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Glênio Cabral

Acenda uma vela

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 20/04 17:43h
Acenda uma vela

*( Glenio Cabral ) 

Há um ano a asma voltou. Tive essa doença na minha infância, e achei que tivesse ficado curado depois de anos de natação. Mas o fato é que doenças crônicas não se curam, apenas se administram. Pois bem, diante do retorno da danada, eu tinha duas opções: ou praguejar contra a escuridão ou acender uma vela. Optei pela segunda opção, e resolvi voltar a nadar três vezes por semana, à noite. Resolvi também fazer um tratamento à base de vacinas com um pneumologista, coisa que eu fiquei adiando por muito tempo. Assim, três vezes por semana, à noite, estou nadando na piscina de um clube da cidade, sozinho, sem uma piaba a me acompanhar. A administração do clube liga os refletores, e o nadador solitário, o combatente da asma, começa a dar as suas braçadas acendendo uma vela contra a escuridão. O resultado, é que depois de algum tempo nadando e tomando várias agulhadas da vacina, me sinto bem melhor e nunca mais tive crises de falta de ar. Até mesmo as gripes, que eram frequentes, sumiram. Fisicamente, me sinto outro. Pois é. Não se vence uma escuridão praguejando contra ela. Ela é surda. Não ouve, não se comove e não se sente ofendida com seus insultos. Uma escuridão se enfrenta acendendo uma vela. No meu caso, uma vela chamada iniciativa de fazer coisas pra melhorar a saúde. Acenda uma vela, você também. Não pragueje. Não reclame. Apenas acenda uma vela. Faça o que for possível. E lembre-se: é melhor vender lenço do que chorar.

 

Glenio Cabral é administrador de empresas e pós-graduado em Gestão de Pessoas.

Também é idealizador e colunista do site www.cafecristao.com

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O melhor de você para o mundo

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 13/01 10:34h
O melhor de você para o mundo

* Por Glenio Cabral

Vez por outra, você se pega pensando naquilo que você adorava fazer no passado, mas que acabou deixando de lado.

É que não dava pra viver daquilo.

Grana pouca, mercado competitivo, e o coração, apertado, reconheceu que era preciso dar um tempo e garantir a tal da sobrevivência econômica.

Mas ainda assim, vez por outra, aquilo vem ao seu coração, e você se lembra que, apesar de não lhe dar nenhum tipo de retorno financeiro, aquilo lhe dava muita alegria.

E como dava.

Então você descobre que talvez, só talvez, aquilo que você adorava fazer não servisse mesmo pra lhe dar dinheiro.

Talvez você tenha nascido com esse dom todo especial, apenas para servir às pessoas. Sem maiores pretensões mesmo.

Por isso é provável que a fama não venha. Aliás, até agora ela não veio, não foi?

Reconhecimento, tampouco.

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O engolidor de dias

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 09/01 19:32h
O engolidor de dias

( Por Glenio Cabral )

Nada de ficção científica. A coisa é séria, mais que real. Há um bicho englidor de dias zanzando por aí. Trata-se de um bípede de olhos esbugalhados e pescoço espichado. Não, não é um avestruz. Avestruzes comem de tudo, menos dias.

Já o nosso mutante, apesar de lembrar muito um avestruz, só come dias. Ou melhor, engole dias. Ele, tal qual um avestruz, arreganha a bocarra ( nada de bicos ) e, num gesto pra lá de mecânico, enfia o dia goela abaixo.

O seu paladar, por sinal, há muito que perdeu a sensibilidade. Ele engole o dia, com sol e tudo, e é incapaz de sentir o calor do astro rei. É assim com a segunda-feira, com a terça, quarta, quinta, sexta...cada dia não passa de uma ração sem gosto, cuja obrigação imposta pela sobrevivência faz o monstro engolir. E ele o faz sem prazer algum. Deus me livre virar um bicho desses. Deus me livre ser uma pessoa que não vive, apenas engole. Deus me livre render-me a um estilo de vida que não saboreia as coisas, que não mastiga com calma.

Dias são como pratos. Devem ser degustados, saboreados, mastigados e, se possível, ruminados. Nada de pressa. Comer esbaforido faz muito mal para a saúde.

Viver sem sentir o gosto das coisas é comer como um raio. É passar o ano todo torcendo pra que chegue logo as férias de janeiro, já que o restante do ano é composto por dias que não passam de ração sem gosto. É viver como uma aberração engolidora de dias, que não faz outra coisa senão viver só por obrigação.

Como se a vida fosse uma obrigação.

Carpe Diem, eis a ordem do dia. Aproveite o dia. Saboreie tudo o que um dia, qualquer dia, venha a lhe oferecer. Dificuldades, prazeres, não importa. Rumine tudo. Absorva suas proteínas, suas vitaminas, seus nutrientes. Cresça. Amadureça.

Faça o dia, qualquer dia, valer a pena.

Só não me venha com essa de engolir dias. Não conheço vida mais besta que essa.

Glenio Cabral é administrador de empresas e pós-graduado em Gestão de Pessoas.

Também é idealizador e colunista do site www.cafecristao.com

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Nem tudo é relativo, mas muita coisa é

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 17/08 17:26h
Nem tudo é relativo, mas muita coisa é

Não acho que tudo seja relativo. Tem coisas que não são. Por exemplo, os valores. Não dá pra relativizar valores e princípios. Ou você acredita naquilo, ou esqueça, deixa de ser um valor. Aliás, se tudo fosse relativo, o mundo seria um caos em carne viva. Já pensou? Não haveria certezas ( há muito poucas, mas há ), nem faróis, nem estradas...tudo seria uma grande encruzilhada com interrogações histéricas gritando a beira do caminho. Mas, se por um lado nem tudo é relativo, por outro algumas coisas são. E como são. 

Por exemplo, o entardecer. Pra que coisa mais relativa que o entardecer? 

O momento do crepúsculo é uma confusão só. Nem dia, nem noite. Nem sol, nem lua. Nem calor, nem frio. É um momento ambíguo, relativo, dois em um, onde noite e dia deixam as diferenças de lado e se tornam um só: o CREPÚSCULO.   

Não dá pra ser radical com uma coisa assim. Sempre haverá argumentos a serem reconsiderados, posturas a serem revistas, opiniões a serem substituídas...o crepúsculo, eu diria, é relativo em sua essência. 

O bicho ornitorrinco é outro que transpira relatividade. Ele põe ovos, mas não é pássaro. É mamífero, mas tem bico. Tem pêlos por todo o corpo, mas vive debaixo d´água.  Pô, qual é a desse bicho, afinal? A desse bicho é a relatividade. 

Ele é uma confluência absurda de biotipos e habitats, um exemplo clássico de um bicho que é dois em um. Ou três em um. Ou sei lá quantos em um. É relativo, pronto! 

E assim segue a vida, com poucas certezas, mas muita relatividade. Não acho que devamos condenar um ou outro. Cada um tem o seu valor. Há quem pregue a relativização das certezas, sob o argumento de que “certezas são imposições contra a liberdade”. Não acredito nisso. Pra mim, certezas libertam, especialmente se forem certezas próprias, conscientes, sem interferências de terceiros e frutos de uma auto-descoberta.   

Mas reconheço o valor da dúvida também. É a dúvida, e não a certeza, que nos incomoda, que nos força a sair do lugar, a gritar, a espernear, a crescer, a fazer achados... por isso, creio que a certeza é cria da dúvida.  E se assim é, a relatividade, quem diria, é a mãe de todas as certezas.

 

 Glenio Cabral é administrador de empresas e pós-graduado em Gestão de Pessoas. Também é idealizador e colunista do site www.cafecristao.com

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O prazo de ser besta

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 10/08 16:28h
O prazo de ser besta

(*) Por Glênio Cabral

Todo mundo tem um besta dentro de si. Uns em maior grau, outros em menor grau. Mas ele está lá, o besta.  
Esse besta interior, presente em cada um de nós, é responsável por nossa postura abestalhada de passividade diante de algumas injustiças que a gente engole sem reagir. Não me refiro aqui a coisas pequenas, coisas que dá pra relevar. 

