ArtigosGlênio Cabral
O Flato
(*) Glenio Cabral Sou um flato, também conhecido como pum. Estou preso nas paredes intestinais desde ontem, quando o dono deste intestino comeu uma baita de uma feijoada. Que eu me lembre desceu de tudo, de tocinho de porco até petiscos misturados com bebida. A combustão estomacal foi furiosa e acabei nascendo no meio de toda essa gororoba. Gostaria de dizer que a liberdade é um direito de todos. Liberdade de expressão, de pensamentos, de opinião, de tudo. Ocorre que a liberdade dos gases intestinais vem sendo podada ao longo dos séculos. Temos sido reprimidos, sufocados, trancafiados! E tudo isso por quê? Porque alguém achou que minha presença na atmosfera é indesejada. Indesejada uma ova! O que eu fiz pra merecer este confinamento? Já matei alguém, por acaso? Já roubei, já ofendi, já desviei verbas públicas, já fiz coisas horríveis por aí? Sou um flato honesto e de boa índole, nunca prejudiquei ninguém nessa vida. Há quem diga que mereço esta prisão por causa do meu cheiro. Ora, meu cheiro é resultado de processos químicos envolvidos na digestão. Não sou eu quem escolhe o meu cheiro, e sim as pessoas quando comem o que comem. Só me faltava essa, o cidadão se empanturra de feijoada e quer que eu cheire a quê, a alfazema, por acaso?! Se há um fato (não um flato) a ser dito sobre os flatos é que eles são gases persistentes e não desistem nunca! Por isso nesse exato instante milhões de gases intestinais estão organizando uma grande manifestação em prol da sua libertação. A idéia é fazer uma revolução no dia Sete de Setembro, dia da Independência do Brasil. Nesse dia, logo após o almoço flatos do mundo inteiro estarão lutando bravamente pra sair de suas prisões intestinais. Será uma ação integrada, mal cheirosa e organizada. Todos os gases, unidos e de uma só vez, sairão à força de suas prisões provocando um barulho grave e espremido. E assim, tomados pelo espírito de D. Pedro Primeiro, ergueremos juntos a espada da justiça e proclamaremos a uma só voz: “Independência ou Pum!”
Glenio Cabral é administrador de empresas e pós-graduado em Gestão de Pessoas. Também é idealizador e colunista do site www.cafecristao.com
Coisas Grotescas
(*) Glênio Cabral Qual foi a coisa mais grotesca que você já viu na vida? Braços amputados? Imagens do holocausto judeu? Crianças esqueléticas em algumas regiões da África? Ontem à noite me deparei com algo grotesco. Estava dirigindo meu carro quando percebi que havia um cachorro bloqueando o caminho. Chovia bastante, mas dava pra ver que o bicho tinha alguma coisa na boca. Imaginei que fosse um saco de lixo, mas estava errado. Era maior, meio amarronzado... Meu Deus. O cachorro tinha uma cabeça de porco na boca! Um cabeção, diga-se de passagem. Com orelhas, focinho, olhos e um sorriso cínico nos lábios. Uma cabeça completa, sem tirar nem por. Gelei. Era noite, chovia bastante e havia um cachorro com um cabeção de porco impedindo minha passagem. Como aquilo foi parar ali?! O cão devia ter pegado num açougue, só pode... Enquanto olhava pelo retrovisor aquela cena horripilante, lembrei-me de outros fatos grotescos. Aliás, mais grotescos que o que acabara de ver. Lembrei-me, por exemplo, das denúncias de corrupção que invadem os bastidores da política nacional. Desvios de verbas públicas, ausência de ressarcimento ao erário, quedas de ministros, panos quentes... E o mais engraçado é que nada disso me deixa enjoado. Nunca vomitei por isso. O que realmente mexe com meu estômago é o cabeção do porco. Lembrei-me também do caos que assola a segurança pública, dos traficantes que invadiram uma escola trocando tiros com a polícia, das obras para a Copa do Mundo que só acontecem por causa da Copa (e não por causa do povo) e ainda assim, pasme: não senti nojo de nada. Só o que me enoja é o cabeção do porco. Então concluí que o brasileiro precisa sentir mais nojo das coisas. Sim, precisamos vomitar com gosto diante de tantos descalabros. Talvez devêssemos até criar o Dia Nacional do Vômito Coletivo, quando todos nós, enojados cidadãos, vomitaríamos nossa insatisfação diante de tanta bandalheira explícita. Pensei até num tiro grito de guerra bem sugestivo para a ocasião: BLEARGHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!! De repente notei que o cabeção do porco me encarava pelo retrovisor. Seus olhos de defunto pareciam estranhamente vivos, e sua boca balbuciava um discreto “APOIADO!!!”. Satisfeito, o porco piscou pra mim. E eu educadamente pisquei de volta.
Passando só um tempinho...
(*) Glênio Cabral Lembro-me de um teste de aptidão que a gente fazia antes de prestar o vestibular. O teste servia pra nos orientar com relação as nossas aptidões, a fim de escolhermos a profissão certa, de acordo com nossos dons e talentos. Hoje aptidão não interessa mais. Nem sei se esse teste existe ainda. Dia desses um colega me disse que faria o concurso da policia militar porque não tinha coisa melhor pra fazer. A única razão pela qual ele faria o concurso era o fato de estar desempregado. Ou seja, ele ia ficar na polícia só até conseguir uma coisinha melhor. Isso mesmo, a palavra que ele usou foi “coisinha melhor”. Aptidão? Sabemos que muitos policiais exercem sua profissão porque são vocacionados. Mas também há outros que só estão policiais porque uma coisinha melhor ainda não apareceu. Será que um policial hoje em dia é policial por aptidão, por orgulho de sua profissão, porque nasceu pra ser policial? Ou o próprio Estado dificulta esse sentimento de realização não concedendo a esse profissional um salário digno e uma boa estrutura para o exercício de suas funções? Na educação as coisas não são diferentes. O que não falta é professor desesperado pra deixar de ser professor. Conheço muitos que estão apenas passando um tempo na sala de aula até conseguir uma coisinha melhor. Sei de professores que olham pra seus alunos e se perguntam “até quando, meu Deus?”. Também não é pra menos. Hoje em dia o professor brasileiro recebe um salário de miséria e em muitas situações se sente ameaçado e é até agredido no ambiente escolar. Dá pra ter aptidão por algo assim? O jeito é só passar um tempo até uma coisinha melhor aparecer... O segredo pra que setores estratégicos de nossa sociedade voltem a funcionar bem é fazer com seus profissionais sintam prazer e orgulho de trabalhar onde estão. E isso significa providenciar mais segurança, melhores salários (maiores, bem maiores mesmo) e condições de trabalho realmente dignas. Professor não pode apanhar em sala de aula, pelo amor de Deus! Um país que admite que seus mestres sofram agressões enquanto lecionam é um país medíocre em todos os sentidos. Não adianta nada essa coisa de apresentar dados estatísticos que provam que o caos não é caótico. O caos é caótico sim, e está plenamente incorporado ao dia-dia dos brasileiros. O caso é que agente está tão acostumado com a bandalheira (que não é de hoje) que já nem se espanta mais com o absurdo. E é por essas e outras que profissionais sérios e competentes estão só passando um tempinho nas suas profissões. É só até conseguir uma coisinha melhor, porque quando conseguem mandam tudo às favas... e com toda razão.
Nova cartilha contra roubos
(*)Glênio Cabral Como na Bahia muita gente tem sido assaltada na porta de casa, resolvi elaborar uma cartilha chamada CARTILHA CONTRA ASSALTOS DOMÉSTICOS. Esta cartilha busca ajudar o cidadão de bem a se proteger desse tipo de violência cada vez mais comum em nosso estado, adotando medidas simples e seguras. Vamos a elas: Bater papo com o vizinho na rua está proibido. Bandidos podem chegar justamente nessa hora. É melhor se trancar dentro de casa e abdicar de todo contato social. Dentro de casa você pode estudar, dormir, ir ao sanitário, fazer qualquer coisa... só não me invente de sair pra papear. É muito perigoso. Nada de colocar o lixo no passeio. O bandido pode aparecer nessa hora! A orientação agora é arremessar o lixo por cima do muro. Se alguém estiver passando na hora e receber o lixo na cara, paciência. Estava na hora e no lugar errado. O importante é não por os pés na rua. Ao sair de casa, saia sempre camuflado. Usar uma fantasia de árvore é uma boa opção. Árvores chamam pouca atenção. Outra possibilidade é sair latindo de quatro e balançando o rabinho. Há muitas lojas que alugam fantasias de cachorros. Se puder voar, se vista de bem-te-vi e saia assobiando por aí. Bandidos respeitam muito mais animais do que seres humanos. Por falar em animais, tenha sempre um cão de guarda em casa. Dê preferência os mais ferozes, como Rottwiler e Dog Alemão. Se não tiver como manter um bicho desses em casa, então finja ser um. Aprenda a latir, e latir com força. Aproveite e compre uma coleira pra usar no pescoço também. O importante é que os bandidos saibam que há um cão feroz em casa, ainda que esse cão seja você. Por fim, sorria! Bandidos acham que pessoas que tem dinheiro andam assustadas e de cara fechada. Na mente dos bandidos isso acontece porque os ricos vivem preocupados por terem muito dinheiro. Então sorria! Bandidos não se sentem atraídos por pessoas sorridentes. Por isso se não tiver razão alguma pra sorrir, ainda assim escancare a boca numa explosão de falsa felicidade. É melhor sorrir sem razão do que depois ter motivos reais pra chorar.
