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Glênio Cabral

O melhor de você para o mundo

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 13/01 10:34h
O melhor de você para o mundo

* Por Glenio Cabral

Vez por outra, você se pega pensando naquilo que você adorava fazer no passado, mas que acabou deixando de lado.

É que não dava pra viver daquilo.

Grana pouca, mercado competitivo, e o coração, apertado, reconheceu que era preciso dar um tempo e garantir a tal da sobrevivência econômica.

Mas ainda assim, vez por outra, aquilo vem ao seu coração, e você se lembra que, apesar de não lhe dar nenhum tipo de retorno financeiro, aquilo lhe dava muita alegria.

E como dava.

Então você descobre que talvez, só talvez, aquilo que você adorava fazer não servisse mesmo pra lhe dar dinheiro.

Talvez você tenha nascido com esse dom todo especial, apenas para servir às pessoas. Sem maiores pretensões mesmo.

Por isso é provável que a fama não venha. Aliás, até agora ela não veio, não foi?

Reconhecimento, tampouco.

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O engolidor de dias

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 09/01 19:32h
O engolidor de dias

( Por Glenio Cabral )

Nada de ficção científica. A coisa é séria, mais que real. Há um bicho englidor de dias zanzando por aí. Trata-se de um bípede de olhos esbugalhados e pescoço espichado. Não, não é um avestruz. Avestruzes comem de tudo, menos dias.

Já o nosso mutante, apesar de lembrar muito um avestruz, só come dias. Ou melhor, engole dias. Ele, tal qual um avestruz, arreganha a bocarra ( nada de bicos ) e, num gesto pra lá de mecânico, enfia o dia goela abaixo.

O seu paladar, por sinal, há muito que perdeu a sensibilidade. Ele engole o dia, com sol e tudo, e é incapaz de sentir o calor do astro rei. É assim com a segunda-feira, com a terça, quarta, quinta, sexta...cada dia não passa de uma ração sem gosto, cuja obrigação imposta pela sobrevivência faz o monstro engolir. E ele o faz sem prazer algum. Deus me livre virar um bicho desses. Deus me livre ser uma pessoa que não vive, apenas engole. Deus me livre render-me a um estilo de vida que não saboreia as coisas, que não mastiga com calma.

Dias são como pratos. Devem ser degustados, saboreados, mastigados e, se possível, ruminados. Nada de pressa. Comer esbaforido faz muito mal para a saúde.

Viver sem sentir o gosto das coisas é comer como um raio. É passar o ano todo torcendo pra que chegue logo as férias de janeiro, já que o restante do ano é composto por dias que não passam de ração sem gosto. É viver como uma aberração engolidora de dias, que não faz outra coisa senão viver só por obrigação.

Como se a vida fosse uma obrigação.

Carpe Diem, eis a ordem do dia. Aproveite o dia. Saboreie tudo o que um dia, qualquer dia, venha a lhe oferecer. Dificuldades, prazeres, não importa. Rumine tudo. Absorva suas proteínas, suas vitaminas, seus nutrientes. Cresça. Amadureça.

Faça o dia, qualquer dia, valer a pena.

Só não me venha com essa de engolir dias. Não conheço vida mais besta que essa.

Glenio Cabral é administrador de empresas e pós-graduado em Gestão de Pessoas.

Também é idealizador e colunista do site www.cafecristao.com

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Nem tudo é relativo, mas muita coisa é

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 17/08 17:26h
Nem tudo é relativo, mas muita coisa é

Não acho que tudo seja relativo. Tem coisas que não são. Por exemplo, os valores. Não dá pra relativizar valores e princípios. Ou você acredita naquilo, ou esqueça, deixa de ser um valor. Aliás, se tudo fosse relativo, o mundo seria um caos em carne viva. Já pensou? Não haveria certezas ( há muito poucas, mas há ), nem faróis, nem estradas...tudo seria uma grande encruzilhada com interrogações histéricas gritando a beira do caminho. Mas, se por um lado nem tudo é relativo, por outro algumas coisas são. E como são. 

Por exemplo, o entardecer. Pra que coisa mais relativa que o entardecer? 

O momento do crepúsculo é uma confusão só. Nem dia, nem noite. Nem sol, nem lua. Nem calor, nem frio. É um momento ambíguo, relativo, dois em um, onde noite e dia deixam as diferenças de lado e se tornam um só: o CREPÚSCULO.   

Não dá pra ser radical com uma coisa assim. Sempre haverá argumentos a serem reconsiderados, posturas a serem revistas, opiniões a serem substituídas...o crepúsculo, eu diria, é relativo em sua essência. 

O bicho ornitorrinco é outro que transpira relatividade. Ele põe ovos, mas não é pássaro. É mamífero, mas tem bico. Tem pêlos por todo o corpo, mas vive debaixo d´água.  Pô, qual é a desse bicho, afinal? A desse bicho é a relatividade. 

Ele é uma confluência absurda de biotipos e habitats, um exemplo clássico de um bicho que é dois em um. Ou três em um. Ou sei lá quantos em um. É relativo, pronto! 

E assim segue a vida, com poucas certezas, mas muita relatividade. Não acho que devamos condenar um ou outro. Cada um tem o seu valor. Há quem pregue a relativização das certezas, sob o argumento de que “certezas são imposições contra a liberdade”. Não acredito nisso. Pra mim, certezas libertam, especialmente se forem certezas próprias, conscientes, sem interferências de terceiros e frutos de uma auto-descoberta.   

Mas reconheço o valor da dúvida também. É a dúvida, e não a certeza, que nos incomoda, que nos força a sair do lugar, a gritar, a espernear, a crescer, a fazer achados... por isso, creio que a certeza é cria da dúvida.  E se assim é, a relatividade, quem diria, é a mãe de todas as certezas.

 

 Glenio Cabral é administrador de empresas e pós-graduado em Gestão de Pessoas. Também é idealizador e colunista do site www.cafecristao.com

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O prazo de ser besta

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 10/08 16:28h
O prazo de ser besta

(*) Por Glênio Cabral

Todo mundo tem um besta dentro de si. Uns em maior grau, outros em menor grau. Mas ele está lá, o besta.  
Esse besta interior, presente em cada um de nós, é responsável por nossa postura abestalhada de passividade diante de algumas injustiças que a gente engole sem reagir. Não me refiro aqui a coisas pequenas, coisas que dá pra relevar. 

Não. Falo de coisas sérias, coisas que humilham, que fazem pouco das pessoas, que desconsideram o ser humano. Coisas que pisam e ferem sem dó nem piedade a alma dos outros.  Aí o besta dentro de nós se revela com aquela voz mansa e serena, dizendo “deixa pra lá, a vida é assim mesmo, injusta. Fica na tua.”

E a gente fica.

Só que todo besta, e graças a Deus por isso, tem um prazo para manter-se abestalhado. Isso significa que mais dia, menos dia, esse prazo expira, e o besta deixa de ser besta. Isso acontece quando se chega ao limite das forças, e quando o que antes era tolerado, agora não é mais.  É a namorada que descobre as puladas do namorado, e deixa de ser besta. É o empregado que descobre seus direitos, e deixa de ser alienado. É a esposa que se cansa de sustentar um gigolô dentro de casa, e deixa de ser idiota. É um povo cansado de ser explorado, e que por isso vai às ruas, exige seus direitos e deixa de ser besta. 

Eu não sei se você que me lê agora se considera um besta em alguma área da sua vida. Se sim, é hora de chutar o balde. Mas advirto: fazer isso não será fácil. Exigirá coragem, desprendimento e determinação.

Mas acima de tudo, exigirá amor próprio.

E é por amor a si mesmo, e só a si, que o besta deve deixar de ser besta. 

 

Glenio Cabral é administrador de empresas e pós-graduado em Gestão de Pessoas. Também é idealizador e colunista do site www.cafecristao.com

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Apagando incêndio com fezes...eita, Brasil!

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 08/04 10:18h
Apagando incêndio com fezes...eita, Brasil!

(*) Por Glênio Cabral

Pra viver nesse país, só mesmo tirando leite de pedra. Ou então apagando incêndio à base de fezes.   

Por isso não me espantei com a reportagem do Fantástico que veio ao ar no ultimo domingo, e que trouxe à tona uma nova modalidade de combate a incêndios: arremesso de fezes!

Vamos às fezes, digo, aos fatos!

No ano de 2011, uma fábrica de reciclagem pegou fogo na cidade de Bacabal, interior do estado do Maranhão. A cidade, assim como a maioria das cidades do Brasil, não tinha um corpo de bombeiros. Resultado: teve que improvisar.

E foi assim, diante de um incêndio, que a população de Bacabal vivenciou na prática a expressão “quem não tem cão, caça com gato.” Ou, fazendo ajustes cabíveis aqui, “quem não tem água apaga o fogo com cocô.”

Então um carro limpa-fossa foi acionado. E o carro, naturalmente, estava repleto de água de fossa sanitária. Pois bem, foi justamente essa água heróica, cheia de fezes flutuando em suas ondas, que apagou aquele incêndio mortal.

O resto da história você já sabe. Diante daquele tsuname de excrementos, as chamas do incêndio cederam ao fedor que impregnou todo o ambiente, e o incêndio, sufocado pelo odor, sucumbiu asfixiado.

Argh! Um a zero para as fezes. 

Sabe, é por essas e outras que sinto orgulho desse país. Por aqui, até nossos excrementos são destinados a fins nobres. Sim, nosso cocô agora virou extintor! Virou salva-vidas. Virou exemplo nacional de versatilidade!

Mas não só isso, ele virou também um dos grandes símbolos que atestam a incompetência que deita e rola na gestão pública desse país.

O caso de Bacabal nos mostra que, em terras tupiniquins, não se desperdiça nem cocô. Na verdade, a única coisa que se desperdiça aqui é o dinheiro dos impostos que pagamos e que são desviados diariamente por indivíduos mais fétidos que o conteúdo que apagou o incêndio de Bacabal. Devios esses, diga-se de passagem, que contribuem para a inexistência de corpos de bombeiros na maioria das cidades do Brasil. Bacabal, inclusive.    

Pois é, caro leitor. E ainda há quem diga que o exemplo de Bacabal comprova a criatividade do povo brasileiro. Esse povo vibrante, inteligente, que tem jogo de cintura e que se adapta a toda e qualquer situação, nem que pra isso tenha que apagar um incêndio com água de fossa. Nosso povo é criativo, isso é fato. Tem jogo de cintura, coisa e tal. Mas a sua criatividade não está a serviço da vergonha nacional.

Não mesmo. 

Por isso, depois de tantos “improvisos”, a cidade de Bacabal espera não ter mais que fazer esse tipo de coisa pra apagar possíveis novos focos de incêndio.  Isso seria com o perdão da expressão e aproveitando o contexto desse texto, “uma m...”

 

Glenio Cabral é administrador de empresas e pós-graduado em Gestão de Pessoas. Também é idealizador e colunista do site www.cafecristao.com

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'O imposto do bandido'

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 20/03 05:23h

(*) Por Glenio Cabral

Chamou a atenção, há algumas semanas, uma recomendação exposta no site da Secretaria de Segurança Publica do Estado da Bahia que dizia o seguinte:

- Esteja sempre com algum dinheiro para o ladrão, e evite andar com muitos cartões.

A recomendação gerou protestos e imediatamente foi retirada do site. Mas o fato é que, polêmicas a parte, uma coisa ficou bem clara pra mim: é que nós estamos nos apropriando de algo que não é nosso.

E o que não é nosso? O dinheiro do ladrão, é claro!

Só não entendo como é que esse dinheiro é do ladrão, se fui eu que trabalhei o mês inteiro pra consegui-lo. Na minha cabeça ( me corrija se eu estiver errado ) o salário que recebo no final do mês deveria ser 100% meu. Afinal, fui eu que ralei, que dei o sangue.

Mas o fato é que na prática as coisas não funcionam bem assim por aqui. Agora eu sei que do valor que eu recebo como salário, devo separar um percentual pra “devolver” ao bandido.

A questão é saber quanto o bandido tem direito sobre o meu salário.  Quer dizer, deve haver uma base de calculo pra isso, algum tipo de tabela de “devolução” de dinheiro para o marginal.

Se eu sou assalariado e vivo a duras penas com meu salário, por exemplo, quanto do meu magro salário o marginal tem direito? Dez por cento? Vinte por cento? Metade, talvez? Quanto, pelo amor de Deus, quanto?!

É importante discutir isso, porque de agora em diante terei que fazer ajustes em meu orçamento pra conseguir pagar um novo imposto: o IDB ( Imposto de Devolução ao Bandido). 

O IDB, só pra esclarecer, é aquele dinheirinho que você leva no bolso pra ser entregue ao marginal. Assim, se você for assaltado, o dinheiro já está lá, a espera do seu verdadeiro proprietário: o bandido.

Por isso o IDB é considerado um tipo de imposto dois em um. É que ele, além de quitar nossas dívidas para com o assaltante, ainda nos garante o direito de circular pelas ruas, avenidas e passeios públicos. Na verdade, é o IDB que nos garante o direito de ir e vir, e não a Constituição Federal.

Afinal, se você não pagar o IDB ao marginal, você pode até ir, mas vir...deixa pra lá.

Sei que muita gente achou um absurdo a Secretaria de Segurança Pública ter publicado a ordem de pagamento ao bandido. Já eu não vi mal algum nisso. O que a Secretaria de Segurança Pública fez foi falar a verdade, nada mais que a verdade.

Todo mundo sabe que o IDB nesse país é pago por todos nós, pobres, endividados e assaltados cidadãos, aos marginais que andam à solta por aí. É um imposto em circulação há muito tempo, mas só agora foi reconhecido oficialmente como tal.   

Só que nesse país é assim, quem fala a verdade acaba sendo muito malvisto pelos intragáveis dos “politicamente corretos”.

Fazer o que....

 

Glenio Cabral é administrador de empresas e pós-graduado em Gestão de Pessoas.  Também é idealizador e colunista do site www.cafecristao.com

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Terceira idade ou melhor idade?

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 11/03 16:50h
Terceira idade ou melhor idade?
(*) Colunista  Glenio Cabral   
Você já ouviu a expressão “melhor idade”? Tenho certeza que sim. E estou certo de que você sabe que essa “melhor idade” se refere à terceira idade, ou, em bom português, à velhice propriamente dita.  
O caso é que a maioria das pessoas faz de tudo para evitar a velhice. A gente faz cirurgia, coloca botox, levanta o peito, arrebita a bunda, enche os lábios, tira as rugas, e nesse cabo de guerra contra a “melhor idade” essa expressão cai no ridículo. Que melhor idade é essa, que desperta essa fuga desenfreada?  
A verdade é que todo mundo eufemiza o que lhe convém.  
Por isso pegamos uma realidade prática da qual não gostamos nem um pouco e lhe damos um toque macio, usando expressões bem coloridas. Expressões, como por exemplo, “melhor idade.” 
Não tenho raiva de eufemismos, desde que eles não me façam de idiota. Suavizar as coisas é uma coisa, mas tentar empurrar goela abaixo uma falácia é outra bem diferente. E essa coisa de melhor idade é, em minha opinião, uma falácia.  
Porque eu penso assim? Porque ninguém quer envelhecer, ora. E porque ninguém quer envelhecer? Por motivos óbvios, que não detalharei aqui. Só que a velhice é uma fase natural da vida, e assim como todas as outras fases ela também possui suas virtudes. Experiência, maturidade e bom senso são só algumas delas. Há mais, eu sei. Mas há o outro lado também. O lado que as pessoas não gostam muito, por sinal.   
Eu sei que a expressão “melhor idade” tem boas intenções. Só que ela bate de frente com a dura realidade que é, muitas vezes, envelhecer. Eu conheço muita gente que não vai se adaptar bem a esta fase, ainda que se tente convencê-las de que essa é a “melhor idade”. Pois pra essas pessoas, definitivamente não é. 
Por isso encarar a realidade como ela de fato é ainda é a melhor forma de se viver bem. O otimismo, claro, deve ser figurinha carimbada em todas as fases da vida. E isso exige disciplina, esforço e  disposição. Porque ser feliz, acredite, é uma questão de treino diário, de transpiração mesmo. A gente escolhe ser feliz e luta pra chegar lá. Não é a toa que vive bem quem vive de peito aberto, de forma otimista, com sinceridade gritante e feliz consigo mesmo. Quando a pessoa é assim, bem resolvida,  não fica se apegando a certas frases ou expressões de efeito pra tocar a vida. Ela toca e ponto final.
E como ela consegue fazer isso? Vivendo sempre  no auge. Afinal, o auge de uma vida não está restrito a uma fase específica. Não mesmo. O auge de uma vida é construído no dia-dia, nos relacionamentos, nas reações. 
O auge tem como alicerce a auto-aceitação. E quem se aceita, esteja certo, vive por cima. Vive voando. Vive no auge. 
 