Não. Falo de coisas sérias, coisas que humilham, que fazem pouco das pessoas, que desconsideram o ser humano. Coisas que pisam e ferem sem dó nem piedade a alma dos outros.  Aí o besta dentro de nós se revela com aquela voz mansa e serena, dizendo “deixa pra lá, a vida é assim mesmo, injusta. Fica na tua.”

E a gente fica.

Só que todo besta, e graças a Deus por isso, tem um prazo para manter-se abestalhado. Isso significa que mais dia, menos dia, esse prazo expira, e o besta deixa de ser besta. Isso acontece quando se chega ao limite das forças, e quando o que antes era tolerado, agora não é mais.  É a namorada que descobre as puladas do namorado, e deixa de ser besta. É o empregado que descobre seus direitos, e deixa de ser alienado. É a esposa que se cansa de sustentar um gigolô dentro de casa, e deixa de ser idiota. É um povo cansado de ser explorado, e que por isso vai às ruas, exige seus direitos e deixa de ser besta. 

Eu não sei se você que me lê agora se considera um besta em alguma área da sua vida. Se sim, é hora de chutar o balde. Mas advirto: fazer isso não será fácil. Exigirá coragem, desprendimento e determinação.

Mas acima de tudo, exigirá amor próprio.

E é por amor a si mesmo, e só a si, que o besta deve deixar de ser besta. 

 

Glenio Cabral é administrador de empresas e pós-graduado em Gestão de Pessoas. Também é idealizador e colunista do site www.cafecristao.com

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Apagando incêndio com fezes...eita, Brasil!

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 08/04 10:18h
Apagando incêndio com fezes...eita, Brasil!

(*) Por Glênio Cabral

Pra viver nesse país, só mesmo tirando leite de pedra. Ou então apagando incêndio à base de fezes.   

Por isso não me espantei com a reportagem do Fantástico que veio ao ar no ultimo domingo, e que trouxe à tona uma nova modalidade de combate a incêndios: arremesso de fezes!

Vamos às fezes, digo, aos fatos!

No ano de 2011, uma fábrica de reciclagem pegou fogo na cidade de Bacabal, interior do estado do Maranhão. A cidade, assim como a maioria das cidades do Brasil, não tinha um corpo de bombeiros. Resultado: teve que improvisar.

E foi assim, diante de um incêndio, que a população de Bacabal vivenciou na prática a expressão “quem não tem cão, caça com gato.” Ou, fazendo ajustes cabíveis aqui, “quem não tem água apaga o fogo com cocô.”

Então um carro limpa-fossa foi acionado. E o carro, naturalmente, estava repleto de água de fossa sanitária. Pois bem, foi justamente essa água heróica, cheia de fezes flutuando em suas ondas, que apagou aquele incêndio mortal.

O resto da história você já sabe. Diante daquele tsuname de excrementos, as chamas do incêndio cederam ao fedor que impregnou todo o ambiente, e o incêndio, sufocado pelo odor, sucumbiu asfixiado.

Argh! Um a zero para as fezes. 

Sabe, é por essas e outras que sinto orgulho desse país. Por aqui, até nossos excrementos são destinados a fins nobres. Sim, nosso cocô agora virou extintor! Virou salva-vidas. Virou exemplo nacional de versatilidade!

Mas não só isso, ele virou também um dos grandes símbolos que atestam a incompetência que deita e rola na gestão pública desse país.

O caso de Bacabal nos mostra que, em terras tupiniquins, não se desperdiça nem cocô. Na verdade, a única coisa que se desperdiça aqui é o dinheiro dos impostos que pagamos e que são desviados diariamente por indivíduos mais fétidos que o conteúdo que apagou o incêndio de Bacabal. Devios esses, diga-se de passagem, que contribuem para a inexistência de corpos de bombeiros na maioria das cidades do Brasil. Bacabal, inclusive.    

Pois é, caro leitor. E ainda há quem diga que o exemplo de Bacabal comprova a criatividade do povo brasileiro. Esse povo vibrante, inteligente, que tem jogo de cintura e que se adapta a toda e qualquer situação, nem que pra isso tenha que apagar um incêndio com água de fossa. Nosso povo é criativo, isso é fato. Tem jogo de cintura, coisa e tal. Mas a sua criatividade não está a serviço da vergonha nacional.

Não mesmo. 

Por isso, depois de tantos “improvisos”, a cidade de Bacabal espera não ter mais que fazer esse tipo de coisa pra apagar possíveis novos focos de incêndio.  Isso seria com o perdão da expressão e aproveitando o contexto desse texto, “uma m...”

 

Glenio Cabral é administrador de empresas e pós-graduado em Gestão de Pessoas. Também é idealizador e colunista do site www.cafecristao.com

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'O imposto do bandido'

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 20/03 05:23h

(*) Por Glenio Cabral

Chamou a atenção, há algumas semanas, uma recomendação exposta no site da Secretaria de Segurança Publica do Estado da Bahia que dizia o seguinte:

- Esteja sempre com algum dinheiro para o ladrão, e evite andar com muitos cartões.

A recomendação gerou protestos e imediatamente foi retirada do site. Mas o fato é que, polêmicas a parte, uma coisa ficou bem clara pra mim: é que nós estamos nos apropriando de algo que não é nosso.

E o que não é nosso? O dinheiro do ladrão, é claro!

Só não entendo como é que esse dinheiro é do ladrão, se fui eu que trabalhei o mês inteiro pra consegui-lo. Na minha cabeça ( me corrija se eu estiver errado ) o salário que recebo no final do mês deveria ser 100% meu. Afinal, fui eu que ralei, que dei o sangue.

Mas o fato é que na prática as coisas não funcionam bem assim por aqui. Agora eu sei que do valor que eu recebo como salário, devo separar um percentual pra “devolver” ao bandido.

A questão é saber quanto o bandido tem direito sobre o meu salário.  Quer dizer, deve haver uma base de calculo pra isso, algum tipo de tabela de “devolução” de dinheiro para o marginal.

Se eu sou assalariado e vivo a duras penas com meu salário, por exemplo, quanto do meu magro salário o marginal tem direito? Dez por cento? Vinte por cento? Metade, talvez? Quanto, pelo amor de Deus, quanto?!

É importante discutir isso, porque de agora em diante terei que fazer ajustes em meu orçamento pra conseguir pagar um novo imposto: o IDB ( Imposto de Devolução ao Bandido). 

O IDB, só pra esclarecer, é aquele dinheirinho que você leva no bolso pra ser entregue ao marginal. Assim, se você for assaltado, o dinheiro já está lá, a espera do seu verdadeiro proprietário: o bandido.

Por isso o IDB é considerado um tipo de imposto dois em um. É que ele, além de quitar nossas dívidas para com o assaltante, ainda nos garante o direito de circular pelas ruas, avenidas e passeios públicos. Na verdade, é o IDB que nos garante o direito de ir e vir, e não a Constituição Federal.

Afinal, se você não pagar o IDB ao marginal, você pode até ir, mas vir...deixa pra lá.

Sei que muita gente achou um absurdo a Secretaria de Segurança Pública ter publicado a ordem de pagamento ao bandido. Já eu não vi mal algum nisso. O que a Secretaria de Segurança Pública fez foi falar a verdade, nada mais que a verdade.

Todo mundo sabe que o IDB nesse país é pago por todos nós, pobres, endividados e assaltados cidadãos, aos marginais que andam à solta por aí. É um imposto em circulação há muito tempo, mas só agora foi reconhecido oficialmente como tal.   