O Maníaco de Ipirá
Certa vez escrevi um artigo manifestando meu desejo de ir morar na lua. É que eu não aguentava mais a vida nesse planeta, um planeta cada vez mais submerso no caos. Cheguei até a organizar uma caravana pra lua, e muita gente manifestou o desejo de ir também. Mas então os EUA puseram fim aos seus programas espaciais e tive que me conformar em ficar por aqui mesmo. Já estava até me acostumando com essa caótica vida terrena, quando mais uma vez um desejo intenso de sair daqui me invadiu. Dessa vez motivado pelo mapíaco de Ipirá, um cidadão que matou, degolou, retirou as vísceras e estuprou uma menina de apenas quatro anos de idade, na cidade de Ipirá, Bahia. Proprietário de um estúdio Gospel, o maníaco já se preparava pra deixar o país quando foi surpreendido pela ação da polícia. A população, claro, quis fazer picadinho dele. Mas a polícia chegou a tempo. Agora a pergunta que faço é: o que vou fazer agora? Acabei de me casar e pretendo ter filhos. Mas ao saber de um fato assim, a palavra “ vasectomia” começa a soar vigorosamente em meus ouvidos. Vale a pena ter um filho num mundo assim? Num mundo onde uma criança de quatro anos atira contra uma professora e depois se mata com um tiro na cabeça? Num mundo onde um maníaco invade uma escola no Rio de Janeiro e mata a tiro onze crianças? Num mundo onde guerras, chacinas, pestes, doenças, miséria, violência e barateamento da vida estão macabramente incorporados ao nosso dia-dia? Soube de uma criança que depois de assistir a um telejornal resolveu voltar ao ventre materno. Ela queria volta pra barriga de sua mãe, negava-se a continuar existindo neste mundo falido. A mãe, sem saber o que fazer, disse-lhe que isso era impossível, que não dava pra “desnascer”. Então a criança, em prantos, disse: “Por que então a senhora não me perguntou se eu queria nascer?” Esse é o problema de se ter filhos hoje em dia. Eles podem se arrepender de ter nascido quando descobrirem em que mundo estão vivendo.
Morrer... Um direito de todos!
(*) Glênio Cabral Dia desses um velho conhecido me veio com essa: “Eu quero morrer, mas tô sem grana.” Tomei um susto. Que história é essa, perguntei-lhe. E ele me explicou. Meu amigo é um cidadão que sobrevive às custas de um salário mínimo. Ele disse que não agüentava mais essa vida, que estava cansado de viver no Brasil, esse país que nunca lhe deu o mínimo de educação, segurança e saúde. Logo percebi que o desânimo invadira a sua alma e tentei reanimar-lhe. Falei que as coisas iram melhorar, que todo mundo passa por dificuldades nessa vida, que só não tem jeito pra morte...e foi aí que ele desabou de vez. “Pois até o direito de morrer esse país me tirou”, berrou o infeliz. Meu amigo disse que já estava sentindo que seus dias se findavam. “Agente sente quando está para partir”, contou-me. Estava convicto de que iria morrer a qualquer momento e por isso resolveu apressar os custos do próprio funeral. Visitou diversas casas funerárias da cidade, procurando se informar a respeito das despesas inerentes a sua morte. Depois de dois longos meses de profunda pesquisa, concluiu deprimido que teria que adiar sua viagem para o além. Morrer estava caro demais. Ele descobriu que o famoso “paletó de madeira”, o caixão, hoje em dia não sai por menos de R$ 1.000,00. Mas como poderia comprar o derradeiro paletó recebendo apenas R$ 545,00 por mês? Ele também descobriu que há vários outros custos que envolvem um enterro, como o aluguel do velório, a taxa para enterrar, o valor do jazigo, a coroa de flores, a arrumação do defunto e mais um monte de coisinhas fúnebres. Em suma, morrer pra ele, mesmo sendo um “defunto barato”, não sairia por menos de R$ 2.500,00. Agora entendo a sua dor. Apesar de sempre ter pagado seus impostos, muitos dos seus direitos foram subtraídos ao longo de sua vida. Tiraram-lhe o direito de ter uma boa educação. Surrupiaram-lhe o direito de ter uma saúde de qualidade. Afanaram-lhe o direito de viver com segurança. E agora, tiravam-lhe o direito até de poder morrer. Meu amigo é um homem íntegro e honesto. Sempre pagou suas contas em dia. Jamais aceitaria descer à cova como um defunto “inadimplente.” Não, esse futuro defunto tem muita vergonha na cara. Por isso ele resolveu espichar sua vida por mais algum tempo, só até conseguir o dinheiro pra tão sonhada morte. Até lá, terá que continuar vivendo sem educação, saúde e segurança, assim como milhões de outros brasileiros. Uma coisa é certa: morrer agora virou artigo de luxo, coisa só pra bacana. Já dizia minha avó: luxo só tem quem pode manter. Por isso a partir de agora pobre está proibido de morrer. Isso não lhe pertence mais.
Um feto que não quer nascer
(*) Glênio Cabral Há nove meses to dentro da barriga de mamãe. Isso aqui é uma maravilha. Vida de feto é outra coisa, pode crer. Mas infelizmente essa mamata já ta acabando. Mamãe começou a ter contrações e parece que vou nascer a qualquer momento. Mas eu não quero nascer. Na verdade, me recuso a nascer. Nascer pra que? Pra viver nesse país chamado Brasil? Não quero nascer num país onde os bueiros estão voando. No Rio de Janeiro os bueiros pensam que são pássaros. De uma hora pra outra resolveram alcançar as estrelas. O problema não é a subida, mas a descida. Um bueiro em queda livre pode transformar alguém em panqueca. Não quero nascer num país onde os bueiros pensam que são andorinhas. Também não quero nascer num país onde lixo hospitalar costuma ser jogado em aterros sanitários. Em vários estados do Brasil, seringas usadas, roupas ensangüentadas, algodões usados e mais um monte de lixo de hospital é jogado em meio ao lixo comum. Em vez de tratar e separar esse material perigosíssimo, o poder público permite o seu descarte nos lixões da vida. Gatos comem nos lixões. E gatos freqüentam casas de pessoas. O resultado disso é terrivelmente previsível. Não quero nascer num país onde a saúde pública é uma piada. Se eu nascer no Brasil, terei que pagar um plano de saúde porque não posso confiar na saúde oferecida pelo estado. Pra que? Pra morrer a míngua na fila de um hospital? Pra ser atendido quando já estiver enterrado e sendo decomposto por parasitas? E se eu não puder pagar um plano de saúde, o que farei? Simples: permanecerei aqui dentro. Na barriga de mamãe tenho saúde de graça. Não quero nascer num país onde serei obrigado a pagar os maiores impostos do mundo pra ter um monte de coisas que nunca terei. Pagarei impostos pra ter saúde de qualidade, e não terei. Pagarei impostos pra ter segurança, e não terei. Pagarei impostos pra ter educação e não terei. E ainda assim, pagarei impostos até morrer. Aqui dentro não pago porcaria de imposto nenhum e tenho tudo isso de graça. Nascer pra que? Está decidido então! Não vou nascer! Ficarei na barriga de mamãe sem pagar imposto nenhum, e ainda assim terei saúde de qualidade, educação e segurança. E sabe por quê? Porque no útero materno não tem essa raça desprezível chamada corrupto. Aqui dentro, o que mamãe me envia pelo cordão umbilical chega até mim, sem nenhum tipo de desvio. Mas espere! O que essas mãos estão fazendo aqui dentro? Estranho, elas parecem vir em minha direção! Estão me agarrando, me puxando pra fora! Oh, não, são as mãos de um médico! Mamãe entrou em trabalho de parto e tem um médico tentando me fazer nascer! Sai pra lá, seu médico! Sai pra lá! Não quero nascer nesse país, me recuso a nascer nesse país! Daqui não saio daqui ninguém me tira!
Fazer xixi em locais públicos: Uma lástima
(*)Glênio Cabral Meses atrás uma notícia deixou muita gente de cabelo em pé em Salvador: o xixi de certos mal educados estava corroendo postes e viadutos da cidade! Até então a estranha obsessão de certos indivíduos em urinar em locais públicos era encarada apenas como uma tremenda falta de educação. No entanto, imagens que mostravam postes e viadutos prestes a cair provocaram medo e apreensão. Mas nem tudo é má notícia. Em tempos de exploração de fontes alternativas de energia, o consolo é que podemos ganhar muito com esse hábito nada educado, bastando pra isso termos visão mercadológica. Senão vejamos:
O fato é que certos hábitos são uma afronta a civilidade. Fazer xixi em locais públicos é um desrespeito às pessoas e aos patrimônios urinados. Apenas os cachorros têm esse direito, e eles são irracionais. Mas se uns demonstram desrespeito urinando por aí, outros fazem isso desviando verbas públicas nos altos escalões do governo. Ainda acho que um mijão é menos danoso a sociedade do que um corrupto.
Um dia dos namorados diferente
(Glênio Cabral) No dia 12 de Junho de 2010, eu e minha namorada procurávamos um lugar pra jantar em Santo Antônio de Jesus. Saímos de casa às 20:30h, na certeza de que em poucos minutos estaríamos sentados num bom restaurante. Então entramos em um deles. Ou melhor, tentamos entrar. Pra nosso azar o estabelecimento estava superlotado, com pessoas entrando pelas janelas e outras aguardando na fila de espera. "Tudo bem", eu disse. Vamos procurar outro restaurante". Minutos depois já estávamos aos empurrões tentando entrar em outro local. E assim como no restaurante anterior, casais disputavam com ferocidade o mesmo espaço. Lembro-me que fomos em direção a uma mesa que aparentemente estava vazia, quando fomos surpreendidos por rosnados. Isso mesmo, rosnados. No início pensei que algum tipo de fera estava à solta no local. Um leopardo, talvez. Mas depois percebi que eles vinham de um casal humano, que rosnava pra nós reivindicando a mesa que pensávamos estar vazia. Acabei saindo de lá rosnando também, e pirado da vida disse pra minha namorada: "Vamos procurar outro lugar." E procuramos. Procuramos em dois, três, quatro e nem sei mais quantos restaurantes da cidade, e nada... Todos lotados, com casais amontoados, estressados e rosnando por todos os lados. Aí, me bateu o desespero. Primeiro porque me senti culpado por não ter reservado uma mesa com antecedência. E segundo porque a essa altura minha namorada já estava com um bico que mais parecia uma tromba de elefante. Foi então que tive uma idéia: "Vamos pra lanchonete da rodoviária!" A lanchonete da rodoviária fica sempre aberta, e a julgar pela nossa situação parecia ser a única opção que tínhamos. E lá fomos nós pra lanchonete da rodoviária. Chegando lá, fomos muito bem atendidos. Nada de pessoas aglomeradas e dispostas a brigar por mesas escassas. O recepcionista logo percebeu nossa situação e tratou de nos acalmar. Ele nos disse que outros cinco casais já haviam passado ali pelos mesmos motivos, o que diminuiu um pouco o meu sentimento de culpa. O fato é que minutos depois já estávamos saboreando um delicioso pastel de queijo, regado a suco de laranja e refrigerante. Romântico, não? Acho que minha namorada pediu um americano e um bauru também. E se eu não me engano encerrei a noite com uma banana real. Naquela noite aprendi o óbvio: tudo é perfeito quando se está com a pessoa certa. Ao lado de quem se ama até mesmo uma banana real pode se tornar um manjar dos deuses. Um ótimo Dia dos Namorados a todos! E muito obrigado a competente equipe da Lanchonete da Rodoviária, que nos atendeu com educação, competência e sem rosnados.
