista do SEBRAE/BA. 
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Dez
02
23:24h
Cultura empresarial "made in brasil"

Que o brasileiro é um povo miscigenado e com características únicas, é redundante falar, mas que este jeito de ser tem uma grande influência na forma de abrir e administrar empresas, é uma realidade que tem provocado muitos estudos no meio acadêmico e tem determinado muitos investimentos por parte das empresas em nosso país. Esse “jeito brasileiro” nasce do ambiente multicultural presente na nação brasileira, que foi/é formada por uma intensa mistura de povos, dentre estes os negros, índios, orientais, portugueses, espanhóis, italianos, dentre outros.  Isso criou uma cultura única no mundo, ao mesmo tempo com uma grande abertura para o global, mas que têm fortes características locais.

 Segundo Sônia Jobim (2006), cultura pode ser definida como “o conjunto de atividades e modos de agir, costumes e instruções de um povo. É o meio pelo qual o homem se adapta às condições da existência transformando a realidade”.  Já a cultura de uma organização, segundo Felipe (2009) é “... uma série de valores, idéias e pressupostos que caracterizam a maneira como administramos e nos relacionamentos em nossas organizações”. Essa cultura determina a forma como as pessoas agem e pensam no seu ambiente de trabalho, como elas se expressa, como assume seus valores, seus hábitos e suas crenças. Antropologicamente podemos dizer que há uma, ou várias, culturas próprias do meio empresarial brasileiro, que determinam a forma como os empresários, empreendedores e trabalhadores do nosso país agem neste ambiente de trabalho.

 Apesar de ninguém poder controlar a cultura de um país ou de uma sociedade livre e democrática, é preciso de os empreendedores e empresários tentem entender e conhecer esta cultura, pois, através deste conhecimento podemos compreender melhor às necessidades e os desejos da população e dos nossos clientes. Aqueles que conseguem antecipar às mudanças dos hábitos, práticas e costumes, conseguem estar na frente em seus mercados e oferecer produtos diferenciados, surfando na onda que o autor Chan Kin (2006) chamou de “Oceano Azul”, aquele espaço no mercado onde não existe concorrência ainda ou mesmo, ela é insignificante para este setor.

 Para Schein (1985) o núcleo de uma cultura organizacional é formado por aquilo que os membros acreditam ser a realidade, conseqüentemente, por aquilo que as pessoas sentem e pensam. Estas crenças são enraizadas nos modelos mentais das pessoas, sendo elas quase que imperceptíveis para a grande maioria. Os valores, outro aspecto importante para a cultura organizacional, definem as atitudes dos membros e suas atitudes sobre como as coisas deveriam ser. Os valores são aspectos mais racionais as crenças mais emocionais. Um exemplo desta diferença é o chamado “jeitinho brasileiro”, onde são destacadas atitudes do povo brasileiro, onde incorporam criatividade, respostas não-convencionais, drible as regras e bom humor, para resolver problemas.

 A cultura brasileira é marcada pela diversidade, já que a base da nossa formação é multicultural. São características próprias do brasileiro a informalidade, a flexibilidade, a alegria, a criatividade, a oralidade, a visão imediatista, o baixo planejamento e o alto nível de improvisação, a dificuldade de articular conflitos, dentre outros. Sendo estes aspectos predominantes na cultura brasileira, todos os setores da sociedade são influenciados por ele, desde o setor público, as famílias, o setor empresarial privado, o meio político, etc. No meio empresarial podemos destacar como características fortes da nossa cultura:

 

 - O Predomínio de uma visão imediatista

- Ausência de Planejamento estratégico

- Dificuldade de articular conflito

- Criatividade e flexibilidade

 Estes aspectos, que hora são positivos e em outros negativos, estão entranhados na forma de se abrir e gerenciar empresas no nosso país. Depois de todos esses anos de desenvolvimento de um ambiente empresarial pujante e consolidado, podemos dizer que já existe no Brasil uma cultura empresarial própria, seja, no ambiente interno das empresas, seja no ambiente social do empreendedorismo. Essa cultura “made in Brasil”, nos levou a hoje ser considerado um dos mais importantes player no jogo internacional dos negócios e pode nos levar a alcançar patamares ainda mais alto. Mas, sem uma profunda compreensão de como chegamos até aqui, como essa cultura foi formada e como ela é e será nos próximos anos, poderemos não estar aproveitando as vantagens competitivas, dessa “janela” na história econômica mundial, onde um país Sul-americano pela primeira vez poderá estar entre as cinco maiores economias do mundo. 



  • André Gustavo de Araujo Barbosa, Doutorando e Mestre em Administração, Professor universitário de Graduação e Pós Graduação, Presidente do CDL/SAJ, sócio da Intrends “Soluções para o futuro” e Analista do SEBRAE/BA. 
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Nov
12
20:57h
O Líder Transformador

(*) Prof. André Gustavo

Ainda há uma compreensão equivocada sobre as diferenças entre um gestor e um líder. Muitos acreditam que estes papéis se equivalem e que um, necessariamente, precisa do outro para existir. Grande engano. Há diferenças bem marcantes sobre o que é gerenciar e o que é liderar. Óbvio que uma pessoa que tenha bem desenvolvido estes dois atributos, tem uma capacidade profissional e de relacionamento de alto nível, e sua empregabilidade será alta. Mas, na prática, geralmente, isto não acontece. Os líderes transformadores são aqueles que conseguem integrar às competências do gestor às de um líder.

O Gestor está mais ligado às dimensões racionais de uma organização, onde estão às estratégias, os processos e a estrutura, já o líder tem grande desempenho nos aspectos emocionais, dimensão onde estão as pessoas, a cultura organizacional e os relacionamentos. O Gestor tem cargo formal de “chefia”, ele exerce o poder de gerenciar pela função do cargo. Ele pode ser excelente no que faz, pode conseguir levar a organização aos melhores resultados e a melhor eficiência produtiva sustentável, porém, sem desenvolver as competências de liderar, terá grandes dificuldades em lidar com os momentos de grandes mudanças ou de projetos integrais de futuro. Para isso é preciso que surja o líder, aquele que tem habilidades para lidar com os aspectos emocionais e intangíveis da organização. Mobilizar a energia existente ou potencial, criar ambientes inovativos, envolver pessoas, criar relacionamentos duradouros, disseminar uma cultura do ganha ganha, positiva e proativa e lidar com aspectos emocionais, são características dos líderes. Estes são legitimados pelos seus atos, aspirações, conceitos e expectativas. Seus seguidores, o escolhem pelo que ele é, não pelo cargo que possui.

Quando conseguimos aliar estas duas competências, a do gestor e a do líder, encontramos o líder transformador, aquele que além de absorver as qualidades e atitudes destas duas dimensões, inserem outros aspectos positivos que nascem desta fusão. O Líder transformador possui uma capacidade muito grande de ir além das decisões óbvias e visíveis do mundo que o cerca, ele se torna um futurista, que consegue com suas idéias e propósitos, inspirar e mudar o mundo que o cerca, causando grande impacto na sua organização e em todo ecossistema ao redor. Segundo a pesquisadora e professora da PUC/MG – Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Betania Tanure, esses líderes transformadores tem os seguintes traços:

- Visão de Futuro – Ter um propósito, um sonho, que compartilha e cria significado junto a outros;

- Credibilidade – É inspirado por valores como a ética, a justiça e o melhor para todos;

- Relacionamento  mobilizador – Capacidade de envolver, de fazer seguidores, conquistando seus corações e mentes;

- Comportamento “agridoce” – Alia a cobrança da necessidade de atingir alto desempenho da organização com a realização e valorização das pessoas e das suas individualidades;

- Elevado grau de autoconhecimento – Investe em si conhecer melhor e desenvolvem alta capacidade de si perceber e alto-avaliar.

Buscar aperfeiçoar estes traços e investir muito em autoconhecimento, são atitudes que podem melhorar nosso desempenho de liderança transformadora. Não há caminho fácil, e apesar de alguns destes comportamentos serem inatos das pessoas e fruto das suas vivências e experiências de vida, é preciso dedicar muito tempo, estudo e vontade de melhorar o desempenho da liderança. A construção do futuro está diretamente ligada à dedicação que os lideres transformadores dedicarem a si mesmo.

André Gustavo Barbosa, Doutorando e Mestre em Administração, Professor universitário de Graduação e Pós Graduação, Tutor da FGV e do SENAC, Presidente do CDL/Saj, sócio da Intrends “Soluções para o futuro” e Analista do SEBRAE/Ba. 



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Out
27
11:17h
Análise Socrática dos Tempos Atuais

(*) Prof. André Gustavo

Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: "Não foi à aula?" Ela respondeu: "Não, tenho aula à tarde". Comemorei: "Que bom; então, de manhã, você pode brincar dormir até mais tarde". "Não", retrucou ela, "tenho tanta coisa de manhã..." "Que tanta coisa?", perguntei. "Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina", e começou a elencar seu programa de garota robotizada.

 Fiquei pensando: "Que pena", a Daniela não disse: "Tenho aula de meditação!"

 Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.

 Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito.

 Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: "Como estava o defunto?". "Olha uma maravilha, não tinha uma celulite!" Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

 A palavra hoje é "entretenimento"; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela.

 Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: "Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!" O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba  precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.

 O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, autoestima, ausência de estresse.

 Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping Center. É curioso: a maioria dos shoppings centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...

 Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. 

Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald...

 Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: "Estou apenas fazendo um passeio socrático." Diante de seus olhares espantados, explico: "Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:"

 - "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz!"

Fonte: Frei Beto, teólogo e escritor



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Out
16
13:49h
Necessidades e Consumo

(*) Prof. André Gustavo

Há mais de 200 anos atrás Karl Marx já dizia que a essência do modelo capitalista está baseada no consumo, nas lutas de classes e na acumulação de riqueza, estes são as bases da construção e da sustentabilidade do sistema econômico que prevalece e que, silenciosamente, se renova ad eternum. É nesse ambiente que vivemos e que, dia a dia, nos leva ao mercado para comprar, vender e realizar nossos desejos e sonhos, para nos fazer sentir aceito e parte da sociedade. Vamos negociado às nossas necessidades com as realizações possíveis que o sistema mundo nos permite realizar. Aquilo que não realizamos, viram frustrações e traumas a serem tratadas com medicamentos e nos consultórios psicológicos.

 Na cultura impregnada da nossa sociedade ocidental, e em boa parte do mundo oriental, o consumo é o pilar central, o divisor de águas entre a felicidade e a infelicidade. É através dele que realizamos nossas maiores aspirações. É no mercado onde o consumo materializa nossas emoções e desejos, mas é também nele que nossas frustrações e dores, são potencializadas e colocadas a prova. É nesse ambiente imaterial que ocorre um jogo permanente de negociações, entre nós mesmos e entre eu e o outro. Um ambiente repleto de assimetria de informações e perspectivas, onde a agenda oculta, quase sempre prevalece, tornando mais difícil os acordos que propiciariam um mundo mais tranqüilo, justo e igual.

 Apesar de ainda ser forte a resistência de boa parte dos economistas em aceitar fatores como a psicologia, a história, a sociologia, dentre outros como fatores importante na tomada de decisões econômicas, já há diversas correntes do pensamento econômico que traz esses aspectos como importantes e essenciais para entender como investimos e como vamos aos mercados realizar esse jogo dos desejos. São um infindável movimento de negociações, algumas claras e óbvias outras ocultas, mas todas elas marcadas pela nossa psique, pelas nossas emoções e sentimentos.