Glenio Cabral é administrador de empresas e pós-graduado em Gestão de Pessoas.  Também é idealizador e colunista do site www.cafecristao.com
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De graça

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 27/02 09:53h

( *Por Glenio Cabral ) 

Ontem vi uma coisa engraçada na Tv. Num jogo de futebol, um jogador acabou acertando a trave numa cobrança de pênalti. O jogador, claro, ficou arrasado. Já o goleiro, que não fez nada pra evitar o gol a não ser torcer pra que a bola não entrasse, saiu vibrando feito louco, socando o ar, dizendo coisas como “ eu sou o cara, eu sou o cara”, como se ele tivesse feito ...uma grande defesa.  Só que ele não teve mérito algum naquilo. Só teve sorte, nada mais.

Sentir-se feliz por alguma virtude ou sorte que se tem é mais do que natural. É como sentir-se premiado, sorteado numa loteca, agraciado pelos céus. É motivo suficiente pra que a gente se sinta super-especial, como se os céus tivessem piscado pra nós. Até aí, tudo bem.

O problema é quando se ultrapassa a tênue linha que separa a gratidão da prepotência. Quando isso acontece, se perde a noção das coisas. 

É o caso de gente que recebeu um grande talento, mas que não reconhece que foi apenas agraciado com ele. Gente assim acha que é bom no que faz unicamente pelos próprios méritos, como se tivesse “comprado” a própria sorte.

E pensando assim, se torna um orgulhoso sem causa, igualzinho àquele goleiro que não fez nada pra evitar o gol, e ainda assim sentiu-se “o cara”. 

A verdade é que tudo é dádiva de Deus. E tudo é tudo. É talento, esforço, disciplina, brilhantismo, inspiração, oportunidade...só que as vezes, por puro amor, Deus “exagera” em certas dádivas. É quando surge uma beleza sem precedentes, um talento raríssimo, uma capacidade quase sobrenatural...

Quando isso acontece, aí é que deveríamos ser mais gratos e humildes, já que recebemos de graça algo enorme, supremo, a perder de vista. Mas fazemos justamente o contrário: tornamo-nos insuportáveis, boçais e rancorosos. 

Tem um ditado que diz que “Deus não dá asa a cobra”. Não é verdade. Deus dá, sim. Você deve conhecer muitas cobras voadoras por aí. Gente competente, talentosa e reconhecida, que atribui tudo isso unicamente a si mesmo. Só que as asas dessas cobras não são feitas de penas.

Assim como as asas de Ícaro, suas asas são feitas de cera. E aí, quando essas cobras estão lá em cima, bem pertinho sol, o calor derrete a cera. E o que vem depois? 

A queda, claro. Uma longa, triste e dolorosa queda.

Coisa mais triste é ver uma cobra voadora despencando da glória. Mas é um alerta, também. Um alerta pra que nenhum de nós perca de vista o fato de que tudo o que temos, é realmente dádiva.

Até nossos próprios “méritos”.


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Nádegas mutantes

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 19/02 04:35h

(*) Colunista Glenio Cabral

Que brasileiro é um grande apreciador de nádegas, isso todo mundo já sabe. O carnaval que o diga. Nos carnavais desse Brasil, bundas de todos os tipos ficam à mostra, das durinhas e empinadas às mais murchas e desnutridas. Seja num carro alegórico ou simplesmente na avenida, o desfile de nádegas à mostra é um fato.  

Mas talvez, justamente por toda essa exposição “bundal”, algo meio esquisito tenha sido reparado no último carnaval do Rio. É que, segundo especialistas, as nádegas de Gracyanne Barbosa e Valesca Popozuda ( quem são essas senhoras? ) estariam, digamos, “esquisitas”. Esquisitas como, eu pergunto?

Segundo os mesmos especialistas, as nádegas dessas senhoras estariam musculosas ao extremo. Estranhamente duras. Artificiais, até. E ainda segundo esses mesmos especialistas, tais nádegas teriam sofrido tantas intervenções cirúrgicas para aplicações de silicone, que acabaram adquirindo uma aparência deformada. Bizarra. Mutante.

Eu não entendo nada de plástica de nádegas, mas sei que as mulheres de hoje em dia têm exagerado nesse negócio de querer mudar o corpo. Para alcançar o corpo dos sonhos, é um tal de por silicone ali, aqui, acolá...e quando menos se espera, o bicho, digo, o silicone, acaba aparecendo mais do que o próprio corpo, e o corpo, coitado, sucumbe diante a fúria dos silicones. É quando surgem as bundas mutantes e os seios hiperbólicos.

Sinceramente, não sei onde isso vai aparar. Aliás, eu sei. Vai parar na revolta do corpo. Não do corpo siliconado, alterado por plásticas mil, mas do corpo natural, saudável, normal e digno de apreciação. Do corpo que quer voltar a ser natural, e quer voltar a viver sem toda essa pressão pela busca da perfeição estética, busca esta que, em muitas ocasiões, pode levar até a situações de perigo real.

Pois é, o corpo pede um tempo. E eu acho realmente que se ele tivesse como falar, ele diria:

- Que caia tudo, ora bolas! A lei da gravidade é muito melhor do que esses silicones insanos!

Pobres corpos. Solidarizo-me com eles. Soube até que algumas nádegas do carnaval do Rio, siliconadas até a alma, foram procuradas pra dar uma declaração sobre sua triste condição. A resposta delas, claro, já era a de se esperar:

- Nádegas a declarar.

Como são tímidas, essas nádegas. 



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Dormir, tomar banho e outras coisas mais...

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 08/02 13:10h
(*)  Por Glenio Cabral 
Nada como recomeçar. Deve ser por isso que a vida é cheia de recomeços. Tomar banho, por exemplo, é um ótimo recomeço. Pra que recomeço mais legal que o ato de banhar-se?   
Não sei quanto a você, mas quando eu tomo um bom banho tenho a cheirosa sensação de que todos os problemas, preocupações e tensões do dia estão sendo levados ralo abaixo pela água.  
É como se cada gota do chuveiro fosse reiniciando o meu estado de ânimo, até que, findo o banho, não me sinto apenas limpo, mas “recomeçado”. Zerinho em folha. Demais, não? 
Almoçar é outro recomeço e tanto. Já dizia minha avó: “saco vazio não se põe em pé.” E aí me lembro dos dias difíceis no trabalho, quando chego em casa de cabeça quente e minha esposa me diz “ almoce, que você via se sentir bem melhor”.  
Então eu bato aquele prato, e as forças, quem diria, vão voltando aos poucos, a cada garfada, devagar e sempre. E quando eu menos espero já estou pronto pra outra, estômago cheio, “saco que não está mais vazio”, devidamente “reiniciado” por um bom prato de comida.  
E quanto a dormir? O sujeito está destruído por causa do cansaço, mas basta tirar aquela soneca de trinta minutos pra já levantar como se tivesse tomado Red Bull. Ligadão.  
E a lista de recomeços diários não para por aí. Tem final de gripe (nada como acordar com o nariz desentupido), tem ida ao sanitário depois de cinco dias “enfezado” (liberdade, ó gloriosa liberdade!!), tem dor de dente que pára de doer, tem aquele filme que é uma tremenda lição de vida, tem uma foto no álbum que te enche de alegria, tem aquela canção no rádio que te faz ganhar o dia...e assim os recomeços diários vão acontecendo onde sempre estiveram, no cotidiano nosso de cada dia.  
É claro que muitas vezes eles parecem banais, quase sem valor. É que as grandes coisas da vida são assim mesmo, discretas, silenciosas, tímidas, difíceis de serem notadas. Mas a verdade é que de pequenas elas não têm nada, porque são esses pequenos recomeços diários que nos enchem de esperança pra continuar acreditando que as coisas vão melhorar.  
  1. E que viver, definitivamente, vale muito a pena. 


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Gente rasa

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 17/01 07:02h

(*) Colunista Glenio Cabral 

De todas as tarefas dessa vida, uma das mais difíceis é relacionar-se com gente rasa.

E o que é uma pessoa rasa?

É uma pessoa sem profundidade. Não estou aqui falando de intelectualidade ou formação acadêmica. Refiro-me àquele tipo de gente sem profundidade, pobre de espírito, sem algo interessante a oferecer para o mundo.

Gente rasa dá muito valor à aparência, em especial a roupas de marca. Eu sei que todo mundo gosta de se vestir bem, mas falo aqui de um valor exagerado, sobrenatural, extrapolado mesmo. Um valor que julga as pessoas pelas roupas que vestem, e não pelo caráter que têm. Em suma, um valor que não tem valor algum.  

E por achar que um pedaço de pano é questão de céu e inferno, o raso se afunda na própria aridez de espírito, e morre afogado no lodo da mediocridade.

O raso também tem uma conversa só. Ele não muda, é sempre igual. Parece um disco arranhado, só sabe falar sobre um assunto, blá, blá, blá. E você lá, ouvindo as mesmas previsíveis palavras ditas pelo raso nos últimos quinze anos. E ele repete, repete e repete porque não percebe que o seu discurso já deu o que tinha que dar. E haja saco...

Não é preciso ser formado numa faculdade pra ter uma conversa legal. Aliás, conheço muito doutor por aí que tem uma conversa rasa, pra não dizer rasteira. O que é que custa diversificar um pouquinho? Mas o raso prefere permanecer na comodidade da mesmice verbal, porque é incapaz de perceber que há coisas mais importantes nessa vida do que o som da sua própria voz. E tome futilidades.

Por fim, o raso é raso porque não acha que precisa se aprofundar. Aliás, só é profundo quem se considera raso. Sabe aquela famosa frase “eu só sei que nada sei”? Foi dita por alguém de extrema profundidade. Mas o raso é raso porque não percebe o quanto é raso, e pior, faz questão de não perceber isso. Ele simplesmente se acha, sem saber que na verdade nunca se encontrou. 

O raso é raso porque não acorda pra vida, não olha pros lados, não enxerga nada além do seu próprio umbigo. E por ser assim, narcisista e egocêntrico, só sabe dar valor às coisas fúteis e passageiras dessa vida.

Por isso gente rasa é assim. Sem graça. Sem cor. Sem brilho. E isso não depende de condição social, raça ou nacionalidade. Basta nunca olhar para os lados, nunca ouvir opiniões contrárias às  suas, nunca sair do seu mundinho, da sua turminha, da sua geografiazinha existencial. 

Quem vive assim, conhece a vida apenas na perspectiva de um ângulo. O seu. 

Por isso é raso.

É quase parando. 


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Do sublime ao banal

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 10/01 19:36h

 

(*) Colunista Glenio Cabral

Dizem que ter um filho é uma experiência sublime. E deve ser mesmo, porque minha filha vem em meados de maio e já sinto algo meio “sublime” dentro de mim. Mas nem todo mundo pensa assim. Aliás, o que não falta por aí são pais meramente reprodutores, verdadeiros bichos no cio que “fazem” filhos de forma irresponsável e leviana. É gente que transforma o sublime evento da paternidade numa banalidade esdrúxula.

Aí está um problema que gera vários outros problemas: a transformação do sublime no banal. É fazer com que o belo, o aceitável e tudo aquilo que vale realmente a pena perca a sua vitalidade e vire um troço sem forma, vazio e patético.  Uma banalidade só.

Veja o casamento, por exemplo. Tem gente que já casa pensando em se separar. Se não quer casar não casa, pô. Mas não. O cara faz festa, convida amigos, padrinhos, aluga casa de eventos, faz filmagem e um monte de papagaiada mais, pra depois de um ou dois anos (quando muito) vir me dizer com a maior cara amarela que “não deu mais”?

Ora, faça-me o favor!

Não quer casar, permaneça como um ficante, peguete ou sei lá o que.  Mas não gaste seu dinheiro e nem faça as pessoas perderem seu tempo sendo padrinhos de um evento furado! É patético. É banal!

Mas a banalidade não se restringe apenas ao matrimônio. A vida, pobre vida, bem mais precioso de cada ser humano, não é mais sublime. Hoje se mata por nada, por coisa alguma, só pelo prazer doentio de matar ou pela droga que pira a cabeça do bandido. E a vida perde seu valor, e a gente acaba virando um monte de barata que se mata sem dó nem piedade. Simples assim.

As amizades também estão se tornando banais. É a menina que dá em cima do namorado da melhor amiga, é o amigo que não pensa duas vezes antes de trapacear com o chapa pra conseguir a tão sonhada promoção, etc, etc, etc...e a amizade, antes dom sublime, desce pelo ralo das coisas banais. 

Não sei por que esse tipo de coisa acontece. Talvez porque nós, seres humanos, sejamos mesmo banais em nossa essência. Talvez porque nosso maior dom seja justamente esse, banalizar tudo o que é sublime. Não é isso que agente faz de melhor?

A natureza, pobre e sublime natureza, que o diga.

Mas fica aí o desafio. O desafio de, já que anda tudo meio bagunçado, ao menos tentarmos colocar as coisas em seus devidos lugares. E fazer isso é não trocar o banal pelo sublime, e nem vice-versa.

O certo mesmo é não mexer nesses dois.

Deixe o sublime ser sublime e o banal ser banal. Ambos são muito bem resolvidos, sabem o que querem, e deixa-los quietos é garantir o equilíbrio das coisas. Mas se a gente entra nessa briga e mete os pés pelas mãos, o desequilíbrio vem à tona. 

E o banal vira sublime. E o sublime vira banal.  


Glenio Cabral é administrador de empresas e pós-graduado em Gestão de Pessoas.  Também é idealizador e colunista do site www.cafecristao.com

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"As bulas dos remédios são a cara da vida"

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 05/01 09:54h

(*) Glenio Cabral

As bulas dos remédios são interessantes. Elas acariciam você num primeiro momento, mas depois te mandam um soco na cara. Veja se não estou certo. As bulas anunciam pra que serve o remédio e de que forma ele combate a doença. Até aí tudo são flores. O problema é quando lemos a parte de “reações diversas”.

É aí é que vem o soco.  

Veja meu caso. Eu sofro de sinusite e sou alérgico a “Dipirona” e “AAS”. Qualquer remédio que contenha uma dessas substâncias pode acabar comigo. Por isso, durante minhas crises alérgicas recorro sempre a um anti-gripal que não contenha nenhuma das duas em sua composição.