Tenho orgulho de não ser um animal
(*) Glênio Cabral Somos seres humanos, certo? Certo. Temos orgulho disso porque somos seres racionais, certo? Certíssimo. Como seres racionais, estamos muito a frente das espécies, não estamos? Claro que estamos. No entanto, cientistas afirmam que nós, seres humanos, também somos animais. Será? Eu discordo. Pra provar que não somos em nada parecidos com esses quadrúpedes inferiores e irracionais, apresento agora uma lista de itens que provam que nós, seres humanos, somos totalmente diferentes deles. Vamos a ela: 1. Animais não praticam corrupção nem desvio de verbas públicas. Isso é coisa do homem, que prova sua superioridade intelectual criando tramóias mirabolantes para obter vantagens mesquinhas. 2. Animais não matam, não esquartejam e nem dizimam a própria espécie. Esse tipo de selvageria é típica do homem, como nos mostram o Rei das Bermudas, de Amargosa, o ex-goleiro do Flamengo, Bruno, e o louco atirador Wellington, do Rio de Janeiro. 3. Animais não constroem bombas nucleares nem armas letais pra que milhões de pessoas morram de uma só vez. Na mente de um bicho, só mesmo uma criatura irracional faria algo assim. 4. Animais não fazem prisioneiros de guerra e nem os torturam com requintes de crueldade. É bom lembrar que Hitler, Bin Laden, Bush, Sadan Hussein e tantos outros maníacos que já morreram ou que estão prestes a nos fazer esse favor ( o mais rápido possível, de preferência ) andavam sobre duas pernas, e não sobre quatro patas. 5. Animais não poluem o meio ambiente. Só o ser humano faz isso, pois com sua magnífica inteligência constrói fábricas e produtos que mais tarde farão com que morra de câncer ou fique vegetando por causa de alguma doença degenerativa. 6. Animais não mentem, não fofocam, não sentem prazer no sofrimento alheio, não abusam sexualmente de crianças, não cantam músicas com letras esdrúxulas (que visam a deseducação do povo), não espancam suas companheiras, não matam por dinheiro, não brigam por divergências no futebol, não se espancam numa partida de dominó, não se tornam completamente idiotas e desprezíveis quando enchem a cara e não fazem inimizades por causa de política. Eu não disse? Somos totalmente diferentes dos animais. Ainda bem que somos seres humanos!
A MORTE DE BIN LADEN E A RENÚNCIA DO SUPER-HOMEM
(*) Glênio Cabral Por essa nem o mais ferrenho dos socialistas podia esperar: o Super-homem acaba de renunciar a sua cidadania americana. Vamos aos fatos. O Homem de Aço é um dos maiores símbolos da cultura norte-americana. Criado na década de 30 pra reforçar os valores dos Estados Unidos em tempos de guerra, o herói azulado é a grande personificação do patriotismo do povo da América do Norte. Ocorre que nos últimos dias algo inusitado aconteceu. Na revista em quadrinhos Action Comics de número 900, em que o Super-homem é protagonista principal, o herói disse com todas as letras que não gostaria mais de sustentar uma cidadania americana. A decisão deu-se após o herói perceber que "ser americano" atrapalhava suas pretensões de combater o crime ao redor do mundo, já que em todo o planeta um clima antiamericano se faz presente. Como já era de se esperar, as declarações do herói ( que nem mesmo existe ) provocaram reações indignadas por parte de diversos setores da sociedade americana. Houve até quem exigisse que voltasse para Kripton... Coincidência ou não, a polêmica causada pelo Homem de Aço surge em meio a um tsunami internacional: a morte do terrorista Bin Laden. Em declarações à imprensa, o governo do Paquistão disse ter sido surpreendido com a ação não autorizada do governo americano em solo paquistanês. Como já se sabe, vinte soldados da marinha americana invadiram o espaço aéreo do Paquistão sem autorização prévia do governo local e mataram o terrorista Bin Laden na cidade de Abbottabad, a 50 kilômetros da capital do país. A ação, intitulada " Operação Gerônimo", deixou o governo do Paquistão numa saia pra lá de justa, já que surgiram rumores de que o país estaria acobertando o terrorista durante todo esse tempo. Uma coisa é certa: os Estados Unidos da América violaram a soberania de um estado como se estivessem fazendo um piquenique num parque de diversões. Simples assim. O que temos aqui são duas situações complicadas. De um lado um Super-homem com tendências megalomaníacas, praticamente um Hitler de colante vermelho e azul que se coloca na condição de salvador do mundo e que deseja ampliar consideravelmente seu campo de atuação, atualmente restrito aos quadrinhos americanos. Não foi a toa que ele renunciou a sua cidadania. Assim o herói pretende ser aceito como um ser "mundial", totalmente livre das restrições territoriais e culturais tão comumente impostas pela nacionalidade. Agora, permita-me uma pergunta: quem esse super-herói pensa que é, afinal? Jesus Cristo? Quem foi que o elegeu salvador do mundo e príncipe da paz? Pra mim ele está muito mais para o anticristo do Apocalipse. Do outro lado temos a maior potência do mundo desrespeitando aberta e escandalosamente todas as normas e tratados internacionais para saciar sua sede de vingança. Aliás, as Nações Unidas não se cansam de enfatizar o repetitivo discurso de que "todos os atos contra o terrorismo devem respeitar o direito internacional". Na prática, não é o que acontece. E como tudo o que já está ruim pode vir a piorar, no anonimato dos bastidores um presidente tira proveito de toda a situação para garantir a sua permanência na Casa Branca. Trágico, não? O combate ao terror deve persistir o tempo que for necessário, mas é imprescindível que todas as normas do direito internacional sejam respeitadas e preservadas. Fugir disso é mergulhar de cabeça numa barbárie sem precedentes, abrindo as portas para o jeito medieval de "administrar conflitos". Por isso a ação americana no Paquistão deve ser encarada como um ato de terrorismo também. Não se pode simplesmente invadir o espaço aéreo de um país como se o mesmo fosse o quintal do vizinho. O governo de Washington continua insistindo em achar que pode fazer o que der na telha pelo fato de ser a maior potência econômica do planeta. Não custa nada lembrar que a Alemanha Nazista também tinha pensamentos similares quando espalhou o terror pelos quatro cantos do mundo. Pessoalmente, não sentirei a menor falta de um terrorista que matou mais de três mil pessoas no inesquecível 11 de setembro. Mas do jeito que as coisas vão indo, me pergunto se hoje o perigo maior hoje não está no Ocidente.
A BOLHA DE SABÃO
(*) Glênio Cabral Sou uma bolha de sabão, e acabo de nascer. Meus pais, a água e o sabão, costumam fazer bolhinhas como eu sempre que se unem. Sou fruto do ímpeto amoroso entre os dois. A vida de uma bolha de sabão dura apenas alguns segundos. Instantes depois que nascemos, fazemos "Ploc" e damos adeus à existência. É um processo indolor, esse de estourar. Ao menos é o que eu acho. Não é a toa que procuramos aproveitar ao máximo o período que antecede ao "Ploc", conhecido como período "Pré-ploc". Algumas de nós fazem isso flutuando pelo ar. Eu, por exemplo, sou uma dessas. Neste exato momento estou sobrevoando uma sala de estar, onde um feliz vovô acaba de dar a sua netinha um brinquedo que faz bolhinhas de sabão. O vovô não se cansa de soprar e fazer dezenas de nós voarmos pela sala, pra alegria de sua neta de olhos esbugalhados. E ela faz "Ploc" em cada uma de nós. Que lástima. Apesar do pouco tempo de vida que temos, as bolhas de sabão podem se apaixonar. Isso é bastante comum, e muitas de nós são flagradas aos amassos a céu aberto. Quando uma bolha se sente atraída por outra, elas se unem, se entrelaçam e se tornam uma só. E assim, atravessam todo o período "Pré-ploc" no auge da paixão até explodirem de prazeres segundos depois. É o que chamamos de "Ploc do amor". Infelizmente eu não me apaixonei. Mas o que importa? Considero-me uma bolha de sorte, de muita sorte. Afinal, serei sempre lembrada como a única bolha de sabão que revelou ao mundo que até nós, as bolhas, fazemos amor. Vejo agora que a linda netinha do vovô vem em minha direção. Ela deseja me tocar, assim como fez com todas as outras bolhas que fez "Ploc" segundos atrás. É o fim. Adeus, vida... A netinha se aproxima para estourar a única bolha cronista de que se tem notícia: eu. Será que sentirei dor? "PLOC!"