Só que nesse país é assim, quem fala a verdade acaba sendo muito malvisto pelos intragáveis dos “politicamente corretos”.

Fazer o que....

 

Glenio Cabral é administrador de empresas e pós-graduado em Gestão de Pessoas.  Também é idealizador e colunista do site www.cafecristao.com

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Terceira idade ou melhor idade?

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 11/03 16:50h
Terceira idade ou melhor idade?
(*) Colunista  Glenio Cabral   
Você já ouviu a expressão “melhor idade”? Tenho certeza que sim. E estou certo de que você sabe que essa “melhor idade” se refere à terceira idade, ou, em bom português, à velhice propriamente dita.  
O caso é que a maioria das pessoas faz de tudo para evitar a velhice. A gente faz cirurgia, coloca botox, levanta o peito, arrebita a bunda, enche os lábios, tira as rugas, e nesse cabo de guerra contra a “melhor idade” essa expressão cai no ridículo. Que melhor idade é essa, que desperta essa fuga desenfreada?  
A verdade é que todo mundo eufemiza o que lhe convém.  
Por isso pegamos uma realidade prática da qual não gostamos nem um pouco e lhe damos um toque macio, usando expressões bem coloridas. Expressões, como por exemplo, “melhor idade.” 
Não tenho raiva de eufemismos, desde que eles não me façam de idiota. Suavizar as coisas é uma coisa, mas tentar empurrar goela abaixo uma falácia é outra bem diferente. E essa coisa de melhor idade é, em minha opinião, uma falácia.  
Porque eu penso assim? Porque ninguém quer envelhecer, ora. E porque ninguém quer envelhecer? Por motivos óbvios, que não detalharei aqui. Só que a velhice é uma fase natural da vida, e assim como todas as outras fases ela também possui suas virtudes. Experiência, maturidade e bom senso são só algumas delas. Há mais, eu sei. Mas há o outro lado também. O lado que as pessoas não gostam muito, por sinal.   
Eu sei que a expressão “melhor idade” tem boas intenções. Só que ela bate de frente com a dura realidade que é, muitas vezes, envelhecer. Eu conheço muita gente que não vai se adaptar bem a esta fase, ainda que se tente convencê-las de que essa é a “melhor idade”. Pois pra essas pessoas, definitivamente não é. 
Por isso encarar a realidade como ela de fato é ainda é a melhor forma de se viver bem. O otimismo, claro, deve ser figurinha carimbada em todas as fases da vida. E isso exige disciplina, esforço e  disposição. Porque ser feliz, acredite, é uma questão de treino diário, de transpiração mesmo. A gente escolhe ser feliz e luta pra chegar lá. Não é a toa que vive bem quem vive de peito aberto, de forma otimista, com sinceridade gritante e feliz consigo mesmo. Quando a pessoa é assim, bem resolvida,  não fica se apegando a certas frases ou expressões de efeito pra tocar a vida. Ela toca e ponto final.
E como ela consegue fazer isso? Vivendo sempre  no auge. Afinal, o auge de uma vida não está restrito a uma fase específica. Não mesmo. O auge de uma vida é construído no dia-dia, nos relacionamentos, nas reações. 
O auge tem como alicerce a auto-aceitação. E quem se aceita, esteja certo, vive por cima. Vive voando. Vive no auge. 
 
Glenio Cabral é administrador de empresas e pós-graduado em Gestão de Pessoas.  Também é idealizador e colunista do site www.cafecristao.com
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De graça

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 27/02 09:53h

( *Por Glenio Cabral ) 

Ontem vi uma coisa engraçada na Tv. Num jogo de futebol, um jogador acabou acertando a trave numa cobrança de pênalti. O jogador, claro, ficou arrasado. Já o goleiro, que não fez nada pra evitar o gol a não ser torcer pra que a bola não entrasse, saiu vibrando feito louco, socando o ar, dizendo coisas como “ eu sou o cara, eu sou o cara”, como se ele tivesse feito ...uma grande defesa.  Só que ele não teve mérito algum naquilo. Só teve sorte, nada mais.

Sentir-se feliz por alguma virtude ou sorte que se tem é mais do que natural. É como sentir-se premiado, sorteado numa loteca, agraciado pelos céus. É motivo suficiente pra que a gente se sinta super-especial, como se os céus tivessem piscado pra nós. Até aí, tudo bem.

O problema é quando se ultrapassa a tênue linha que separa a gratidão da prepotência. Quando isso acontece, se perde a noção das coisas. 

É o caso de gente que recebeu um grande talento, mas que não reconhece que foi apenas agraciado com ele. Gente assim acha que é bom no que faz unicamente pelos próprios méritos, como se tivesse “comprado” a própria sorte.

E pensando assim, se torna um orgulhoso sem causa, igualzinho àquele goleiro que não fez nada pra evitar o gol, e ainda assim sentiu-se “o cara”. 

A verdade é que tudo é dádiva de Deus. E tudo é tudo. É talento, esforço, disciplina, brilhantismo, inspiração, oportunidade...só que as vezes, por puro amor, Deus “exagera” em certas dádivas. É quando surge uma beleza sem precedentes, um talento raríssimo, uma capacidade quase sobrenatural...

Quando isso acontece, aí é que deveríamos ser mais gratos e humildes, já que recebemos de graça algo enorme, supremo, a perder de vista. Mas fazemos justamente o contrário: tornamo-nos insuportáveis, boçais e rancorosos. 

Tem um ditado que diz que “Deus não dá asa a cobra”. Não é verdade. Deus dá, sim. Você deve conhecer muitas cobras voadoras por aí. Gente competente, talentosa e reconhecida, que atribui tudo isso unicamente a si mesmo. Só que as asas dessas cobras não são feitas de penas.

Assim como as asas de Ícaro, suas asas são feitas de cera. E aí, quando essas cobras estão lá em cima, bem pertinho sol, o calor derrete a cera. E o que vem depois? 

A queda, claro. Uma longa, triste e dolorosa queda.

Coisa mais triste é ver uma cobra voadora despencando da glória. Mas é um alerta, também. Um alerta pra que nenhum de nós perca de vista o fato de que tudo o que temos, é realmente dádiva.

Até nossos próprios “méritos”.


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Nádegas mutantes

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 19/02 04:35h

(*) Colunista Glenio Cabral

Que brasileiro é um grande apreciador de nádegas, isso todo mundo já sabe. O carnaval que o diga. Nos carnavais desse Brasil, bundas de todos os tipos ficam à mostra, das durinhas e empinadas às mais murchas e desnutridas. Seja num carro alegórico ou simplesmente na avenida, o desfile de nádegas à mostra é um fato.  

Mas talvez, justamente por toda essa exposição “bundal”, algo meio esquisito tenha sido reparado no último carnaval do Rio. É que, segundo especialistas, as nádegas de Gracyanne Barbosa e Valesca Popozuda ( quem são essas senhoras? ) estariam, digamos, “esquisitas”. Esquisitas como, eu pergunto?

Segundo os mesmos especialistas, as nádegas dessas senhoras estariam musculosas ao extremo. Estranhamente duras. Artificiais, até. E ainda segundo esses mesmos especialistas, tais nádegas teriam sofrido tantas intervenções cirúrgicas para aplicações de silicone, que acabaram adquirindo uma aparência deformada. Bizarra. Mutante.

Eu não entendo nada de plástica de nádegas, mas sei que as mulheres de hoje em dia têm exagerado nesse negócio de querer mudar o corpo. Para alcançar o corpo dos sonhos, é um tal de por silicone ali, aqui, acolá...e quando menos se espera, o bicho, digo, o silicone, acaba aparecendo mais do que o próprio corpo, e o corpo, coitado, sucumbe diante a fúria dos silicones. É quando surgem as bundas mutantes e os seios hiperbólicos.