Mas aí, só por curiosidade, ontem a noite resolvi dar uma lidinha na bula do meu anti-gripal favorito. Foi quando fiquei estarrecido com a parte de “possíveis reações”:

*desconforto gástrico. ( gastrite, é isso? ) 
*discrasias sanguíneas. ( isso deve doer, com certeza )
*trombocitopenia ( ai! )
*Pancitopenia ( o que é isso?! )
*Agranulocitose ( coisa boa não é )
*anemia hemolítica ( anemia? Ele disse anemia? )
*metahemoglobinemia ( pelo nome, deve ser algo como já estar à beira da morte )
*aplasia medular e necrose papilar renal. ( Necrose? Ele disse necrose?! )

Ou seja, ler a bula de um remédio pode ser um desestímulo para a ingestão do mesmo. No meu caso, só por estar tentando curar uma gripe eu posso até sofrer uma “necrose papilar renal”. Meu Deus! 

Minha mãe que o diga. Ela sofre de enxaqueca crônica e toma alguns remédios pra dor de cabeça. As bulas desses remédios são de dar arrepios. Na parte de “reações diversas”, podemos ler de “aneurisma cerebral” até “coma”. Eu disse coma!!!! É melhor ficar com a dor de cabeça...

O fato é que, assim como as bulas, a vida também pode ser bem chocante. Afinal, qualquer um pode morrer ao tentar atravessar uma rua numa tarde despretensiosa de verão. 

Uma criança também pode morrer entalada com um pirulito, uma pessoa idosa pode se machucar seriamente ao cair em sua casa, um osso de galinha pode matar um infeliz durante um delicioso almoço...enfim, viver é sempre um grande risco, assim como ingerir qualquer medicamento.  

Mas uma coisa é certa: o risco de se viver vale muito a pena. Se não valesse, ninguém atravessaria uma rua, nem comeria um delicioso frango, nem chuparia um pirulito e nem circularia pela casa despreocupadamente. Essas atividades trazem riscos inerentes a cada uma delas, mas nem por isso as pessoas deixam de repeti-las dia após dia. E sabe por quê? Porque viver é tão bom que vale o risco de se morrer tentando. 

Por isso a vida é como as bulas dos medicamentos. 

Ela dá prazer e medo. Faz sorrir e chorar. Traz saúde e doença. Mas quem liga pra isso?


Glenio Cabral é administrador de empresas e pós-graduado em Gestão de Pessoas.  Também é idealizador e colunista do site www.cafecristao.com

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O ultimo segundo do ano

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 24/12 05:31h

(Colunista Glênio Cabral)

A contagem da virara está chegando. E que responsabilidade para o último segundo de 2012. É ele, o último segundo, que vai passar a bola para o novo ano, o ano de 2013.

Mas e se ele se recusar a fazer isso? Se isso acontecer, agente empaca em 2012.

Mas talvez, se isso acontecer, venhamos a pensar mais sobre o que aconteceu de bom e de ruim em 2012. Sempre achei que a festa da virada ofuscasse um pouco esse momento, o momento da reflexão, de pesar os pós e os contras do ano que se foi.

Mas quem sabe isso não acontece agora? Quem sabe o ultimo segundo não dá uma de doido e antes que os fogos explodam no céu ele trava geral?

Nesse caso, teríamos de convencê-lo a seguir seu caminho e deixar 2013 dar as caras. O problema é que ele podia alegar que 2012 foi um ano difícil, cheio de problemas, e que ele, o último segundo de 2012, gostaria que todas as pendências de 2012 fossem resolvidas antes de 2013 chegar.

E diria enfurecido:   

“Nós, os anos velhos, já deixamos muitas heranças malditas pros nossos sucessores. Mas agora basta! Ou vocês resolvem seus pepinos agora, ou o ano novo não aparece!” 

E aí teríamos que resolver muita coisa em um único segundo, o segundo da virada. Já pensou? E o ultimo segundo, irônico, ainda diria: 

“ Olha, pra facilitar a vida de vocês, eu já fiz uma listinha de pepinos pra serem resolvidos antes de 2013.  A lista é a seguinte: 

1.    Corrupção nos altos escalões dos governos

2.    Fome mundial

3.    Falcatruas de certos líderes religiosos

4.    Matadores escolares nos EUA

5.    Interminável guerra entre judeus e palestinos

6.    Ganância pelo petróleo

7.    Discriminação racial

8.    Discriminação social

9.    Discriminação sexual

10. Má distribuição de rendas nos países pobres

11. Etc, etc, etc e etc. 

“E isso só pra começar”, diria o sarcástico ultimo segundo de 2012.

Certamente esse segundo duraria décadas. Séculos, talvez. Só mesmo depois de séculos, e com muito empenho de nossa parte, conseguiríamos resolver todos esses pepinos empurrados de ano em ano, numa perpetuação macabra de problemas não resolvidos. 

Mas pelo menos assim, resolvidos esses problemas, poderíamos comemorar de alma limpa a chegada do ano novo. 

Um ano sem herança maldita. Um ano pronto pra ser escrito outra vez, ainda que com letras de sangue de novo, mas um ano que começa realmente zerado, sem rabo preso, sem coisas escondidas, empencadas, amarradas, acumuladas...um ano verdadeiramente livre.

Começar um ano assim é o sonho de todos nós. E já que o segundo da virada ( pelo menos a princípio)  não pode ganhar vida e exigir certas mudanças, nós é que devemos fazer isso.

Ainda restam algumas horas pra 2013. E algumas horas são bem mais do que o segundo da virada. O que está esperando? Corra! Ainda dá tempo!

Ou então corra o risco do segundo da virada olhar pra você e dizer: 

“ Ou resolve aqueles pepinos acumulados, ou nada de 2013 pra você!” 

E aí, vai correr o risco? 

Um ótimo 2013 a todos. Isto é, se o último segundo de 2012 deixar, né?


Glenio Cabral é administrador de empresas e pós-graduado em Gestão de Pessoas.  Também é idealizador e colunista do site www.cafecristao.com

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A feiura nossa de cada dia

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 11/12 16:37h

(*) Colunista Glenio Cabral

O mundo tende para o caos. Quem foi que disse isso mesmo? Não sei, só sei que é assim. Basta olhar para o fenômeno conhecido como “morte”. Agente nasce, cresce, estuda, faz e acontece, e depois simplesmente morre. Simples assim.  Se isso não for o caos, não sei o que é. Mas a morte não é o único atestado do caos que nos rodeia. A feiúra também é.   

A idéia de “feiúra” é bastante subjetiva. O que é ser feio? É não ser bonito? Mas o que é ser bonito? Beleza e feiúra se confundem conforme a cultura, a época e os costumes de um povo.  Mas uma coisa é certa: agente pode até se esforçar pra ficar mais bonito, mas isso tem um limite.

Funciona mais ou menos assim: o cara vai pra academia, tem uma alimentação saudável, é vaidoso com a aparência, e na hora da balada se arruma todo, mexe no cabelo, usa perfumes importados, e tudo pra que? Pra ficar mais bonito, claro.  Só que por mais que ele se esforce pra isso, chegará sempre a um limite. O limite da beleza. 

E o que é limite da beleza? É aquela linha limítrofe que neutraliza os efeitos da maquiagem, das colônias e das hidratações. É o atestado estético de que, dali pra cima, nem adianta insistir. E a coisa simplesmente emperra.

Mas ao contrário da beleza, a feiúra não conhece limites. Isso quer dizer que alguém sempre poderá ficar mais feio, e sem se esforçar muito pra isso.

Basta acordar e não lavar o rosto;
Basta ir trabalhar sem pentear o cabelo;

Basta namorar sem escovar os dentes;
Basta comer, comer, comer e comer sem nunca ver a cara de uma academia;
Basta ver os anos passarem e não fazer reposição hormonal;
Basta não tomar banho;
Basta ficar sempre de mau humor;
Basta deixar-se invadir pelo ódio, raiva e despeito;
Basta ter prisão de ventre na cara ( ou ficar “enfezado”, você decide)
Basta não sorrir, não contar piadas, não sair com os amigos, não brincar com as crianças;
Basta não ter um time do coração;
Basta não ter fé na vida;

Enfim, basta fazer infinitas coisas que, sem muito esforço, nos arrastam para uma espécie de buraco sem fim, nos “desembelezando” a cada dia.

Por isso o mundo tende para o caos, porque as coisas ruins acontecem sem que muita energia   precise ser gasta. É muito fácil ficar de mau humor, andar enfezado, não pentear os cabelos, não ir pra academia, sentir raiva, não tomar banho, não escovar os dentes...essas coisas não exigem determinação, coragem, energia. Exigem apenas complacência.

E é essa feiura, a feiúra causada pela complacência existencial, que impede o verdadeiro “embelezamento” da vida.

O “embelezamento” da alma. 


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Esse cara sou eu

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 02/12 17:38h

 

(*) Colunista Glênio Cabral

A música “Esse cara sou eu”, de Roberto Carlos, tem deixado muitos homens em maus lençóis. É que esse “cara”, o da música, é um verdadeiro achado.

O “cara” é gentil, atencioso, romântico, amante voraz, caprichoso, virtuoso, enfim, é um senhor “cara”. E como é que se compete com um “cara” assim?

Tenho um amigo, o Clodoaldo, que não sabe mais o que fazer com a namorada. Desde que a música estourou nas paradas, ela agora vive jogando na cara do meu amigo as virtudes do “cara”. 

- Tá vendo, Clodoaldo? Você devia aprender com o “cara” da música!

 E pronto, desata a cantar o tema de Téo e Morena, arreganhando os dentes na parte do “ Esse cara sou eu!”.

Outro que anda sofrendo horrores é o pobre do Tadeu. Preocupado com as recentes crises em seu casamento, Tadeu confidenciou-me que sua esposa está apaixonada pelo “cara” da canção. O que é muito estranho, já que esse “cara”, a princípio, é só a letra de uma música. Seja como for, ele me garantiu que está perdendo sua esposa pra música do Roberto Carlos. 

O fato é que se há uma coisa boa que a música do Roberto nos trouxe foi essa percepção masculina de que é preciso agradar mais as mulheres. Afinal, um pouco de romantismo a mais na relação não faz mal a ninguém.

Agora deixa eu defender um pouquinho a classe dos homens. Tudo bem que o “cara” da canção é incrível, coisa e tal. Mas também é verdade que esse “cara” deve ter seus defeitos. Todo mundo tem, não é mesmo? Mas quais seriam os defeitos do   “cara”?

Primeiro, esse “cara” deve ser um grande desocupado. Um “cara” que não faz nada a não ser suspirar pela mulher amada é, no mínimo, um desocupado. Talvez isso explique o verso que diz “O cara que sempre te espera sorrindo.” Ou seja, a mulher do “cara” trabalha o dia todo e o “cara” fica em casa sem fazer nada, só esperando feliz da vida o retorno da mulher amada. Um gigolô, talvez? Ou quem sabe um preguiçoso encostado na mulher amada... 

Também suspeito que o “cara” da música seja um desses sujeitos grudentos, melosos ao extremo, que não deixam a mulher nem respirar direito. Duvida? Então olha só o que a canção diz sobre o “cara”: 

“O cara que pensa em você toda hora

Que conta os segundos se você demora

Que está todo o tempo querendo te ver

Porque já não sabe ficar sem você” 

Conclusão? É um chiclete de primeira grandeza, um grude só! Isso sem falar numa certa tendência compulsiva beirando a possessividade, o que pode tornar esse “cara” um sujeito meio perigoso. 

Seja como for, se por um lado a música do Roberto provocou atritos em alguns relacionamentos, por outro permitiu que muitos homens se reciclassem no quesito romantismo, passando enxergar suas esposas como as princesas que elas de fato são. E só por isso, a canção já valeu.

Mas é claro que sempre têm aqueles machistas que se recusam a absorver as lições românticas do “cara” da música. Topei com um desses numa fila de banco, ouvindo o seguinte diálogo dele com a esposa: 

- Mulher, eu não sou esse “cara”, e sabe por quê?

- Porque, infeliz?

- Porque eu não sou verde, não tenho setenta centímetros de altura, não tenho um cabeção assustador e não moro em Marte. 

Que maldade.   


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" Resolvi lançar um livro"

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 03/11 10:43h

 

(*) Colunista Glenio Cabral

Certo dia, durante uma viagem, li os seguintes dizeres na traseira de um caminhão:

“Falar de mim é fácil, difícil é ser eu.”

Achei interessante. De fato criticar o outro é sempre uma bandeja apetitosa, mas colocar-se no lugar do outro pra entender seus motivos, queixas e pontos de vista, é sempre uma tarefa complicada.   

Então tive a idéia de fazer um experimento radical: ser o outro, ainda que por alguns instantes. E foi assim que nasceu o e-book “Com a palavra, a anta”, primeiro livro de minha autoria e experimento radical da prática da empatia.

No livro, coloco-me no lugar de objetos e bichos buscando sentir o que cada um deles sente ou deveria sentir. É um exercício ficcional do “ser o outro”, ainda que só por alguns instantes.

Ao longo do livro, pratico a empatia personificando, dentre outros, um saco de lixo, um pau de galinheiro (isso mesmo!), um chicle de bola, uma bolha de sabão e até um rolo de papel higiênico.

E assim, sendo um aqui e outro ali, deixo de ser eu mesmo, e passo a ver o mundo com outros olhos. Com olhos de terceiros.

Entendo que a intolerância tem sido um grande problema no mundo contemporâneo. Intolerância sexual, religiosa, social, racial, enfim, intolerância de todas as formas. Mas não tenho dúvidas de que a prática de colocar-se no lugar do outro pode ser uma vacina eficaz contra a virose da intolerância.

Por isso, caro leitor, disponibilizo aqui, nesta página, para download gratuito, o link do e-book “ Com a palavra, a anta”.  Baixe à vontade. Leia. Reflita. Divulgue. Ser o outro, ainda que só na ficção, pode mudar seu ponto de vista sobre muitas coisas.

Uma ótima leitura a todos.

http://www.4shared.com/office/f7NuEw8-/Com_a_palavra_a_Anta_Glenio_Ca.html? 

  • Obs: Caso não consiga baixar o e-book através deste link, mande um e-mail para gleniocabral@yahoo.com.br
  • Estarei enviando o livro para o seu e-mail.  


  • Glenio Cabral é administrador de empresas e pós-graduado em Gestão de Pessoas.  Também é idealizador e colunista do site www.cafecristao.com
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Saudades do voto nulo

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 24/09 16:00h
A urna eletrônica trouxe vários benefícios às eleições. A rapidez da apuração foi, sem dúvida alguma, o maior deles. Mas confesso que sinto falta do tempo em que votávamos no papelzinho. Hoje em dia, com a urna eletrônica, votamos apenas nos candidatos oficiais ou no candidato “branco”. É só apertar e confirmar. Mas e o candidato “nulo”?  
Na época do voto no papelzinho, você realmente votava em quem quisesse. Suas opções não estavam restritas aos candidatos oficiais e ao “branco”. Não. As opções eram infinitas. Bastava, pra isso, anular o voto. 
Lembro-me de uma vez em que o macaco Tião, famoso símio que vivia no zoológico do Rio de Janeiro, foi eleito vereador da cidade. As pessoas escreviam seu nome no papelzinho e colocavam na urna. O voto era considerado nulo, é verdade, mas pelo menos se votava em quem queria, ainda que esse alguém fosse um macaco.   
Macaquices à parte, Tião não foi o único bicho a ser eleito. Em 1959, na cidade de São Paulo, o rinoceronte Cacareco foi eleito vereador com cem mil votos. O que foi um grande feito, já que na época o vereador humano mais votado não teve mais que 110 mil votos. Cacareco, é claro, não pôde assumir o cargo, e pouco depois o bicho morreu. Pra tristeza dos seus eleitores, é claro.   
É certo que esse tipo de voto é conhecido como voto de protesto, que tem como objetivo protestar contra a balbúrdia que impera nesse país. O problema é que não se melhora uma nação votando em animais. Afinal, animais são irracionais. Mas, cá pra nós: é melhor eleger um macaco ou um rinoceronte do que um asno.  
Pena que não tem mais o papelzinho. Por isso a opção “branco” pode ser uma boa alternativa. A depender dos candidatos em questão, é melhor apertar o “branco” mesmo. Pelo menos o branco é limpo, sem manchas. Melhor do que votar em quem é mais sujo que pau de galinheiro.  