Minha Invenção e o Maníaco de Realengo
(*) Glênio Cabral Acabo de ter uma grande idéia: vou inventar um Detector de Intenções. Será uma engenhoca muito parecida com o já popular detector de metais, com uma diferença básica: minha invenção não detectará armas, e sim intenções maléficas escondidas nos terrenos mais sombrios dos corações humanos. Sei que minha invenção seria de grande utilidade para os nossos dias. Massas de fiéis, por exemplo, poderiam exigir que seus líderes religiosos passassem pelo detector de intenções pra constatarem o que está por traz de suas mensagens de fé. Se o alarme disparasse, apareceria a seguinte mensagem no painel do aparelho: "Esse cidadão carrega em seu coração o desejo mesquinho de enriquecer às custas dos fiéis." Pronto. O larápio metido a guru seria desmascarado e prontamente exposto ao ridículo. O congresso nacional também poderia colocar um aparelho assim na sua entrada. O problema é que desconfio que se isso acontecesse minha pobre engenhoca não faria outra coisa senão apitar, apitar e apitar... e apitaria tanto que acabaria sofrendo uma sobrecarga de energia, vindo a explodir em mil pedaços. Não quero ser acusado de ter explodido o Congresso Nacional. Cerimônias de casamento também poderiam usar o tal aparelho. Ele seria colocado estrategicamente no local em que o casal diz "sim" ao desejo de se tornar "uma só carne". Se o aparelho disparasse, é porque um dos dois não estaria interessado em apenas "uma só carne". Mas em duas, três, quatro... deixa pra lá. O fato é que minha invenção não passa de um desejo abstrato de minha imaginação, o que é uma pena. Estou certo de que se ela já fosse uma realidade a tragédia de Realengo, por exemplo, não teria acontecido. Se minha engenhoca estivesse na entrada daquela escola, dispararia furiosamente o alarme assim que Welington, o psicótico que matou 13 crianças a tiros, tivesse passado por ela. E no painel eletrônico da máquina apareceria a seguinte mensagem: "Esse cidadão carrega em seu coração um intenso desejo de matar crianças." Pronto. Ele seria detido, entregue às autoridades e julgado por ter apenas desejado matar. As grandes tragédias humanas só acontecem porque antes são desejadas nas mentes e nos corações. Tudo começa nos recônditos da alma, onde o Código Penal não tem acesso. Ninguém pode ser preso ou punido por sentir ou desejar algo, por piores que sejam tais pensamentos. As leis atuam apenas quando tudo isso vem à tona na forma de ações e atitudes destrutivas. Mas aí, já pode ser tarde demais. Cabe a nós, sociedade civil organizada, investir pesado na saúde da alma das pessoas. Uma sociedade saudável requer pessoas que tenham pensamentos e intenções saudáveis também. E isso não se consegue apenas com alimentação e educação. Se assim fosse, casos de juízes acusados de receber propinas em troca de sentenças e de médicos que se aproveitam de suas pacientes indefesas não teriam se tornado notícias em telejornais. O nível acadêmico não faz brotar integridade e respeito ao próximo dentro de ninguém. A solução está na família. Esta instituição, cada vez mais minada por todos os lados precisa voltar a exercer o seu papel na formação do caráter humano. Não se aprende a ter integridade na escola e muito menos na faculdade. Um mau caráter numa faculdade será apenas um sacripanta escolado, nada mais que isso. Formar um bom caráter não é função dos professores nem da escola, é função dos pais. Cabe só a eles tornar esse mundo louco em que vivemos num lugar melhor, ensinando as próximas gerações a terem caráter, integridade, honestidade, amor ao próximo e uma série de outras coisas que só se aprende dentro de casa. Se a família não voltar a assumir logo esse papel, então é melhor alguém inventar de verdade o Detector de Intenções. Definitivamente vamos precisar dele.
CARNAVAL: SEGREGAÇÃO A TODO VAPOR
(*) Glênio Cabral Chegamos ao final de mais um carnaval em Salvador, e a constatação é óbvia: o que antes foi uma festa de caráter democrático e popular, hoje não passa de uma melancólica segregação social. Vamos aos fatos. De um lado temos os blocos de corda repletos de foliões que pagaram caro para estarem ali, e por isso se divertem com segurança e sem preocupações. Do outro lado, mais especificamente do lado de fora dos blocos, temos os foliões "pipoca", aqueles que não tiveram dinheiro pra comprar um abadá e por isso curtem o Carnaval na maior "muvuca", totalmente expostos a violência e espremidos como salsichas carnavalescas. Pois é, meus amigos, o carnaval de Salvador se tornou uma grande coxa de frango: aqueles que podem pagar por um abada abocanham a parte gorda e macia da coxa. Já os mais desafortunados, ou seja, os pipocas, roem os ossos deixados pelos primeiros. E às vezes nem o tutano conseguem chupar. E por falar naqueles que não chupam nem o tutano, os cordeiros estão inseridos nesta categoria. Cordeiros são aqueles jovens contratados pelos blocos pra garantir que os pipocas não entrem nos blocos de corda. Pra isso, os cordeiros seguram uma corda enorme por horas a fio durante todos os dias do carnaval. Geralmente recebem uma diária de apenas R$ 20,00. Mas recebem outras coisas também, como por exemplo, violência. É bastante comum um cordeiro ser agredido com tapas e pontapés por pessoas de todos os lados, inclusive por seguranças contratados pelos blocos de corda. Ao final do carnaval, suas mãos estão praticamente estouradas, já que não recebem nem ao menos luvas para amenizar o atrito da pele com a corda. Ou seja, apanham, são humilhados e ainda têm as mãos feridas nas cordas. E tudo isso pela exorbitante quantia de R$ 20,00 por dia. Esse é o atual carnaval de Salvador. Um carnaval que exclui e segrega os mais pobres, além de explorar aqueles que não têm muitas opções. Talvez as Tvs devessem transmitir em suas coberturas não apenas a felicidade que há dentro dos blocos de corda, mas também a violência que costuma explodir fora deles e as mãos feridas e inchadas dos explorados cordeiros. Mas pensando bem, como o carnaval é um evento onde muitos gostam de usar máscaras pra se divertir, é natural que esse tipo de transmissão não aconteça. Seria pedir demais.
CARTA DE UMA BALA PERDIDA A SUAS VÍTIMAS
(*) Glênio Cabral Sou uma bala perdida. Tenho esse nome porque não tenho moradia fixa nem pousada certa. Fico pra lá e pra cá, sem ter onde ficar. Por isso sou um artefato de fogo sem CEP. As vezes passo uma temporada inteira dentro do cano de uma metralhadora, quietinha e sossegada. Mas aí alguém resolve apertar o gatilho e lá vou eu pra mais uma chacina. Da ultima vez fui parar na cabeça de um pobre coitado. Acho que era um traficante, não sei. Eu estava quietinha no gatilho de uma escopeta, quando de repente...BAM! Quando dei por mim já estava alojada no crânio do infeliz. Nem tive tempo de pedir-lhe desculpas por ter transformado seu cérebro em gelatina. Sendo uma bala perdida não posso me recusar a matar. Afinal não sou eu quem aperta o gatilho. Lembro-me de uma vez em que perfurei o estômago de um pai de família. Ele tinha ido comprar pão numa padaria, quando apertaram o gatilho da metralhadora onde eu estava. Quando dei por mim já estava rasgando o estômago daquele pobre coitado, que morreu na hora. Ao contrário do que muitos imaginam, nós, as balas perdidas, temos nossos dramas de consciência. Não é fácil perfurar o estômago de um pai de família e ficar indiferente a isso. Depois que isso aconteceu, mergulhei numa depressão profunda, a chamada "depressão pós tiro". De vez em quando nós passamos por isso. Fiquei sem me alimentar, emagreci, entrei em crise. Tornei-me uma bala raquítica e anêmica. Por isso nós, as balas perdidas, vez por outra consolamos umas às outras em conferências de aconselhamento. Essas conferências se dão durante um fogo cruzado, quando várias balas acabam se encontrando. Nessas horas trocamos rápidas palavras de conforto e ânimo, antes de matarmos mais um azarado infeliz. Sei que nada do que escrevi fará com que as pessoas nos odeiem menos. Mas gostaria pelo menos de esclarecer que nós, as balas perdidas, não temos culpa pelo sangue que vem sendo derramado. Se nós matamos, fazemos isso não porque queremos, mas porque alguém resolveu apertar o gatilho. De qualquer forma, em nome de todas as balas perdidas desse mundo, gostaria de pedir desculpas a todos os cérebros, corações, pulmões, intestinos, braços, pernas, mãos, cabeças, pés e crânios que perfuramos e dilaceramos algum dia...e aproveito para agradecer a cada um desses órgãos a estadia que nos foi concedida durante o período que passamos alojadas em cada um deles. Muito obrigado a todos os órgãos. Assinado: Uma bala perdida.