Sinceramente, não sei onde isso vai aparar. Aliás, eu sei. Vai parar na revolta do corpo. Não do corpo siliconado, alterado por plásticas mil, mas do corpo natural, saudável, normal e digno de apreciação. Do corpo que quer voltar a ser natural, e quer voltar a viver sem toda essa pressão pela busca da perfeição estética, busca esta que, em muitas ocasiões, pode levar até a situações de perigo real.

Pois é, o corpo pede um tempo. E eu acho realmente que se ele tivesse como falar, ele diria:

- Que caia tudo, ora bolas! A lei da gravidade é muito melhor do que esses silicones insanos!

Pobres corpos. Solidarizo-me com eles. Soube até que algumas nádegas do carnaval do Rio, siliconadas até a alma, foram procuradas pra dar uma declaração sobre sua triste condição. A resposta delas, claro, já era a de se esperar:

- Nádegas a declarar.

Como são tímidas, essas nádegas. 



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Dormir, tomar banho e outras coisas mais...

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 08/02 13:10h
(*)  Por Glenio Cabral 
Nada como recomeçar. Deve ser por isso que a vida é cheia de recomeços. Tomar banho, por exemplo, é um ótimo recomeço. Pra que recomeço mais legal que o ato de banhar-se?   
Não sei quanto a você, mas quando eu tomo um bom banho tenho a cheirosa sensação de que todos os problemas, preocupações e tensões do dia estão sendo levados ralo abaixo pela água.  
É como se cada gota do chuveiro fosse reiniciando o meu estado de ânimo, até que, findo o banho, não me sinto apenas limpo, mas “recomeçado”. Zerinho em folha. Demais, não? 
Almoçar é outro recomeço e tanto. Já dizia minha avó: “saco vazio não se põe em pé.” E aí me lembro dos dias difíceis no trabalho, quando chego em casa de cabeça quente e minha esposa me diz “ almoce, que você via se sentir bem melhor”.  
Então eu bato aquele prato, e as forças, quem diria, vão voltando aos poucos, a cada garfada, devagar e sempre. E quando eu menos espero já estou pronto pra outra, estômago cheio, “saco que não está mais vazio”, devidamente “reiniciado” por um bom prato de comida.  
E quanto a dormir? O sujeito está destruído por causa do cansaço, mas basta tirar aquela soneca de trinta minutos pra já levantar como se tivesse tomado Red Bull. Ligadão.  
E a lista de recomeços diários não para por aí. Tem final de gripe (nada como acordar com o nariz desentupido), tem ida ao sanitário depois de cinco dias “enfezado” (liberdade, ó gloriosa liberdade!!), tem dor de dente que pára de doer, tem aquele filme que é uma tremenda lição de vida, tem uma foto no álbum que te enche de alegria, tem aquela canção no rádio que te faz ganhar o dia...e assim os recomeços diários vão acontecendo onde sempre estiveram, no cotidiano nosso de cada dia.  
É claro que muitas vezes eles parecem banais, quase sem valor. É que as grandes coisas da vida são assim mesmo, discretas, silenciosas, tímidas, difíceis de serem notadas. Mas a verdade é que de pequenas elas não têm nada, porque são esses pequenos recomeços diários que nos enchem de esperança pra continuar acreditando que as coisas vão melhorar.  
  1. E que viver, definitivamente, vale muito a pena. 


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Gente rasa

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 17/01 07:02h

(*) Colunista Glenio Cabral 

De todas as tarefas dessa vida, uma das mais difíceis é relacionar-se com gente rasa.

E o que é uma pessoa rasa?

É uma pessoa sem profundidade. Não estou aqui falando de intelectualidade ou formação acadêmica. Refiro-me àquele tipo de gente sem profundidade, pobre de espírito, sem algo interessante a oferecer para o mundo.

Gente rasa dá muito valor à aparência, em especial a roupas de marca. Eu sei que todo mundo gosta de se vestir bem, mas falo aqui de um valor exagerado, sobrenatural, extrapolado mesmo. Um valor que julga as pessoas pelas roupas que vestem, e não pelo caráter que têm. Em suma, um valor que não tem valor algum.  

E por achar que um pedaço de pano é questão de céu e inferno, o raso se afunda na própria aridez de espírito, e morre afogado no lodo da mediocridade.

O raso também tem uma conversa só. Ele não muda, é sempre igual. Parece um disco arranhado, só sabe falar sobre um assunto, blá, blá, blá. E você lá, ouvindo as mesmas previsíveis palavras ditas pelo raso nos últimos quinze anos. E ele repete, repete e repete porque não percebe que o seu discurso já deu o que tinha que dar. E haja saco...

Não é preciso ser formado numa faculdade pra ter uma conversa legal. Aliás, conheço muito doutor por aí que tem uma conversa rasa, pra não dizer rasteira. O que é que custa diversificar um pouquinho? Mas o raso prefere permanecer na comodidade da mesmice verbal, porque é incapaz de perceber que há coisas mais importantes nessa vida do que o som da sua própria voz. E tome futilidades.

Por fim, o raso é raso porque não acha que precisa se aprofundar. Aliás, só é profundo quem se considera raso. Sabe aquela famosa frase “eu só sei que nada sei”? Foi dita por alguém de extrema profundidade. Mas o raso é raso porque não percebe o quanto é raso, e pior, faz questão de não perceber isso. Ele simplesmente se acha, sem saber que na verdade nunca se encontrou. 

O raso é raso porque não acorda pra vida, não olha pros lados, não enxerga nada além do seu próprio umbigo. E por ser assim, narcisista e egocêntrico, só sabe dar valor às coisas fúteis e passageiras dessa vida.

Por isso gente rasa é assim. Sem graça. Sem cor. Sem brilho. E isso não depende de condição social, raça ou nacionalidade. Basta nunca olhar para os lados, nunca ouvir opiniões contrárias às  suas, nunca sair do seu mundinho, da sua turminha, da sua geografiazinha existencial. 

Quem vive assim, conhece a vida apenas na perspectiva de um ângulo. O seu. 

Por isso é raso.

É quase parando. 


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Do sublime ao banal

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 10/01 19:36h

 

(*) Colunista Glenio Cabral

Dizem que ter um filho é uma experiência sublime. E deve ser mesmo, porque minha filha vem em meados de maio e já sinto algo meio “sublime” dentro de mim. Mas nem todo mundo pensa assim. Aliás, o que não falta por aí são pais meramente reprodutores, verdadeiros bichos no cio que “fazem” filhos de forma irresponsável e leviana. É gente que transforma o sublime evento da paternidade numa banalidade esdrúxula.

Aí está um problema que gera vários outros problemas: a transformação do sublime no banal. É fazer com que o belo, o aceitável e tudo aquilo que vale realmente a pena perca a sua vitalidade e vire um troço sem forma, vazio e patético.  Uma banalidade só.

Veja o casamento, por exemplo. Tem gente que já casa pensando em se separar. Se não quer casar não casa, pô. Mas não. O cara faz festa, convida amigos, padrinhos, aluga casa de eventos, faz filmagem e um monte de papagaiada mais, pra depois de um ou dois anos (quando muito) vir me dizer com a maior cara amarela que “não deu mais”?

Ora, faça-me o favor!

Não quer casar, permaneça como um ficante, peguete ou sei lá o que.  Mas não gaste seu dinheiro e nem faça as pessoas perderem seu tempo sendo padrinhos de um evento furado! É patético. É banal!

Mas a banalidade não se restringe apenas ao matrimônio. A vida, pobre vida, bem mais precioso de cada ser humano, não é mais sublime. Hoje se mata por nada, por coisa alguma, só pelo prazer doentio de matar ou pela droga que pira a cabeça do bandido. E a vida perde seu valor, e a gente acaba virando um monte de barata que se mata sem dó nem piedade. Simples assim.