  Sempre as pessoas foram ao mercado comprar e vender, ou seja, negociar, movido por interesses pessoais. Negociamos sempre e de tudo. Desde os povos mais antigos, antes de Cristo, às salas digitalizadas dos mercados financeiros, estamos buscando satisfazer nossas vontades e desejos individuais. Negociamos sem parar, em uma simples compra de bananas na barraca da esquina ou na compra de uma bela e valiosa jóia para presentear a pessoa amada. Em todos esses momentos usamos nossa razão para chegar a acordos materiais e financeiros que nos leve a uma satisfação do queremos ter, mas também usamos as nossas emoções, sentimentos e paixões. Não há negociação sem esses elementos, principalmente, quando tratamos de processos inseridos em uma lógica econômica capitalista. Como afirmou o sociólogo Renato Ribeiro “o mercado não é um grau zero da psicologia e dos desejos – e sim o espaço em que estes negociam.” Para ele é no mercado que meus desejos negociam com os seus, é nele que nos realizamos ou onde criamos patologias psíquicas que nos atormenta e nos causa traumas. Os nossos desejos ganham realizações quando realizamos com outras pessoas seus desejos e realizações. Quando compro algo e me sinto realizado pelo que pude ter, negociei com alguém o seu sonho, desejo, sentimento de ter outra coisa, que por meio de mim, ele pode conseguir. O mercado é um local de realizações de negociação sem fim.

 É no mercado que se dá esse jogo de negociação, e o poder conquistado pelas empresas capitalista fez com que o Estado, importante elemento para a regulação de uma sociedade de bem-estar social (Adam Smith 1723-1790), delegasse esse papel aos grandes grupos empresariais, reduzindo sua participação a mero indutor do desenvolvimento econômico social, e de fiscalização (Ribeiro, 2002). Com seu grande poder de convencimento, baseado na legitimidade das eleições e na sua capacidade de investimento em propaganda, o Estado com seus interesses públicos e fuga de escândalos, já que esses diminuem sua capacidade de perpetuação, alimenta a agenda oculta do mercado, prejudicando ainda mais a população, que sistematicamente continua indo às compras em busca dessa tal felicidade. 

Assim vamos vivendo sob uma lógica predominantemente baseada no consumo de produtos e serviços. São esses que promete nos levar ao estado plano de felicidade, e a curar todos nossos males. Porém nem sempre isso acontece, e precisamos negociar constantemente, sob uma agenda oculta construída sob os interesses capitalistas e sob a cada vez maior negação do estado do seu papel de regulador e indutor do bem estar social. Os consumidores inconscientemente, feitos zumbis marcham para buscam no mercado satisfazer seus desejos e sonhos capitalizados, que foram criados pelos mesmos atores que lucram com a venda das realizações dos mesmos. 



  • André Gustavo de Araujo Barbosa, Doutorando e Mestre em Administração, Professor universitário de Graduação e Pós Graduação, Presidente do CDL/SAJ, sócio da Intrends “Soluções para o futuro” e Analista do SEBRAE/BA. 
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Out
08
17:47h
O Legado de Steve Jobs

Na semana passado o mundo perdeu um dos seus habitantes mais criativos e inovadores. Com os pés no chão e a cabeça na lua Steve Jobs viveu 56 anos de forma intensa, revolucionária e criativa. Vítima de um câncer raríssimo no pâncreas, o criador da empresa mais valiosa do planeta (Apple = US$ 57,4 bilhões, segundo a Forbes), transformou o mundo e inventou o futuro combinando idéias, arte e tecnologia. Unindo visão e domínio dos detalhes, Jobs, nos últimos 30 anos, revolucionou pelo menos seis tipos de indústrias diferentes: computadores pessoais, filmes de animação, música, telefones, tablets e publicação digital. Em todos esses segmentos criou produtos transformadores que modificou a forma, a usabilidade e a cultura em todo mundo.

Ao lado de outros líderes inesquecíveis, como Henry Ford, Walt Disney, Thomas Edison e Jack Welch, que mudaram a história da humanidade com suas invenções e empreendimentos, Jobs deixa um legado de exemplos e história para a nossa e as futuras gerações. Ele ousou combinar todo o avanço da tecnologia dos processadores com poesia, beleza e arte, desenvolvendo mais que produtos, colocando a disposição de todo planeta imaginação, perfeccionismo, design, transformando a Apple na empresa mais revolucionária do mundo atual. Seus produtos são muito mais que objetos de consumo, são objetos de desejo de milhões, sendo criada uma verdadeira cultura geerk em torno de IPhone, IPod, IPad, IMac dentre outros.

Se não fosse por Jobs não estaríamos aqui, escrevendo, lendo e se divertindo em um computador pessoal, já que foi ele que deu um destino mais brilhante, democrático e inovador a um produto que na década de 70 estava reservado às salas das Universidades e Exercito.  Sem ele talvez o microcomputador estivesse fadado ao mesmo destino de um aparelho de ar condicionado, a uma geladeira ou a um fogão.  Sem Jobs a Internet estaria restrita a poucos. Ele percebeu desde cedo que o computador poderia se tornar na mais poderosa ferramenta alavancadora de mudanças para todas as pessoas do mundo. Que os digam os estudantes universitários no Chile, ou os jovens nas ruas da Espanha, ou mesmo Bill Gates, o homem mais rico do mundo, dono da Microsoft, pois segundo ele foi Steve Jobs que o inspirou com suas idéias e produtos.

Dentre os muitos exemplos de como ser um empreendedor revolucionário que destrói a ordem estabelecida para construir o novo, cito abaixo alguns dos aprendizados que deixa esse homem que já entrou para história moderna como o mais criativo, inovador e transformador empresário do mundo contemporâneo. Esse é um pouco do legado de Steve Jobs:

  • “Stay Hungry, Stay foolish!” – Tenha fome de aprender, de fazer e de realizar coisas grandiosas. Mas, não perca a ingenuidade;
  • Se você não tomar decisões difíceis e radicais você não vai tão longe – Para fazer coisas revolucionárias é preciso tomar decisões, e são as mais difíceis que os levarão mais longe. Quais decisões difíceis vocês tem tomado?;
  • Tente, erre, tente de novo – Encare o erro como um resultado que aponta para uma nova direção, não como uma besteira a ser esquecida. Não tenha medo de ser associado aos seus fracassos. Recomece. Vá à frente;
  • Negócio é pessoal – Assuma que negócios são pessoas, idéias e relacionamento. Steve Jobs é/era a Apple. Você é sua empresa;
  • Sua maneira de trabalhar é insubstituível – Se pessoas são substituíveis, a sua maneira de trabalhar não. Por isso, marque presença, participe, inove, faça coisas inesquecíveis. Deixe legado, principalmente para os mais Jovens;
  • Diga não a mediocridade – Não aceite o “mais ou menos”, não ande com pessoas medíocres, diga não a tudo aquilo que atrapalha seu desenvolvimento e que o afasta dos seus objetivos e realizações. Jobs gongava dezenas de vezes os protótipos de seus produtos até chegar a versão final;
  • Tenha contato direto com seus clientes – Fala com seus clientes, vá até eles, goste de estar com eles e busque incansavelmente informações sobre eles;
  • “Fique bravo, seu filho da mãe, fique bravo!” – Saia do pedestal, enfrente os concorrentes, seja emotivo, provocativo, humano cheio de vontade de mudar o mundo e desafiar o status quo;
  • Seja autentico – Seja você. Fale o que o pensa e não pense no que os outros irão falar de você. Se você gosta de trabalhar de camiseta, calça jeans e tênis, faça isso.
  • Se precisa de dinheiro para seu negócio, vá pedir lá fora – Jobs quando voltou para Apple em 1997, depois de 10 anos fora, foi pedir dinheiro emprestado a seu concorrente número 1: a Microsoft. De inimigo as empresas viraram sócias, colocando fim na mais famosa das guerras do mundo dos negócios;
  • Tenha pouco ou muitos produtos, mas tenha os melhores – A Apple tinha poucos produtos, mas tinha os melhores em todas as categorias; 



  1. André Gustavo de Araujo Barbosa, Doutorando e Mestre em Administração, Professor
  2. universitário de Graduação e Pós Graduação, Presidente do CDL/SAJ, sócio da Intrends “Soluções para o futuro” e Analista do SEBRAE/BA. 
  3. Contatos: andre.gustav@hotmail.com    Twitter: @andregustavo
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Set
25
11:40h
A arte do empreendedorismo

(*) Prof. André Gustavo

Apesar de sua origem ser da palavra francesa entrepreuner que quer dizer “aquele que está entre” ou “intermediário”, ainda hoje não há um consenso nem uma definição única sobre o que significa a palavra “empreendedorismo”. Estudiosos, pesquisadores, estudantes universitários, professores, pessoas físicas e representantes dos governos, todos falam e usam constantemente esse termo, nas mais diversas situações, com os mais diversos sentidos. Apesar desta aparente confusão com o termo, há um entendimento único de que empreendedorismo é a arte de realizar, de fazer acontecer. Nesse ponto ninguém discute.

O termo “empreendedorismo” começou a ser usado na Idade Média “... para descrever tanto um participante quanto um administrador de grandes projetos de produção.”¹. Nessa época os encarregados das obras arquitetônicas (castelos, abadias, catedrais, etc) contratadas pelos governos eram chamados de empreendedores. Esses não tinham riscos já que eram apenas executores dos projetos. Já no século XVII o termo começou a ser vinculado a riscos, sendo representando por pessoas físicas que faziam um acordo contratual com o governo para prestar serviços ou comercializar produtos, assumindo o lucro ou prejuízo. Já no século XVIII, quando o conceito de capital começa a diferenciar aqueles que tinham recursos para investir daqueles que não possuíam, o termo ganhou uma nova roupagem, sendo nessa época utilizado para essas pessoas investidoras. Nos séculos XIX e XX, com a diversidade dos negócios e com os novos conceitos trazidos do campo da “administração de empresas”, o termo empreendedorismo ganha uma diversidade de compreensões e passa a ser usado também para definir “gerentes de empresas”, pessoas inovadoras, criadores de novos negócios, expandindo também para outras áreas do conhecimento, como a medicina, a psicologia e a engenharia, e ganhando novos campos de atuação como o empreendedor social.

Nos dias atuais, com a infinidade de possibilidades do uso da palavra “empreendedorismo”, está assume posição chave nas perspectivas de um desenvolvimento sustentável das sociedades e países. Com a quase consensual compreensão de que “empreendedor” é “aquele que cria algo novo, mobilizando recursos e pessoas, assumindo riscos e recompensas”, as mais diversas discussões sobre políticas que promovam a melhoria na qualidade de vida e uma melhor distribuição das riquezas, incluem as ações dos empreendedores como forte atores no processo deste “novo mundo”. Desde o economista Joseph Schumpeter (1883-1950), que colocou o empreendedor e sua busca pelo lucro como motor de todo desenvolvimento econômico, até os dias atuais onde o Governo Federal Brasileiro tem como prioridade econômica a inclusão do chamado “Empreendedor Individual”, estas pessoas definidas como tal, estão no imaginário e nas perspectivas das pessoas e das nações como elemento importante para a criação de um futuro melhor.

Em toda definição moderna do que seja uma pessoa empreendedora é imprescindível incluir: a criação de algo novo; A questão do tempo e do esforço; o investir e a recompensa; e o risco. Logo, empreendedores lidam com incertezas, probabilidades, tendências e possibilidade. Investir tem haver com o futuro, com o tempo, e quanto mais inovação, mais incertezas e maiores riscos. É nesse campo que esses indivíduos impulsionados por sonhos, vontade de realização, pelo desejo de criar algo novo e inovador atuam.

