Seções


Artigos

Edileide Castro

Postado por: Colunista - Edileide Castro Comente agora
Dez
11
11:52h
Onde quer que você esteja, esteja por inteiro

(*) Edileide Castro

A cada dia aumenta o número de pessoas que se tornam dependentes de psicotrópicos, que tem uma qualidade de vida decadente e não conseguem ver uma saída para melhorar seu dia a dia. Talvez você esteja dentre estes e nem mesmo perceba. Uma das causas mais comuns para esta situação é o acúmulo de emoções, sentimentos e “cargas” do passado ou futuro, que não permitem vivenciar a beleza e a plenitude do seu dia a dia. Faça uma autoavaliação:

*  Você pensa mais no passado do que no presente? Está preocupado com uma situação que aconteceu ou que pode acontecer?  Você frequentemente fala do seu passado, tanto de coisas positivas que fez ou de aspectos negativos? Tem feito do seu dia a dia, um meio somente de alcançar objetivos futuros, que dificilmente chegam?

O passado faz parte da nossa vida, mas no momento em que nos detemos no mesmo, deixamos de usufruir o mais belo presente que recebemos todos os dias, todas as horas, a cada minuto, segundo ou milésimo de segundo da nossa  existência: O PRESENTE. O passado e o futuro não estão sob nosso domínio, somente sobre o momento em que vivemos temos o controle. Este sim,  precisa ser intencional e merece  toda a nossa atenção.

Veja algumas incoerências que muitas vezes acontecem:

- Os pais estão preocupados com o futuro dos seus filhos e não lhes dão a  atenção que eles precisam no presente, para serem uma pessoa mais completa e capaz;

- Os professores estão preocupados que os alunos passem no vestibular,  mas não tratam o ser integral sendo-lhes uma influência positiva em valores que não cessam ao passar no vestibular e que permitam que concluam a faculdade e sejam pessoas de bem;

- Você pode estar muito preocupado com um amigo doente, mas não lhe dá um telefonema ou faz uma visita para dizer-lhe como ele é querido;

- Você tem uma tarefa para realizar, passa horas lamentando ou preocupado com as consequências de não tê-la realizado, mas mantem-se inerte, sofrendo sem tomar atitude;

- Você está num emprego, não está satisfeito e não deseja continuar ali,  anda tão preocupado com isso que se torna um funcionário com baixa permormance e consequentemente terá dificuldade de conseguir um novo emprego.

                A grande questão é que as atitudes fazem a diferença e as mesmas são vivenciadas somente no presente. É agora (presente) que sentimos, que realizamos, que fazemos acontecer, que fazemos a diferença para nós mesmos e para as pessoas que nos rodeiam.  Muito sofrimento é causado pelo estar "aqui" embora se deseje estar "lá", ou por se estar no presente de­sejando estar no futuro ou passado. Esta divisão, falta de senso de realidade, divide a pessoa por dentro, trazendo frustração e infelicidade. Em certos momentos, aceitar a realidade, o presente, e usufruir o melhor é a única saída para a felicidade.

Se você tem dificuldade de se observar, constate isso observando à sua volta aquelas pessoas que têm uma forte tendência para se apegar ao passado, vejam como pouco realizam no presente e normalmente são mal humoradas e infelizes.

Mas o que fazer com este passado? Deixá-lo lá, no passado, trazendo para o presente somente o que for relevante. Sinta o poder do momento presente e a plenitude do Ser. Sinta a sua presença, com seus desafios e conquistas. Ao sentir sua presença poderá apropriar-se de fatos ou situações onde pode posicionar-se e ter uma atitude diferente. Pois cada dia que continua com a mesma atitude, naturalmente terá os mesmos resultados. É agora que ocorre a mudança ou a continuidade de um padrão de pensamentos e atitudes. É comum as pessoas passarem a vida esperando uma oportunidade para começar a viver.  E por tanto esperarem não valorizam o que tem no presente, mantendo um estado de frustração e de insatisfação contínuo.