As amizades também estão se tornando banais. É a menina que dá em cima do namorado da melhor amiga, é o amigo que não pensa duas vezes antes de trapacear com o chapa pra conseguir a tão sonhada promoção, etc, etc, etc...e a amizade, antes dom sublime, desce pelo ralo das coisas banais. 

Não sei por que esse tipo de coisa acontece. Talvez porque nós, seres humanos, sejamos mesmo banais em nossa essência. Talvez porque nosso maior dom seja justamente esse, banalizar tudo o que é sublime. Não é isso que agente faz de melhor?

A natureza, pobre e sublime natureza, que o diga.

Mas fica aí o desafio. O desafio de, já que anda tudo meio bagunçado, ao menos tentarmos colocar as coisas em seus devidos lugares. E fazer isso é não trocar o banal pelo sublime, e nem vice-versa.

O certo mesmo é não mexer nesses dois.

Deixe o sublime ser sublime e o banal ser banal. Ambos são muito bem resolvidos, sabem o que querem, e deixa-los quietos é garantir o equilíbrio das coisas. Mas se a gente entra nessa briga e mete os pés pelas mãos, o desequilíbrio vem à tona. 

E o banal vira sublime. E o sublime vira banal.  


Glenio Cabral é administrador de empresas e pós-graduado em Gestão de Pessoas.  Também é idealizador e colunista do site www.cafecristao.com

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"As bulas dos remédios são a cara da vida"

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 05/01 09:54h

(*) Glenio Cabral

As bulas dos remédios são interessantes. Elas acariciam você num primeiro momento, mas depois te mandam um soco na cara. Veja se não estou certo. As bulas anunciam pra que serve o remédio e de que forma ele combate a doença. Até aí tudo são flores. O problema é quando lemos a parte de “reações diversas”.

É aí é que vem o soco.  

Veja meu caso. Eu sofro de sinusite e sou alérgico a “Dipirona” e “AAS”. Qualquer remédio que contenha uma dessas substâncias pode acabar comigo. Por isso, durante minhas crises alérgicas recorro sempre a um anti-gripal que não contenha nenhuma das duas em sua composição.

Mas aí, só por curiosidade, ontem a noite resolvi dar uma lidinha na bula do meu anti-gripal favorito. Foi quando fiquei estarrecido com a parte de “possíveis reações”:

*desconforto gástrico. ( gastrite, é isso? ) 
*discrasias sanguíneas. ( isso deve doer, com certeza )
*trombocitopenia ( ai! )
*Pancitopenia ( o que é isso?! )
*Agranulocitose ( coisa boa não é )
*anemia hemolítica ( anemia? Ele disse anemia? )
*metahemoglobinemia ( pelo nome, deve ser algo como já estar à beira da morte )
*aplasia medular e necrose papilar renal. ( Necrose? Ele disse necrose?! )

Ou seja, ler a bula de um remédio pode ser um desestímulo para a ingestão do mesmo. No meu caso, só por estar tentando curar uma gripe eu posso até sofrer uma “necrose papilar renal”. Meu Deus! 

Minha mãe que o diga. Ela sofre de enxaqueca crônica e toma alguns remédios pra dor de cabeça. As bulas desses remédios são de dar arrepios. Na parte de “reações diversas”, podemos ler de “aneurisma cerebral” até “coma”. Eu disse coma!!!! É melhor ficar com a dor de cabeça...

O fato é que, assim como as bulas, a vida também pode ser bem chocante. Afinal, qualquer um pode morrer ao tentar atravessar uma rua numa tarde despretensiosa de verão. 

Uma criança também pode morrer entalada com um pirulito, uma pessoa idosa pode se machucar seriamente ao cair em sua casa, um osso de galinha pode matar um infeliz durante um delicioso almoço...enfim, viver é sempre um grande risco, assim como ingerir qualquer medicamento.  

Mas uma coisa é certa: o risco de se viver vale muito a pena. Se não valesse, ninguém atravessaria uma rua, nem comeria um delicioso frango, nem chuparia um pirulito e nem circularia pela casa despreocupadamente. Essas atividades trazem riscos inerentes a cada uma delas, mas nem por isso as pessoas deixam de repeti-las dia após dia. E sabe por quê? Porque viver é tão bom que vale o risco de se morrer tentando. 

Por isso a vida é como as bulas dos medicamentos. 

Ela dá prazer e medo. Faz sorrir e chorar. Traz saúde e doença. Mas quem liga pra isso?


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O ultimo segundo do ano

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 24/12 05:31h

(Colunista Glênio Cabral)

A contagem da virara está chegando. E que responsabilidade para o último segundo de 2012. É ele, o último segundo, que vai passar a bola para o novo ano, o ano de 2013.

Mas e se ele se recusar a fazer isso? Se isso acontecer, agente empaca em 2012.

Mas talvez, se isso acontecer, venhamos a pensar mais sobre o que aconteceu de bom e de ruim em 2012. Sempre achei que a festa da virada ofuscasse um pouco esse momento, o momento da reflexão, de pesar os pós e os contras do ano que se foi.

Mas quem sabe isso não acontece agora? Quem sabe o ultimo segundo não dá uma de doido e antes que os fogos explodam no céu ele trava geral?

Nesse caso, teríamos de convencê-lo a seguir seu caminho e deixar 2013 dar as caras. O problema é que ele podia alegar que 2012 foi um ano difícil, cheio de problemas, e que ele, o último segundo de 2012, gostaria que todas as pendências de 2012 fossem resolvidas antes de 2013 chegar.

E diria enfurecido:   

“Nós, os anos velhos, já deixamos muitas heranças malditas pros nossos sucessores. Mas agora basta! Ou vocês resolvem seus pepinos agora, ou o ano novo não aparece!” 

E aí teríamos que resolver muita coisa em um único segundo, o segundo da virada. Já pensou? E o ultimo segundo, irônico, ainda diria: 

“ Olha, pra facilitar a vida de vocês, eu já fiz uma listinha de pepinos pra serem resolvidos antes de 2013.  A lista é a seguinte: 

1.    Corrupção nos altos escalões dos governos

2.    Fome mundial

3.    Falcatruas de certos líderes religiosos

4.    Matadores escolares nos EUA

5.    Interminável guerra entre judeus e palestinos

6.    Ganância pelo petróleo

7.    Discriminação racial

8.    Discriminação social

9.    Discriminação sexual

10. Má distribuição de rendas nos países pobres

11. Etc, etc, etc e etc. 

“E isso só pra começar”, diria o sarcástico ultimo segundo de 2012.

Certamente esse segundo duraria décadas. Séculos, talvez. Só mesmo depois de séculos, e com muito empenho de nossa parte, conseguiríamos resolver todos esses pepinos empurrados de ano em ano, numa perpetuação macabra de problemas não resolvidos. 

Mas pelo menos assim, resolvidos esses problemas, poderíamos comemorar de alma limpa a chegada do ano novo. 

Um ano sem herança maldita. Um ano pronto pra ser escrito outra vez, ainda que com letras de sangue de novo, mas um ano que começa realmente zerado, sem rabo preso, sem coisas escondidas, empencadas, amarradas, acumuladas...um ano verdadeiramente livre.

Começar um ano assim é o sonho de todos nós. E já que o segundo da virada ( pelo menos a princípio)  não pode ganhar vida e exigir certas mudanças, nós é que devemos fazer isso.

Ainda restam algumas horas pra 2013. E algumas horas são bem mais do que o segundo da virada. O que está esperando? Corra! Ainda dá tempo!

Ou então corra o risco do segundo da virada olhar pra você e dizer: 

“ Ou resolve aqueles pepinos acumulados, ou nada de 2013 pra você!” 

E aí, vai correr o risco? 

Um ótimo 2013 a todos. Isto é, se o último segundo de 2012 deixar, né?