Indo além da visão do empreendedor pelo campo da administração e da economia, a psicologia nos traz muitas contribuições sobre esse conceito, incluindo aqui a questão comportamental. As pessoas se comportam de forma empreendedora, isto é, empreendedorismo é um comportamento e há características que são próprias de pessoas que agem assim. O SEBRAE (www.sebrae.com.br) desde 1991 desenvolve uma metodologia criada na Universidade de Harvard, nos EUA, e que é amplamente utilizada pela UNESCO, para desenvolver e aperfeiçoar as chamadas CCE – Características do Comportamento Empreendedor, são elas: Busca de Oportunidade e Iniciativa; Persistência; Correr riscos calculados; Exigência de Qualidade e Eficiência; Comprometimento; Busca de informações;  Estabelecimento de Metas; Planejamento e Monitoramento Sistemáticos; Persuasão e Rede de Contatos; Independência e Autoconfiança. Neste programa chamado Empretec, o objetivo é colocar as pessoas a se defrontarem com as CCEs e fazê-las refletir sobre si próprio, em um processo de auto-descoberta.

Mesmo com todo esse universo criado em torno de um tema tão amplo, é importante ressaltar que o que realmente importa quando falamos sobre empreendedorismo, é que tenhamos compreensão da dimensão e da importância desse campo do conhecimento e das pessoas que são ou que promovem o empreededorismo. Em um mundo onde precisamos criar muito e fazer muita coisa acontecer para que possamos sair da armadilha da insustentabilidade planetária, onde precisamos criar soluções elegantes para nossos problemas, onde precisamos encontrar formas de incluir milhões de pessoas nos padrões mínimos decentes de vida, somente pessoas empreendedoras podem alimentar de esperança os anos vindouros. O campo do conhecimento sobre empreendedorismo continuará suas batalhas para construir conceitos precisos, idéias mirabolantes, etc, enquanto o que realmente importa os indivíduos empreendedores, estes sim estarão nas ruas criando, produzindo e fazendo acontecer.

¹ HISRICH, Robert D., PETERS, Michael P., SHEPHERD, Dean A.. Empreendedorismo. Editora Artmed, São Paulo. 2008




  • Colunista: Professor André Gustavo - Mestre em Administração de Empresas e Consultor do SEBRAE.
  • e-mail: vozdabahia@hotmail.com
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Set
06
16:32h
Liderança sustentável

Há anos ouvimos que a Educação é o maior e melhor investimento que um país pode fazer para que tenha um desenvolvimento pleno. Com certeza colocar energia e recursos nessa área é muito valioso para suportar e dar base para o crescimento e desenvolvimento de todas as outras áreas, a exemplo da economia, do social e da política. Mas torna-se cruel colocar na educação o peso de ser responsável em solucionar todos os problemas que existe.

Em 2006 os autores Andy Hargreaves e Dean Fink, Professor da Lynch School of Education / Boston e Consultor de Desenvolvimento Educacional, respectivamente, lançaram o livro “Liderança Sustentável – Desenvolvendo Gestores da Aprendizagem”, lançado no Brasil pela Editora Artmed. Nessa obra, escrita para gestores escolares, mas, de interesse para todos que assumem ou se interessam pelo tema de liderança e gestão, os autores discorrem sobre a relação educação e desenvolvimento, e inserem um tema de fundamental importância para entender o impacto que boas políticas educacionais têm sobre uma região ou um país. A Sustentabilidade é mais que um conceito, é uma forma de agir que busca alternativas duradouras e alinhadas com o “todo”. Esses pesquisadores defendem que devemos sair de um conceito limitador de sustentabilidade apenas ligado ao meio ambiente e inserir nos nossos modelos mentais que a sustentabilidade deve estar presente em todas as áreas, em tudo que pensamos e fazemos. Para isso os Hargreaves e Fink colocam que há sete princípios que todos os líderes e educadores devemos buscar, são eles:

  • 1. Profundidade: A liderança sustentável é importante. Ela preserva, protege e promove o aprendizado amplo e profundo para tudo o que está relacionado ao cuidado com os outros;
  • 2. Durabilidade: A liderança sustentável é duradoura. Preserva e faz avançar os mais valiosos aspectos do aprendizado e da vida ao longo do tempo, ano após ano, de um líder para o próximo;
  • 3. Amplitude: A liderança sustentável se difunde. Ela deve ser distribuída e includente. Sustenta, assim como depende da liderança de outros;
  • 4. Justiça: A liderança sustentável não prejudica e, na verdade, beneficia ativamente o ambiente ao redor. A liderança sustentável não é autocentrada, é socialmente justa;
  • 5. Diversidade: A liderança sustentável promove diversidade coesa. Ecossistemas fortes são biologicamente diversos. Organizações fortes, também, promovem a diversidade e evitam padronização;
  • 6.  Engenhosidade: A liderança sustentável desenvolve e não esgota recursos humanos e materiais. Ela é prudente e engenhosa. Renova a energia das pessoas.
  •  7. Conservação: A liderança sustentável honra e aprende com o melhor do passado para criar um futuro ainda melhor

Nesses princípios vemos que a educação e aprendizagem estão no centro das ações rumo a um desenvolvimento  pleno, que estas têm uma grande importância para alicerçar este processo, mas que há outros elementos igualmente importantes e que somente com ativismo, vigilância, paciência, transparência e projeto poderemos chegar a um mundo realmente sustentável.

*Texto baseado no livro “Liderança Sustentável – Desenvolvendo Gestores da Aprendizagem”, dos autores Andy Hargreaves e Dean Fink, Editado no Brasil pela Artmed em 2006.




    • André Gustavo Barbosa, Doutorando e Mestre em Administração, Professor universitário de Graduação e Pós Graduação, Presidente do CDL/SAJ, sócio da Intrends “Soluções para o futuro” e Analista do SEBRAE/BA. 
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Set
04
08:07h
A Bolha Imobiliária

Em 2005, o Professor Robert J. Shiller, economista de Yale, autor de Exuberância irracional e A solução para o subprime, apontou que os preços dos imóveis nos Estados Unidos estavam “dissociados da realidade econômica” e chamou o mercado de “uma bolha” que não demorará muito a explodir. Isso é uma certeza, acrescentou Shiller: “A única questão em aberto é saber quando.”

O que ocorreu em 2008 na economia americana todos já sabem, a pior crise que já existiu após a Grande Depressão dos anos 1930. Na economia a existência de “crises” também é uma certeza. Em meados do século XIX, Karl Marx, apesar de não ter nos deixado uma teoria das crises completa, já citava em várias das suas obras sobre os ciclos industriais e as crises de superprodução capitalista. Uma das falhas apontadas no modelo capitalista, talvez um paradoxo, é justamente a impossibilidade de não existir “crises”. Os ciclos de abundância e declínio sempre existirão.

Mesmo tendo essa certeza, por que muito empresários e investidores ignoram essas mudanças cíclicas? Será que pensamos que o mercado imobiliário terá uma expansão para sempre? Que os valores dos imóveis subirão para sempre e nunca recuarão? Em qual momento devemos desacelerar os investimentos no setor imobiliário fruto de uma futura queda de valor? Essas são apenas algumas das perguntas fundamentais que devemos fazer para não ser pego de surpresa pela certeza de que as correções cíclicas virão.

Em Santo Antônio de Jesus, como em todo Brasil, principalmente nas cidades de médio porte, a explosão do mercado imobiliário tem se tornado uma realidade, impulsionado pelo crescimento econômico do país, pelas políticas públicas de incentivo a construção e aquisição da casa própria, pelo endividamento da população e pela ascensão de uma grande parcela da população ao mercado de consumo.

Na cidade do Padre Matheus os investimentos em novos loteamentos se propagam, tanto para consumidores da classe média alta e classe alta, como também para as classes menos abastadas. Edifícios já foram lançados e outros devem vir por aí. Casas têm sido ampliadas e outras se transformam em pequenos prédios, para aliar moradia própria e aluguel. Pequenos imóveis quarto e sala e os chamados flats se expandem visando um público de estudantes e recém casados. Os conjuntos habitacionais fruto do programa “Minha casa minha vida” estão surgindo nas regiões periféricas da cidade, criando novos vetores de crescimento. São muitos e diversos os investimentos no setor imobiliário, numa efervescência e entusiasmo pouca vezes vista na história do município, virando uma unanimidade este tipo de alocação de recursos. Uma verdadeira “corrida do ouro”.

Estamos neste ciclo de expansão da economia local, de forma acelerada, já há alguns anos, podemos usar como base os últimos cinco anos, que coincide com o início do segundo mandato (2007) do Governo Lula.  Em breve este ciclo de grande expansão deve se retrair, fruto dos mesmos motivos que em 2008 gerou a grande crise mundial, e do mesmo que ameaça o mundo agora. Uma grande concentração de recursos nas mãos de poucos, os mesmos que ganham muito com a expansão imobiliária.

Além da ameaça citada acima, a grande crise que se forma e que a todo o custo vem sendo postergado pelos Bancos Mundiais, o mercado brasileiro deve passar nos próximos anos por um ajuste cíclico. Em Santo Antônio de Jesus, que foi fortemente influenciado pelos fatores macroeconômicos, há fatores regionais que contribuíram para essa grande expansão, como a chegada da UFRB, do Hospital Regional e de alguns outros investimentos. Esses investimentos que são recentes e ainda estão em fase de maturação, devem dentro em breve entrar em uma fase madura e diminuir o ritmo de crescimento ou mesmo se estabilizar. Lembro ainda que este setor é o maior gerador de endividamento de longo prazo da população, seguido do setor automobilístico.

A bolha imobiliária local está sendo formada. Alguns já acham que o valor dos imóveis chegou no “teto”, outros já falam de diminuição dos preços, outros estão tentando surfar essa onda agora. O certo é que, como em toda história da economia dos países e das cidades, a crise chegará e aqueles que souberem entrar e sair deste setor ganhará muito. Já outros...

André Gustavo Barbosa, Doutorando e Mestre em Administração, Professor universitário de Graduação e Pós Graduação, Presidente do CDL/Saj, sócio da Intrends “Soluções para o futuro” e Analista do SEBRAE/Ba.  




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Ago
07
07:39h
O endividamento do brasileiro

(*) Por André Gustavo Barbosa

O brasileiro nunca esteve tão endividado. Essa é uma verdade mostrada nos números das mais diversas pesquisas econômicas. O Instituto Ipsos, a pedido da revista Exame, fez uma recente pesquisa que mostra números preocupantes. O Brasil, que historicamente teve um índice de endividamento relativamente baixo, chegou a 2011 com um índice comparável ao dos países desenvolvidos. A população brasileira deve 30% da renda anual, nos EUA e Alemanha é de 32% esse índice. O sinal de alerta já acendeu no Governo Federal.

Com o crescimento econômico dos últimos anos, proporcionado pelo crescente aumento de empregos, pelas políticas sociais do governo federal e pelo boom causado pela elevação da renda familiar, os bancos e financeiras colocaram a disposição da população 61% a mais de dinheiro para serem adquiridos como crédito ao consumo. Desde aumento de limites de cheque especial ao acesso a cartões de créditos, à população nunca esteve com tantas opções de parcelar suas compras. São eletrodomésticos, viagens de turismo, carros e jóias, tudo, praticamente tudo, pode ser parcelado a perder de vista. O brasileiro, que viu no seu bolso mais dinheiros, também aproveita a briga pelo seu crédito, recebendo propostas cada vez mais tentadoras de financiar seus sonhos e necessidades. Porém não percebe que as linhas de crédito que mais crescem as ofertas são as que cobram os maiores juros, são elas: cheque especial (185% a.a), cartão de crédito (238% a.a) e crédito pessoal (49% a.a).