Todos devemos ter foco, objetivos e sonhos, todos no futuro, mas é no agora, que você dá passos para alcançar o SER melhor e o mundo melhor que deseja. A plenitude da vida tem a essência do florescer onde está plantado. Você pode desejar chegar a algum lugar, fazer algo, sentir saudades, mas sua felicidade está na simplicidade do dia a dia, na gratidão pela existência dos momentos que tão rapidamente passam do presente para o passado, mas que deverão ser vividos tão intensamente que farão a diferença em sua vida e na vida dos que o rodeiam. Que neste dia, neste novo dia, você sinta a presença de Deus, que  preenche tua vida com  paz,  alegria e  amor. Hoje, agora!


  • Colunista Edileide Castro
Postado por: Colunista - Edileide Castro Comente agora
Out
22
20:51h
Onde estão os pais?

(*) Edileide Castro

Costumo ouvir muitas queixas de adultos acerca do comportamento de crianças e adolescentes e para surpresa deles, eu digo que criança querer coisas erradas é normal, é da natureza, o que faz a diferença é a presença do adulto em sua vida.  Adolescente querer romper as regras faz parte de um processo de normalidade da adolescência, eles tendem a querer criar suas próprias regras. Se você parasse de ler este artigo aqui, provavelmente sairia com uma péssima impressão desta pedagoga e psicanalista, que também é mãe de uma criança e um adolescente.

Vejam, digo que eles quererem é normal e faz parte do desenvolvimento deles, nós adultos permitirmos e concordarmos é outra coisa. Muitos adultos têm medo de frustrar seus filhos e são permissivos, esta educação é extremamente prejudicial para o filho e para a sociedade.

Vamos a idéias práticas:

  • A criança querer assistir a um programa de televisão que não é apropriado é natural.  Querer não significa que deve fazer, e quem define se ela vai fazer ou não dentro de uma educação ética são os adultos, são os pais. Certo dia conversando sobre isso com um pai, ele disse: - mas fazer isso dá trabalho. Vejamos, os pais querem deixar nas mãos das crianças a decisão do tipo de programa que quer assistir. Educar exige tempo, requer acompanhamento.  Onde estão estes pais quando os filhos assistem programas inadequados, jogam jogos que estimulam a violência?  Certamente a presença do adulto é decisiva, pois quem deve decidir quando se trata de valores são os adultos que educam.

 É comum ouvir as queixas sobre roupas inadequadas de adolescentes. Quem as compra? Não são os pais? Os pais não estão permitindo o uso quando utiliza seus recursos financeiros para adquiri-la? Os pais devem sim, ouvir sobre os gostos da criança e do adolescente na hora de comprar uma roupa, mas o limite, o princípio que vai nortear o tipo de roupa deve sim ter a intervenção do adulto responsável.  Alguns alegam que se não for exatamente como ela quer não usará aquela roupa, pois bem, não compre esta roupa. Em contrapartida, o adolescente deve ter a convicção de que há limites e princípios acerca das roupas que usará sobre os quais seus pais não abrirão mão. Quando sentirem firmeza por parte dos pais, ela acabará escolhendo uma roupa adequada (do seu gosto e que atenda princípios da educação que o pais querem conduzir).  “Mas depois quando ela for independente usará roupa do jeito que ela quiser”...  alguns alegam. É verdade! Mas enquanto está sendo comprada pelos pais, são eles que estão aprovando e permitindo todo tipo de roupa utilizada por seus filhos.

 Eu já vi muito menor de idade dirigindo carro, pilotando moto.  Você também já presenciou cenas de menores no trânsito. Onde estão os pais destes adolescentes? Estão às vezes dentro do carro, achando engraçado e lindo seu filho de 15 ou 16 anos dirigir. Outros cedem aos pedidos do filho ou filha porque a turma tem carro. O que estes pais estão ensinando quando são permissivos? Burlar as leis, infringir princípios, mentir, dentre outras coisas prejudiciais a formação pessoal e a sociedade.