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Carta para meu filho que vai nascer...

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 12/09 19:06h
(*) Colnista Glenio Cabral
Meu filho;     
Aqui é papai. Você ainda não existe. Quer dizer, existe sim, mas só um pouquinho. Mas ainda assim, quase não existindo, você já mexe comigo.  
É que eu me faço de duro, mas diante de você viro uma panqueca. E se você já me causa esse efeito mesmo sendo quase nada, imagine quando nascer e estiver nuzinho a berrar na maternidade...
 O que acha que vai acontecer comigo, meu filho? 
Pois eu respondo: estarei a berrar também. Mas não por ter recebido um tapinha na bunda. Mas por vê-lo saudável chegando a este mundo. Porque viver é bom, meu filho. É muito bom. Eu sei que tem coisas tristes do lado de cá, fora da barriga de sua mãe, mas olha, acredite, vale a pena viver aqui. 
Claro, na barriga de sua mãe a coisa é bem confortável. Não tem assaltos, desvio de verbas públicas, guerras e racismo. A comida também é de graça e você não paga aluguel. Definitivamente, o custo de vida aí dentro é 0800. 
Mas também não tem passarinho, brinquedo, sorvete, futebol, música e amigos. No final das contas, as coisas boas ainda superam as ruins do lado de cá. 
Por isso, meu filho, se na hora de nascer você for tentado a desistir desse mundo, lembre-se: tem mais coisas boas do que ruins aqui. 
Então venha. Mas venha com coragem. Venha com o desejo arrebatador de conquistar o mundo, de conhecer a vida, de nascer pra vencer. Venha sabendo que encontrará dificuldades do lado de cá, e a primeira delas será o  tapinha que vai receber em sua minúscula bunda ao nascer. Sei que vai doer, meu filho. Mas esse tapa que vai te acordar, vai te fazer chorar, e vai te fazer perceber que está vivo, saudável, forte e disposto a brigar. 
Porque do lado de cá é assim, meu filho: os tapas vêm pra nos fortalecer. Agente recebe a porrada, sente dor na hora, mas depois transforma a dor  numa usina de energia e segue a vida. E agente corre atrás, se esforça, recebe não, insiste de novo, cai, escorrega, levanta, chora, sorri, transpira, até que um dia agente vence. 
E quando vence, agente agradece a Deus o tapinha que levou na bunda. Santo tapinha. Porque nenhuma vitória é real sem lutas, meu filho. 
Nenhuma. 
Vou parando por aqui. Eu e sua mãe te esperamos ansiosos. Até maio de 2013, então. Ah, e quanto ao tapinha na bunda, não se preocupe não. Vou pedir pro médico maneirar. 
Fraternalmente, 
Seu pai. 

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O Espirro

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 05/09 12:34h

(*) Colunista Glenio Cabral

Onde achar a felicidade? Para os adeptos da vida simples, a felicidade pode ser encontrada nas coisas mais banais da vida. Como no espirro, por exemplo.  

Há quem diga que o espirro é o orgasmo das vias nasais. Só sei de uma coisa: uma sensação de prazer e alívio nos invade quando damos aquele espirrão. 

Eu que o diga. Minha sinusite me acompanha há anos, e durante todo esse tempo espirros reprimidos me deixaram louco da vida. 

Espirros são como pessoas, gostam de ser convidados. É claro que alguns surgem de repente, como um trovão enfurecido e barulhento. Mas na maioria das vezes eles precisam ser persuadidos a dar as caras.

Quando não são, fazem que vêm mas acabam não vindo. E aí você fica com o espirro entalado no nariz, louco pra espirrar, curtindo aquela agonia de algo preso que se recusa a sair.  

Por isso eu levo muito a sério o momento do meu espirro. É um momento muito íntimo, só meu e dele. Quando sinto a conhecida vontade aflorando, paro o que estiver fazendo e me concentro. E assim, entregue a uma espécie de transe oriental, recebo de narinas abertas o esperado “ ATCHIM!”, que imediatamente me eleva ao paraíso do nirvana nasal.

E vejo estrelas.

Mas nem sempre acontece assim. Dia desses, quando já estava com o espirro na ponta do meu nariz, alguém tocou meu ombro direito e perguntou:

- Você tem horas aí?

O espirro, melindroso, bateu em retirada.  E eu fiquei lá, com cara de espirro que não veio, olhando odiosamente para o infeliz que me fez perder a concentração. E o espirro, quase “ATCHIM”, agora era fujão.

O pior é que nessas horas ninguém pode fazer nada por você. A agonia do espirro reprimido é só sua, e deve ser curtida na solidão, nessa sensação pavorosa de quase espirro entalada no seu nariz.

Aí o jeito é esperar. Esperar, esperar e esperar...até que a conhecida vontade volte aos poucos, tímida no início mas vigorosa no final, virando minutos depois um poderoso “ ATCHIM!”.

E as estrelas aparecem de novo.


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Você faria diferente?

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 03/09 06:10h

(*) Colunista Glenio Cabral

A pior política é aquela que é praticada em pequenas cidades do interior. Cidades sem estrutura, sem auto-sustentação, sem comércio, sem nada. Em cidades assim, não se vota por um candidato de visão, que tenha propostas viáveis para o desenvolvimento do município. Não, isso não. Não dá pra pensar nessas coisas quando nem um prato pra comer se tem em casa. 

Nessas cidades se vota pelo emprego, pela comida, pelo sustento. É que nelas, a única fonte de renda é a prefeitura e o dinheiro dos aposentados. Fora isso, tudo é desolação. Por isso quem está na prefeitura não quer sair, já que sair significa ficar quatro anos sem emprego. E quem está de fora quer loucamente entrar, já que ficou quatro anos desempregado sustentando-se sabe lá Deus como.

E assim a coisa toda se arrasta, sai prefeito, entra prefeito, e sempre uma metade da população local fica desempregada. Não me admira que a política nessas cidades seja tão agressiva. As pessoas brigam, discutem, agridem-se. Mas não brigam por propostas nem por idealismos. Brigam por comida. É o pão de cada dia que está em jogo, nada mais.

Quando a barriga ronca, não tem sentido ficar discutindo firulas ideológicas. É comer o que importa, comer e sustentar-se. E se pra isso for preciso votar num louco sádico, que se dane! É melhor um maluco no poder do que o desemprego batendo à porta.

E assim a nossa gente vai votando num candidato chamado fome, emprego, favor, tijolo, cimento, internação, etc, etc, etc, etc. Que propostas ele tem? O que importa, ora bolas?! Isso é o de menos, não é?

É muito fácil criticar pessoas que votam assim. Gente que não tem nada e que vota de forma “alienada”, pensando unicamente no “seu”. Difícil é se colocar no lugar dessas pessoas. Difícil é sentir o desemprego que elas sentem, a falta de estrutura de suas cidades, a miséria em que vivem.

Pra quem vive dessa forma, o voto é uma grande moeda que pode ser trocada por algo verdadeiramente útil: comida.   

Quem não faria o mesmo? 


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Porque eu tenho que ser o melhor?

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 07/08 02:15h

(*) Colunista Glenio Cabral 

Desde que me entendo por gente me vejo competindo. Quando eu era um espermatozóide, por exemplo, tive que bater milhões de concorrentes pra fecundar o óvulo. Foi uma loucura, mas cheguei lá! Mas aí, quando saí da barriga de mamãe achando que agora ia ter sossego, percebi que toda essa confusão ia continuar.  Então veio a escola, as notas, o vestibular, os concursos, a graduação, as entrevistas para emprego, e aqui estou eu, competindo, pra variar, disputando espaço num mercado de trabalho cada vez mais difícil. 

Mas isso não acaba nunca?!

A verdade é que faz tempo que não leio um bom livro. Em vez disso fico me entupindo com Direito Constitucional, Direito administrativo, Direito Previdenciário, direito não sei de quê, e tudo pra que?

Pra competir, é claro. Pra passar num concurso e ganhar estabilidade. Pra ganhar um bom salário e depois estudar pra outro concurso que pague mais ainda.  E assim vou continuar sem ler o que gosto porque preciso me empanturrar com toda essa coisa que eu não gosto, já que isso é que é vencer na vida. Então eu vou vencendo na vida sem sentir o gosto das coisas, só engolindo tudo de qualquer jeito como um avestruz esquizofrênico. Inspirador, não?  

Não sei se acontece com você, leitor, mas às vezes tenho vontade de mandar tudo isso pro espaço. É que esse negócio de ter que ser sempre o melhor, de se especializar sempre, dá nos nervos. Você nunca baixa a guarda, nunca relaxa de verdade, está sempre de olho no que o outro anda fazendo pra poder fazer melhor que ele... 

A verdade é que eu só quero ler um bom livro, sem compromisso, só pelo prazer de ler, sem ter nenhum tipo de avaliação depois ou algum certificado de conclusão de leitura no final. Quero só ler pelo prazer de ler. Mas será que é pedir demais nesse mundo em que tudo que a gente faz, faz pra ser melhor que o outro?  Faz pra garantir a empregabilidade? 

Tô começando a achar que tenho talento pra ser hippie. Deve ser por isso que gosto da canção que diz:

“Eu queria ter na vida, simplesmente, um quintal de mato verde, pra plantar e pra colher...”

Mas hoje em dia esse tipo de sonho só tem que é taxado de "Zé Ninguém". 


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Nina X Carminha

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 21/07 10:03h
(*) Colunista Glenio Cabral
Não sou noveleiro, mas é impossível ignorar o “arranca rabo” que está rolando entre Nina e Carminha, as principais protagonistas da novela  Avenida brasil.   É só o que se fala nas ruas, nas repartições, nos hospitais...  
Então, pra me atualizar, resolvi assistir a novela hoje, dia 27 de julho de 2012. E fiquei chocado com o que vi.  
Toda novela tem vilão e mocinho, certo? Mas quem é a vilã em Avenida Brasil? Pelo que pude notar, Nina é uma psicopata. A Debora Falabela deve ter incorporado algum tipo de serial killer pra poder fazer aquele papel. Seu olhar de ódio sádico realmente convence. Só o que não convence é acreditar que ela é a mocinha da trama, ou pelo menos era, nem  sei mais.  
Enquanto isso, Carminha, a essa altura a ex-vilã, conta agora com os aplausos de todos nós por ter dado um basta nos acessos psicóticos de Nina. "Agora você vai ver do que sou capaz", disse Carminha trancando-a no quarto. E nós, eu, inclusive, aplaudimos aliviados.
Engraçado. Nós, seres humanos, mudamos de lado com muita facilidade. Basta uma porçãozinha de sofrimento e pronto, já chega! Pra que continuar batendo? Por pior que seja a pessoa ( e Carminha parece ser das piores ) vê-la passando por uma sessão de humilhações não é nada agradável. E agente muda de lado sem dó nem piedade.  
Não sei o que está por vir na novela. Mas de uma coisa eu sei: Nina não tem mais a mesma torcida de antes. Seu ódio interminável já está fazendo dela uma mocinha insuportável, chata ao extremo. A mulher só fala em vingança, em dar o troco, em humilhar a outra, blá, blá, blá...ah, que saco, vira o lado do disco!  
Tanta raiva assim só torna o herói pior do que o vilão. E muito mais chato também.
Vai se tratar, pô!


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" Para o Dia do Amigo"

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 07/07 07:03h

(*) Colunista Glênio Cabral

A vida é como uma linha. À medida que vamos vivendo, essa linha vai se desenrolando e crescendo. Agente nunca sabe quando ela vai parar de desenrolar. Mas de uma coisa agente sabe: haverá nós.  Cada nó, nessa linha, é uma amizade. E quanto maior e mais verdadeira a amizade, mais cego será o nó. Por isso alguns nós são frouxos. São amizades de faz-de-conta, amizades irreais.

Mas há os nós cegos. Aqueles que não se desfazem por nada. Aqueles que resistem a puxavões, a tesouradas, a unhas afiadas...

Esse tipo de nó resiste à distância, a brigas, a discordâncias e tudo o mais. O bicho é retado, é cego pra valer. Não há quem o desate.

Por isso, nesse dia do amigo, quero dizer a todos os nós que vocês são cegos. E são cegos por duas razões: primeiro, porque não desatam jamais. Estão pra sempre presos ao meu coração, a despeito da distancia, das brigas ou discussões.  

E segundo, porque apesar dos meus e dos nossos inúmeros defeitos, vocês são cegos pra cada um deles. Não que não os enxerguem. Mas apesar de vê-los, continuam atados a mim. Atados a nós. Grudados que só vendo.   

Um feliz Dia do Amigo. E que possamos valorizar cada vez mais esses nós cegos. Nós cegos que enxergam, que não desatam e que nos animam. 

Um Feliz Dia do Amigo.


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O meu direito de perder

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 03/07 13:58h

(*) Colunista Glenio Cabral

Dia desses li uma frase que chamou minha atenção: “Pior do que perder é ter que ganhar sempre.”

Então me lembrei de um colega que tive na quarta-série, um CDF de primeira. O cara era um crânio. Tirava dez em todas as provas, e nós, demais alunos, nos sentíamos pouco inteligentes perto dele. O problema é que ele levava tão a sério essa coisa de CDF que se sentia na obrigação de tirar sempre nota dez.

Então um dia ele tirou uma nota sete e seu mundo caiu. Chorou feito uma debutante, ficou inconsolável. Teve medo da reação dos pais, da professora, de nós.  

Chego a sentir o peso insuportável que colocamos nas costas do infeliz. O peso de ter que ser sempre o melhor, de ter que tirar sempre nota dez, nunca menos do que isso.

Mas o fato é que depois daquela nota ele mudou. Parecia mais aliviado, menos tenso, como se tivesse tirado um peso enorme das costas. Aí passou a tirar oito, sete, seis... Quando tirou sua primeira nota cinco arrumou uma namorada. Ficou mais popular, descontraído, de bem com a vida.

Hoje eu sei que aquele sete salvou a vida do meu colega.

Não vale a pena ganhar sempre. Agente acaba se acostumando e esquecendo que só Deus tem vocação pra ser divino. Por isso às vezes uma boa derrota nos liberta.

Nos liberta da obrigação de ter que ser sempre o melhor, nos liberta de nossas próprias exigências, nos liberta de nosso perfeccionismo injusto. Nos liberta do pior de todos os pesos: o de ter que ser perfeito.