Que o crédito é um dos motores das economias capitalista todos sabem, mas que pode causar e agravar crises também são outra verdade. Apesar de nosso endividamento ser de curto prazo, diferentes da crise financeira americana de 2008, baseada nas dívidas de longo prazo dos empréstimos imobiliários, o aumento em quase 70% desse endividamento, nos últimos cinco anos, preocupa o governo federal e toda a sociedade. É impossível continuar esse crescimento sem que uma crise exploda. Medidas como aumento da taxa básica de juros oito vezes nos últimos 16 meses (12,5 a.a), aumento do pagamento mínimo nos cartões de créditos e aumento dos impostos sobre transações financeiras, são algumas medidas tomadas pelo Banco Central para frear esse fenômeno brasileiro.

Apesar do crescimento recorde do endividamento, a situação no Brasil ainda é controlável e as medidas tenderam a ter efeito. Como é recente esse fenômeno e a estabilidade econômica tem pouco tempo, os bancos e financeiras brasileiras ainda são mais rigorosos para emprestar, o endividamento em relação à renda ainda é razoável e administrável, a dívida é de curto prazo (máximo de dois anos) e a crise financeira que afetam o mundo desenvolvido tem poucos efeitos no Brasil, o que mantém o desemprego baixo e renda em alta. Porém, cabe a todos nós refletir sobre a cilada que estamos entrando, sob o risco de logo mais termos que pedir ajuda aos chineses, que agora administram boa parte da riqueza do mundo.

Que a história que agora se dá na Europa e EUA não se repitam aqui. Não existe almoço grátis.

 

 

  • André Gustavo Barbosa, Doutorando e Mestre em Administração, Professor universitário de Graduação e Pós Graduação, Presidente do CDL/SAJ, sócio da Intrends “Soluções para o futuro” e Analista do SEBRAE/BA.
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Jul
22
22:17h
Microtendências

Por André Gustavo Barbosa

Sempre existem forças invisíveis que mudam o comportamento das pessoas e determinam silenciosamente as transformações culturais, sociais e econômicas da atualidade, impactando no mundo dos negócios, nas políticas e no nosso dia-a-dia. Podemos chamar essas forças de “microtendências”. Os poucos que conseguem identificar, analisar e interpretar essas transformações tem boas possibilidades de ter sucesso em suas áreas de atuação ou mesmo no empreendimento de novos negócios.

Segundo Mark J. Penn no livro chamado “Microtendências” (2007) é estas forças emergentes e contraintuitivas que transformam o futuro. O autor define este fenômeno como “...um padrão comportamental de um grupo de forte identidade, que está crescendo e tem desejos e anseios não atendidos pelas instituições que influenciam a vida cotidiano.”, Penn afirma que nunca vivemos uma época onde as pessoas foram tão sofisticadas, individualistas e conhecedoras das muitas opções que tem. Se no passado estávamos preocupados, principalmente, com as grandes tendências que iriam modificar e determinar as escolhas e os hábitos de grandes grupos, hoje, precisamos olhar igualmente para o poder de escolha e para os hábitos e costumes individuais, ver os grupos de identidade, pois são eles que estão influenciando cada vez mais a política, a religião, o entretenimento, os negócios, em especial os novos lançamentos. O poder de escolha que antes estavam na mão de um limitado grupo específico de pessoas, homens chefes de família das classes média e alta, foi ampliado com as mudanças econômicas e sociais das últimas décadas.

A forma mais confiável de identificar as “Microtendências”, ou as mudanças, são os números. Fazer pesquisas, coletar dados, tratar e interpretá-los, é a melhor forma de entender o movimento dos fenômenos que estão determinando o novo. Geralmente “...as pessoas estão perto demais da situação para enxergar os fatos concretos.”, afirma Penn. É preciso objetividade para mostrar a estas pessoas o que de fato está acontecendo. Os números são elementos importantes para identificar comportamentos e hábitos que se transformarão em oportunidades de negócios. Em um mundo cada vez mais conectado, a possibilidade de termos estas informações para tomada de decisão baseada em números, aumenta e nos garante mais qualidade e confiança

Fenômenos como: o aumento de número de solteiros e pessoas morando sozinhas; aposentados que voltam a trabalhar; pessoas passando mais tempo dentro dos carros; trabalho em casa; notívagos; pessoas avessas ao sol; curtidos de esportes radicais; jovens milionários; jovens que demoram demais em sair da casa dos pais; filhos que herdam empresas; intercâmbio internacional de estudantes. Estes exemplos de microtendências estão acontecendo agora em nossa sociedade e estão determinando nosso futuro. Identificar e entender o que está acontecendo e o que vai acontecer não é exercício de premonição, e sim sabedoria empresarial, que aliado ao comportamento empreendedor e a competência na gestão, pode levar ao sucesso. Portanto, além de pensar em solução ou estratégias que busquem a padronização ou o enfoque único, também, estejam atentas as peculiaridades dos pequenos grupos, aos “nichos” de mercado, aos discretos hábitos dos cidadãos que nas suas solitárias atitudes, estão mudando o mundo.

 

 

André Gustavo Barbosa, Doutorando e Mestre em Administração, Professor universitário de Graduação e Pós Graduação, Presidente do CDL/Saj, sócio da Intrends “Soluções para o futuro” e Análista do SEBRAE/Ba.

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Jul
06
13:09h
A cegueira do nosso Pensamento

Por André Gustavo Barbosa

Pensar de forma intensa a complexidade do mundo é um desafio para cada ser humano. Ver o “todo”, com suas infindáveis conexões e variáveis é quase impossível para o nosso limitado modelo mental e para nossa estrutura física cerebral. Sempre vemos e entendemos “partes” de um todo. Somos condicionados a isso. Precisamos ser assim para ordenar os fenômenos que nos acontece, para organizar nossas vidas e a estrutura social que vivemos. Buscamos sempre afastar o incerto, o ambíguo, a desordem, o improvável, aquilo que não tem uma explicação lógica e racional. Assim limitamos nosso pensamento. Assim criamos a cegueira que nos levou a barbárie do pensamento e nos faz estar, segundo o Epistemólogo e Filósofo Edgar Morin (2005), ainda na pré-história do espírito humano.

Para avançarmos e evoluirmos nosso modelo de pensar, é preciso exercitar o pensamento complexo e entender a complexidade. Está é originada da palavra compluxus, que quer dizer “o que é tecido junto”, e significa um tecido de constituintes heterogêneas inseparavelmente associadas (Morin, 2005). Na complexidade sempre estará presente o eu (Uno) e o todo (múltiplo), sendo assim, ela é composta de inúmeros elementos e variáveis, que juntas formarão algo que nem sempre terá a forma material ou imaterial que tenderemos a supor pelo nosso condicionamento mental, que sempre organiza, separam, hierarquiza, seleciona, busca a certeza, a ordem, etc. Esse pensamento, necessário, mas limitado, geralmente nos leva a estados de miopia ou mesmo de cegueira. Quando míopes, vemos e entendemos, objetos, fatos, acontecimento, de uma forma distorcida, limitada, que não represente a verdade original, criando assim “nossas verdades”. Quando cegos não enxergamos o todo, não vemos variáveis, fenômenos, e assim passamos longe daquilo que “verdadeiramente é”.

Com essa distorção no modelo de pensar, nós ocidentais, vamos reproduzindo esse modelo de geração a geração. Nem sempre foi assim, já que a força desse modelo racional, lógico, determinista absoluto, cartesiano, se tornou predominante com a força que as ciências ganharam, principalmente, a ciência física, nos deixando carentes nos nossos pensamentos. Isso gerou uma série de atitudes e decisões que nos levou a mutilar nosso futuro. Muitos dos problemas que hoje enfrentamos nos colocando em situação delicada frente os anos vindouros são fruto do nosso modelo de pensar limitado e excessivamente lógico-racional. O aquecimento global, a poluição, o sistema financeiro, o sistema político, a fome, as guerras, a violência e muitos outros problemas que ameaçam a vida humana e a vida no planeta terra, são resultado do acumulo de ações baseadas em modelos mentais limitados e falhos, que não consideraram a complexidade e o todo. Essa patologia do pensamento hipersimplifica a complexidade do real, nos fazendo esquecer que uma parte do real é irracionalizável, e que estas duas devem sempre dialogar. Esse esquecimento nos leva a reproduzindo os mesmo erros do passado, continuando a buscar soluções baseadas nos mesmos paradigmas mentais que geraram esses erros. Assim formando um batalhão de míopes e cegos, alienados por nossas crenças e “verdades”, caminhando para um futuro que será reprodução do presente, mudando apenas a tecnologia e os recursos empregados. A esperança da mudança para um mundo melhor, são os “loucos”, os “outsiders”, “os revolucionários”, “os idealistas”, “os que pensam fora da caixa”, aqueles que trarão o “novo” de uma forma inclusiva, diferente e integradora, indo além da divisão do mundo e do pensamento fragmentado.

 

 

André Gustavo Barbosa, Doutorando e Mestre em Administração, Professor universitário de Graduação e Pós Graduação, Presidente do CDL/Saj, sócio da Intrends “Soluções para o futuro” e Análista do SEBRAE/Ba.

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Jun
29
15:14h
Inovação e Criatividade

Por André Gustavo Barbosa

Vivemos tempos onde a inovação e a criatividade são elementos fundamentais para manutenção do equilíbrio da sociedade. Não que em outras épocas estes fatores foram menos importantes, temos o exemplo do período da Renascença, mas nos dias atuais o “novo” além de ser desejo constante de boa parte das pessoas, também tem o poder de fazer às pessoas querer possuir produtos e serviços contemporâneos, e se possível futurista, passando a ser necessidade individual o reconhecimento, a aceitação e  o status.

Essa demanda por lançamentos, por aquilo que traz a sensação ao consumidor de que ele está ligado ao presente, de que ele será aceito e admirado pela sociedade, provoca nas organizações uma necessidade constante de se adaptar às tendências mercadológicas. A impossibilidade de otimizar seus ganhos pela máxima eficiência das suas operações padronizadas de produção e comercialização exige que as empresas mudem suas posturas, se tornem mais flexíveis, adaptáveis e rápidas no atendimento das demandas fugazes de uma legião de consumidores, que não querem “mais do mesmo”. A todo o momento é preciso análise do ambiente, projeção de tendências, pesquisa sobre hábitos e desejos dos consumidores e estudo sobre lançamentos e posicionamento do concorrente. É impossível ter longevidade empresarial sem levar em consideração essas quatro variáveis interdependentes. Mesmo nas produções onde o valor do negócio esteja nas grandes escalas, a mudança e a inovação é elemento estratégico.

No mundo do efêmero, que o filósofo Zygmun Bauman chama de “sociedade líquida”, o consumo de produtos que estão, na hierarquia de necessidades, após aqueles que Abraham Maslow categorizou como “necessidades fisiológicas”, são descartáveis como os pensamentos e desejos nascidos nas agencia de propaganda e marketing. As pessoas querem consumir, comprar algo que as integre ao mundo pós-moderno, que as faça se sentir 'por dentro'. Ao mesmo tempo querem algo que as torne diferente, que as faça se sentir diferente, que as faça única, que represente o seu “eu”. Mesmo os produtos básicos para sobrevivência humana, são comercializados dentro desta lógica de uso-descarte.

Para que atenda a esses "quereres" às empresas precisa investir em pesquisa e inovação, desenvolvendo produtos e serviços que atendam a esses desejos líquidos. Montar equipes de pessoas talentosas, com a cabeça aberta para as novidades tecnológicas, sociais e econômicas. Nada mais no mundo empresarial será da mesma forma. Boa parte das regras que eram válidas no passado, hoje está obsoleta e não mais garantiram sucesso no futuro. Para permanecer competitivo invista em inovação e criatividade, ou logo, você estará fora do jogo.