 Quem já viu pais reclamando dos filhos porque não querem estudar? Já presenciei muitos pais reclamarem, reclamarem e reclamarem... e fazem o quê? Algumas sugestões: acompanhem a rotina de seus filhos, diminuam a quantidade de tempo na televisão, na internet, vão até a escola falar com o coordenador e receber orientação sobre o processo cognitivo, busque dar suporte quanto as dificuldades apresentadas, converse sobre os sonhos de seu filho, são os sonhos que estimulam a estudar, mais do que a reclamação dos pais.  Agir exige tempo, reclamar exige menos dos pais.  Vejam: reclamar sem agir é improdutivo.  Aliás, tem coisa mais chata do que pai reclamão? Tem: pai reclamão que fica sem tomar atitude para redirecionar a educação dos seus filhos.  Quando os pais são omissos, os filhos estão de coração aberto para receber toda a influência negativa que vem da rua. Onde você está como pai/mãe? Presente ou ausente?  É preciso cuidar dos aspectos físicos (roupas, comida, casa, pagar escola), mas para que isso seja valorizado é preciso cultivar aspectos emocionais e espirituais, desde a mais tenra idade.

Estes exemplos deixam claro que a educação não é passiva, ela requer intervenção e orientação dos pais. Sem o amor que é capaz de dizer “não” aos impulsos naturais das crianças e adolescentes, os pais estarão perdidos, esperando por mágica, que certamente não ocorrerá.

Firmes, sem perder a doçura. Este princípio é antigo e funciona bem quando lidamos com nossos filhos.  Atitude em favor da vida, da liberdade, dos valores e dos princípios éticos. Tudo começa nos pais.  


    • Colunista Edileide Castro
  1. Pedagoga, Psicanalista Clínica, Escritora, Consultora e Palestrante.
  2. edileidecastro@hotmail.com
  3. www.edileidecastro.com
Postado por: Colunista - Edileide Castro Comente agora
Out
13
18:35h
Quando a postura do Educador facilita

 (*) Edileide Souza Castro 

Ao longo da história, a escola tradicional enraizou em sua prática um sistema de valores onde a educação fragmentada é privilegiada, o ser humano é educado “por partes”, como se o estivesse numa linha de produção onde cada pessoa aperta um parafuso ou coloca uma peça e no final, a produção está concluída... “ Mas essa visão faz parte do passado!”  

Como seria bom se essa prática fosse do passado, como dizem alguns, se apenas escolas ditas tradicionais agissem nesta ótica. Infelizmente, a realidade é que muitas escolas dizem que tratam o aluno de forma integral, que trabalham a interdisciplinaridade, que vivenciam o “educar o ser”, mas na realidade não passa de propostas ou projetos, os quais teoricamente seriam acolhidos por todos os educadores. E o trabalho fragmentado e dividido persiste, por razões conscientes ou inconscientes. 

Há verdadeiramente, por parte de vários educadores, o desejo de mudar este quadro de fragmentação; eles falam e agem para tal mudança, entretanto, as resistências, assumidas ou veladas, vão minando o processo de construção coletiva. Algumas incoerências são comuns entre educadores que dizem que acreditam na necessidade de trabalhar “o todo”, mas resistem ao processo coletivo e à educação integral e  interdisciplinar: 

O educador DIZ: (discurso)

O educador FAZ:  (prática)

“A integração entre as disciplinas é fundamental.”

Trabalha de forma isolada, sem buscar a integração e interação.

“É preciso planejar ações em equipe.”

Planeja coletivamente para obedecer ao proposto, mas não age em equipe, isola-se ao longo do processo.

“A saída para a educação é trabalhar o ser. Portanto preciso trabalhar o aprender a conhecer, a fazer, a conviver e a ser.”

Nega aos seus alunos a oportunidade de vivenciar experiências ou elaborar o conhecimento de forma prática, alegando que os alunos fazem barulho e são desorganizados.

“Busco interação e diálogo com meus colegas educadores e com os alunos.”

Usa uma metodologia que favorece a concepção fragmentária.

“A educação deve ser inovadora, atualizada, avançada.”

Continua com a mesma prática de sempre, sem apropriar-se do novo e sem acreditar que há saída pela educação.