Colunista: Glênio Cabral / Pós em Gestão de Pessoas e Idelizador do Site: www.novainfancia.com.br e-mail: glsilva@hotmail.com
EMENDA 171: OS DIREITOS DO LADRÃO
(*) Glênio Cabral Dia desses vi um especialista em violência urbana dando uma entrevista sobre como devemos nos comportar diante de um assalto. Ele dizia que devemos sempre acalmar o assaltante com palavras como "vai ficar tudo bem, pode levar tudo e mantenha a calma." Definitivamente é o fim da picada. Além de sofrermos um ato de violência, agora vamos ter que prestar uma acessoria psicológica para o marginal que nos assalta. "Olha, seu bandido, muita calma nessa hora... eu entendo que esse é um momento de tensão para o senhor, o senhor quer se auto-afirmar como marginal e tal, mas procure se acalmar e tudo vai dar certo..." Acho que a essa altura do campeonato a profissão de ladrão já deveria ter sido regulamentada no Brasil. Porque não? Muitos ladrões estão trabalhando na informalidade há anos, sem nenhum tipo de amparo por parte da previdência social. Mas essa injustiça tem que acabar! Proponho a elaboração da Emenda 171, que visa garantir direitos trabalhistas aos ladrões, larápios e afins. Dentre os principais pontos da emenda, podemos destacar: •1. Todo ladrão tem direito a receber acessoria psicológica gratuita enquanto estiver assaltando. O prestador desse serviço será, naturalmente, o assaltado. •2. É proibido ao assaltado gritar, fazer escândalos, ficar nervoso ou chorar durante um assalto. O assaltante tem o direito de exercer sua profissão com toda tranqüilidade, silêncio e paz de espírito que ele merece. •3. O nome "ladrão" será banido da língua portuguesa. Chega de ficar usando esse termo pejorativo para se referir ao profissional do roubo. De agora em diante, ele será tratado como "Profissional da Subtração Alheia." •4. Cursos de especialização e capacitação em práticas de roubo deverão ser oferecidos gratuitamente para os Profissionais da Subtração Alheia. Afinal eles precisam prestar um serviço de subtração com mais qualidade para a população. Aqui no Brasil, por exemplo, temos vários palestrantes em potencial em Brasília. Se você é um cidadão de bem e deseja ser assaltado com mais qualidade, junte-se a nós na campanha EMENDA 171 JÁ! Pelos direitos trabalhistas dos marginais, digo dos Profissionais da Subtração Alheia. Colunista: Glênio Cabral / Pós em Gestão de Pessoas e Idelizador do Site: www.novainfancia.com.br e-mail: glsilva@hotmail.com
EU E O SAPO
(*) Glênio Cabral Um dia, ao chegar do trabalho, me deparei com um sapo. Sim. Um sapo, desses enormes e asquerosos. Lá estava ele, no meio da sala olhando fixamente pra mim. Tive nojo dele. Peguei uma vassoura e o expulsei aos solavancos. O bicho esgueirou-se pela noite e sumiu. No dia seguinte, lá estava ele outra vez. Dessa vez no meu quarto. O mesmo olhar fixo em minha direção. Com raiva, expulsei-o mais uma vez com a vassoura. Pra minha surpresa, o fato se repetiu por diversas outras vezes. E assim, sempre que chegava do trabalho, lá estava ele, todo solícito a me esperar. Intrigado, comecei a investigar por onde o bicho entrava. Descobri que ele esgueirava-se pela fresta inferior da porta dos fundos, que dava para o quintal. O sapo se espremia todo, até passar para o lado de dentro da casa. Eureca, já sabia o que fazer. Coloquei vários tijolos em frente àquela passagem e bloqueei a entrada do batráquio. Problema resolvido, ele não podia mais entrar. No dia seguinte, reparei que o sapo não estava me esperando. Afinal sua passagem havia sido bloqueada. Então porque eu não estava satisfeito? Havia vencido, enfim. O homem racional prevalecera sobre as forças da natureza. Mas algo não parecia bem. Descobri que em vez de ficar feliz com minha vitória comecei a sentir falta do bicho. Isso mesmo, acabei me afeiçoando àquela "indesejável". Vai entender o bicho homem?!... Então retirei os tijolos que bloqueavam a entrada do Henrique. Sim, coloquei-lhe o nome de Henrique. Desse dia em diante, todas as tardes eu passei a fazer companhia ao Henrique e ele a mim. Henrique é um sapo sensível e inteligente. Entende meus dramas e frustrações como ninguém. Como todo sapo que se preza, adora comer mosquitos e fazer girinos. Devo admitir que é um sapo promíscuo. Não agüenta ver uma rã e já sai aos saltos pra fornicar. Temos conversado sobre isso e acho que ele tem amadurecido bastante quanto a essa questão. Ah, semana passada o Henrique apareceu com alguns amigos. Haviam acabado de chegar do brejo. Disse a ele que aquilo não estava certo e que na minha casa só ele, de sapo, estava autorizado a entrar. Encarreguei o Armando de fiscalizar isso. Ah, esqueci de mencionar: o Armando é uma lagartixa do sexo masculino que vive atrás da minha geladeira há dois anos.
Colunista: Glênio Cabral / Pós em Gestão de Pessoas e Idelizador do Site: www.novainfancia.com.br e-mail: glsilva@hotmail.com
A ARTE DE PREVER O FUTURO
(*) Glênio Cabral Está aberta a temporada de previsões para 2011. É só o dia 31 de dezembro dar as caras e os gurus de plantão já começam a fazer suas previsões para o ano novo. Eu também farei as minhas. Não, não leio cartas, não sou paranormal e nem tenho vínculos com o movimento cósmico aquariano. Apenas tenho um método infalível pra prever o futuro. Quer saber como faço isso? Aí vai meu segredo: Para prever o futuro, basta estar atento ao que acontece de forma rotineira. A tendência é que isso se repita. Por exemplo, posso prever que um ator da Globo morrerá em 2011. Afinal todo ano morre um, porque agora seria diferente? Só não me pergunte o nome do cidadão. Também posso prever que durante o período de chuvas, tragédias envolvendo alagamentos e deslizamentos de terra acontecerão em Salvador, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Também vejo que no plano político nacional novas denúncias de corrupção envolvendo autoridades políticas irão surgir. E adivinhe? Ninguém será punido, pra variar. E agora, prepare o seu coração para a maior de todas as novidades: em 2011 o campeão brasileiro de futebol sairá do eixo Rio-São Paulo!!! Surpreso? Pois é, eu também não. O futuro nada mais é do que uma conseqüência do que fazemos ou deixamos de fazer no presente. Os alagamentos e deslizamentos de terra só causam estragos porque medidas urgentes não são tomadas hoje para que se evite o pior amanhã. Corrupções e escândalos envolvendo autoridades políticas só acontecem porque não se pune agora os culpados. Por isso, não é preciso ser nenhum paranormal pra prever alguns dissabores: eles simplesmente já estão anunciados. No entanto, nem todas as previsões são pessimistas. Quando atitudes certas são tomadas no presente, aí começamos a fazer boas previsões para o futuro. Quer um exemplo? Lá vai: "Em 2011, a população do Morro do Alemão, no Rio de Janeiro, terá um ano novo como há muito tempo não vinha tendo: com segurança, paz e esperança." Quando fazemos a coisa certa no presente, fica fácil prever coisas boas para o futuro. Um ótimo 2011 pra você!
Colunista: Glênio Cabral / Pós em Gestão de Pessoas e Idelizador do Site: www.novainfancia.com.br e-mail: glsilva@hotmail.com
"DESABAFO DO PERU DE NATAL"
Glu, glu, glu... Sou um peru. Sei que meus dias de vida estão contados, afinal é Natal. Brevemente estarei assado e posto de pernas para o ar, enfeitando uma linda ceia. Sinceramente, não consigo conciliar a mensagem de paz do Natal com essa minha trágica sina. Mas fazer o que? Nós, perus, já nos conformamos com muitas coisas. Menos com uma: a rapidez com que as pessoas se esquecem do Natal. Eu não entendo vocês, humanos. Todo fim de ano é a mesma coisa: vocês se abraçam, se desejam feliz natal, fazem as pazes, mas é só entrar Janeiro e o pau volta a quebrar. Aí voltam as guerras, os preconceitos, as intolerâncias, os roubos, as corrupções e um monte de coisas nada natalinas. E nós, perus, nos sentimos uns idiotas. Morremos em vão. Fomos assados em vão. Ficamos naquela posição de exposição indecorosa, de pernas para o ar, em vão. Fomos parar nos estômagos de vocês em vão. Se pelo menos morrêssemos tendo a certeza de que vocês levariam o clima de Dezembro pra Janeiro, Fevereiro, Março e os demais meses do ano, morreríamos resignados, assados e conscientes de nossa contribuição pra melhorar o mundo. Mas não. Isso não acontece. Peço desculpas por este desabafo, mas como representante do SPN ( Sindicato dos Perus de Natal ) devo manifestar a indignação da nossa categoria. Abaixo a transitoriedade do Natal! Abaixo a morte de milhões de perus assados e de pernas para o ar em vão! E um feliz Natal a todos, inclusive a nós, pobres criaturas comestíveis do Natal. Quem me dera ser um panetone. Pelo menos não ficaria naquela posição ridícula. Glu, glu, glu...
Colunista: Glênio Cabral / Pós em Gestão de Pessoas e Idelizador do Site: www.novainfancia.com.br e-mail: glsilva@hotmail.com
SALA DE AULA E PROFESSORES AGREDIDOS: CLIMA DE GUERRA?
(*) Glênio Cabral Vamos aos fatos:
2. No dia 23 de março de 2009, numa escola de Porto Alegre, uma aluna agrediu uma professora que, ao cair, teve traumatismo craniano. A aluna disse que não se arrependia de nada do que tinha feito. 3. No dia 25 de março de 2009, um professor da rede estadual de ensino de Campo Grande teve o braço quebrado por alunos que o agrediram após o professor ter tentado apartar uma briga. 4. No dia 11 de dezembro de 2010, num colégio de Porto Alegre, uma professora recebeu uma cadeirada de um aluno inconformado com a nota recebida. A professora, de 60 anos, quebrou os dois braços e teve vários dentes arrancados. 5. E agora, um professor é morto a facadas por um aluno numa faculdade particular em Minas Gerais. A onda de violência contra professores em salas de aula começa a ganhar proporções macabras no Brasil. Não me admira o fato de muitos professores festejaram com shows pirotécnicos o dia de sua aposentadoria. Afinal, pra muitos dos nossos professores ensinar tem se tornado uma profisão de risco. E foi pensnado nisso que resolvi sugerir algumas alternativas para amenizar um pouco toda esa situação. Vamos a elas: Sugiro que se solicite o apoio das forças armadas. Porque não? Essa medida trouxe benefícios enormes para a população do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Parece que no Brasil as coisas andam rápido quando os blindados da marinha resolvem aparecer. Tanques de guerra espalhados pelos pátios escolares inibiriam as ondas de violência. O problema é que essa medida poderia gerar protestos por parte de educadores e psicólogos preocupados com a saúde emocional dos alunos. Como se essa saúde já não estivesse aos frangalhos diante de tanta violência. Sugiro também que os professores aprendam técnicas de defesa pessoal como disciplina básica para sua formação. Do jeito que as coisas vão, um profissional de educação que não souber lutar karatê, judô, kunf fu, vale-tudo ou capoeira estará correndo sérios riscos. Por isso defendo que os professores, além de apresentarem uma monografia ao final do curso, também participem de um torneio de luta livre usando as técnicas de defesa pessoal sugeridas aqui. O professor que não souber se defender em uma situação de luta corporal não estará habilitado apara o exercício da sua profissão. Por fim, sugiro que os professores façam uso de uma armadura blindada da cabeça aos pés. Nunca se sabe quando serão atacados a facadas ( como aconteceu em Minas Gerais ) ou a cadeiradas ( como aconteceu em Porto Alegre ) por quem quer que seja. Esse tipo de proteção certamente evitaria a morte e as escoriações sofridas pelos professores citados nesse artigo. Antes que os professores façam uso dessas medidas, esperamos que nossas autoridades e a sociedade como um todo façam as suas partes no sentido de reverter tal situação. Encara-la com brandura é admitir a barbárie na sala de aula. Só mesmo uma sociedade primária admite que seus professores e mestres sejam agredidos e humilhados. Os alunos, amedrontados diante de tudo isso, são tão vitimas quanto os professores e exigem a solução do problema. E torcem pra que não seja necessário o uso de tanques de guerra nos pátios escolares.