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Minhas lágrimas indecorosas‏

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 25/06 10:28h

Dia desses, assisti ao quadro de um programa de TV em que uma pessoa foi agraciada com uma casa nova. A pessoa era uma senhora de meia idade que passava sérias dificuldades em São Paulo, juntamente com seus cinco filhos.

A situação era de quase miséria.

Então ela mandou uma carta para o programa e as coisas mudaram da água para o vinho. Enquanto a pobre senhora chorava diante de tanta coisa boa, minhas lágrimas desciam desenfreadas pelo rosto. E lá estava eu, na poltrona da minha casa, comovido diante da TV.

E a pergunta que me faço é: por quê?

No meu trabalho atendo pessoas em situações muito parecidas. Gente pobre, carente, sem nada na vida. Gente que, ao contrário daquela senhora, não faz minhas lágrimas rolarem pelo rosto.  

Então me pergunto por que é preciso que uma tragédia vá parar na TV pra que eu me comova. Porque minhas lágrimas não caem no meu dia-dia, fora da TV, diante da pobreza do outro lado da rua, das mulheres que imploram por uma mísera pensão alimentícia no meu trabalho?

Talvez seja porque num programa de TV a coisa toda é feita pra provocar o choro. Afinal, tudo é montando por profissionais especializados em alavancar índices de audiência à base da emoção.

E aí, enquanto um rosto sofrido é enquadrado na câmara, uma música tocante pode ser ouvida ao fundo. É tudo perfeito. E eu choro desembestado.

Tenho raiva dessas minhas lágrimas. Lágrimas produzidas por um programa de auditório. Lágrimas de crocodilo, sem compromisso, que se deixam hipnotizar por uma parafernália midiática em busca de audiência.

Lágrimas que se esquecem que a mesma miséria retratada na TV é a miséria dos mendigos na rua, dos famintos nos lixões, dos assassinados todos os dias.

Por esses, os "fora da TV", não derramo uma lágrima sequer.



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A "obra" de arte sanitária

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 18/06 10:46h

(*) Colunista Glênio Cabral

O que é uma obra de arte? Há várias definições. Uma delas diz que obra de arte é a materialização da sensibilidade humana. Tá bom, mas quem decide o que é e o que não é sensibilidade?

As pinturas modernistas, por exemplo, são tidas como explosões de sensibilidade. Para o leigo, no entanto, não passam de rabiscos  sem sentido algum. Mas vai dizer isso pro autor da pintura....

O fato é que uma obra de arte não tem que, necessariamente, se fazer entender. Ela é uma expressão do interior do artista, dos seus anseios mais íntimos.

E foi exatamente isso que Larinha, uma menininha de um ano de meio, me ensinou. Larinha, apesar da pouca idade, tem anseios como todo artista. E um deles é conseguir fazer cocô no piniquinho.

Ela vinha tentando há dias, mas sem sucesso. Mas na noite passada, Larinha finalmente conseguiu.

Sentando-se no piniquinho e concentrando-se como uma artista em transe, a menina exteriorizou sua primeira obra de arte: um cocozinho lindo!

Larinha estava extasiada. Ela chamava a todos, queria que o mundo inteiro contemplasse atentamente a sua “obra”. Seus pais, emocionados, admiravam em lágrimas o feito da filha.

E quem se atreveria a dizer que aquilo não era uma obra de arte? Ali estava ele, o cocô, em exposição no piniquinho, sendo louvado e ovacionado por uma multidão de parentes ao redor.

Exatamente como um quadro de Picasso.

E antes que alguém me pergunte à razão de aquela “obra” ser uma grande obra de arte, eu respondo que sim, é uma grande obra de arte. Primeiro, porque saiu do interior de sua autora, e isso exige sensibilidade, virtude própria dos artistas.

E segundo, porque aquele cocozinho é a expressão máxima do maior anseio de Larinha: fazer cocô no piniquinho.

Dá-lhe Larinha, a grande artista. 



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Se manda, Valdívia!

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 08/06 09:04h

(*)Colunista Glenio Cabral

Recentemente o jogador Valdívia fez duras declarações depois de ter sofrido um sequestro relâmpago em São Paulo.

Em entrevista a um programa de TV, ele disse que não quer mais ficar no Brasil e que aqui se mata até por R$ 50,00.

Discordo do Valdívia.

 Por aqui não se mata por R$ 50,00. Por aqui se mata por R$ 10,00, por R$ 5,00 e até por um tênis de camelô. Aliás, por aqui se mata por nada, só pelo prazer de matar.

Por aqui, além de matar, também se  esquarteja a vítima (caso empresário Yorki ), se faz empadas com carne humana ( caso de canibalismo em Guarunhuns, Pernambuco ), se estupra e se degola uma menina de cinco anos ( caso maníaco de Ipirá, Bahia ), se esquarteja e lança os membros amputados pra cães esfomeados ( caso Bruno, ex-goleiro do Flamengo ), se assalta bancos no interior da Bahia ( caso que acontece todo dia), e por aí vai. Por aqui, o Fredy Cruguer de “A hora do pesadelo” ia ficar morrendo de medo.  

Quer saber? Valdívia tem razão em querer ir embora. Sua família foi sequestrada e ameaçada.  O sequestrador passou a mão nos seios da sua esposa.

Ele está com medo, assim como todos nós, brasileiros aterrorizados com a bandidagem desse país.

 Se manda, Valdívia! Volta pro Chile! Do jeito que as coisas vão por aqui, o Afeganistão parece um céu.



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Saudades do que não foi ( Para o Dia dos Namorados )

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 07/06 07:37h

É possível sentir saudades do que não se viveu? Eu diria que sim.

Isso acontece quando se descobre que poderia ter se vivido algo muito bacana, mas que, por alguma razão, não se viveu....

E pior, que poderia ter vivido se quisesse, era só uma questão de ter ido à luta, de ter dado a cara a tapa, mas por não ter tido coragem e iniciativa acabou não vivendo.   

E a coisa não rolou.

É um tipo de arrependimento pelo medo que não se combateu. E aí, amigo, a coisa é feia. Porque perder uma luta lutando, dando o máximo de si, é uma coisa. Mas perder por W.O...

É quando vem a saudade. A saudade do que poderia ter sido. A saudade do que não foi, mas tinha tudo pra ser. A saudade do que não se viveu, e não se viveu não por ausência total de possibilidades, mas por pura fraqueza de espírito.... 

É. A pior saudade não é aquela que chora pelo passado, mas aquela que chora pelo futuro. Pelo futuro que foi sepultado pelo medo, pela covardia, pela preguiça, pela indolência...

Quer um conselho? Aproveite esse Dia dos Namorados pra ir à  luta. Se declare, ora bola! Abra o seu coração! E lembre-se: nunca perca uma luta por W.O.  Isso deve ser de pirar o cabeção.
* Visite o www.cafecristao.com



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O inútil Novo Acordo Ortográfico

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 04/06 18:01h

(*) Colunista Glenio Cabral

Professores há dois meses em greve! Eis a situação dos alunos da rede pública na Bahia. Sem aulas há dois meses. 

E não me venham com acordos ortográficos, com Amigos da Escola ou firulas do tipo...  

São dois meses de greve! Mas quem está se lixando pros professores nesse país?! 

Sabe, tomei horror à palavra projeto. No Brasil tudo agora é projeto. Projeto disso, projeto daquilo, e agente enche a boca pra dizer que faz projeto. Na educação, então, nem se fala. 

Projeto coisa nenhuma! São dois meses de greve! Cadê os projetos salvadores da humanidade? Cadê? Cadê a verborragia politicamente correta de um país que é terceiro mundo e vive tirando onda de primeiro?

Dois meses de greve! 

Sabe como o Japão se reergueu da segunda guerra mundial? Investindo em educação. Pagando muitíssimo bem aos professores. Eles não fizeram um acordo ortográfico que não melhora em nada a nossa realidade.

Eles fizeram o que realmente era importante: investiram na educação, no magistério, no professor.

Mas aqui não. Aqui se vive criando projetinhos, manobrinhas, coisinhas bonitinhas, firulas sem sentido...tudo pra não fazer o que agente sabe que tem que ser feito. Resultado? Dois meses de greve!

Espero que chamem o Acordo ortográfico pra resolver este problema. Pra alguma coisa ele deve servir, né?


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Divagações sobre meu complicado nome‏

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 30/05 08:28h

(*) Colunista Glenio Cabral

Meu nome é Glenio. Que meu nome é diferente, isso eu sei. E que muita gente se atrapalha ao pronunciá-lo, isso eu também sei. Mas tem gente que pega pesado. 

Aqui em Jiquiriçá, cidade onde moro, tenho vários nomes. Todos decorrentes das dificuldades de pronunciar GLENIO. Um deles é ACLÉRCIO.

“Ô Aclércio, como vai?” “Cadê a esposa, Aclércio?”. E assim vai.

Aclércio pra lá, Aclércio pra cá, e de Aclércio em Aclércio muitos me conhecem aqui por este nome: ACLÉRCIO.

Até que é um nome bonitinho. Parece nome de imperador romano: Aclércio Primeiro...

Mas tenho outros nomes também. Tenho um vizinho que me conhece como ACLEITON. Acho que é uma derivação do ACLÉRCIO.

Há dois anos eu ouço toda manhã um carinhoso “BOM DIA, ACLEYTON”! E eu retribuo a gentileza.

Já dona Angélica, uma senhora que faz faxina aqui em casa, me chama de GLEDSON. “Ô seu Gledson, vai ter faxina hoje?” “Sim, dona Angélica, pode vir.”

Ontem mesmo ela me deu uma bronca daquelas: “ Seu Gledson, seu Gledson, essa casa tá uma bagunça! Juízo, seu Gledson!

E assim vai. Tem também o clássico “ seu BRENO”, o manjado “ seu CLEYTON”, e o mais recente e assustador “ GENIVALDO”. O que tem a ver Glenio com Genivaldo?!

Mas de todos os nomes, o que mais gosto é o que foi posto por seu Ataíde, meu encanador. Seu Ataíde me chama de “ Seu menino”. Ele é meio banguela e tem uma espécie de gagueira na voz.

Imagino que numa condição dessas pronunciar nomes como ACLEYTON, ACLÉRCIO, GLEDSON, BRENO, CLEYTON e GENIVALDO seja uma tarefa complicada. 

Então ele resolveu o problema: é “ seu menino” e não se fala mais nisso.

 

 

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O 'Dia do Colesterol'

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 19/05 15:45h

(*) Colunista Glênio Cabral

Só tenho comido coisa saudável ultimamente.  Pão integral, linhaça, fibras, etc, etc, e outros etcs sem gosto algum. Porque comida saudável é assim, não tem gosto de nada. Parece plástico.  O resultado é que, mesmo engolindo plástico, perdi peso e fiquei mais saudável. Eu disse saudável, não feliz.

Minha saúde não reflete o meu estado de espírito. Que, por sinal, anda raquítico! Ah, quer saber? Quero de volta meus entupidores de veias!!!

Preciso dos iogurtes coloridos, dos refrigerantes inúteis, dos churrascos e seus toucinhos, daquele Big Mac assassino que de vez em quando leva um infeliz pro hospital....AH, COMO EU AMO TUDO ISSO!

Já reparou que essas coisas não têm gosto de plástico? Têm gosto de vida, de coração batendo ( ou parando, claro)...sim, é comendo isso tudo e morrendo aos poucos que me sinto vivo! E que se dane o paradoxo!!

Sei que não dá pra comer essas coisas todo dia. Por isso criei o Dia do Colesterol. Nesse dia vou comer sem culpa e sem restrições aqui em casa. Será uma espécie de catarse culinária, quando vou comer de tudo sem inibições. Tudo será livre e sem culpa, da calabresa ao mocotó.

Você deve estar se perguntando por que escolhi uma quarta-feira pro meu liberou-geral comestível. É que na última quarta-feira eu acordei no meio da noite e fiquei vagando feito um psicopata esfomeado.

Abri a geladeira e só via aquela maldita comida saudável, aquela aveia zombeteira, a linhaça me esfregando a fome, os alfaces, os quentos, muitas folhas, folha pra caramba, todas elas rindo e me perguntando se eu era um boi pra comer aquele matagal todo.

Foi quando entrei em parafuso. Pirei. Caí no chão e, debatendo-me em agonia, declarei meu amor ao caruru, ao vatapá e ao sarapatel.

Quarta-feira vem aí. Será o primeiro Dia do Colesterol aqui em casa. Estou apreensivo. Mas feliz muito feliz. Será muito bom rever a gordurada toda de novo. Sempre achei que nessa vida não podemos perder os vínculos. Os vínculos precisam ser mantidos. Na quarta-feira estarei fazendo isso. E de água na boca.

 

 

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Cadê a Luíza, que tava no Canadá?

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 10/05 14:47h

(*) Colunista Glênio Cabral

Toda religião tem um lugar místico. O catolicismo crê no purgatório, um lugar pra purificação das almas. Os evangélicos creem no céu, o paraíso de Deus. E assim, cada religião tem seu “cantinho especial”.

Acontece que a internet também é uma religião. Afinal ela tem milhões de seguidores em todo o mundo. Então, qual é o “cantinho especial” da religião internet? O céu? O purgatório?  

Nada disso. Ele se chama OS-TRA-CIS-MO. Lembra da Luíza, aquela que estava no Canadá? Pois é, tá no ostracismo. Sumiu. Ninguém mais ouve falar.

É para o ostracismo que as “celebridades instantâneas” vão depois de uma, duas semanas de fama. Elas aparecem, causam estardalhaço, mas por não terem conteúdo de verdade...PUF! São sugados, arrebatados e abduzidos pelo maléfico ostracismo.  

O ostracismo é um buraco negro faminto que se alimenta de toda espécie de bobagens. E, convenhamos, não faltam bobagens na internet. Por isso tudo o que está na rede e não acrescenta nada a ninguém, é prontamente abocanhado por este monstro faminto.  

Cadê a Luíza? Ora, sumiu. Ninguém mais ouve falar. O ostracismo a abocanhou. E sabe de uma coisa? Ainda bem que existe esse lugar. Conviver por muito tempo com certas bobagens do youtube seria de matar. 

 

 

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Sou medíocre, com muito orgulho!‏

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 21/04 06:30h

(*) Colunista Glênio Cabral

O que é ser “esforçado”? No dicionário, ser esforçado quer dizer ser “diligente, aplicado, enérgico”. Mas no dia-dia a coisa pode ser diferente:

- Fulano é um bom aluno?

- Não, coitado, ele é só esforçado.

Traduzindo, Fulano é um aluno que tenta compensar sua falta de inteligência se matando nos livros, mas com poucos resultados…

Tem palavras que são assim. Grandes no significado, mas pequenas no uso cotidiano. Veja o caso de “simpático”, por exemplo. Simpático significa “agradável, aprazível”. Legal, não? Mas também pode ser usada assim:

- Fulano é bonito?

- Não, longe disso, no máximo é simpático.

Ou seja, não chega a ser feio, mas é quase isso. É uma espécie de “quase feio”, de “com esforço dá pra encarar”. É simpático.

Não sei se é seu caso, mas me considero um cara esforçado e simpático. Simpático porque não sou tão feio. Sou um quase feio, um salvo pelo gongo. Esforçado porque não sou gênio, mas também não sou nenhum estúpido.

Resumindo, sou medíocre, com muito orgulho!

Devíamos valorizar mais os medíocres. Ser medíocre é estar na média. É não ser bom nem ruim. É como tirar sete numa prova.

Dá pra passar, ora bolas!                               

 

 

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"Adeus, Mulher-maravilha!"