 

 

  • André Gustavo Barbosa, Doutorando e Mestre em Administração, Professor universitário de Graduação e Pós Graduação, Presidente do CDL/Saj, sócio da Intrends “Soluções para o futuro” e Análista doSEBRAE/Ba.
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Mai
22
20:51h
Serão 9 bilhões de pessoas

Por Professor Ms. André Gustavo Barbosa

A população no mundial vai aumentar dos quase sete bilhões de pessoas em 2012 para cerca de nove bilhões em 2050, segundo as Nações Unidas (www.un.org). Será o maior desafio da história da humanidade gerenciar no nosso planeta um número tão grande de pessoas. Se nos dias atuais muitos problemas básicos para a sobrevivência humana nos ameaça, a exemplo da fome, das pestes e proliferações de vírus, do aquecimento global e das guerras por recursos naturais, como faremos daqui a 40 anos quando 30% a mais de pessoas estiverem convivendo em nosso planeta?

Apesar da queda de fecundidade que passará de 2,56 crianças por mulher em 2005-2010 para 2,02 crianças por mulher em 2045-2050(ONU www.onu.org) e o decréscimo no ritmo de crescimento populacional, alguns outros fatores impulsionam o aumento do número de pessoas, entre estes fatores estão o desenvolvimento tecnológico, que permitiu que a qualidade de vida e a longevidade humana desse um salto nos últimos 50 anos.

"A Expectativa de vida que era em torno de 45 anos na década de 50, hoje já está próximo dos 80 anos. Nos países mais desenvolvimentos, 22% da população já têm 60 anos ou mais e esta proporção pode passar para 33% em 2050, com o número de pessoas idosas representando o dobro do de crianças. Atualmente, apenas 9% da população dos países em desenvolvimento têm 60 anos ou mais, mas esta proporção deve passar para 20% em 2050". (Agência France Press)

O cientista Ray Kurzweil, considerado o maior pesquisador do impacto da tecnologia na longevidade humana, já prevê pessoas vivendo mais de 120 anos (veja vídeo aqui http://tinyurl.com/yj6p6ss).

A tecnologia também provoca grande impacto na produção de alimento, criando possibilidades de aumento de escala e barateamento na produção, fazendo com que mais pessoas tenham acesso a produtos que melhore seus cardápios alimentares e conseqüentemente sua qualidade de vida. Porém o problema maior não está na produção e sim na distribuição e no consumo, já que há alimentos suficientes para toda humanidade, porém, a distribuição desigual faz com que os países desenvolvidos tenham um consumo alto, gerando outros problemas deste hábito, como a obesidade e doenças provenientes dela,  e os países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos tenha um consumo baixo e insuficiente para manter a população saudável. Talvez aqui esteja o maior dos desafios: "se temos cerca de um bilhão de pessoas (Fonte: www.fao.org.br) que não tem acesso a quantidade calórica mínima ideal, como alimentar tanta gente no futuro? Como distribuir de forma melhor tudo que temos?".

Lembro que produzir alimentos está diretamente ligado a outros fatores, como por exemplo, ao aquecimento global, já que grandes extensões de terras são utilizadas para criação de animais e outras para plantações de monoculturas. Hoje o desmatamento para criação de bovinos e para plantações são responsáveis por quase 25% do carbono lançado na atmosfera (http://tinyurl.com/362bfbm).

Além dos alimentos, outro grande desafio para humanidade será a redução do consumo, já que quase a totalidade dos produtos que consumimos diariamente é proveniente de matérias primas da natureza, e a energia utilizada para sua produção também são originadas desta mesma fonte. Veja no gráfico abaixo elaborado pela IEA - Agência Internacional de Energia (www.iea.org) , a projeção de utilização de fontes não-renováveis nos próximos anos, onde dobrou o consumo destes produtos dos anos 70 para a primeira década deste século.

Diante de todas estas situações e possibilidades, os seres humanos se encontram em um momento emblemático onde o paradigma da evolução crescente e do desenvolvimento deve ser revisto e atualizado. Nove bilhões de pessoas convivendo em uma única casa, o planeta terra, terão que desaprender e aprender muita coisa, mudar muitos hábitos e adquirir outros, mudar a consciência que hoje é baseada em valores ultrapassados e insustentáveis. Conviver com tantas pessoas em um ambiente frágil e precisando de tanto reparo, como será a terra nos anos 2050, exigirá de nós uma grande habilidade e que sejamos mais humanos do que nunca. Precisamos ir aprendendo e experimentando esse novo mundo.

André Gustavo de Araujo Barbosa, é Mestre e Doutorando em Administração de Empresas (EAUFBA), Especialista em Educação Transdisciplinar(FACED/UFBA), Consultoria de Empresas (USP) e Gestão de Arranjos Produtivos Locais (CEPAL/Chile). Professor Universitário de Graduação e Pós Graduação. Empresário e atual Presidente do CDL Santo Antônio de Jesus.

 

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Mai
04
21:41h
A Doença chamada Homem

(*) André Gustavo

Esta frase é de F. Nietzsche e quer dizer: o ser humano é um ser paradoxal, são e doente: nele vivem o santo e o assassino. Bioantropólogos, cosmólogos e outros afirmam: o ser humano é, ao mesmo tempo, sapiente e demente, anjo e demônio, dia-bólico e sim-bólico. Freud dirá que nele vigoram dois instintos básicos: um de vida que ama e enriquece a vida e outro de morte que busca a destruição e deseja matar. Importa enfatizar: nele coexistem simultaneamente as duas forças. Por isso, nossa existência não é simples mas complexa e dramática. Ora predomina a vontade de viver e então tudo irradia e cresce. Noutro momento, ganha a partida a vontade de matar e então irrompem violências e crimes como aquele que ocorreu recentemente. Podemos superar esta dilaceração no humano? Foi a pergunta que A. Einstein colocou numa carta de 30 de julho de 1932 a S. Freud: "Existe a possibilidade de dirigir a evolução psíquica a ponto de tornar os seres humanos mais capazes de resistir à psicose do ódio e da destruição"? Freud respondeu realisticamente: "Não existe esperança de suprimir de modo direto a agressividade humana. O que podemos é percorrer vias indiretas, reforçando o princípio de vida (Eros) contra o princípio de morte (Tanatos). E termina com uma frase resignada: "esfaimados pensamos no moinho que tão lentamente mói que poderemos morrer de fome antes de receber a farinha". Será este o nosso destino? Por que escrevo isso tudo? É em razão do tresloucado que no dia 5 abril numa escola de um bairro do Rio de Janeiro matou à bala 12 inocentes estudantes entre 13-15 anos e deixou 12 feridos. Já se fizeram um sem número de análises, foram sugeridas inúmeras medidas como a da restrição da venda de armas, de montar esquemas de segurança policial em cada escola e outras. Tudo isso tem seu sentido. Mas não se vai ao fundo da questão. A dimensão assassina, sejamos concretos e humildes, habita em cada um de nós. Temos instintos de agredir e de matar. É da condição humana, pouco importam as interpretações que lhe dermos. A sublimação e a negação desta anti-realidade não nos ajuda. Importa assumi-la e buscar formas de mantê-la sob controle e impedir que inunde a consciência, recalque o instinto de vida e assuma as rédeas da situação. Freud bem sugeria: tudo o que faz criar laços emotivos entre os seres humanos, tudo o que civiliza, toda a educação, toda arte e toda competição pelo melhor, trabalha contra a agressão e a morte. O crime perpetrado na escola é horripilante. Nós cristãos conhecemos a matança dos inocentes ordenada por Herodes. De medo que Jesus, recém-nascido, mais tarde iria lhe arrebatar o poder, mandou matar todas as crianças nas redondezas de Belém. E os textos sagrados trazem expressões das mais comovedoras: "Em Ramá se ouviu uma voz, muito choro e gemido: é Raquel que chora os filhos e não quer ser consolada porque os perdeu"(Mt 2,18). Algo parecido ocorreu com os familiares das vítimas. Esse fato criminoso não está isolado de nossa sociedade. Esta não tem violência. Pior. Está montada sobre estruturas permanentes de violência. Aqui mais valem os privilégios que os direitos. Marcio Pochmann em seu Atlas Social do Brasil nos traz dados estarrecedores: 1% da população (cerca de 5 mil famílias) controlam 48% do PIB e 1% dos grandes proprietários detém 46% de todas as terras. Pode-se construir uma sociedade de paz sobre semelhante violência social? Estes são aqueles que abominam falar de reforma agrária e de modificações no Código Florestal. Mais valem seus privilégios que os direitos da vida. O fato é que em pessoas perturbadas psicologicamente, a dimensão de morte, por mil razões subjacentes, pode aflorar e dominar a personalidade. Não perde a razão. Usa-a a serviço de uma emoção distorcida. O fato mais trágico, estudado minuciosamente por Erich Fromm (Anatomia da destrutividade humana, 1975) foi o de Adolf Hitler. Desde jovem foi tomado pelo instinto de morte. No final da guerra, ao constatar a derrota, pede ao povo que destrua tudo, envenene as águas, queime os solos, liquide os animais, derrube os monumentos, se mate como raça e destrua o mundo. Efetivamente ele se matou e a todos os seus seguidores próximos. Era o império do princípio de morte. Cabe a Deus julgar a subjetividade do assassino da escola de estudantes. A nós cabe condenar o que é objetivo, o crime de gravíssima perversidade e saber localizá-lo no âmbito da condição humana. E usar todas as estratégias positivas para enfrentar o Trabalho do Negativo e compreender os mecanismos que nos podem subjugar. Não conheço outra estratégia melhor que buscar uma sociedade justa, na qual o direito, o respeito, a cooperação e a educação e saúde para todos sejam garantidos. E o método nos foi apontado por Francisco de Assis em sua famosa oração: levar amor onde reinar o ódio, o perdão onde houver ofensa, a esperança onde grassar o desespero e a luz onde dominar as trevas. A vida cura a vida e o amor supera em nós o ódio que mata. "A Lei da mente é implacável; o que você pensa, você cria; o que você sente, você atrai; o que você acredita torna-se realidade!" Leonardo Boff - Teólogo/Filósofo




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Mai
02
19:57h
Oportunidades de negócios com a Copa 2014

(*) André Gustavo

Construção civil, tecnologia da informação, turismo e produção associada ao turismo (gastronomia, artesanato etc). Esses quatro setores da economia oferecem 448 oportunidades de negócios para pequenas empresas nas 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014. Os dados fazem parte do 'Mapa de Oportunidades para as Micro e Pequenas Empresas nas Cidades-Sede´, divulgado pelo Sebrae nesta terça-feira (29), no Rio de Janeiro. O mapeamento é uma das ações previstas no Programa Sebrae na Copa de 2014, que receberá, até 2013, investimentos de R$ 79,3 milhões. Os recursos serão aplicados em programas de consultoria, inovação e acesso a mercados, como o Sebrae Mais, Sebraetec, Agentes Locais de Inovação (ALI) e Centrais de Negócios. Para atender à demanda, novas soluções também poderão ser criadas. De acordo com o mapeamento do Sebrae, encomendado à Fundação Getúlio Vargas (FGV), haverá possibilidades de negócios para pequenos empreendimentos antes, durante e após o evento esportivo. Alguns exemplos são as agências de viagens emissivas e de receptivo, fornecedores de uniformes, empresas de terraplenagem, restaurantes e outros estabelecimentos de alimentação e bebidas, comércio de reparação e manutenção de equipamentos de comunicação, empresas de Internet e infra-estrutura de TI, produção de artesanato, design de produtos e embalagens, fornecedores de material e mobiliário de escritório, entre outras. As 448 oportunidades de negócios foram extraídas de uma lista de atividades nas quais essas empresas podem empreender com grande chance de sucesso. Esses segmentos incluem as compras governamentais (com as garantias previstas na Lei Geral da Micro e Pequenas Empresas) e os negócios diretamente com o mercado - que representam a maior parte das oportunidades. Ainda no primeiro semestre de 2011, serão mapeados mais cinco setores: agronegócio, madeira e móveis, têxtil e confecção, comércio varejista e serviços. Para fazer download do documento completo acesse: http://tinyurl.com/5shea4s

 

 

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Abr
05
21:31h
Cisne Negro – O Impacto do Altamente Improvável

Não vou falar aqui do filme estrelado por Natalie Portmann que concorreu ao Oscar de melhor filme de 2010 e que a levou ganhar a estatueta como melhor atriz, mas quero falar sobre o livro (The Black Swan) de Nassim Nicholas Taleb. Neste livro o autor defende a idéia de que há fenômenos, fatos e acontecimentos não previstos ou totalmente desconhecidos, que podem acontecer e provocar grandes impactos. É o que ele chama do "Impacto do Altamente Improvável".