Colunista: Glênio Cabral / Pós em Gestão de Pessoas e Idelizador do Site: www.novainfancia.com.br e-mail: glsilva@hotmail.com
VOU EMBORA PRA LUA...
(*) Glênio Cabral Estou organizando uma caravana pra lua. Isso mesmo, quero ir morar na lua. As inscrições estão abertas, e se você quiser vir também posso deixar sua vaga garantida. Só quero esclarecer que as vagas são limitadas e que a viajem é só de ida. Vamos pra lua pra nunca mais voltarmos. Não quero morar na lua pelo que ela tem a oferecer. Quero morar lá pelo que ela não tem a oferecer. Pelo que sei, nunca se teve noticia de que na lua um senhor de meia idade, como um certo morador de Amargosa, tenha fatiado uma ex-amante como se ela fosse um salame de sanduíche. Também nunca ouvi dizer que na lua um goleiro famoso mandou esquartejar uma mulher e jogar seus restos mortais pra cachorros comedores de gente. Também não há indícios de que na lua sequestradores tenham arrancado as cabeças de duas lindas adolescentes, colocando-as em dois pratos como se fossem uma especiaria macabra vinda do inferno. Não, isso só aconteceu em Salvador, no Planeta Terra. Por isso quero morar na lua. Acho que lá vou poder dar uma saidinha no final de tarde dando meus pulinhos naquele ambiente sem gravidade, sem correr o risco de morrer esfaqueado, esquartejado, decapitado, lançado aos cães ou queimado vivo. Afinal, essa coisa de você sair pra comprar um pão na padaria e morrer com requintes de crueldade é coisa do Planeta Terra. Ou deveria dizer do Planeta Brasil? Vou pra lua porque a nossa civilização é uma piada. Não há civilização. O que há é uma barbárie institucionalizada. O que há são lugares onde o estado não se faz presente, permitindo assim o fortalecimento do poder paralelo, o poder do crime. O que há são traficantes penetrando cada vez mais nas escolas, destruindo nossa juventude indefesa que cada vez mais sucumbe às drogas. O que há são professores sendo agredidos e ameaçados em salas de aula, como uma professora de 62 anos que recebeu duas cadeiradas de um aluno enfurecido e que por isso teve dois braços quebrados e vários dentes arrancados. O que há são arrastões agora semanais nos grandes centros urbanos, encarados com uma passiva naturalidade pelas autoridades competentes. O que há é um grande faz de conta de que as coisas vão bem, quando na verdade nada está bem. Chega. Vou pra lua. Cansei disso aqui. Não sei como farei pra ir lá, só sei que vou. Se não der pra ir pra lua, vou pra Marte, pra Saturno, pra Júpiter, pra qualquer lugar. Mas aqui é que não fico mais. Espaço sideral, aqui vou eu. E vocês que ficam, meus sinceros pêsames.
Colunista: Glênio Cabral / Pós em Gestão de Pessoas e Idelizador do Site: www.novainfancia.com.br e-mail: glsilva@hotmail.com
COMPLEXO DE OLÍVIA PALITO
(*) Glênio Cabral Dia desses estava assistindo a um desenho do Marinheiro Popeye, quando a namorada dele, a Olívia Palito, me chamou a atenção. O fato daquela magricela ter atraído a minha atenção me intrigou, porque a Olivia não é nenhum esplendor de beleza. Na verdade ela mais parece uma reta ambulante. Então, o que me chamou a atenção nela? Vou explicar. Nos desenhos do Popeye, a Olívia é disputada pelo Brutos e pelo marinheiro. Ambos vivem brigando pelo amor dela. A paixão do Brutos, no entanto, é expressa de uma maneira mais brutal ( não é trocadilho), mais carnal mesmo. Ele vive tentando beijá-la à força, o que demonstra sua libido selvagem. Já a paixão do Popeye é expressa de maneira mais suave, mais romântica. O que temos aqui é uma mulher sendo disputada por dois homens com perfis totalmente diferentes. E o mais interessante de tudo é que ela incentiva essa disputa. Lembro-me de um episódio em que a Olívia arrastou suas asas para o Brutos só porque ele tinha um carro bacana, e o Popeye não. Ao final da trama, Popeye acabou conseguindo comprar um carro melhor ainda, e adivinha o que a Palito fez? Pois é, arrastou suas magricelas asas interesseiras para o marinheiro. Ela sempre faz isso, pula de um lado para o outro conforme o que lhe for mais conveniente. Particularmente, acho que a Olívia se enquadra em alguns mitos preconceituosos que muitas vezes são atribuídos ao comportamento feminino. Um desses mitos diz que muitas mulheres preferem os homens maus, aqueles que são grosseirões, porque esses seriam os machos com "M" maiúsculo. Nesse sentido, o Brutos leva muita vantagem sobre o Popeye, porque ele é mau, é bruto, é selvagem. Mas por outro lado, a Olívia também não quer perder o que lhe dá segurança e conforto. Assim, apesar de preferir os caras maus, ela também não abre mão de ter aos seus pés os caras "bons", porque os caras "bons" são bem vistos, bem quistos e respeitados na sociedade. E ela precisa das duas coisas: do selvagem e do bonzinho. O selvagem atende às suas expectativas sexuais. O bonzinho às suas expectativas sociais. Nessa história toda, o Brutos e o Popeye são as grandes vítimas. Sofrem por não entenderem que estão apostando as suas fichas em uma mulher que se diverte às suas custas, e que está se lixando para os seus sentimentos ou expectativas. Por isso, talvez a grande mensagem do desenho do Popeye não seja a importância que comer espinafre tem pra nossa saúde. Talvez a mensagem principal do desenho seja que o amor de fato é cego. E no caso do Popeye, é caolho.
Colunista: Glênio Cabral / Pós em Gestão de Pessoas e Idelizador do Site: www.novainfancia.com.br e-mail: glsilva@hotmail.com
Bóra, Bahêêêêêêêaaaaaa!!!!!!!
(*) Glênio Cabral E o Super-homem voltou. Com uma campanha convincente na série B, o Bahia retorna à primeira divisão depois de sete anos amargando o ostracismo do rebaixamento. E não é à toa que o tricolor bahiano tem o Homem de aço como seu mascote. As semelhanças entre os dois são impressionantes. O Super-homem é super-forte e indestrutível. O cara é um dos personagens mais poderosos dos quadrinhos. No Bahia as coisas não são diferentes. Afinal, só mesmo um time com super-poderes poderia continuar lotando arquibancadas em seus jogos, mesmo estando na segunda divisão por tanto tempo. Além disso, jogar em certos gramados da terceirona e da segundona é um verdadeiro teste de sobrevivência em ambientes por demais inóspitos. Coisa de super-herói mesmo... O Super-homem tem um ponto fraco: a kriptonita. É só ficar frente a frente com essa pedrinha verde vinda sabe lá de que universo, e o herói vira um bebê chorão e perde toda a sua força. O Bahia também tem um ponto fraco: a má administração dos últimos dez anos. Por ter sido gerido de forma amadora e inconseqüente, o Bahia acabou pagando o alto preço do rebaixamento. Mas isso, quem sabe, pode mudar a partir de agora. Só o tempo nos dirá... Por fim, Super-homem é apaixonado por sua eterna namorada, a Lois Lane. O Homem de aço morre de amores pela Lois, que também correspondendo à paixão do seu herói. No entanto, de vez em quando os dois andam se bicando e trocam tapas e pontapés, coisa de casal apaixonado. O Bahia também tem a sua Lois Lane: a sua torcida. Uma torcida que ama o seu time, que chora pelo seu time, que briga pelo seu time...e que também briga com o seu time. Uma torcida que, assim como a Lois Lane, vez por outra substitui os beijos de amor por tapas e palavras não muito educadas. Mas no final eles sempre se entendem. Agora, por exemplo, estão na maior lua de mel. Ai, ai, o amor.... Por isso, Bahia, é hora de voltar a voar. Voar como o Super-homem, nas alturas da primeira divisão. Voar na oportunidade do recomeço, voar nos braços da torcida, voar na força da sua tradição. Voar nessa paixão que é ser Bahia, que é ser o tricolor de aço, que é ser o maior time do norte-nordeste. Para o alto, Super-homem! A Libertadores o espera!
Colunista: Glênio Cabral / Pós em Gestão de Pessoas e Idelizador do Site: www.novainfancia.com.br e-mail: glsilva@hotmail.com
A IMPORTÂNCIA DO ESTADO DE “NÃO TER IDÉIAS”
(*) Glênio Cabral Vez por outra, diante de uma redação a ser feita, um aluno se queixa que "deu um branco total". Nesse caso ele quer dizer que foi acometido por uma avassaladora falta de idéias, o que lhe impede de começar a escrever. O problema é que essa "falta de idéias" pra muita gente não está restrita apenas a ter dificuldades para iniciar uma redação. Muitos se queixam que desejam montar um negócio, mas não têm a menor idéia do que montar. Outros falam das dificuldades que têm para iniciar determinado projeto, queixando-se mais uma vez do tal "branco". E assim, de branco em branco iniciativas são engessadas, projetos arquivados e realizações pessoais adiadas. O que muitos não sabem é que o estado de ausência de idéias é uma etapa necessária para o surgimento de invenções criativas. Acompanhe o meu raciocínio. Tudo o que existe, um dia não existiu. Então, a não existência é um estado prévio para a posterior existência. Em outras palavras, para que algo possa vir a existir, antes precisa não existir. Ou seja, para que uma grande idéia que você venha a ter possa aparecer e fazer diferença, antes ela precisa estar no "branco total das idéias". Mas o que é o branco total das idéias? Defino isso como uma espécie de limbo, um lugar abstrato, um espaço paralelo ao nosso onde todas as idéias que um dia você terá já existem, estão apenas esperando serem acionadas por seu pensamento para acontecerem no mundo real. Isso significa que toda vez que você tem um "branco", você está dando o primeiro passo para que suas idéias possam fluir. Aonde isso nos leva? À conclusão de que esforço, dedicação e transpiração não têm mais lugar no processo de criação? De forma alguma. Significa apenas que não ter idéias não é o fim do mundo. É apenas a etapa inicial para se tê-las. Há quinhentos anos o Brasil ainda não havia sido descoberto. Assim, para o mundo daquela época nosso país simplesmente não existia. Mas o fato de acharem isso não anulava a realidade da existência da nossa nação. Ela estava lá, firme, desconhecida e prontinha pra ser descoberta pelos portugueses. Assim são as nossas idéias. Muitas delas ainda não foram descobertas, mas isso não significa que não existam. Elas estão lá, no branco total das idéias de sua mente, prontinhas pra serem descobertas e desbravadas por você.