 Diante destas e de outras incoerências o trabalho pedagógico é fragilizado, o processo de ensino-aprendizagem do aluno é prejudicado e a mesmice acaba sendo a saída para manter-se uma “falsa ordem”, que dará continuidade aos conceitos e preconceitos vivenciados há tanto tempo no meio educacional. A  busca pelo acerto exige dos educadores uma postura íntegra, onde o que ele diz é realidade em sua prática. 

 Para corrigir distorções é preciso tratar o professor também como ser integral: com sentimentos, emoções positivas e negativas, desejos, limitações e uma longa história de acertos e erros, de alegrias e dores. Para romper com muitas incoerências faz-se necessário trabalhar as emoções, o desejo, que é a força que move a pessoa para atingir uma meta. Muitas reações que dificulta as relações interpessoais e pedagógicas têm suas origens nos recalques e dramas pessoais dos educadores e devem ser tratados. Assim como para Goleman, a Inteligência Emocional exigia uma nova postura pessoal: 1. Conhecer as próprias emoções; 2. Lidar com emoções; 3. Motivar-se.  4. Reconhecer emoções nos outros; 5. Lidar com relacionamentos; para haver interdisciplinaridade é necessário o desenvolvimento da Inteligência Emocional. Quando o educador trabalha seu interior, melhora-se como ser humano, sendo amante da vida e dos seus desafios, tornando-se acessível a situações de integração, interação, diálogo, sensibilidade, troca, reciprocidade, mutualidade.  

 As nossas atitudes são movidas por fatores internos.  Um educador que tem dificuldade de relacionamento, que não desenvolveu sua inteligência emocional, enfrentará uma grande barreira interna para interagir com seus colegas ou para desenvolver um projeto além da sala de aula, pois para ele, a escola ainda não é a vida. Ele pensa: “A vida do aluno é complicada e deve ficar lá fora.” Mas ele traz seu próprio mau-humor, sua indisponibilidade, sua insegurança, sua capacidade de criticar sem apresentar soluções e de ver defeitos em tudo e em todos. Aluno rejeita este tipo de educador, pois eles precisam e desejam segurança (sem repressão) e bom humor.

 Para avançar, é preciso romper com: o medo do novo, a incerteza das ações e reações, a rigidez interna, os vícios do pessimismo pessoal, as “desculpas” para não realizar, as falas negativas que fazem mal a si e contaminam os outros. Para avançar é necessário fazer a diferença em sua prática, ser notável, prosseguir no que acredita, mesmo que haja indiferença. Você realiza! 

 Educadores que têm uma prática interdisciplinar são notáveis, vão além dos livros e transmitem a vida em seus gestos e atitudes. Veja algumas características comuns a eles: flexível; organizado; responsável; cooperativo; perseverante; longânimo; empático; seguro; resiliente; otimista; coerente; íntegro; proativo; bem-humorado; busca integração; é disposto ao novo, é capaz de relacionar-se bem em meio a divergência de opinião; sem preconceito, sabe ouvir e dialogar; autoestima elevada; compartilha suas ideias; admite quando erra; divide os desafios e conquistas; interage com colegas e alunos; gosta de desafio; desenvolve sua inteligência emocional.  É maravilhoso conviver com um educador assim, pois ele é um facilitador da construção coletiva.  

 Avalie sua prática e veja em que você pode ser melhor: para você e consequentemente para os que estão ao seu redor. 

Postado por: Colunista - Edileide Castro Comente agora
Set
20
19:45h
O amor de Deus: Toque transformador!

(*) Edileide Castro

Você já conheceu alguém que abriu a torneira de sua casa e não tinha água? Eu já... Quando acontece isso, logo perguntamos se a conta foi paga, se tem algum problema nos canos, se a falta de água é só na casa ou na vizinhança também... Enfim, sabemos que existe água na fonte, mas esta água não chegou até ali para trazer seus benefícios, certamente porque os canais por onde ela deveria chegar não estão funcionando bem.