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 16/04 09:46h

(*)  Colunista Glênio Cabral

Ontem eu ouvi a conversa de duas meninas de seus 10, 11 anos de idade. Um trecho chamou minha atenção:  

- E aí, o que você quer ser?

- Quero ficar gostosona pra pegar uns caras ricos.    

 Céus.  

Quando eu era criança, nove entre dez meninas queriam ser como a Mulher-maravilha. É que a Mulher-maravilha reunia uma série de atributos desejados pelas mulheres da época. Ela era linda e sensual, mas de alguma forma não caía na vulgaridade. Também era inteligente e enfrentava os vilões muito mais com o cérebro do que com os músculos.

Ela também tinha fortes atributos morais. Sempre falava a verdade e tinha um laço mágico que estimulava as pessoas a serem sinceras também. Sensualidade, inteligência, sinceridade... esse era o desejo de consumo das meninas da época.

Mas hoje o negócio é ser da turma do “ão”. É ter peitão,  ter bundão, ter pernão, ter coxão, ter bocão....e tome frutas e legumes goela abaixo.

Mulher melancia, mulher melão, mulher jaca, mulher fruta-pão, mulher-jambo, mulher-jacarandá, mulher-maçã, mulher-mamão, mulher-cenoura, mulher filé (sim, o açougue deu as caras também), e por aí vai. Pois é. As virtudes foram parar na horta. E pelo jeito no açougue também.

Acho que se hoje a Mulher-maravilha enfrentasse a Mulher-Melancia numa luta ela perderia feio. Primeiro, porque grande parte da torcida estaria com a melancia. E segundo porque, num golpe certeiro, a melancia asfixiaria a Mulher-maravilha prensado-a em suas nádegas super-desenvolvidas.

Seria a vitória da bunda sobre a elegância.

Céus. 

 

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"O PIOR brasileiro de todos os tempos"

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 15/04 06:45h

(*) Colunista Glênio Cabral

Era só o que faltava! O SBT agora inventou a campanha “O maior brasileiro de todos os tempos.” A meu ver, algo totalmente sem sentido. Que história é essa de maior brasileiro de todos os tempos?

Que eu saiba o maior brasileiro é o próprio brasileiro. Sou eu, é você, somos todos nós! 

É o pai de família que paga os maiores impostos do mundo e não tem educação, saúde e segurança.

É esse povo sofredor, que não aguento  mais ver tanta bandalheira acontecendo em Brasília.

Mas eu tenho uma sugestão para o Silvio Santos. Meu caro Silvio, em vez de continuar com essa campanha irracional, substitua ela por uma bem mais sensata: “O PIOR brasileiro de todos os tempos”.

O critério de escolha seria muito simples: aquele cidadão que mais contribuiu para a bandalheira, deterioração e vergonha da nação brasileira.

A disputa seria acirradíssima. Pensei até em uns candidatos em potencial:

1. José Sarney

2. Xuxa Meneguel

3. José Dirceu

4. Faustão

5. Edir Macedo

6. Paulo Maluf

7. Jader Barbalho

8. Ronaldinho Gaúcho

9. Valdomiro Santiago

10. Pedro Bial (em sua fase Big Brother)

11. Revista Caras (na pessoa de seu editor )

12. Michel Teló ( Ah, se eu te pego...)  

13. etc, etc, etc...

E isso só pra começar. A lista é imensa, e o que não falta é gente que detona  nossa imagem dentro e fora do país. Sinceramente, o que me consola é que os piores não superam em quantidade os melhores. 

 Mas que fazem um estrago danado, ah, isso fazem...

 

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A Lei do Sorriso

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 18/03 10:45h

( Um conto de Glenio Cabral )

Era uma vez um país chamado Falido. Falido tinha esse nome porque todas as coisas nele andavam falidas. A saúde estava falida. A educação estava falida. A segurança estava falida. A moralidade então, nem se fala. E por mais que o povo pagasse os maiores impostos do mundo, continuava sofrendo nas filas dos hospitais, nos assaltos da bandidagem e no ensino medíocre da rede pública.

Mas havia algo engraçado em Falido. É que os seus governantes insistiam que Falido não estava falido. Eles diziam, por exemplo, que a segurança no país ia muito bem. Mas todo mundo sabia que em Falido a bandidagem é que mandava. Em Falido os bandidos não eram o poder paralelo, eram o poder oficial.

Os governantes também adoravam fazer troça sobre o ensino de Falido. Defendiam com unhas e dentes a qualidade das escolas públicas, mas eram incapazes de matricular seus filhos numa delas. Cômico, não?

Com a saúde, a mesma coisa. Elogios de um lado, mortandade do outro. E assim, de falência em falência Falido perdeu o seu bem maior: a alegria do seu povo.

O governo então se preocupou. Afinal, o mundo adorava a alegria de Falido. Essa alegria se manifestava nos seus carnavais, no seu futebol, na sua economia. Mas agora o povo estava triste e se recusando a sorrir. Era preciso fazer alguma coisa. 

Foi então que o governo teve uma ideia. Instituiria a Lei do Sorriso, uma lei que obrigaria todo cidadão a gargalhar pelo menos quatro vezes ao dia. Se o povo não ria mais espontaneamente, agora teria que rir à força pelo bem da imagem do país.

Imediatamente a lei foi votada e aprovada. E em linhas gerais ela dizia o seguinte:

1. Fica instituído que todo cidadão de Falido deverá rir pelo menos quatro vezes ao dia.
2. A explosão de felicidade ocorrerá nos seguintes horários do dia: 08:00 horas, 12 horas, 17:00 horas e 22:00 horas. Haverá fiscais da lei monitorando tais risos.
3. Pouco importa o que se esteja fazendo ou sentindo. A explosão de felicidade será obrigatória. Esteja você num velório, numa igreja, num motel ou numa escola, a gargalhada acontecerá e terá que ser convincente.
 

Depois que o decreto saiu, muitos Falidenses foram presos. É que muitos se recusaram a arreganhar os dentes por força da lei. Pessoas foram presas em pleno velório de entes queridos. Foram acusados de incitar a desordem por estar chorando em horário proibido. Outros foram presos por não saber contar uma piada de cor. Cartilhas de anedotas foram espalhadas pelo governo entre a população. Quem não soubesse contar uma piada nos horários do riso seria condenado a pagar uma multa por estimular a “falta de alegria”. E, nos casos mais graves, houve quem morrese fuzilado pelo crime de andar com a cara amarrada. Ser triste, portanto, tornou-se um crime hediondo. 

Com o tempo as pessoas foram cedendo à pressão do governo. E assim coisas estranhas começaram a ser vistas em Falido. Namorados, de coração partido, agora riam sem parar, mesmo tendo acabado a relação com a pessoa amada. É que o horário do riso os forçava a essa falsa alegria. Agora eles riam de desespero, de aflição, riam de uma tristeza profunda até morrer sem ar pra respirar. Morriam asfixiados pela alegria-dor.

Nos velórios a maquiagem dos defuntos indicava certo ar de alegria. Estavam mortos, mas seus lábios ligeriamente suspensos, indicando um sorriso forçado. Nos horários estabelecidos pela lei, todos, mortos e vivos expressavam felicidade por força da lei. E enquanto os sorridentes defuntos baixavam nas covas, os vivos agonizavam no chão gargalhando morbidamente.

Nos hospitais nem os bebês escapavam. Se chorassem ao nascer eram recolhidos e suas línguas arrancadas. O uso da expressão “bebê chorão” foi terminantemente proibido. Muitos bebês já nasciam amordaçados para o seu próprio bem.

Mas a Lei do Riso fez muito bem pra uma categoria: as hienas. Esses animais, risonhos por natureza, se tornaram as grandes divulgadoras da Lei dos dentes arreganhados. Rapidamente o bicho virou uma espécie de garoto propaganda do governo, e nas campanhas publicitárias a imagem do animal invadia escolas, hospitais, famílias, toda nação. Falido, portanto, ria feito uma hiena.

O governo conseguiu o que queria. As imagens de uma população em êxtase foram transmitidas para todo o mundo. Falido voltou a ser visto como um país de gente feliz, alegre e bem humorada. Um país de gente que rir como uma hiena, apesar dos pesares. E assim é visto até hoje. Mas essa imagem logo cai por terra quando um turista pisa os pés em Falido. Pois quando um gringo dá as caras por aqui, ele percebe no olhar de cada falidense uma alegria de fantoche. Uma alegria imposta, forçada, pra inglês ver. E descobre que apesar das gargalhadas que por aqui se dá, há um choro contido que é muito mais forte e verdadeiro. E entende que toda aquela propaganda do povo feliz que é vendida lá fora é na verdade um grande circo armado, um circo que tem como palhaços histéricos nós, o pobre e triste povo falidense. Porque em Falido, só as hienas riem de verdade.

 

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O Flato

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 27/01 16:56h

(*) Glenio Cabral

Sou um flato, também conhecido como pum. Estou preso nas paredes intestinais desde ontem, quando o dono deste intestino comeu uma baita de uma feijoada. Que eu me lembre desceu de tudo, de tocinho de porco até petiscos misturados com bebida. A combustão estomacal foi furiosa e acabei nascendo no meio de toda essa gororoba.    

Gostaria de dizer que a liberdade é um direito de todos. Liberdade de expressão, de pensamentos, de opinião, de tudo. Ocorre que a liberdade dos gases intestinais vem sendo podada ao longo dos séculos. Temos sido reprimidos, sufocados, trancafiados! E tudo isso por quê? Porque alguém achou que minha presença na atmosfera é indesejada. Indesejada uma ova! O que eu fiz pra merecer este confinamento? Já matei alguém, por acaso? Já roubei, já ofendi, já desviei verbas públicas, já fiz coisas horríveis por aí? Sou um flato honesto e de boa índole, nunca prejudiquei ninguém nessa vida.

Há quem diga que mereço esta prisão por causa do meu cheiro. Ora, meu cheiro é resultado de processos químicos envolvidos na digestão. Não sou eu quem escolhe o meu cheiro, e sim as pessoas quando comem o que comem. Só me faltava essa, o cidadão se empanturra de feijoada e quer que eu cheire a quê, a alfazema, por acaso?!

Se há um fato (não um flato) a ser dito sobre os flatos é que eles são gases persistentes e não desistem nunca! Por isso nesse exato instante milhões de gases intestinais estão organizando uma grande manifestação em prol da sua libertação. A idéia é fazer uma revolução no dia Sete de Setembro, dia da Independência do Brasil. Nesse dia, logo após o almoço flatos do mundo inteiro estarão lutando bravamente pra sair de suas prisões intestinais. Será uma ação integrada, mal cheirosa e organizada. Todos os gases, unidos e de uma só vez, sairão à força de suas prisões provocando um barulho grave e espremido. E assim, tomados pelo espírito de D. Pedro Primeiro, ergueremos juntos a espada da justiça e proclamaremos a uma só voz:   

“Independência ou Pum!” 

 

 Glenio Cabral é administrador de empresas e pós-graduado em Gestão de Pessoas.  Também é idealizador e colunista do site www.cafecristao.com

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Coisas Grotescas

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 18/11 05:22h

(*) Glênio Cabral

Qual foi a coisa mais grotesca que você já viu na vida?  Braços amputados? Imagens do holocausto judeu? Crianças esqueléticas em algumas regiões da África?

Ontem à noite me deparei com algo grotesco. Estava dirigindo meu carro quando percebi que havia um cachorro bloqueando o caminho. Chovia bastante, mas dava pra ver que o bicho tinha alguma coisa na boca. Imaginei que fosse um saco de lixo, mas estava errado. Era maior, meio amarronzado... Meu Deus.

O cachorro tinha uma cabeça de porco na boca! Um cabeção, diga-se de passagem. Com orelhas, focinho, olhos e um sorriso cínico nos lábios. Uma cabeça completa, sem tirar nem por.

Gelei. Era noite, chovia bastante e havia um cachorro com um cabeção de porco impedindo minha passagem. Como aquilo foi parar ali?! O cão devia ter pegado num açougue, só pode... Enquanto olhava pelo retrovisor aquela cena horripilante, lembrei-me de outros fatos grotescos. Aliás, mais grotescos que o que acabara de ver. Lembrei-me, por exemplo, das denúncias de corrupção que invadem os bastidores da política nacional. Desvios de verbas públicas, ausência de ressarcimento ao erário, quedas de ministros, panos quentes... E o mais engraçado é que nada disso me deixa enjoado. Nunca vomitei por isso. O que realmente mexe com meu estômago é o cabeção do porco.

Lembrei-me também do caos que assola a segurança pública, dos traficantes que invadiram uma escola trocando tiros com a polícia, das obras para a Copa do Mundo que só acontecem por causa da Copa (e não por causa do povo) e ainda assim, pasme: não senti nojo de nada. Só o que me enoja é o cabeção do porco.

Então concluí que o brasileiro precisa sentir mais nojo das coisas. Sim, precisamos vomitar com gosto diante de tantos descalabros. Talvez devêssemos até criar o Dia Nacional do Vômito Coletivo, quando todos nós, enojados cidadãos, vomitaríamos nossa insatisfação diante de tanta bandalheira explícita. Pensei até num tiro grito de guerra bem sugestivo para a ocasião: BLEARGHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!

De repente notei que o cabeção do porco me encarava pelo retrovisor. Seus olhos de defunto pareciam estranhamente vivos, e sua boca balbuciava um discreto “APOIADO!!!”. Satisfeito, o porco piscou pra mim. E eu educadamente pisquei de volta.



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Passando só um tempinho...

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 13/11 06:08h

(*) Glênio Cabral

Lembro-me de um teste de aptidão que a gente fazia antes de prestar o vestibular. O teste servia pra nos orientar com relação as nossas aptidões, a fim de escolhermos a profissão certa, de acordo com nossos dons e talentos.     

Hoje aptidão não interessa mais. Nem sei se esse teste existe ainda. Dia desses um colega me disse que faria o concurso da policia militar porque não tinha coisa melhor pra fazer.  A única razão pela qual ele faria o concurso era o fato de estar desempregado. Ou seja, ele ia ficar na polícia só até conseguir uma coisinha melhor. Isso mesmo, a palavra que ele usou foi “coisinha melhor”. Aptidão? Sabemos que muitos policiais exercem sua profissão porque são vocacionados. Mas também há outros que só estão policiais porque uma coisinha melhor ainda não apareceu. Será que um policial hoje em dia é policial por aptidão, por orgulho de sua profissão, porque nasceu pra ser policial? Ou o próprio Estado dificulta esse sentimento de realização não concedendo a esse profissional um salário digno e uma boa estrutura para o exercício de suas funções?  

 Na educação as coisas não são diferentes. O que não falta é professor desesperado pra deixar de ser professor. Conheço muitos que estão apenas passando um tempo na sala de aula até conseguir uma coisinha melhor. Sei de professores que olham pra seus alunos e se perguntam “até quando, meu Deus?”. Também não é pra menos. Hoje em dia o professor brasileiro recebe um salário de miséria e em muitas situações se sente ameaçado e é até agredido no ambiente escolar. Dá pra ter aptidão por algo assim? O jeito é só passar um tempo até uma coisinha melhor aparecer...

 O segredo pra que setores estratégicos de nossa sociedade voltem a funcionar bem é fazer com seus profissionais sintam prazer e orgulho de trabalhar onde estão. E isso significa providenciar mais segurança, melhores salários (maiores, bem maiores mesmo) e condições de trabalho realmente dignas. Professor não pode apanhar em sala de aula, pelo amor de Deus! Um país que admite que seus mestres sofram agressões enquanto lecionam é um país medíocre em todos os sentidos.