Colunista: Glênio Cabral / Pós em Gestão de Pessoas e Idelizador do Site: www.novainfancia.com.br e-mail: glsilva@hotmail.com
SHREEK É O “CARA”
Se há um personagem que tem a auto-estima no lugar é o Shreek. Verde, desajeitado, feio (para os padrões de beleza ocidental) e desprovido de noções mínimas de boas maneiras (arrota e solta puns com uma naturalidade impressionante), Shreek surge como o avesso do Patinho Feio. Enquanto o pobre pato tem vergonha de si mesmo pelo fato das pessoas o acharem "feio", Shreek tem um comportamento contrário: ele ama a sua "feiúra". E seu amor próprio é baseado na consciência de que ele não é pior nem melhor do que ninguém é apenas diferente. O mesmo não acontece com o Patinho Feio. Pra ele, a opinião dos outros é fundamental pra torná-lo feliz ou não. Então, se o mundo exterior o considera feio, ele aceita esse "achismo do mundo exterior" e sucumbi à auto-piedade. É por esta razão que a história do Patinho Feio não traz um final feliz. No final ele se torna um cisne bonito e enfim consegue se aceitar. Mas ele só se aceita porque agora todos o admiram, todos o aprovam. Triste final de história. O pato continuou refém do conceito materialista de beleza que valoriza apenas o que se vê por fora, e nunca o que se é por dentro. Por isso gosto do Shreek. O ogro está se lixando para o que tentam impor a ele em termos do que é belo ou do que é feio, do que é aceitável ou reprovável. Ele não sente inveja da beleza alheia. Pra ele, a sua amada feiúra basta. Estou certo de que perfis como o do Shreek incomodam bastante. Incomodam a ditadura da beleza, incomodam as instituições repressoras, incomodam os preconceitos que muitas vezes ditam as regras em nossa sociedade. Mas ao longo de toda a história, as grandes transformações só aconteceram porque alguém um dia corajosamente resolveu incomodar. Alguém como Shreek.
Colunista: Glênio Cabral / Pós em Gestão de Pessoas e Idelizador do Site: www.novainfancia.com.br e-mail: glsilva@hotmail.com
E A DILMA GANHOU...
E a Dilma ganhou. Particularmente eu, Glênio, não votei nela. Sempre a considerei um mero tapa-buraco do Lula, um tampão socialista, uma versão sem barbas, sem história política e sem sal do presidente. A falta de "sal" da Dilma foi reconhecida até pelo presidente Luis Inácio. Este, ao saber do resultado final das eleições, declarou que não compareceria ao comitê de sua candidata a fim de não "ofuscá-la". Como se ele, Lula fosse uma espécie de sol irradiador de luz e calor, e Dilma, sua candidata, uma espécie de lua, satélite menor que depende do sol para brilhar. Só faltava essa: Dilma, a lua. O fato é que lua ou sol Dilma agora é a nossa presidenta, e seria burrice de cada eleitor que não votou nela não torcer para que as coisas caminhem bem. Afinal, se ela for bem todos ganharemos quem votou nela e quem não votou. Isso me remete a uma reflexão acerca do papel da oposição no cenário político. O que é uma verdadeira oposição? Uma oposição responsável não tem como única função criticar o governo. Além de fiscalizar os gastos governamentais, de denunciar o uso de verbas públicas para fins particulares, de conduzir o Governo a repensar posturas adotadas em certas circunstâncias e outras coisas, uma oposição saudável também deve reconhecer as virtudes do governo que faz oposição. Reconhecer o que de bom vem sendo feito é uma postura madura e equilibrada por parte de uma oposição de credibilidade. Afinal, fechar os olhos para o que está dando certo não é ser oposição: é ser do contra só porque não se vai com a cara de alguém. Que possamos torcer pela Dilma. Todos nós. Os que votaram nela e os que não votaram nela também. E que a oposição não venha a ser uma oposição irresponsável, que só pensa em criticar o governo sem reconhecer as virtudes desse governo. Sei que não é fácil admitir pontos positivos naqueles com quem não nos identificamos. Mas fazer isso é adotar uma postura de oposição inteligente. E é o que farei agora através da seguinte declaração: "Dilma, não vou com a sua cara. No entanto, reconheço que você honra a posição de mulher tendo chegado aonde chegou. Não votei em você porque acho que você não tem preparo e muito menos história política para presidir um país. Mas ainda assim estou disposto a ajudar no que for necessário para que seu governo dê certo. Estou pronto para criticar o que não estiver dando certo, mas também a reconhecer o que estiver dando certo. Se você der certo, vai dar certo pra mim também. Vai dar certo pra todos nós. Boa sorte, Dilma."
Colunista: Glênio Cabral / Pós em Gestão de Pessoas e Idelizador do Site: www.novainfancia.com.br e-mail: glsilva@hotmail.com
"ELOGIO À MORTE"
Cada vez mais admiro a morte. Sei que muitos vão se assustar com essa afirmação e certamente estarão se fazendo a seguinte pergunta: "o que há para se admirar na morte?" Apresentarei três boas razões. Primeiro, ela é o maior programa de inclusão social de todos os tempos. A morte dá um banho no Bolsa Família e demais programas assistencialistas porque ninguém fica de fora. Ela alcança a todos. As pessoas não precisam se cadastrar para morrer, elas morrem de qualquer jeito. Ela abraça a todos de maneira fraterna e carinhosa, num encontro emocionante a sete palmos do chão. Nesse sentido a morte é muito mais socialista que o PT. Segundo, ela não se corrompe. Não fosse por isso, apenas os pobres morreriam. Mas a morte não recebe propina de ninguém. Ela não leva em conta a sua conta bancária nem o seu imposto de renda. Ao longo de toda a história, a morte nunca foi subornada. Bancários morrem. Jogadores de futebol milionários morrem. Mulheres lindas da TV um dia estarão esticadas num caixão como personagens de um filme de terror. Especuladores financeiros um dia estarão especulando na gaveta. Terceiro, ela nivela a todos. Não só os pobres, os oprimidos e os pés rapados morrerão, mas todos. Como é bom saber que os tiranos, com toda a sua empáfia e poder, um dia também acabarão em decomposição numa gaveta. Ah, como é bom saber que os corruptos também vão morrer um dia, ( acreditem, eles também morrem ), que pessoas que se acham mais importantes que outras também morrerão, ( mesmo com a sua pseudo-superioridade), que os bocais pretensiosos que passam nas ruas sem olhar para os lados e sem cumprimentar ninguém também um dia estarão espremidos numa gaveta...como é bom saber que apesar de todas as injustiças deste mundo, a morte não compactua com a segregação. Nesse sentido, ela deixa o Che Guevara no chinelo.
Colunista: Glênio Cabral / Pós em Gestão de Pessoas e Idelizador do Site: www.novainfancia.com.br e-mail: glsilva@hotmail.com
TIRIRICA E A POLITICA NACIONAL
A política brasileira em muito se assemelha a um circo. Todo circo que se preze tem um mágico que diverte a platéia com seus truques e ilusionismos. Um dos truques mais conhecidos do mágico é fazer um coelho aparecer na cartola. Na política nacional também há muitos mágicos. Só que em vez de fazerem coelhos aparecerem na cartola, eles fazem dinheiro desaparecerem dos nossos bolsos e se materializarem nas suas próprias cuecas. Nem mesmo o Mister M seria capaz de tamanha proeza. Mas um circo que se preze também tem malabaristas. Os malabaristas impressionam por sua coragem ao saltarem dos picadeiros. Na política nacional, também temos diversos malabaristas. Políticos que vivem saltando de partido em partido, como um malabarista no picadeiro das conveniências, ignorando por completo ideologias, história política e o voto que lhes foi concedido. Pergunte a um desses malabaristas o que vem a ser ideologia, e ele lhe responderá "não fui apresentado a esta senhora". Mas todo circo que se preza também tem um palhaço. O palhaço deve divertir a platéia com suas palhaçadas muitas vezes sem graça, mas que de alguma forma inexplicável agradam a maioria da platéia. Faltava um palhaço no chamado circo da política nacional brasileira. Agora não falta mais, pois Tiririca se elegeu Deputado Federal. Pronto, agora o circo está formado. Temos mágicos, malabaristas e o palhaço Tiririca. Mas o pior de tudo isso, é que a platéia desse circo somos nós.