O termo "Cisne Negro" começou a ser usado no século XVIII como referência a fatos não previstos, quando o conhecimento da Biologia afirmava que somente existia na terra cisnes brancos, e assim conceituava este animal. Com a descoberta dos cisnes negros na África, algo muito improvável na época, houve muitas mudanças de paradigmas para a ciência daquele período.

Fatos como o 11 de setembro, o tsunami no Japão e na Indonésia, o Google, a internet, a crise econômica de 2008 ou mesmo os deslizamentos de terra em Teresópolis são considerados "Cisne Negros".  Esses eventos que estão "fora do âmbito das expectativas normais, porque nada, no passado, aponta convincentemente para a sua possibilidade (1)"  tiveram impacto extremo (2) e pareciam explicáveis e previsíveis, apenas  após o fato (3). Segundo o autor estas são as três principais características de um evento deste tipo. O "Cisne Negro" é um acontecimento de grande raridade, que provoca um impacto extremo, e que não pode ser previsto. Quando olhamos para traz, parece que o fato poderia ser conhecido e faz todo sentido, mas somente após a sua ocorrência podemos compreendê-lo e conhecê-lo.

Segundo Taleb "Cisnes Negros" acontecem todo momento em nossas vidas, apesar de nós, humanos, acreditarmos que sabemos muito. Somos arrogantes. Como somos replicadores daquilo que é conhecido, estudamos e criamos em cima do que já existe, do que já está armazenado como conhecimento, mas, desprezamos a infinidade de coisas que existe, o "não conhecido" e o que "não sabemos". Tomamos decisões baseada no "normal" e "conhecido" e descartamos o raro, o improvável, o imprevisível. Geralmente, nem consciência destes aspectos levamos em consideração.  Somos programados para fazer "ligações lógicas", para relacionar coisas.

No mundo atual, das grandes mudanças, onde o nível de complexidade é cada vez maior devido às crescentes e inúmeras variáveis, os "Cisnes Negros" serão cada vez mais presentes e mais impactantes. Saber lidar com estes fatos é questão de treinamento e abertura para algo que não é tão palpável quando o conhecimento existente. Para aprender lidar com estes fatos é preciso estar aberto ao novo, é preciso experimentar muito, criar novas oportunidades, aceitar as diferentes, ouvir o inaudível e estar preparado para as mensagens que os fatos estão nos proporcionando. Devemos partir da seguinte afirmação "Cisnes Negros Existem."

 

 

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Mar
31
00:58h
Vai faltar Água!

(*) André Gustavo

Segundo o Atlas Brasil, estudo da ANA - Agência Nacional de Águas que fez um diagnóstico da gestão da água no país, vai faltar esse produto tão essencial para a vida humana em várias cidades do Brasil. Um problema que sempre foi característico da região nordeste, principalmente do sertão, vai estar presente em todo Brasil nos próximos anos.

Este estudo mostra que, até 2015, 3.059 (55%) dos municípios do Brasil poderão ter problemas com o abastecimento de água. Será preciso um investimento de R$ 22,3 bilhões para evitar este grave problema. Os grandes aglomerados urbanos é quem mais deve sofrer com essa escassez. Com o aumento da população destas regiões e a dificuldade de aproveitar os mananciais existentes, cada vez será mais caro levar água para estas regiões. Para estas cidades (256), onde estão concentrado quase metade da população do país, serão necessários R$ 9,6 bilhões (43% do total para o país).

Na região sudeste, onde está concentrado o maior contingente populacional do país, são consumidos 47% do abastecimento nacional de água. Com a infra-estrutura hídrica atual, 44% dos municípios desta região terão problemas com acesso à água em breve. Somente o estado de São Paulo, que corresponde com 50% do consumo de água da região, precisa de investimentos da ordem de R$ 5,4 bilhões.

Já no nordeste, região com os maiores problemas de abastecimento de água, o estudo aponta uma situação ainda pior. Foi diagnosticado que 74% dos municípios desta região terão problemas até 2015 com o abastecimento.  São 1.068 municípios precisando de ampliação de seus sistemas hídricos. A Bahia, estado do nordeste com o maior número de municípios com problemas nesta área, precisa investir urgentemente cerca de R$ 2,6 bilhões para prevenir que essa catástrofe não afete a população baiana. Na zona rural o problema é ainda pior que nas regiões urbanas. Para o nordeste todo será necessário R$ 9,1 bilhões, sendo que 65% destes recursos são destinados para o semi-árido, região onde vivem 20 milhões de habitantes.

Cabe aos governos e municípios acelerarem os investimentos necessários para não permitir que este grande problema, que já está plenamente diagnosticado e mapeado, precisando somente de decisão gerencial, não afete o Brasil e sua população, principalmente as parcelas mais pobres. Que vai falta água é uma certeza, mas a dimensão do impacto deste fenômeno está nas mãos dos gestores do país.

 

 

 

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Mar
24
22:05h
Discurso para os alunos da UNIFACS

Discurso proferido por André Gustavo de Araujo Barbosa, patrono da 3º turma de formando em Gestão Comercial da UNIFACS, pólo Santo Antônio de Jesus, no dia 25 de março de 2011, no auditório do SESC/SAJ.

 Boa Noite a todos. Gostaria de saudar aos presentes, em especial aos formandos desta turma de "Gestão Comercial" que vivem esse momento especial na infinita caminhada do conhecimento e da sabedoria. A essas oito pessoas que se desafiaram e investiram tempo, dinheiro, atenção e vida, é algo que não tem preço chegar ao final de um ciclo.

A UNIFACS parabenizo pelo excelente trabalho que vem desenvolvendo na Bahia, e em especial aqui em Santo Antônio de Jesus, com aos empreendedores e visionário Joane e Fernando, que com coragem, responsabilidade social e senso de oportunidade vislumbrar que educação é um bom negócio, não somente no sentido de lucro financeiros, mas no sentido de que só construíremos um país melhor quando nosso sistema educacional aumentar a qualidade e a inclusão.  

Saúdo também Péricles Nogueira e Marta, respectivamente, coordenador de EAD da UNIFACS e Coordenador do curso de Gestão Comercial. Também o companheiro de ativismo empresarial Herivaldo Neri, paraninfo desta turma e os Srs. Filadelfo, funcionário homenageado, Carlos Henrique e Orlando Lago, professores homenageado.

Estamos aqui hoje para dar continuidade à história, a dar prosseguimento ao que um dia Platão, famoso filósofo grego, em 387 A.C. chamou de "ACADEMIA". Nome que usou para designar a escola fundada por ele, em Atenas, para ensinar as pessoas a pensarem sobre as coisas da vida. Platão foi um discípulo de Sócrates, talvez o maior dos filósofos, que não deixou nada escrito, mas que ainda hoje seus ensinamentos, divulgado por Platão, são tão atuais. Sócrates dizia: "Só sei que nada sei" e "Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância". Naqueles dias tão longíngos algumas pessoas já tinham a certeza que a busca do conhecimento nos leva a descobrir coisas tão profundas como: Por que quanto mais estudo, mais descubro que sei tão pouco? Por que o conhecimento me leva a indignação e a ver melhor os nossos erros?  Daí nasce uma pergunta tão atual e que deve indignar todos nós: Por que, nos dias atuais, em pleno século XXI, onde já avançamos tanto em ciência, conhecimento e tecnologia, onde o progresso é tão intenso, onde criamos uma rede de comunicação que possibilita nos comunicar com todas outras pessoas do mundo, ainda sofremos tanto, ainda tem tantas pessoas morrendo de fome, de doenças que a cura já foi descoberta, de guerras, da violência nas nossas cidades tão civilizadas? Por que o conhecimento de milhares de anos não conseguiu ainda resolver os problemas da humanidade?

Caros formandos, prezados amigos, não é o conhecimento técnico que vai resolver os problemas do mundo, apesar dele tem uma grande importância, ser fundamental para nossa incansável, e não sei se tão necessária busca por progresso. Esse conhecimento nos torna mais crítico, nos ajuda exercer melhor nossas atividades laborais, nas empresas, na sociedade, nos nossos grupos e entidades de classes. O que vai nos ajudar a mudar o mundo e resolver nossos problemas essências, não se aprender somente na academia de Platão, nas universidades, nas escolas, o que vai nos ajudar a construir um futuro sustentável e melhor para todos é a compaixão, o cuidado, o olhar sem preconceito e inclusivo, é o olhar do todo, é o amor que damos às coisas da vida, aspectos que foi nos ensinado por outros professores como Jesus Cristo, Mahatma Gandhi, Buda, Irmã Dulce e muitos outros exemplos de vida. Não podemos esquecer aqui os ensinamentos que nossos pais nos ensinaram, coisas tão importantes que nos foram ditas quando crianças: divida o lanche com os coleguinhas da escola, pegue não mão do outro quando for atravessar a rua, não mexa nas coisas que não são suas,  seja educado com as visitas etc. Nem podemos esquecer que todas as crianças são poetas, são educadores, e tanto nos ensinam. Tanto mexe com nós.

Amigos, o conhecimento está em todo lugar. Nietzsche, famoso filósofo alemão disse "Sem a música, a vida seria um erro". Das terras frias do filósofo alemão para o sertão do Ceará, cito o sábio poeta Patativa do Assaré, homem simples, considerado analfabeto por não ter ido a escola formal, em um dos seus poemas "CANTE LÁ QUE EU CANTO CÁ", ele apresenta o que Paulo Freire diz quando fala que " Não há saber maior ou saber menos. Há saberes diferentes", cada um com sua importância para recriar a vida nas suas comunidades nas suas culturas. O saber de um médico graduado é tão importante quando o saber de um pajé da floresta amazônica ou de uma parteira no semi-árido baiano. Ambos dão sentido à vida. Patativa do Assaré com toda sua sabedoria diz:

Meu verso é como a simente
Que nasce inriba do chão;
Não tenho estudo nem arte,
A minha rima faz parte
Das obra da criação.
Mas porém, eu não invejo
O grande tesôro seu,
Os livro do seu colejo,
Onde você aprendeu.
Pra gente aqui sê poeta
E fazê rima compreta,
Não precisa professô;
Basta vê no mês de maio,
Um poema em cada gaio
E um verso em cada fulô
Seu verso é uma mistura
É um ta sarapaté,
Que quem tem pôca leitura,
Lê, mais não sabe o que é.
Tem tanta coisa incantada,
Tanta deusa, tanta fada,
Tanto mistéro e condão
E ôtros negoço impossive.
Eu canto as coisa visive
Do meu querido sertão.