Não adianta nada essa coisa de apresentar dados estatísticos que provam que o caos não é caótico. O caos é caótico sim, e está plenamente incorporado ao dia-dia dos brasileiros. O caso é que agente está tão acostumado com a bandalheira (que não é de hoje) que já nem se espanta mais com o absurdo. E é por essas e outras que profissionais sérios e competentes estão só passando um tempinho nas suas profissões. É só até conseguir uma coisinha melhor, porque quando conseguem mandam tudo às favas... e com toda razão.    



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Nova cartilha contra roubos

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 22/10 10:59h

(*)Glênio Cabral

Como na Bahia muita gente tem sido assaltada na porta de casa, resolvi elaborar uma cartilha chamada CARTILHA CONTRA ASSALTOS DOMÉSTICOS. Esta cartilha busca ajudar o cidadão de bem a se proteger desse tipo de violência cada vez mais comum em nosso estado, adotando medidas simples e seguras. Vamos a elas: 

Bater papo com o vizinho na rua está proibido. Bandidos podem chegar justamente nessa hora.  É melhor se trancar dentro de casa e abdicar de todo contato social. Dentro de casa você pode estudar, dormir, ir ao sanitário, fazer qualquer coisa... só não me invente de sair pra papear. É muito perigoso.  

 Nada de colocar o lixo no passeio. O bandido pode aparecer nessa hora! A orientação agora é arremessar o lixo por cima do muro. Se alguém estiver passando na hora e receber o lixo na cara, paciência. Estava na hora e no lugar errado. O importante é não por os pés na rua.    

 Ao sair de casa, saia sempre camuflado. Usar uma fantasia de árvore é uma boa opção. Árvores chamam pouca atenção. Outra possibilidade é sair latindo de quatro e balançando o rabinho. Há muitas lojas que alugam fantasias de cachorros. Se puder voar, se vista de bem-te-vi e saia assobiando por aí.  Bandidos respeitam muito mais animais do que seres humanos.

  Por falar em animais, tenha sempre um cão de guarda em casa. Dê preferência os mais ferozes, como Rottwiler e Dog Alemão. Se não tiver como manter um bicho desses em casa, então finja ser um.  Aprenda a latir, e latir com força. Aproveite e compre uma coleira pra usar no pescoço também. O importante é que os bandidos saibam que há um cão feroz em casa, ainda que esse cão seja você.

 Por fim, sorria! Bandidos acham que pessoas que tem dinheiro andam assustadas e de cara fechada. Na mente dos bandidos isso acontece porque os ricos vivem preocupados por terem muito dinheiro. Então sorria! Bandidos não se sentem atraídos por pessoas sorridentes. Por isso se não tiver razão alguma pra sorrir, ainda assim escancare a boca numa explosão de falsa felicidade. É melhor sorrir sem razão do que depois ter motivos reais pra chorar.



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O Maníaco de Ipirá

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 26/09 11:38h

Certa vez escrevi um artigo manifestando meu desejo de ir morar na lua. É que eu não aguentava mais a vida nesse planeta, um planeta cada vez mais submerso no caos. Cheguei até a organizar uma caravana pra lua, e muita gente manifestou o desejo de ir também. Mas então os EUA puseram fim aos seus programas espaciais e tive que me conformar em ficar por aqui mesmo.

Já estava até me acostumando com essa caótica vida terrena, quando mais uma vez um desejo intenso de sair daqui me invadiu. Dessa vez motivado pelo mapíaco de Ipirá, um cidadão que matou, degolou, retirou as vísceras e estuprou uma menina de apenas quatro anos de idade, na cidade de Ipirá, Bahia. Proprietário de um estúdio Gospel, o maníaco já se preparava pra deixar o país quando foi surpreendido pela ação da polícia. A população, claro, quis fazer picadinho dele. Mas a polícia chegou a tempo.

Agora a pergunta que faço é: o que vou fazer agora? Acabei de me casar e pretendo ter filhos. Mas ao saber de um fato assim, a palavra “ vasectomia” começa a soar vigorosamente em meus ouvidos. Vale a pena ter um filho num mundo assim? Num mundo onde uma criança de quatro anos atira contra uma professora e depois se mata com um tiro na cabeça? Num mundo onde um maníaco invade uma escola no Rio de Janeiro e mata a tiro onze crianças? Num mundo onde guerras, chacinas, pestes, doenças, miséria, violência e barateamento da vida estão macabramente incorporados ao nosso dia-dia?

Soube de uma criança que depois de assistir a um telejornal resolveu voltar ao ventre materno. Ela queria volta pra barriga de sua mãe, negava-se a continuar existindo neste mundo falido. A mãe, sem saber o que fazer, disse-lhe que isso era impossível, que não dava pra “desnascer”. Então a criança, em prantos, disse:

“Por que então a senhora não me perguntou se eu queria nascer?”

Esse é o problema de se ter filhos hoje em dia. Eles podem se arrepender de ter nascido quando descobrirem em que mundo estão vivendo. 




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Morrer... Um direito de todos!

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 18/09 19:06h

(*) Glênio Cabral

Dia desses um velho conhecido me veio com essa: “Eu quero morrer, mas tô sem grana.” Tomei um susto. Que história é essa, perguntei-lhe. E ele me explicou. Meu amigo é um cidadão que sobrevive às custas de um salário mínimo. Ele disse que não agüentava mais essa vida, que estava cansado de viver no Brasil, esse país que nunca lhe deu o mínimo de educação, segurança e saúde. Logo percebi que o desânimo invadira a sua alma e tentei reanimar-lhe. Falei que as coisas iram melhorar, que todo mundo passa por dificuldades nessa vida, que só não tem jeito pra morte...e foi aí que ele desabou de vez.   

“Pois até o direito de morrer esse país me tirou”, berrou o infeliz. Meu amigo disse que já estava sentindo que seus dias se findavam. “Agente sente quando está para partir”, contou-me. Estava convicto de que iria morrer a qualquer momento e por isso resolveu apressar os custos do próprio funeral. Visitou diversas casas funerárias da cidade, procurando se informar a respeito das despesas inerentes a sua morte. Depois de dois longos meses de profunda pesquisa, concluiu deprimido que teria que adiar sua viagem para o além. Morrer estava caro demais.   

Ele descobriu que o famoso “paletó de madeira”, o caixão, hoje em dia não sai por menos de R$ 1.000,00. Mas como poderia comprar o derradeiro paletó recebendo apenas R$ 545,00 por mês? Ele também descobriu que há vários outros custos que envolvem um enterro, como o aluguel do velório, a taxa para enterrar, o valor do jazigo, a coroa de flores, a arrumação do defunto e mais um monte de coisinhas fúnebres. Em suma, morrer pra ele, mesmo sendo um “defunto barato”, não sairia por menos de R$ 2.500,00.

Agora entendo a sua dor. Apesar de sempre ter pagado seus impostos, muitos dos seus direitos foram subtraídos ao longo de sua vida. Tiraram-lhe o direito de ter uma boa educação. Surrupiaram-lhe o direito de ter uma saúde de qualidade. Afanaram-lhe o direito de viver com segurança. E agora, tiravam-lhe o direito até de poder morrer. 

Meu amigo é um homem íntegro e honesto. Sempre pagou suas contas em dia. Jamais aceitaria descer à cova como um defunto “inadimplente.” Não, esse futuro defunto tem muita vergonha na cara. Por isso ele resolveu espichar sua vida por mais algum tempo, só até conseguir o dinheiro pra tão sonhada morte. Até lá, terá que continuar vivendo sem educação, saúde e segurança, assim como milhões de outros brasileiros. Uma coisa é certa: morrer agora virou artigo de luxo, coisa só pra bacana. Já dizia minha avó: luxo só tem quem pode manter. Por isso a partir de agora pobre está proibido de morrer. Isso não lhe pertence mais. 

 

 

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Um feto que não quer nascer

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 19/07 16:31h

(*) Glênio Cabral

Há nove meses to dentro da barriga de mamãe. Isso aqui é uma maravilha. Vida de feto é outra coisa, pode crer. Mas infelizmente essa mamata já ta acabando. Mamãe começou a ter contrações e parece que vou nascer a qualquer momento. Mas eu não quero nascer. Na verdade, me recuso a nascer. Nascer pra que? Pra viver nesse país chamado Brasil?     

Não quero nascer num país onde os bueiros estão voando. No Rio de Janeiro os bueiros pensam que são pássaros. De uma hora pra outra resolveram alcançar as estrelas. O problema não é a subida, mas a descida. Um bueiro em queda livre pode transformar alguém em panqueca. Não quero nascer num país onde os bueiros pensam que são andorinhas.

Também não quero nascer num país onde lixo hospitalar costuma ser jogado em aterros sanitários. Em vários estados do Brasil, seringas usadas, roupas ensangüentadas, algodões usados e mais um monte de lixo de hospital é jogado em meio ao lixo comum. Em vez de tratar e separar esse material perigosíssimo, o poder público permite o seu descarte nos lixões da vida. Gatos comem nos lixões. E gatos freqüentam casas de pessoas. O resultado disso é terrivelmente previsível.

Não quero nascer num país onde a saúde pública é uma piada. Se eu nascer no Brasil, terei que pagar um plano de saúde porque não posso confiar na saúde oferecida pelo estado. Pra que? Pra morrer a míngua na fila de um hospital? Pra ser atendido quando já estiver enterrado e sendo decomposto por parasitas? E se eu não puder pagar um plano de saúde, o que farei? Simples: permanecerei aqui dentro. Na barriga de mamãe tenho saúde de graça. 

Não quero nascer num país onde serei obrigado a pagar os maiores impostos do mundo pra ter um monte de coisas que nunca terei. Pagarei impostos pra ter saúde de qualidade, e não terei. Pagarei impostos pra ter segurança, e não terei. Pagarei impostos pra ter educação e não terei. E ainda assim, pagarei impostos até morrer. Aqui dentro não pago porcaria de imposto nenhum e tenho tudo isso de graça. Nascer pra que?

Está decidido então! Não vou nascer! Ficarei na barriga de mamãe sem pagar imposto nenhum, e ainda assim terei saúde de qualidade, educação e segurança. E sabe por quê? Porque no útero materno não tem essa raça desprezível chamada corrupto. Aqui dentro, o que mamãe me envia pelo cordão umbilical chega até mim, sem nenhum tipo de desvio. Mas espere! O que essas mãos estão fazendo aqui dentro? Estranho, elas parecem vir em minha direção! Estão me agarrando, me puxando pra fora! Oh, não, são as mãos de um médico! Mamãe entrou em trabalho de parto e tem um médico tentando me fazer nascer! Sai pra lá, seu médico! Sai pra lá! Não quero nascer nesse país, me recuso a nascer nesse país! Daqui não saio daqui ninguém me tira! 

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Fazer xixi em locais públicos: Uma lástima

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 27/06 14:30h

(*)Glênio Cabral

Meses atrás uma notícia deixou muita gente de cabelo em pé em Salvador: o xixi de certos mal educados estava corroendo postes e viadutos da cidade!  Até então a estranha obsessão de certos indivíduos em urinar em locais públicos era encarada apenas como uma tremenda falta de educação. No entanto, imagens que mostravam postes e viadutos prestes a cair provocaram medo e apreensão. Mas nem tudo é má notícia. Em tempos de exploração de fontes alternativas de energia, o consolo é que podemos ganhar muito com esse hábito nada educado, bastando pra isso termos visão mercadológica. Senão vejamos:

  1. 1.       Verificada a capacidade corrosiva da urina de alguns cidadãos, podemos transformá-la em produto bélico de exportação para países do Oriente Médio que vivem em guerra. Uma urina que corrói viadutos não deixa nada a desejar quando o assunto é destruição em massa.
  2.  
  3. 2.       Diferente do pré-sal, que necessita de grandes investimentos em pesquisa e tecnologia para ser extraído do fundo do mar, o custo da extração desse xixi é zero. Basta mijar. 
  4.  
  5. 3.       O xixi desses indivíduos abriu novos horizontes com relação a técnicas de implosão. Fontes afirmam que a implosão da Fonte Nova, por exemplo, contou com a colaboração de 1000 mal educados urinando ao mesmo tempo nos arredores do estádio. Enquanto esvaziavam suas bexigas, o estádio vinha ao chão. 
  6.  
  7. 4.       A institucionalização da urina como arma bélica também traria mais segurança aos indivíduos que urinam em locais públicos. Caso fossem assaltados, xixi nos bandidos!  Xixi na bexiga não exige porte de arma.
  8.  
  9. 5.       Com o tempo, o xixi seria totalmente aromatizado. Através de procedimentos químicos nada danosos à saúde, a urina passaria a ter cheiro de hortelã, lavanda,  alfazema e outros. Seria o fim do mau cheiro nas festas de largo da capital.

 O fato é que certos hábitos são uma afronta a civilidade. Fazer xixi em locais públicos é um desrespeito às pessoas e aos patrimônios urinados. Apenas os cachorros têm esse direito, e eles são irracionais. Mas se uns demonstram desrespeito urinando por aí, outros fazem isso desviando verbas públicas nos altos escalões do governo. Ainda acho que um mijão é menos danoso a sociedade do que um corrupto.

 

 

 

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Um dia dos namorados diferente

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 05/06 16:43h

(Glênio Cabral)

No dia 12 de Junho de 2010, eu e minha namorada procurávamos um lugar pra jantar em Santo Antônio de Jesus. Saímos de casa às 20:30h, na certeza de que em poucos minutos estaríamos sentados num bom restaurante. Então entramos em um deles. Ou melhor, tentamos entrar. Pra nosso azar o estabelecimento estava superlotado, com pessoas entrando pelas janelas e outras aguardando na fila de espera. "Tudo bem", eu disse. Vamos procurar outro restaurante".

Minutos depois já estávamos aos empurrões tentando entrar em outro local. E assim como no restaurante anterior, casais disputavam com ferocidade o mesmo espaço. Lembro-me que fomos em direção a uma mesa que aparentemente estava vazia, quando fomos surpreendidos por rosnados. Isso mesmo, rosnados. No início pensei que algum tipo de fera estava à solta no local. Um leopardo, talvez. Mas depois percebi que eles vinham de um casal humano, que rosnava pra nós reivindicando a mesa que pensávamos estar vazia. Acabei saindo de lá rosnando também, e pirado da vida disse pra minha namorada: "Vamos procurar outro lugar."

E procuramos. Procuramos em dois, três, quatro e nem sei mais quantos restaurantes da cidade, e nada... Todos lotados, com casais amontoados, estressados e rosnando por todos os lados. Aí, me bateu o desespero. Primeiro porque me senti culpado por não ter reservado uma mesa com antecedência. E segundo porque a essa altura minha namorada já estava com um bico que mais parecia uma tromba de elefante. Foi então que tive uma idéia:  

"Vamos pra lanchonete da rodoviária!"

A lanchonete da rodoviária fica sempre aberta, e a julgar pela nossa situação parecia ser a única opção que tínhamos. E lá fomos nós pra lanchonete da rodoviária. Chegando lá, fomos muito bem atendidos. Nada de pessoas aglomeradas e dispostas a brigar por mesas escassas. O recepcionista logo percebeu nossa situação e tratou de nos acalmar. Ele nos disse que outros cinco casais já haviam passado ali pelos mesmos motivos, o que diminuiu um pouco o meu sentimento de culpa. O fato é que minutos depois já estávamos saboreando um delicioso pastel de queijo, regado a suco de laranja e refrigerante. Romântico, não? Acho que minha namorada pediu um americano e um bauru também. E se eu não me engano encerrei a noite com uma banana real.  