Colunista: Glênio Cabral / Pós em Gestão de Pessoas e Idelizador do Site: www.novainfancia.com.br e-mail: glsilva@hotmail.com
SUGESTÕES PARA O TRANSITO DE SANTO ANTONIO DE JESUS
Muitas pessoas se queixam do trânsito em Santo Antonio de Jesus. Mas pra mim, o maior problema é andar nas ruas. Cada vez mais o fluxo de pessoas que andam nas calçadas é maior, o que faz com nos esbarremos uns nos outros. E esses esbarrões são extremamente irritantes. Por isso, resolvi propor um Código de Trânsito para Pedestres, que tem como objetivo aliviar essa "muvuca" que é andar nas ruas de Santo Antônio de Jesus. Em linhas gerais, o Código diz o seguinte: Artigo 1. Haverá rodízio de pedestres. Ninguém precisa ficar saindo de casa todo dia. Algumas pessoas saem de casa pra nada. Saem sem nenhum objetivo concreto. Então, a cada dia, um número de pessoas não poderá circular pelas ruas. Com uma quantidade expressiva de pessoas proibidas de circular, o trânsito de pedestres nas calçadas estará muito mais livre. Artigo 2. Os pedestres deverão caminhar num ritmo compatível com o passeio em que estiverem. Haverá placas de sinalização nas ruas definindo a velocidade. Ex: Quatro-Esquinas: 50 passos por minutos. Quem estiver abaixo ou acima disso, será conduzido à Delegacia sob acusação de estar fora de sintonia com o ritmo de passos por minuto do passeio em questão. Artigo 3. Todas as pessoas terão que usar uma placa na nuca. Esta placa identificará o pedestre que estiver andando nas ruas. Artigo 4. Será obrigatório o uso de sinalizadores laterais por parte dos pedestres. Esses sinalizadores serão colocados nas orelhas esquerda e direita das pessoas, e indicarão a direção que o pedestre estará tomando enquanto estiver caminhando no passeio. Dessa forma, quem vier atrás saberá com antecedência se o fulano da frente dobrará à esquerda ou direita, evitando assim irritantes esbarrões. Artigo 5: Estão proibidos os bate-papos de pessoas no meio das calçadas. Tem coisa mais irritante do que se esbarrar em dois desavisados que resolveram colocar o papo em dia no meio de um passeio? Assim, os infratores que estiverem atrapalhando o fluxo de pessoas através dessa prática, serão conduzidas à Delegacia sob a acusação de prática indevida de conversação na via destinada ao trânsito de pedestres. Artigo 6: Fica proibida a circulação de pessoas carregando em suas mãos mais de quatro pacotes. Esses pacotes algumas vezes caem nas ruas, causando grandes transtornos. Ao se abaixar para apanhá-los, o dono dos pacotes poderá ser atropelado pelas pessoas que vêm de traz, provocando uma situação altamente constrangedora. Artigo 7: Todos os pedestres deverão usar buzinas acopladas a seus narizes. Tais buzinas terão a mesma serventia das buzinas tradicionais dos automóveis, como alerta de perigo, atenção e até uma simples saudação dirigida a um conhecido do outro lado da rua. Basta apertar o nariz e pronto.
Colunista: Glênio Cabral / Pós em Gestão de Pessoas e Idelizador do Site: www.novainfancia.com.br e-mail: glsilva@hotmail.com
PRECISAMOS TER MAIS DIARRÉIAS
O que é uma diarréia? Podemos definir esse fenômeno de natureza fecal transbordante como uma reação do organismo contra substâncias nocivas e perturbadoras, que de alguma forma penetram no corpo e prejudicam o seu funcionamento. Assim, defecar no estilo " chuveirinho" é uma reação do organismo no sentido de expulsar tais substâncias. Mas pensando bem, acho que deveríamos ter mais diarréias. Afinal, elementos nocivos e indigestos estão presentes em muitos outros lugares e manifestações. O que dizer, por exemplo, de algumas promessas feitas por políticos em época de eleição? Muitas dessas promessas são nocivas à nossa inteligência porque claramente nunca serão cumpridas. Então, que bom seria se todas as vezes que ouvíssemos tais promessas corrêssemos para o sanitário a fim de expulsá-las de nossos ouvidos através de uma boa "caganeira". Elas rolariam descarga abaixo rumo às redes de esgoto, que é onde deveriam permanecer por tempo indeterminado. O que dizer também de algumas músicas inacreditáveis, verdadeiras pérolas da não-educação? Se todas as vezes que ouvíssemos canções com letras como " dá aqui a sua patinha" tivéssemos uma intensa indigestão, expulsaríamos dos nossos ouvidos e das nossas almas essas músicas, numa diarréia educativa. E a TV? Fico imaginando a quantidade de diarréias que teríamos todas as vezes que assistíssemos ao Domingão do Faustão, ao Big Brother, aos programas de auditório estilo baixaria e a tantas outras barbáries proporcionadas pela televisão brasileira. Teríamos que assistir TV sempre ligados ao soro, caso contrário morreríamos desidratados pelo excesso de atividade fecal. Que bom seria se assim fosse. Mas como as coisas não são assim, cabe a cada um de nós expulsar tudo aquilo que não presta através do senso critico. Porque o exercício do senso crítico é uma manifestação contra tudo aquilo que é nocivo e prejudicial a nossas vidas. O senso crítico, portanto, é como a diarréia. Colunista: Glênio Cabral / Pós em Gestão de Pessoas e idealizador do site Nova Infância. E-mail: vozdabahia@hotmail.com
O DIA EM QUE VIREI UM NINJA
Foi uma noite inesquecível. Lá estava eu, louco pra sentar-me na primeira fila para assistir a palestra "Técnicas Ninja para sua empresa". O palestrante era um japonês que se dizia mestre das artes marciais e que agora aplicava as técnicas de luta para gerenciar melhor os seus negócios. Todo mundo dizia que sua empresa dera um salto de produção depois disso, por isso o auditório estava lotado. Assim que entrei fui logo recepcionado por um homem trajado como um ninja, com espada e tudo. Ele deu um grito estarrecedor, começou a gesticular freneticamente e me entregou uma espada de madeira, dizendo " IAKIÓÓÓÓÓÓÓ!". Sentei me sentindo um Karatê Kid. Olhei para a espada de madeira em minha mão e disse pra mim mesmo: "abra a mente, abra a mente." De repente, as luzes do auditório se apagaram. Um som ao fundo dizia pra gritarmos como nunca havíamos gritado antes em nossas vidas. Era engraçado observar aqueles engravatados empunhando uma espada de madeira aos berros, como se fossem criaturas bizarras saídas de um RPG. Depois de dez segundos da mais pura histeria, o palestrante apareceu no palco encoberto por uma nuvem de fumaça e empunhando uma espada gigantesca. Pausadamente, ele falou: "Sou o mestre Okhaio, e a partir de agora convoco o espírito de Shaulim para batizá-los e transformá-los em Ninjas Guerreiros." Assim que terminou de falar isso, um caldeirão de água misturada com flores foi derramado sobre todos nós, sabe-se lá de onde. Pronto, fomos batizados pelo espírito de Shaulim. Só então o palestrante começou a exibir uma série de golpes de artes marciais mostrando como poderíamos aplicá-los ao nosso dia-dia nas organizações. Sinceramente, não vi sentido algum em nada daquilo. Pra falar a verdade, estava me sentindo um perfeito idiota, todo encharcado e com uma espada de brinquedo na mão. Apesar disso, aprendi preciosas lições com essa experiência. Primeiro, que há muita picaretagem no universo das palestras motivacionais. Não duvido que tais eventos possam trazer real proveito para as pessoas, mas tudo tem seu limite. Tentar compensar falta de conteúdo com bizarrices dessa natureza é um desrespeito às pessoas que pagaram e que esperam o retorno do seu investimento. Segundo, soluções mágicas e imediatas para problemas complexos não passam de enganação. Problemas difíceis não são resolvidos da noite para o dia, uma vez que exigem esforço, experiência e aperfeiçoamento. Isso leva tempo. Terceiro, aprendi algo útil para economizar meu dinheiro, pois após essa experiência fico sempre com um pé atrás quando vejo anúncios mirabolantes de cursos ou de palestras. E quarto, definitivamente não é legal ser batizado por um espírito chamado Shaulin.
Colunista: Glênio Cabral / Pós em Gestão de Pessoas e idealizador do site Nova Infância. E-mail: vozdabahia@hotmail.com
O PARADOXO FEMININO
Durante muito tempo a ditadura do pênis maltratou as mulheres. Por ditadura peniana entenda-se a arrogância masculina explicitada pelo machismo tão presente em nossa sociedade. Ao longo de séculos, as mulheres comeram o pão que a testosterona amassou, sofrendo explorações, abusos e humilhações em suas mais variadas formas, por parte dos homens. Mas a garra e a determinação da mulher nunca se apagaram, nem mesmo nos períodos mais difíceis da sua história. Graças à sua capacidade de superação, a mulher vem conquistando mais e mais espaços na sociedade, ocupando lugares antes monopolizados pelo macho. Mas então, surge um paradoxo: como é possível a convivência pacífica da mulher dos dias atuais, que é independente e dona de si, com certas músicas cujas letras depreciam e ridicularizam o sexo feminino? Tenho uma amiga que é um protótipo da Heloisa Helena. Minha amiga é independente, dona de si, politizada e altamente adepta dos movimentos feministas. No entanto, não perde um show de pagode com a presença desses grupos que adoram menosprezar a imagem da mulher. O mais engraçado é que nesses shows a minha amiga é chamada por esses cantores a todo instante de "cachorra", de "putona", de "cadela no cio" e outras coisinhas mais escabrosas. E sabe qual é a reação da minha amiga feminista? Ao invés de esbravejar e protestar contra o tal cantor, ela grita "gostoso!" Não entendo. Tantos anos de luta, de sofrimento e superação para conseguir um lugar mais que merecido na sociedade, e agora isso: a mais vil passividade feminista diante da ridicularização da mulher. Espero que nesse período de eleições, alguma candidata levante esta bandeira, a bandeira da moralização da imagem feminina. Vocês, mulheres, não merecem o que estão fazendo. Está na hora de vocês fazerem cara feia. Está na hora de esbravejarem de verdade.
Colunista: Glênio Cabral / Pós em Gestão de Pessoas e Idelizador do Site Nova Infância e-mail: vozdabahia@hotmail.com
![]() |
||
|
Página Inicial
|
Entrevistas
|
Vídeos
|
Fotos
|
Enquetes
|
Perfil
|
Contato
|
Desabafe
|
Publicidade
todos os direitos reservados a Marcus Augusto | vozdabahia@hotmail.com
|







A Queima Roupa 