Caros formandos "Não há saber. Há saberes". Um curso de administração de empresas ou de qualquer outra área do conhecimento é um curso, é uma forma nobre e planejada de aprender, de transmitir informações que foram pesquisadas, construídas e transformadas em teorias e conhecimento, tem uma grande importância para a sociedade, para o mundo, mas a ela deve ser incorporadas outros saberes formais e informais. O que diz o maior educador brasileiro Paulo Freire é isso, o que diz o poeta Patativa é isso. "A educação formal sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda." (Freire). Precisamos unir saberes, que a fragmentação da própria ciência desuniu há séculos atrás. Espiritualidade e Negócios. Amor e vendas. Produção e cuidado com a natureza. Deus e Ciência. A falta de uma visão sistêmica que não aceite a divisão das coisas e temha um olhar integrador, sem preconceitos, de curto prazo, tem levado a humanidade a uma situação de grande risco. Talvez sejamos a primeira espécie da história do planeta a criar a sua própria destruição, diz o cientista David Loveloock, criador da teoria chamada Gaia, haja vista, a grande quantidade de ogivas nucleares existentes, os pesticidas nas plantações, o inchaço das grandes cidades, a exclusão de mais de um bilhão de pessoas ao acesso as bens mínimos para sobrevivência, inclusive a água.

Somente a educação, a mudança de consciência, a mudança de padrões de consumo pode nos salvar. Vocês agora que se forma tem uma imensa responsabilidade, não somente por fazerem parte de uma elite intelectual de menos de 5% da população brasileira que tem acesso ao ensino superior, mas também por isso, mas principalmente como mães e pais, cidadãos e cidadãs que buscam o conhecimento e tem a consciência de como ele pode mudar o mundo. Para melhor ou para pior, pois o conhecimento não tem partido, não tem ideologia, não tem cor nem bandeira. O uso do conhecimento sim, esse tem cor, bandeira, partido e ideologia. O Uso do conhecimento. Um engenheiro para economizar causou mortes e perdas irreparáveis pela cobiça de uns trocados a mais. Fez prédios caírem. Administradores financistas roubaram milhares de investidores e causou desemprego de milhões de pessoas. Médicos cometem erros constantes e irresponsáveis pela ganância de ganhar mais com a produtividade. Especialistas de marketing nos enganam nas propagandas nos fazendo consumir coisas que não precisamos, faz crianças perderem parte da sua infância pela adolescência precoce. Professores preparar crianças traumatizadas e inaptas para uma vida social pela falta de sentido, de paciência, de compromisso com o outro.

Amigos, o bom, o belo e o verdadeiro, designação esta muito usada no budismo, não está somente e principalmente no conhecer, no aprender, em se sentir parte desta elite intelectual, e sim nas ações que realizamos no dia a dia, "no impregnar de sentido o que fazemos a cada instante", como diz Freire, naquilo que colocamos a serviço da vida, das pessoas e de tudo aquilo que existe.

Parabenizo todos vocês pela coragem, pelo esforço, por tudo aquilo que abdicaram para concluir e enfrentar esta jornada, pelos momentos de alegria e de tristezas, de dúvidas e de certezas. Estudar é humano. Aprender é divino. Carl Sagan, cientista e astrólogo, afirmou que "Somos feitos da mesma matéria das estrelas. Nós temos o cosmos dentro de nós." Raul Seixas disse "Cada um é uma estrela."

Agora mais do que nunca estão sobre seus ombros um pouco de conhecimento que pode mudar o mundo, suas vidas e a vida de muita gente e no outro ombro o vazio cheio de esperança, compaixão e sentido de comunidade, que ainda deve ser preenchido pelo novo conhecimento, pelos atos do dia a dia, pela construção eterna do saberes da vida. Sócrates disse "O próprio sábio cora das suas palavras, quando elas surpreendem as suas ações".

Boa sorte a todos. A caminhada não se acaba aqui, estamos apenas em uma das bifurcações. Qual caminho seguir, apenas seus corações pode escolher.

Grande beijo e abraços a todos.

 

 

 

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Mar
21
20:53h
Violência ao povo negro

Ainda ecoa no Brasil conseqüências da escravidão. Mais de um século depois ainda vivemos um fosso de desigualdades de direitos, de respeito e de atenção a população negra do nosso país. O recém divulgado "Mapa da Violência 2011", do Instituto Sangari, nos mostra toda essa aberração da nossa sociedade. Os dados são alarmantes e preocupantes, haja vista, a situação não tem sido revertida, pelo contrário, a situação deste povo segregado se deteriora dia a dia.

A pesquisa nos mostra que em 2002 foram assassinados 46% mais negros (incluídos aqui os pardos, pretos e negros, como no IBGE) que branco. Em 2008 o índice aumentou para absurdos 103%. E as prévias dos estudos apontam que em 2009 foi ainda pior. Entre 2002 e 2008 o número de brancos assassinados caiu 22,3%. No nordeste do país a coisa só piora. Na Paraíba, morrem 1.083% mais de negros que brancos, em Alagoas, 974% e na Bahia, 439,8%. São estatísticas que beiram a uma limpeza étnica semelhante aos países com aspectos ditatoriais. Um verdadeiro extermínio.

Essa desigualdade de condições e tratamento é muito bem retratada na maior festa popular do Brasil, o carnaval, onde vemos a população branca se protegendo dentro dos blocos e camarotes, pagando valores altíssimos por esse "privilégio", enquanto a população negra se contorce nos poucos espaços públicos disponíveis ou mesmo trabalham nas cordas dos blocos, empurrando os carros das escolas de sambas, vendem produtos no mercado informal ou fazem parte da "turma da limpeza". A desigualdade salta aos olhos e violentamente mostra uma realizada dura e difícil de ser superada, já que também nas esferas governamentais, nos legislativos e judiciários do nosso país, e nos principais ambientes onde a mudança poderia começar, também imperam uma visão segregacionista e mantenedora do "status quo".

Nas escolas, nas faculdades, nos hospitais, nas feiras livres, nos shopping centers, nos restaurantes, em quase todos os lugares observamos quanto ainda estamos longe de estamos em um país de oportunidades iguais, um país onde o preconceito racial foi totalmente extirpado. As políticas sóciais dos governos federais e estaduais têm produzido poucos resultados para a vida desta parcela da população, mesmo tendo sido criado Ministério e Secretárias Estaduais de igualdades raciais. O fosso ainda é muito fundo, as boas políticas de cotas estão longe de produzir efeitos impactantes, já que atende somente aos negros que consegue completar o ensino médio, o que é uma minoria. Até quando faremos de conta que vivemos no melhor dos mundos?

 

 

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Mar
18
14:13h
A crise do velho paradigma da gestão

(*) André Gustavo

Vivemos um período de intensas mudanças no planeta terra. Um momento de grande sobreposição de crises, que nos deixa apreensivos e angustiados sobre o futuro da humanidade e do planeta. Quando o maior cientista vivo Stephen Hawking diz que "...já temos que ir nos preparando para viver fora do planeta terra.", é por que a situação realmente não é das melhores. É óbvio que há grandes divergências em todas as áreas do conhecimento sobre a nossa sobrevivência na terra, bem como de quais são os efeitos e impactos de todas estas mudanças que ocorre. Mas em um ponto há quase uma unanimidade: os erros e acertos das decisões que tomarmos agora, determinará a nossa longevidade e a nossa qualidade de vida no futuro.

São muitas as crises que vivenciamos, podemos citar como as mais emergentes e mais impactantes a crise ambiental, a crise energética, a crise econômica e financeira, etc. Mas dentre todas as crise nenhuma é mais danosa para a humanidade do que a crise da consciência, a razão de todas as outras crises, justamente a que nos conecta com a terra, com os outros e com tudo que existe. Segundo os mais diversos especialistas que estão "pensando" e discutindo sobre estes problemas que nos aflige, tudo, de alguma forma, está ligado a tudo. Todas as coisas vivas estão em conexão, tudo é integrado, sem exceção. As falhas ou defasagem dos nossos modelos mentais nos levam a não perceber as mudanças, a 'cristalizar' nossos pensamentos, a utilizar padrões ultrapassados e não adequados para o  mundo contemporâneos que vivemos. Essa é a crise de consciência que nos leva a decidir e a gerenciar nossas vidas, famílias, empresas, ONGs - Organizações não governamentais e governos, de uma forma que não mais atende as demandas do mundo e do todo.

São conseqüências do velho paradigma de gestão, que ainda prevalece nos dias atuais:

  • 1. Tendência da economia mundial a criar escassez de ar, água fresca, terra arável e florestas renováveis. Essa escassez nos leva a muitos outros problemas ambientais e ecológicos;
  • 2. Tendência da economia mundial a criar povos e culturas marginais; pobreza crônica, fome e desenvolvimento inadequado;
  • 3. Crise de controle: Desenvolvemos uma capacidade quase ilimitada de fazer praticamente tudo que desejamos. Esses poderes assustadores nos levaram aonde? Poderemos controlar esses poderes? Os objetivos de curto prazo se sobreporão aos objetivos de longo prazo da humanidade?
  • 4. Crise de significado e valores: individualismo, consumismo, egoísmo, sociedade 'líquida' (Baumann), violência, crescimento etc.

Esses são apenas alguns dos problemas originados pela utilização ainda de paradigmas ultrapassados, mas que prevalecem nos dias atuais. Um novo paradigma baseado na sustentabilidade, cooperação, ética ecológica, fraternidade, visão do todo, está em emergência, vem a cada conquistando novas mentes e corações. Esses dois paradigmas 'o velho' e 'o novo' coexistem. E por incrível que pereça crescem. Enquanto há governos, empresas e pessoas vivendo no modelo ultrapassado há também instituições deste mesmo tipo, vivendo e construindo um novo mundo utilizando as crenças, as idéias, os ideais e atitudes de um novo modelo. Ambos sempre existirão. O importante é qual prevalecerá. Qual será mais influente e determinante. Aqui está à resposta para Stephen Hawking, se em breve teremos que pegar um ônibus espacial para viver fora da terra ou se faremos deste planeta a nossa única e eterna casa. Depende de cada um de nós e do que coletivamente decidirmos.

 

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Fev
13
22:09h
Há algo de novo no ar do oriente

(*) André Gustavo

Depois de anos subjugado aos interesses norte americanos o povo do Oriente Médio volta a assumir seus destinos na história.  Civilizações milenares, com grandes e longas histórias de conquistas, guerras, invenções, descobertas e revoluções, passam por um novo momento de reconstrução de seus países e nações.

O estopim do que vemos na TV, que lemos nas revistas e jornais e principalmente via web,  nos mostra o Egito em ebulição, com sua população indo as ruas para gritar por liberdade e democracia. Mas, o que pouco tem sido divulgado nesta mesma mídia, exceto em blogs e meios alternativos é que a movimentação não acontece unicamente neste país e sim em vários outros países do Oriente, principalmente na Tunísia, Argélia e Líbano.

Sabemos que o centro de toda esta instabilidade no Oriente Médio é fruto da relação dos EUA com Israel, que tem este país como sua ponta de lança no domínio da região. Bancando ditadores por longos períodos, os americanos conseguiram manter o fornecimento de petróleo, além de manter aquecida sua maior indústria, a armamentista. Com Hosni Mubarack (1,5 bilhões de dólares anuais dos EUA), presidente deposto do Egito, não foi diferente de Saddam Hussein no Iraque, nem com o primeiro ministro de Israel, Netanyahu . Estes foram treinados, conduzido ao posto de presidente de seus países e mantidos com muito dinheiro americano.  Quando deixam de fazer o papel determinado eles são eliminados, como aconteceu de Saddam.