      Naquela noite aprendi o óbvio: tudo é perfeito quando se está com a pessoa certa. Ao lado de quem se ama até mesmo uma banana real pode se tornar um manjar dos deuses. Um ótimo Dia dos Namorados a todos! E muito obrigado a competente equipe da Lanchonete da Rodoviária, que nos atendeu com educação, competência e sem rosnados.

 

 

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Tenho orgulho de não ser um animal

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 25/05 16:12h

(*) Glênio Cabral

Somos seres humanos, certo? Certo. Temos orgulho disso porque somos seres racionais, certo? Certíssimo. Como seres racionais, estamos muito a frente das espécies, não estamos? Claro que estamos. No entanto, cientistas afirmam que nós, seres humanos, também somos animais. Será? Eu discordo. Pra provar que não somos em nada parecidos com esses quadrúpedes inferiores e irracionais, apresento agora uma lista de itens que provam que nós, seres humanos, somos totalmente diferentes deles. Vamos a ela:

  1. Animais não praticam corrupção nem desvio de verbas públicas. Isso é coisa do homem, que prova sua superioridade intelectual criando tramóias mirabolantes para obter vantagens mesquinhas.

 2. Animais não matam, não esquartejam e nem dizimam a própria espécie. Esse tipo de selvageria é típica do homem, como nos mostram o Rei das Bermudas, de Amargosa, o ex-goleiro do Flamengo, Bruno, e o louco atirador Wellington, do Rio de Janeiro.

 3. Animais não constroem bombas nucleares nem armas letais pra que milhões de pessoas morram de uma só vez. Na mente de um bicho, só mesmo uma criatura irracional faria algo assim.

 4. Animais não fazem prisioneiros de guerra e nem os torturam com requintes de crueldade. É bom lembrar que Hitler, Bin Laden, Bush, Sadan Hussein e tantos outros maníacos que já morreram ou que estão prestes a nos fazer esse favor ( o mais rápido possível, de preferência ) andavam sobre duas pernas, e não sobre quatro patas.

 5. Animais não poluem o meio ambiente. Só o ser humano faz isso, pois com sua magnífica inteligência constrói fábricas e produtos que mais tarde farão com que morra de câncer ou fique vegetando por causa de alguma doença degenerativa.

 6. Animais não mentem, não fofocam, não sentem prazer no sofrimento alheio, não abusam sexualmente de crianças, não cantam músicas com letras esdrúxulas (que visam a deseducação do povo), não espancam suas companheiras, não matam por dinheiro, não brigam por divergências no futebol, não se espancam numa partida de dominó, não se tornam completamente idiotas e desprezíveis quando enchem a cara e não fazem inimizades por causa de política.

 Eu não disse? Somos totalmente diferentes dos animais. Ainda bem que somos seres humanos!         

 

 

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A MORTE DE BIN LADEN E A RENÚNCIA DO SUPER-HOMEM

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 06/05 17:21h

(*) Glênio Cabral

Por essa nem o mais ferrenho dos socialistas podia esperar: o Super-homem acaba de renunciar a sua cidadania americana. Vamos aos fatos. O Homem de Aço é um dos maiores símbolos da cultura norte-americana. Criado na década de 30 pra reforçar os valores dos Estados Unidos em tempos de guerra, o herói azulado é a grande personificação do patriotismo do povo da América do Norte.  Ocorre que nos últimos dias algo inusitado aconteceu. Na revista em quadrinhos Action Comics de número 900, em que o Super-homem é protagonista principal, o herói disse com todas as letras que não gostaria mais de sustentar uma cidadania americana. A decisão deu-se após o herói perceber que "ser americano" atrapalhava suas pretensões de combater o crime ao redor do mundo, já que em todo o planeta um clima antiamericano se faz presente. Como já era de se esperar, as declarações do herói ( que nem mesmo existe ) provocaram reações indignadas por parte de diversos setores da sociedade americana.  Houve até quem exigisse que voltasse para Kripton...

Coincidência ou não, a polêmica causada pelo Homem de Aço surge em meio a um tsunami internacional: a morte do terrorista Bin Laden. Em declarações à imprensa, o governo do Paquistão disse ter sido surpreendido com a ação não autorizada do governo americano em solo paquistanês. Como já se sabe, vinte soldados da marinha americana invadiram o espaço aéreo do Paquistão sem autorização prévia do governo local e mataram o terrorista Bin Laden na cidade de Abbottabad, a 50 kilômetros da capital do país. A ação, intitulada " Operação Gerônimo", deixou o governo do Paquistão numa saia pra lá de justa, já que surgiram rumores de que o país estaria acobertando o terrorista durante todo esse tempo. Uma coisa é certa: os Estados Unidos da América violaram a soberania de um estado como se estivessem fazendo um piquenique num parque de diversões. Simples assim.

O que temos aqui são duas situações complicadas. De um lado um Super-homem com tendências megalomaníacas, praticamente um Hitler de colante vermelho e azul que se coloca na condição de salvador do mundo e que deseja ampliar consideravelmente seu campo de atuação, atualmente restrito aos quadrinhos americanos. Não foi a toa que ele renunciou a sua cidadania. Assim o herói pretende ser aceito como um ser "mundial", totalmente livre das restrições territoriais e culturais tão comumente impostas pela nacionalidade. Agora, permita-me uma pergunta: quem esse super-herói pensa que é,  afinal? Jesus Cristo? Quem foi que o elegeu salvador do mundo e príncipe da paz? Pra mim ele está muito mais para o anticristo do Apocalipse.

Do outro lado temos a maior potência do mundo desrespeitando aberta e escandalosamente todas as normas e tratados internacionais para saciar sua sede de vingança. Aliás, as Nações Unidas não se cansam de enfatizar o repetitivo discurso de que "todos os atos contra o terrorismo devem respeitar o direito internacional". Na prática, não é o que acontece. E como tudo o que já está ruim pode vir a piorar, no anonimato dos bastidores um presidente tira proveito de toda a situação para garantir a sua permanência na Casa Branca.  Trágico, não?

O combate ao terror deve persistir o tempo que for necessário, mas é imprescindível que todas as normas do direito internacional sejam respeitadas e preservadas. Fugir disso é mergulhar de cabeça numa barbárie sem precedentes, abrindo as portas para o jeito medieval de "administrar conflitos". Por isso a ação americana no Paquistão deve ser encarada como um ato de terrorismo também. Não se pode simplesmente invadir o espaço aéreo de um país como se o mesmo fosse o quintal do vizinho. O governo de Washington continua insistindo em achar que pode fazer o que der na telha pelo fato de ser a maior potência econômica do planeta. Não custa nada lembrar que a Alemanha Nazista também tinha pensamentos similares quando espalhou o terror pelos quatro cantos do mundo. Pessoalmente, não sentirei a menor falta de um terrorista que matou mais de três mil pessoas no inesquecível 11 de setembro.  Mas do jeito que as coisas vão indo, me pergunto se hoje o perigo maior hoje não está no Ocidente.  

     

 

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A BOLHA DE SABÃO

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 24/04 14:22h

(*) Glênio Cabral       

   Sou uma bolha de sabão, e acabo de nascer. Meus pais, a água e o sabão, costumam fazer bolhinhas como eu sempre que se unem. Sou fruto do ímpeto amoroso entre os dois.

         A vida de uma bolha de sabão dura apenas alguns segundos. Instantes depois que nascemos, fazemos "Ploc" e damos adeus à existência. É um processo indolor, esse de estourar. Ao menos é o que eu acho.  

          Não é a toa que procuramos aproveitar ao máximo o período que antecede ao "Ploc", conhecido como período "Pré-ploc". Algumas de nós fazem isso flutuando pelo ar. Eu, por exemplo, sou uma dessas. Neste exato momento estou sobrevoando uma sala de estar, onde um feliz vovô acaba de dar a sua netinha um brinquedo que faz bolhinhas de sabão. O vovô não se cansa de soprar e fazer dezenas de nós voarmos pela sala, pra alegria de sua neta de olhos esbugalhados. E ela faz "Ploc" em cada uma de nós. Que lástima.

             Apesar do pouco tempo de vida que temos,   as bolhas de sabão podem se apaixonar. Isso é bastante comum, e muitas de nós são flagradas aos amassos a céu aberto. Quando uma bolha se sente atraída por outra, elas se unem, se entrelaçam e se tornam uma só. E assim, atravessam todo o período "Pré-ploc" no auge da paixão até explodirem de prazeres segundos depois. É o que chamamos de "Ploc do amor".

           Infelizmente eu não me apaixonei. Mas o que importa? Considero-me uma bolha de sorte, de muita sorte. Afinal, serei sempre lembrada como a única bolha de sabão que revelou ao mundo que até nós, as bolhas, fazemos amor.   

Vejo agora que a linda netinha do vovô vem em minha direção. Ela deseja me tocar, assim como fez com todas as outras bolhas que fez "Ploc" segundos atrás. É o fim. Adeus, vida... A netinha se aproxima para estourar a única bolha cronista de que se tem notícia: eu. Será que sentirei dor?   

"PLOC!"

 

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Minha Invenção e o Maníaco de Realengo

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 07/04 10:09h

(*) Glênio Cabral

Acabo de ter uma grande idéia: vou inventar um Detector de Intenções. Será uma engenhoca muito parecida com o já popular detector de metais, com uma diferença básica: minha invenção não detectará armas, e sim intenções maléficas escondidas nos terrenos mais sombrios dos corações humanos.

        Sei que minha invenção seria de grande utilidade para os nossos dias. Massas de fiéis, por exemplo, poderiam exigir que seus líderes religiosos passassem pelo detector de intenções pra constatarem o que está por traz de suas mensagens de fé. Se o alarme disparasse, apareceria a seguinte mensagem no painel do aparelho: "Esse cidadão carrega em seu coração o desejo mesquinho de enriquecer às custas dos fiéis." Pronto. O larápio metido a guru seria desmascarado e prontamente exposto ao ridículo.

        O congresso nacional também poderia colocar um aparelho assim na sua entrada. O problema é que desconfio que se isso acontecesse minha pobre engenhoca não faria outra coisa senão apitar, apitar e apitar... e apitaria tanto que acabaria sofrendo uma sobrecarga de energia, vindo a explodir em mil pedaços. Não quero ser acusado de ter explodido o Congresso Nacional.  

       Cerimônias de casamento também poderiam usar o tal aparelho. Ele seria colocado estrategicamente no local em que o casal diz "sim" ao desejo de se tornar "uma só carne". Se o aparelho disparasse, é porque um dos dois não estaria interessado em apenas "uma só carne".  Mas em duas, três, quatro... deixa pra lá. 

        O fato é que minha invenção não passa de um desejo abstrato de minha imaginação, o que é uma pena. Estou certo de que se ela já fosse uma realidade a tragédia de Realengo, por exemplo, não teria acontecido. Se minha engenhoca estivesse na entrada daquela escola, dispararia furiosamente o alarme assim que Welington, o psicótico que matou 13 crianças a tiros, tivesse passado por ela. E no painel eletrônico da máquina apareceria a seguinte mensagem: "Esse cidadão carrega em seu coração um intenso desejo de matar crianças." Pronto. Ele seria detido, entregue às autoridades e julgado por ter apenas desejado matar.

      As grandes tragédias humanas só acontecem porque antes são desejadas nas mentes e nos corações. Tudo começa nos recônditos da alma, onde o Código Penal não tem acesso. Ninguém pode ser preso ou punido por sentir ou desejar algo, por piores que sejam tais pensamentos. As leis atuam apenas quando tudo isso vem à tona na forma de ações e atitudes destrutivas. Mas aí, já pode ser tarde demais.  

     Cabe a nós, sociedade civil organizada, investir pesado na saúde da alma das pessoas. Uma sociedade saudável requer pessoas que tenham pensamentos e intenções saudáveis também. E isso não se consegue apenas com alimentação e educação. Se assim fosse, casos de juízes acusados de receber propinas em troca de sentenças e de médicos que se aproveitam de suas pacientes indefesas não teriam se tornado notícias em telejornais. O nível acadêmico não faz brotar integridade e respeito ao próximo dentro de ninguém.  

      A solução está na família.  Esta instituição, cada vez mais minada por todos os lados precisa voltar a exercer o seu papel na formação do caráter humano. Não se aprende a ter integridade na escola e muito menos na faculdade. Um mau caráter numa faculdade será apenas um sacripanta escolado, nada mais que isso. Formar um bom caráter não é função dos professores nem da escola, é função dos pais. Cabe só a eles tornar esse mundo louco em que vivemos num lugar melhor, ensinando as próximas gerações a terem caráter, integridade, honestidade, amor ao próximo e uma série de outras coisas que só se aprende dentro de casa.  Se a família não voltar a assumir logo esse papel, então é melhor alguém inventar de verdade o Detector de Intenções. Definitivamente vamos precisar dele.

 

 

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CARNAVAL: SEGREGAÇÃO A TODO VAPOR

Glênio Cabral  Postado por Colunista - Glênio Cabral - 10/03 14:23h

(*) Glênio Cabral              

 Chegamos ao final de mais um carnaval em Salvador, e a constatação é óbvia: o que antes foi uma festa de caráter democrático e popular, hoje não passa de uma melancólica segregação social. Vamos aos fatos. De um lado temos os blocos de corda repletos de foliões que pagaram caro para estarem ali, e por isso se divertem com segurança e sem preocupações. Do outro lado, mais especificamente do lado de fora dos blocos, temos os foliões "pipoca", aqueles que não tiveram dinheiro pra comprar um abadá e por isso curtem o Carnaval na maior "muvuca", totalmente expostos a violência e espremidos como salsichas carnavalescas. Pois é, meus amigos, o carnaval de Salvador se tornou uma grande coxa de frango: aqueles que podem pagar por um abada abocanham a parte gorda e macia da coxa. Já os mais desafortunados, ou seja, os pipocas, roem os ossos deixados pelos primeiros. E às vezes nem o tutano conseguem chupar.

  E por falar naqueles que não chupam nem o tutano, os cordeiros estão inseridos nesta categoria. Cordeiros são aqueles jovens contratados pelos blocos pra garantir  que os pipocas não entrem nos blocos de corda. Pra isso, os cordeiros seguram uma corda enorme por horas a fio durante todos os dias do carnaval. Geralmente recebem uma diária de apenas R$ 20,00.  Mas recebem outras coisas também, como por exemplo, violência. É bastante comum um cordeiro ser agredido com tapas e pontapés por pessoas de todos os lados, inclusive por seguranças contratados pelos blocos de corda. Ao final do carnaval, suas mãos estão praticamente estouradas, já que não recebem nem ao menos luvas para amenizar o atrito da pele com a corda. Ou seja, apanham, são humilhados e ainda têm as mãos feridas nas cordas. E tudo isso pela exorbitante quantia de R$ 20,00 por dia.   

 Esse é o atual carnaval de Salvador. Um carnaval que exclui e segrega os mais pobres, além de explorar aqueles que não têm muitas opções. Talvez as Tvs devessem transmitir em suas coberturas não apenas a felicidade que há dentro dos blocos de corda, mas também a violência que costuma explodir fora deles e as mãos feridas e inchadas dos explorados cordeiros. Mas pensando bem, como o carnaval é um evento onde muitos gostam de usar máscaras pra se divertir, é natural que esse tipo de transmissão não aconteça. Seria pedir demais.

 

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