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A feiura nossa de cada dia

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 11/12 16:37h

(*) Colunista Glenio Cabral

O mundo tende para o caos. Quem foi que disse isso mesmo? Não sei, só sei que é assim. Basta olhar para o fenômeno conhecido como “morte”. Agente nasce, cresce, estuda, faz e acontece, e depois simplesmente morre. Simples assim.  Se isso não for o caos, não sei o que é. Mas a morte não é o único atestado do caos que nos rodeia. A feiúra também é.   

A idéia de “feiúra” é bastante subjetiva. O que é ser feio? É não ser bonito? Mas o que é ser bonito? Beleza e feiúra se confundem conforme a cultura, a época e os costumes de um povo.  Mas uma coisa é certa: agente pode até se esforçar pra ficar mais bonito, mas isso tem um limite.

Funciona mais ou menos assim: o cara vai pra academia, tem uma alimentação saudável, é vaidoso com a aparência, e na hora da balada se arruma todo, mexe no cabelo, usa perfumes importados, e tudo pra que? Pra ficar mais bonito, claro.  Só que por mais que ele se esforce pra isso, chegará sempre a um limite. O limite da beleza. 

E o que é limite da beleza? É aquela linha limítrofe que neutraliza os efeitos da maquiagem, das colônias e das hidratações. É o atestado estético de que, dali pra cima, nem adianta insistir. E a coisa simplesmente emperra.

Mas ao contrário da beleza, a feiúra não conhece limites. Isso quer dizer que alguém sempre poderá ficar mais feio, e sem se esforçar muito pra isso.

Basta acordar e não lavar o rosto;
Basta ir trabalhar sem pentear o cabelo;

Basta namorar sem escovar os dentes;
Basta comer, comer, comer e comer sem nunca ver a cara de uma academia;
Basta ver os anos passarem e não fazer reposição hormonal;
Basta não tomar banho;
Basta ficar sempre de mau humor;
Basta deixar-se invadir pelo ódio, raiva e despeito;
Basta ter prisão de ventre na cara ( ou ficar “enfezado”, você decide)
Basta não sorrir, não contar piadas, não sair com os amigos, não brincar com as crianças;
Basta não ter um time do coração;
Basta não ter fé na vida;

Enfim, basta fazer infinitas coisas que, sem muito esforço, nos arrastam para uma espécie de buraco sem fim, nos “desembelezando” a cada dia.

Por isso o mundo tende para o caos, porque as coisas ruins acontecem sem que muita energia   precise ser gasta. É muito fácil ficar de mau humor, andar enfezado, não pentear os cabelos, não ir pra academia, sentir raiva, não tomar banho, não escovar os dentes...essas coisas não exigem determinação, coragem, energia. Exigem apenas complacência.

E é essa feiura, a feiúra causada pela complacência existencial, que impede o verdadeiro “embelezamento” da vida.

O “embelezamento” da alma. 


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Esse cara sou eu

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 02/12 17:38h

 

(*) Colunista Glênio Cabral

A música “Esse cara sou eu”, de Roberto Carlos, tem deixado muitos homens em maus lençóis. É que esse “cara”, o da música, é um verdadeiro achado.

O “cara” é gentil, atencioso, romântico, amante voraz, caprichoso, virtuoso, enfim, é um senhor “cara”. E como é que se compete com um “cara” assim?

Tenho um amigo, o Clodoaldo, que não sabe mais o que fazer com a namorada. Desde que a música estourou nas paradas, ela agora vive jogando na cara do meu amigo as virtudes do “cara”. 

- Tá vendo, Clodoaldo? Você devia aprender com o “cara” da música!

 E pronto, desata a cantar o tema de Téo e Morena, arreganhando os dentes na parte do “ Esse cara sou eu!”.

Outro que anda sofrendo horrores é o pobre do Tadeu. Preocupado com as recentes crises em seu casamento, Tadeu confidenciou-me que sua esposa está apaixonada pelo “cara” da canção. O que é muito estranho, já que esse “cara”, a princípio, é só a letra de uma música. Seja como for, ele me garantiu que está perdendo sua esposa pra música do Roberto Carlos. 

O fato é que se há uma coisa boa que a música do Roberto nos trouxe foi essa percepção masculina de que é preciso agradar mais as mulheres. Afinal, um pouco de romantismo a mais na relação não faz mal a ninguém.

Agora deixa eu defender um pouquinho a classe dos homens. Tudo bem que o “cara” da canção é incrível, coisa e tal. Mas também é verdade que esse “cara” deve ter seus defeitos. Todo mundo tem, não é mesmo? Mas quais seriam os defeitos do   “cara”?

Primeiro, esse “cara” deve ser um grande desocupado. Um “cara” que não faz nada a não ser suspirar pela mulher amada é, no mínimo, um desocupado. Talvez isso explique o verso que diz “O cara que sempre te espera sorrindo.” Ou seja, a mulher do “cara” trabalha o dia todo e o “cara” fica em casa sem fazer nada, só esperando feliz da vida o retorno da mulher amada. Um gigolô, talvez? Ou quem sabe um preguiçoso encostado na mulher amada... 

Também suspeito que o “cara” da música seja um desses sujeitos grudentos, melosos ao extremo, que não deixam a mulher nem respirar direito. Duvida? Então olha só o que a canção diz sobre o “cara”: 

“O cara que pensa em você toda hora

Que conta os segundos se você demora

Que está todo o tempo querendo te ver

Porque já não sabe ficar sem você” 

Conclusão? É um chiclete de primeira grandeza, um grude só! Isso sem falar numa certa tendência compulsiva beirando a possessividade, o que pode tornar esse “cara” um sujeito meio perigoso. 

Seja como for, se por um lado a música do Roberto provocou atritos em alguns relacionamentos, por outro permitiu que muitos homens se reciclassem no quesito romantismo, passando enxergar suas esposas como as princesas que elas de fato são. E só por isso, a canção já valeu.

Mas é claro que sempre têm aqueles machistas que se recusam a absorver as lições românticas do “cara” da música. Topei com um desses numa fila de banco, ouvindo o seguinte diálogo dele com a esposa: 

- Mulher, eu não sou esse “cara”, e sabe por quê?

- Porque, infeliz?

- Porque eu não sou verde, não tenho setenta centímetros de altura, não tenho um cabeção assustador e não moro em Marte. 

Que maldade.   


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" Resolvi lançar um livro"

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 03/11 10:43h

 

(*) Colunista Glenio Cabral

Certo dia, durante uma viagem, li os seguintes dizeres na traseira de um caminhão:

“Falar de mim é fácil, difícil é ser eu.”

Achei interessante. De fato criticar o outro é sempre uma bandeja apetitosa, mas colocar-se no lugar do outro pra entender seus motivos, queixas e pontos de vista, é sempre uma tarefa complicada.   

Então tive a idéia de fazer um experimento radical: ser o outro, ainda que por alguns instantes. E foi assim que nasceu o e-book “Com a palavra, a anta”, primeiro livro de minha autoria e experimento radical da prática da empatia.

No livro, coloco-me no lugar de objetos e bichos buscando sentir o que cada um deles sente ou deveria sentir. É um exercício ficcional do “ser o outro”, ainda que só por alguns instantes.

Ao longo do livro, pratico a empatia personificando, dentre outros, um saco de lixo, um pau de galinheiro (isso mesmo!), um chicle de bola, uma bolha de sabão e até um rolo de papel higiênico.

E assim, sendo um aqui e outro ali, deixo de ser eu mesmo, e passo a ver o mundo com outros olhos. Com olhos de terceiros.

Entendo que a intolerância tem sido um grande problema no mundo contemporâneo. Intolerância sexual, religiosa, social, racial, enfim, intolerância de todas as formas. Mas não tenho dúvidas de que a prática de colocar-se no lugar do outro pode ser uma vacina eficaz contra a virose da intolerância.