Mas essa influência americana tem aos poucos se diluído e perdido força na região. A omissão de Obama com a questão dos assentamentos nos territórios Palestinos é símbolo do fracasso eminente da tentativa de controlar a região. Uma nova geração de jovens bem informados via web, a crescente desigualdade nestes países, a crise econômica e o aumento dos preços dos alimentos em todo mundo, são causas para a revolta da população e da sociedade destes países.

Estamos entrando em uma nova era no mundo árabe, onde estes voltaram a serem protagonistas das suas histórias. O que acontecer no Egito será exemplo para todo o Oriente. Mesmo que assuma um novo ditador, mesmo que o conservadorismo predomine, mesmo que o radicalismo religioso ainda dite as regras da sociedade, os povos destes países não mais aceitaram que outro país decida seus futuros. Os caminhos estão abertos. O barril de gasolina que é o Oriente Médio ainda estará na fogueira por longos anos e quem viver verá uma nova sociedade emergi de toda essa revolução.  

 

 

Colunista: Professor André Gustavo - Mestre em Administração de Empresas e Consultor do SEBRAE.

e-mail: vozdabahia@hotmail.com

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Jan
17
14:14h
CULTURA DIGITAL

(*) André Gustavo Barbosa

Uma nova Cultura digital já é realidade. Com dimensões e impactos incalculáveis para o futuro da humanidade nada será como antes. Escrevo isso daqui da Campus Party (www.campusparty.com.br) , maior evento de tecnologia, inovação e entretenimento digital do Brasil e do mundo, que está acontecendo agora em São Paulo até o dia 23/01.

Além do Brasil, este evento acontece na Espanha, no México e na Colômbia, e este ano chega aos EUA, Chile, Venezuela e Equador. Aqui em São Paulo estão 6800 pessoas discutindo economias criativas, robótica, games, música, educação, empreendedorismo, ciência e tudo mais ligados ao mundo da internet. É aqui que se encontra fisicamente as mais diferentes tribos digitais, as empresas do setor e todas as outras organizações que estão olhando para esse novo mundo que nasce e se renova a cada dia. São esses participantes os vanguardistas, os trendsetters, os criadores da nova economia e responsáveis pelo futuro da web.

A Campus Party parte do princípio que a internet não é só uma rede de computadores, mas sim uma rede de pessoas, um local de encontro, um local de criação, destruição e construção do novo para melhoria do mundo. Uma gigantesca família separada fisicamente, mas unida virtualmente em uma única e grande rede. Nesse mundo complexo, segundo o coordenador geral do evento, Mario Teza, torna-se fundamental conciliar diferentes perspectivas:

  • A inclusão digital é uma solução global para um desafio comum que vai além das fronteiras dos países;
  • A sustentabilidade, outra preocupação planetária, vai se inserindo pouco a pouco no cotidiano dos cidadãos e passa a ser uma moldura necessária para a construção de qualquer futuro viável;
  • Em paralelo, o desenvolvimento econômico encontra na inovação científica e tecnológica sua principal matriz de crescimento. Para garanti-lo, é necessário fomentar o empreendedorismo e as novas idéias.

Já passaram por aqui o Al Gore, ex-senador e ex-candidato a presidente dos EUA, autor do livro e filme "Uma Verdade Inconveniente", falando sobre como a internet e seus bilhões de usuário podem ajudar a salvar a espécie humana do risco de extinção. Também esteve aqui o Jon Maddog Hall, um dos criadores do LINUX e liderança mundial da cultura do software livre. O Tim Berners-Lee, considerado um dos maiores gênios do mundo, é o criador da World Wide Web (www), que falou sobre a neutralidade da internet e da necessidade da liberdade para que a criatividade possa florecer. Ressaltou que há várias iniciativas governamentais e de grandes grupos empresariais para controlar a web e que é preciso resistir e denunciar estas iniciativas. Ouvi também a Marina Lima, ex-senadora e ex-candidata a presidente da República falar sobre como usou a rede para fazer sua campanha e se aproximar da sociedade e dos seus eleitores. Também o Gil Giardelli, Ceo da Gaia Creative, falou sobre o capitalismo 4.0 que nasce modelado por este mundo digital. Além destes, muitos outros passarão e passaram pelas mais de 500 atividade previstas nesta uma semana de atividade.

O Campus Party, apesar de ser o maior evento do mundo nesta área, não é o único nem o mais importante, são milhares de eventos como estes que estão acontecendo em todo planeta, que estão criando esta nova cultura que modificará tudo como conhecemos. Hábitos, fazeres, comportamentos, negócios, produtos, tudo, absolutamente tudo, será modificado pela tecnologia, pela inovação e pela criatividade fruto deste mundo digital. Estar atento a estas mudanças, aos seus impactos e às suas conseqüências, é de grande importância para sermos contemporâneos ao tempo que vivemos, para estarmos inserido no progresso da humanidade e para sermos também atores da construção das soluções dos problemas que enfrentamos para nossa sustentabilidade.  Vivemos um momento único na história planetária onde temos nas mãos os instrumentos, as ferramentas e as possibilidades de corrigirmos muitos dos nossos erros e mudarmos o destino da humanidade. Nossas escolhas, nossas decisões hoje, mais do nunca, desenham o nosso futuro. A Campus Party já escreve está história.

 

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Jan
09
21:55h
2011 - O ano mais importante da Década

(*) André Gustavo Barbosa

A segunda década do século XXI se apresenta como o melhor período para história econômica e social do Brasil. Depois de um longo período de amadurecimento da democracia, que ainda precisa ser intensificada nos mecanismos de participação popular, e da consolidação dos pilares econômico, que transmite uma situação de relativo controle e segurança, o Brasil tem bom motivos para acreditar que nestes próximos nove anos (sim, já estamos no segundo ano da segunda década) os avanços serão sustentáveis e a melhoria de vida da população brasileira será uma realidade.

Desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, quando se iniciou este ciclo de desenvolvimento sócio econômico, o país vem construindo um ambiente de estabilidade e de fundamentação dos princípios básicos de uma economia de mercado. Cumprindo a cartilha imposta pelo Banco Mundial e pelo FMI, de metas de superávit primário, metas de inflação e câmbio flutuante, o Brasil conseguiu durante parte do governo FHC e durante todo o governo Lula, estabilizar a economia, gerar empregos e fazer o Brasil crescer.

Com uma das maiores demandas reprimidas do mundo, com uma grande parte de sua  população ainda fora do mercado de consumo e um nível de endividamento entre os menores do planeta, a sociedade brasileira aguardava a algum tempo ser a bola da vez. Ainda muito atrás dos países desenvolvidos com relação à qualidade e quantidade de consumo, a população brasileira avança para em breve estar entre os cinco maiores mercados globais. Há previsões de que em vinte anos seremos a quinta economia do mundo. Tanto no mercado de alto luxo, quando em setores populares, já somos players importante no jogo internacional das empresas. Somos vistos como um grande mercado e em curto prazo, como um dos maiores potenciais de crescimento. Hoje, todas as multinacionais incluem o Brasil nas suas estratégias de lançamentos de produtos e produção.

Aliado a este crescente mercado de consumo, fruto principalmente das políticas de inclusão do governo Lula, o Brasil evoluiu consideravelmente em investimentos em tecnologia e inovação, se tornando um grande produtor de novas descobertas e novas patentes. A infra-estrutura que nos próximos anos terá a injeção de centenas de bilhões de investimentos para a copa do mundo e para as olimpíadas será um grande gerador de emprego e renda, fazendo com que a economia interna continue a ser o grande motor do desenvolvimento. Fruto destes eventos o turismo crescerá significativamente, tanto com a recepção de visitantes de todo o mundo como com o turismo interno, que terá um crescimento recorde. A sinalização do governo federal com a melhoria da eficiência da aplicação do dinheiro público, seja na otimização da gestão e na desburocratização pública, que terá como grande líder deste processo o Jorge Gerdau, sinaliza que técnicas mais apuradas de gestão estão sendo inserida na administração pública, aumentando a sua eficiência.

 Certo que 2011 será um ano difícil devidos aos reflexos da crise que assola vários países europeus e principalmente o EUA, que logo voltará competir no mercado mundial, ameaçando o Brasil em vários setores. Apesar do nosso Real está muito valorizado prejudicando algumas indústrias brasileiras e que as possibilidades de novas guerras mundiais/regionais parecem ficar cada dia mais prováveis com a instabilidade e mudanças no desenho do poder global,  é certo também que se for feito o "dever de casa" como deve ser feito, acreditando no poder de consumo interno, melhorando a produtividade das empresas brasileiras e dos órgãos públicos, investindo na geração de empregos e nas políticas de erradicação da pobreza, e principalmente, investindo na educação fundamental e na formação de mão de obra, 2011 será o mais importante ano de uma década brilhante para o Brasil. Os pilares já estão aí, as bases devem ser consolidadas hoje, as cartas já estão na mesa, às oportunidades surgirão e cada um de nós tem a nossa parcela de responsabilidade. Temos tudo para comemorar um logo período de prosperidade.

 

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Set
13
08:45h
UM NOVO SALTO DO DESENVOLVIMENTO

A cidade de Santo Antônio de Jesus vem passando por um grande processo de crescimento econômico há mais de duas décadas. Este processo se acelerou nos últimos 5 anos e a cidade é reconhecida na região como pólo comercial, dá um salto na direção de se tornar referência também no setor de serviço, principalmente nos ramos de saúde e educação.

Acompanhando o "boom" econômico pelo qual passa o mundo e especialmente o Brasil, a micro região de influência da cidade do Padre Matheus, tem uma população residente de quase 500 mil pessoas. Boa parte desta população freqüenta a cidade rotineiramente. É nela que vem fazer muitas das suas compras e realizar serviços essências aos seus dia a dia, como por exemplo, pendências cartoriais, tirar documentos, questões judiciais etc.

Essa centralização como pólo irradiador da região é um fato e precisa ser aperfeiçoado para que Santo Antônio de Jesus continue a liderar este processo e continue sua rota de crescimento. Políticas públicas onde seja somada a força do poder público, da iniciativa privada e das ONG´s - Organização do Terceiro Setor, pode acelerar este processo e induzir a região a um desenvolvimento mais equilibrado e sustentável.

No setor de serviços vemos um grande avanço da área de saúde, com muito investimento sendo realizado pelo poder público e pela iniciativa privada. Estes investimentos se for melhor planejado e de forma conjunta, pode levar a cidade a ser considerada em breve um local de excelência neste segmento. Observe que o poder público, seja ele municipal, estadual ou federal, tem o dever de universalizar o serviço para garantir um direito constitucional do cidadão. Já a iniciativa privada, pela característica empreendedora e da dinâmica concorrencial do mercado, precisa além de atender às demandas básicas não satisfeitas pela oferta do serviço público, precisa trazer inovação, tecnologia e novos conhecimentos.

Se bem planejado e articulado, este setor poder contribuir e muito para a mudança da matriz de negócios da região, já que é um segmento que provoca melhorias em todos outros aspectos da vida de uma comunidade. Não podemos esquecer aqui o papel fiscalizador, propositivo e articulador das ONG´s, tanto liderando pela comunidade como pelos próprios empresários, que tem um papel importante nesta relação. O Setor de saúde, somando ao setor de educação, de Santo Antônio de Jesus pode e deve em breve ser referência na região e na Bahia, como aquele que mais contribui para o desenvolvimento qualitativo deste território.

 

 

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