Todos que já fomos tocados pelo amor de Deus passamos a ser canal da própria essência de Deus, pois Deus é Amor! Logicamente quando as pessoas chegam perto de nós, elas esperam que o canal do Amor de Deus, que somos nós, produza atitudes de amor, assim como o canal de água transporta água. Mas do modo como falta água nas torneiras das casas, as vezes encontramos pessoas que dizem que tem a Deus, mas que não transportam este amor, não são canais do amor de Deus através de suas atitudes. Quando isso ocorre sabemos que a Fonte(Deus) permanece pronta para fluir através de cada pessoa; a falta de amor não está na Fonte e sim no canal. Como saber se somos efetivamente canais do amor de Deus? Só há uma forma, através da mudança de atitudes, diariamente. Sua vida tem passado por mudanças que demonstram este amor?

Ao sermos tocados pelo amor de Deus, passamos por um processo de transformação. A primeira transformação ocorre em seu espírito, através da salvação e a vida do indivíduo já não poderá ser a mesma.

ANTES DO TOQUE O INDIVÍDUO:

DEPOIS DO TOQUE DO AMOR DE DEUS, O INDIVÍDUO:

É egocêntrico, voltado somente para seus próprios interesses.

Aprende a dividir as coisas e a si mesmo, importa-se com o próximo.

Vive murmurando, reclamando, maximizando as dificuldades.

Demonstra gratidão a Deus pela vida e por tudo o que possui, potencializando os aspectos positivos da vida.

Tem valores materiais como prioridade.

Tem valores eternos como prioridade.

É impaciente, irritado, vive num alto nível de estresse.

Paciente com as pessoas e consigo, lida com o tempo como aliado para conseguir seus objetivos.

Sua alegria é movida por festas, bebidas, é mau humorado no seu dia a dia.

Tem alegria verdadeira e permanente. É bem humorado com as pessoas e com a vida.

Vive num conflito interno, ficando tranqüilo somente quando todas as circunstâncias são favoráveis

Possui a verdadeira paz, mesmo em meio as circunstâncias adversas.

Ama a si, sendo egoísta e interesseiro.

Ama a si e ao próximo em palavras e ações.

Está mais voltado para o TER do que o SER. Ama as coisas.

Está mais voltado para o SER do que o TER. Ama as pessoas.

Permanece preso ao rancor e amargura, quando é maltratado ou traído por alguém.

Tem capacidade de perdoar, é livre.

Trata bem somente seus amigos.

É amável com as pessoas, mesmo as de difícil convívio.

Vive sem valorizar a família.

Prioriza a família, como presente de Deus!

 Você pode acrescentar a estes, muitos outros exemplos de mudanças que o toque do amor de Deus fez e permanece fazendo em sua vida.

Se você continua a mesma pessoa, é muito provável que ainda não tem o amor de Deus em sua vida ou está precisando de conserto. Talvez você aprecie este amor, mas ainda não sentiu o toque transformador do amor de Deus através de Jesus Cristo. Vá até a Cruz de Cristo, lá você encontra todas as condições de perdão e restauração que precisa para ser canal do amor de Deus, todos os dias, por onde passar.



  1. Colunista Edileide Castro
  2. Pedagoga, Psicanalista Clínica, Escritora, Consultora e Palestrante.
  3. edileidecastro@hotmail.com
  4. www.edileidecastro.com
Postado por: Colunista - Edileide Castro Comente agora
Set
08
19:58h
Educação extremista? Educação exige equilíbrio!

Em qualquer área da nossa vida, posições extremistas trazem prejuízos. Andando pelo Brasil em muitas escolas, particulares e públicas, posso ver a perpetuação de ideias que são tão prejudiciais e que aparentemente deveriam estar fora de uso. A tecnologia tem alcançado as escolas, mas a humanização, em muitos casos, não.

 Quando entrei na escola como aluna, há 33 anos, ouvi muito a frase: “professor bom, aluno tem medo, respeita...” E para impor este respeito, nos tratavam com falta de respeito, sem ver as nossas individualidades e especificidades.  Depois que sai da sala de aula como aluna, fui ser professora, depois coordenadora e hoje estudo o comportamento humano dentro da escola, além de ser mãe de dois estudantes. Refiro-me a escola de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio, pois é nessa escola que as bases das relações são vivenciadas de forma mais intensa e com maior influência sobre a vida dos alunos e da família. Pai que só está preocupado com a nota do filho, não está educando. Educação vai muito além das notas. As notas fazem parte de um sistema, tem sua importância, mas há valores maiores que precisam também ser acompanhados todos os dias.