Por isso, caro leitor, disponibilizo aqui, nesta página, para download gratuito, o link do e-book “ Com a palavra, a anta”.  Baixe à vontade. Leia. Reflita. Divulgue. Ser o outro, ainda que só na ficção, pode mudar seu ponto de vista sobre muitas coisas.

Uma ótima leitura a todos.

http://www.4shared.com/office/f7NuEw8-/Com_a_palavra_a_Anta_Glenio_Ca.html? 

  • Obs: Caso não consiga baixar o e-book através deste link, mande um e-mail para gleniocabral@yahoo.com.br
  • Estarei enviando o livro para o seu e-mail.  


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Saudades do voto nulo

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 24/09 16:00h
A urna eletrônica trouxe vários benefícios às eleições. A rapidez da apuração foi, sem dúvida alguma, o maior deles. Mas confesso que sinto falta do tempo em que votávamos no papelzinho. Hoje em dia, com a urna eletrônica, votamos apenas nos candidatos oficiais ou no candidato “branco”. É só apertar e confirmar. Mas e o candidato “nulo”?  
Na época do voto no papelzinho, você realmente votava em quem quisesse. Suas opções não estavam restritas aos candidatos oficiais e ao “branco”. Não. As opções eram infinitas. Bastava, pra isso, anular o voto. 
Lembro-me de uma vez em que o macaco Tião, famoso símio que vivia no zoológico do Rio de Janeiro, foi eleito vereador da cidade. As pessoas escreviam seu nome no papelzinho e colocavam na urna. O voto era considerado nulo, é verdade, mas pelo menos se votava em quem queria, ainda que esse alguém fosse um macaco.   
Macaquices à parte, Tião não foi o único bicho a ser eleito. Em 1959, na cidade de São Paulo, o rinoceronte Cacareco foi eleito vereador com cem mil votos. O que foi um grande feito, já que na época o vereador humano mais votado não teve mais que 110 mil votos. Cacareco, é claro, não pôde assumir o cargo, e pouco depois o bicho morreu. Pra tristeza dos seus eleitores, é claro.   
É certo que esse tipo de voto é conhecido como voto de protesto, que tem como objetivo protestar contra a balbúrdia que impera nesse país. O problema é que não se melhora uma nação votando em animais. Afinal, animais são irracionais. Mas, cá pra nós: é melhor eleger um macaco ou um rinoceronte do que um asno.  
Pena que não tem mais o papelzinho. Por isso a opção “branco” pode ser uma boa alternativa. A depender dos candidatos em questão, é melhor apertar o “branco” mesmo. Pelo menos o branco é limpo, sem manchas. Melhor do que votar em quem é mais sujo que pau de galinheiro.  

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Carta para meu filho que vai nascer...

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 12/09 19:06h
(*) Colnista Glenio Cabral
Meu filho;     
Aqui é papai. Você ainda não existe. Quer dizer, existe sim, mas só um pouquinho. Mas ainda assim, quase não existindo, você já mexe comigo.  
É que eu me faço de duro, mas diante de você viro uma panqueca. E se você já me causa esse efeito mesmo sendo quase nada, imagine quando nascer e estiver nuzinho a berrar na maternidade...
 O que acha que vai acontecer comigo, meu filho? 
Pois eu respondo: estarei a berrar também. Mas não por ter recebido um tapinha na bunda. Mas por vê-lo saudável chegando a este mundo. Porque viver é bom, meu filho. É muito bom. Eu sei que tem coisas tristes do lado de cá, fora da barriga de sua mãe, mas olha, acredite, vale a pena viver aqui. 
Claro, na barriga de sua mãe a coisa é bem confortável. Não tem assaltos, desvio de verbas públicas, guerras e racismo. A comida também é de graça e você não paga aluguel. Definitivamente, o custo de vida aí dentro é 0800. 
Mas também não tem passarinho, brinquedo, sorvete, futebol, música e amigos. No final das contas, as coisas boas ainda superam as ruins do lado de cá. 
Por isso, meu filho, se na hora de nascer você for tentado a desistir desse mundo, lembre-se: tem mais coisas boas do que ruins aqui. 
Então venha. Mas venha com coragem. Venha com o desejo arrebatador de conquistar o mundo, de conhecer a vida, de nascer pra vencer. Venha sabendo que encontrará dificuldades do lado de cá, e a primeira delas será o  tapinha que vai receber em sua minúscula bunda ao nascer. Sei que vai doer, meu filho. Mas esse tapa que vai te acordar, vai te fazer chorar, e vai te fazer perceber que está vivo, saudável, forte e disposto a brigar. 
Porque do lado de cá é assim, meu filho: os tapas vêm pra nos fortalecer. Agente recebe a porrada, sente dor na hora, mas depois transforma a dor  numa usina de energia e segue a vida. E agente corre atrás, se esforça, recebe não, insiste de novo, cai, escorrega, levanta, chora, sorri, transpira, até que um dia agente vence. 
E quando vence, agente agradece a Deus o tapinha que levou na bunda. Santo tapinha. Porque nenhuma vitória é real sem lutas, meu filho. 
Nenhuma. 
Vou parando por aqui. Eu e sua mãe te esperamos ansiosos. Até maio de 2013, então. Ah, e quanto ao tapinha na bunda, não se preocupe não. Vou pedir pro médico maneirar. 
Fraternalmente, 
Seu pai. 

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O Espirro

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 05/09 12:34h

(*) Colunista Glenio Cabral

Onde achar a felicidade? Para os adeptos da vida simples, a felicidade pode ser encontrada nas coisas mais banais da vida. Como no espirro, por exemplo.  

Há quem diga que o espirro é o orgasmo das vias nasais. Só sei de uma coisa: uma sensação de prazer e alívio nos invade quando damos aquele espirrão. 

Eu que o diga. Minha sinusite me acompanha há anos, e durante todo esse tempo espirros reprimidos me deixaram louco da vida. 

Espirros são como pessoas, gostam de ser convidados. É claro que alguns surgem de repente, como um trovão enfurecido e barulhento. Mas na maioria das vezes eles precisam ser persuadidos a dar as caras.

Quando não são, fazem que vêm mas acabam não vindo. E aí você fica com o espirro entalado no nariz, louco pra espirrar, curtindo aquela agonia de algo preso que se recusa a sair.  

Por isso eu levo muito a sério o momento do meu espirro. É um momento muito íntimo, só meu e dele. Quando sinto a conhecida vontade aflorando, paro o que estiver fazendo e me concentro. E assim, entregue a uma espécie de transe oriental, recebo de narinas abertas o esperado “ ATCHIM!”, que imediatamente me eleva ao paraíso do nirvana nasal.

E vejo estrelas.

Mas nem sempre acontece assim. Dia desses, quando já estava com o espirro na ponta do meu nariz, alguém tocou meu ombro direito e perguntou:

- Você tem horas aí?

O espirro, melindroso, bateu em retirada.  E eu fiquei lá, com cara de espirro que não veio, olhando odiosamente para o infeliz que me fez perder a concentração. E o espirro, quase “ATCHIM”, agora era fujão.

O pior é que nessas horas ninguém pode fazer nada por você. A agonia do espirro reprimido é só sua, e deve ser curtida na solidão, nessa sensação pavorosa de quase espirro entalada no seu nariz.

Aí o jeito é esperar. Esperar, esperar e esperar...até que a conhecida vontade volte aos poucos, tímida no início mas vigorosa no final, virando minutos depois um poderoso “ ATCHIM!”.

E as estrelas aparecem de novo.


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Você faria diferente?

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 03/09 06:10h

(*) Colunista Glenio Cabral

A pior política é aquela que é praticada em pequenas cidades do interior. Cidades sem estrutura, sem auto-sustentação, sem comércio, sem nada. Em cidades assim, não se vota por um candidato de visão, que tenha propostas viáveis para o desenvolvimento do município. Não, isso não. Não dá pra pensar nessas coisas quando nem um prato pra comer se tem em casa. 

Nessas cidades se vota pelo emprego, pela comida, pelo sustento. É que nelas, a única fonte de renda é a prefeitura e o dinheiro dos aposentados. Fora isso, tudo é desolação. Por isso quem está na prefeitura não quer sair, já que sair significa ficar quatro anos sem emprego. E quem está de fora quer loucamente entrar, já que ficou quatro anos desempregado sustentando-se sabe lá Deus como.

E assim a coisa toda se arrasta, sai prefeito, entra prefeito, e sempre uma metade da população local fica desempregada. Não me admira que a política nessas cidades seja tão agressiva. As pessoas brigam, discutem, agridem-se. Mas não brigam por propostas nem por idealismos. Brigam por comida. É o pão de cada dia que está em jogo, nada mais.

Quando a barriga ronca, não tem sentido ficar discutindo firulas ideológicas. É comer o que importa, comer e sustentar-se. E se pra isso for preciso votar num louco sádico, que se dane! É melhor um maluco no poder do que o desemprego batendo à porta.

E assim a nossa gente vai votando num candidato chamado fome, emprego, favor, tijolo, cimento, internação, etc, etc, etc, etc. Que propostas ele tem? O que importa, ora bolas?! Isso é o de menos, não é?

É muito fácil criticar pessoas que votam assim. Gente que não tem nada e que vota de forma “alienada”, pensando unicamente no “seu”. Difícil é se colocar no lugar dessas pessoas. Difícil é sentir o desemprego que elas sentem, a falta de estrutura de suas cidades, a miséria em que vivem.

Pra quem vive dessa forma, o voto é uma grande moeda que pode ser trocada por algo verdadeiramente útil: comida.   

Quem não faria o mesmo? 


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Porque eu tenho que ser o melhor?

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 07/08 02:15h

(*) Colunista Glenio Cabral 

Desde que me entendo por gente me vejo competindo. Quando eu era um espermatozóide, por exemplo, tive que bater milhões de concorrentes pra fecundar o óvulo. Foi uma loucura, mas cheguei lá! Mas aí, quando saí da barriga de mamãe achando que agora ia ter sossego, percebi que toda essa confusão ia continuar.  Então veio a escola, as notas, o vestibular, os concursos, a graduação, as entrevistas para emprego, e aqui estou eu, competindo, pra variar, disputando espaço num mercado de trabalho cada vez mais difícil. 

Mas isso não acaba nunca?!

A verdade é que faz tempo que não leio um bom livro. Em vez disso fico me entupindo com Direito Constitucional, Direito administrativo, Direito Previdenciário, direito não sei de quê, e tudo pra que?

Pra competir, é claro. Pra passar num concurso e ganhar estabilidade. Pra ganhar um bom salário e depois estudar pra outro concurso que pague mais ainda.  E assim vou continuar sem ler o que gosto porque preciso me empanturrar com toda essa coisa que eu não gosto, já que isso é que é vencer na vida. Então eu vou vencendo na vida sem sentir o gosto das coisas, só engolindo tudo de qualquer jeito como um avestruz esquizofrênico. Inspirador, não?  

Não sei se acontece com você, leitor, mas às vezes tenho vontade de mandar tudo isso pro espaço. É que esse negócio de ter que ser sempre o melhor, de se especializar sempre, dá nos nervos. Você nunca baixa a guarda, nunca relaxa de verdade, está sempre de olho no que o outro anda fazendo pra poder fazer melhor que ele... 

A verdade é que eu só quero ler um bom livro, sem compromisso, só pelo prazer de ler, sem ter nenhum tipo de avaliação depois ou algum certificado de conclusão de leitura no final. Quero só ler pelo prazer de ler. Mas será que é pedir demais nesse mundo em que tudo que a gente faz, faz pra ser melhor que o outro?  Faz pra garantir a empregabilidade? 

Tô começando a achar que tenho talento pra ser hippie. Deve ser por isso que gosto da canção que diz:

“Eu queria ter na vida, simplesmente, um quintal de mato verde, pra plantar e pra colher...”

Mas hoje em dia esse tipo de sonho só tem que é taxado de "Zé Ninguém". 


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Nina X Carminha

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 21/07 10:03h
(*) Colunista Glenio Cabral
Não sou noveleiro, mas é impossível ignorar o “arranca rabo” que está rolando entre Nina e Carminha, as principais protagonistas da novela  Avenida brasil.   É só o que se fala nas ruas, nas repartições, nos hospitais...  
Então, pra me atualizar, resolvi assistir a novela hoje, dia 27 de julho de 2012. E fiquei chocado com o que vi.  
Toda novela tem vilão e mocinho, certo? Mas quem é a vilã em Avenida Brasil? Pelo que pude notar, Nina é uma psicopata. A Debora Falabela deve ter incorporado algum tipo de serial killer pra poder fazer aquele papel. Seu olhar de ódio sádico realmente convence. Só o que não convence é acreditar que ela é a mocinha da trama, ou pelo menos era, nem  sei mais.  
Enquanto isso, Carminha, a essa altura a ex-vilã, conta agora com os aplausos de todos nós por ter dado um basta nos acessos psicóticos de Nina. "Agora você vai ver do que sou capaz", disse Carminha trancando-a no quarto. E nós, eu, inclusive, aplaudimos aliviados.
Engraçado. Nós, seres humanos, mudamos de lado com muita facilidade. Basta uma porçãozinha de sofrimento e pronto, já chega! Pra que continuar batendo? Por pior que seja a pessoa ( e Carminha parece ser das piores ) vê-la passando por uma sessão de humilhações não é nada agradável. E agente muda de lado sem dó nem piedade.  
Não sei o que está por vir na novela. Mas de uma coisa eu sei: Nina não tem mais a mesma torcida de antes. Seu ódio interminável já está fazendo dela uma mocinha insuportável, chata ao extremo. A mulher só fala em vingança, em dar o troco, em humilhar a outra, blá, blá, blá...ah, que saco, vira o lado do disco!  
Tanta raiva assim só torna o herói pior do que o vilão. E muito mais chato também.
Vai se tratar, pô!


Glenio Cabral é administrador de empresas e pós-graduado em Gestão de Pessoas.  Também é idealizador e colunista do site www.cafecristao.com
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" Para o Dia do Amigo"

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 07/07 07:03h

(*) Colunista Glênio Cabral

A vida é como uma linha. À medida que vamos vivendo, essa linha vai se desenrolando e crescendo. Agente nunca sabe quando ela vai parar de desenrolar. Mas de uma coisa agente sabe: haverá nós.  Cada nó, nessa linha, é uma amizade. E quanto maior e mais verdadeira a amizade, mais cego será o nó. Por isso alguns nós são frouxos. São amizades de faz-de-conta, amizades irreais.

Mas há os nós cegos. Aqueles que não se desfazem por nada. Aqueles que resistem a puxavões, a tesouradas, a unhas afiadas...

Esse tipo de nó resiste à distância, a brigas, a discordâncias e tudo o mais. O bicho é retado, é cego pra valer. Não há quem o desate.

Por isso, nesse dia do amigo, quero dizer a todos os nós que vocês são cegos. E são cegos por duas razões: primeiro, porque não desatam jamais. Estão pra sempre presos ao meu coração, a despeito da distancia, das brigas ou discussões.  

E segundo, porque apesar dos meus e dos nossos inúmeros defeitos, vocês são cegos pra cada um deles. Não que não os enxerguem. Mas apesar de vê-los, continuam atados a mim. Atados a nós. Grudados que só vendo.   

Um feliz Dia do Amigo. E que possamos valorizar cada vez mais esses nós cegos. Nós cegos que enxergam, que não desatam e que nos animam. 

Um Feliz Dia do Amigo.


Glenio Cabral é administrador de empresas e pós-graduado em Gestão de Pessoas.  Também é idealizador e colunista do site www.cafecristao.com

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