 Para muitas escolas, preparar o aluno para ser aprovado num vestibular é a sua bandeira, e para isso, vale tudo. Ouvi estes dias de um aluno do Ensino Médio a frase de um professor que dizia: “Comigo ninguém vai passar...” E a classe toda tirou nota baixa.  Lembrei imediatamente das frases que eu ouvia há 33 anos.  Educar significa “conduzir para...”. Para onde está conduzindo os alunos este professor que se vangloria de ter muitos alunos sem passar em sua disciplina?  Não existe outra alternativa, além de usar as provas como armas para alertar ou punir os alunos? É neste aspecto que falo dos extremos.  É como se houvesse apenas duas possibilidades: deixar os alunos fazerem o que quiserem, sem compromisso ou serem autoritários e não estabelecer qualquer vínculo com os alunos. Ter aulas silenciosas não significa aprendizado, nem tão pouco, aulas com expressões de desrespeito aos professores e colegas significa humanização.

 Um amigo Secretário de Educação em Pernambuco, sempre dizia “a questão não é apenas aprovar, mas aprovar com qualidade. É dever da escola e da família encontrar o caminho para esta qualidade.” A finalidade social da educação é o desenvolvimento intelectual, cognitivo, social, emocional. Lembro ainda da frase do Prof. Werneck: “Se escola boa é a que reprova, hospital bom é o que mata!” É bem certo que alguns pacientes não seguem as instruções dos médicos, como alguns alunos também não seguem seus educadores. Mas a essência da escola jamais deve ser a de mostrar que é boa porque os alunos são reprovados, pelo contrário, significa que a escola não encontrou o caminho para alcançar aqueles alunos, e que de forma prática a reprovação não é apenas dos alunos, como dita o sistema, a escola também é reprovada. Precisamos avaliar a nossa prática dia a dia.

Quero afirmar que existe o equilíbrio. Já experimentei como professora e posso ver e ouvir o anseio dos alunos por este equilíbrio. ““Vamos partir de dois pressupostos:” eu só posso dar o que eu tenho” e “só posso conhecer as emoções do outro, quando conheço minhas próprias emoções.” O equilíbrio está em adultos que tem inteligência emocional para lidar com crianças e adolescentes que necessitam de limites, estes educadores darão estes limites de forma afetiva, humana. Adultos desequilibrados, seja na família ou na escola, são referenciais para crianças e adolescente.

 Cabe aos adultos, reverem suas práticas no processo e puderem educar – “conduzir para” um clima de curiosidade pelo aprendizado, ao invés do terror; “conduzir para” um estado de encantamento pelo conhecimento ao invés da rejeição, pois a relação de aprendizagem, cientificamente tem sido relacionada aos aspectos relacionais, ao clima afetivo desenvolvido entre aprendentes e ensinantes.  O adulto só pode dar o que tem e o que ele tem oferecido, muitas vezes, é a incapacidade de lidar com suas próprias frustrações, por isso não sabe ensinar as crianças e adolescentes a serem frustrados de forma pacífíca, amável e equilibrada. 

 Crianças e adolescentes necessitam de limites, que devem ser dados pelos adultos que os rodeiam. Quando não ocorre isso há a indisciplina. É preciso aprender dar limites com clareza, diálogo, ouvindo com o coração, investindo no ser humano, tratando cada comportamento inadequado e diferenciando-o da pessoa que o praticou, não esperando acontecer mais uma indisciplina para tratar todas de uma vez.

 Concordo que muitas coisas mudaram na escola. Imagine que algumas escolas conseguiram entender a importância do lúdico e começam a despertar interesse das crianças pelo ambiente escolar, com aulas participativas, trabalhos em grupo, carteiras em círculo, alunos explicando assuntos mas outras permanecem bem parecidas com escolas de quatro décadas atrás.  As relações humanas precisam ser priorizadas, é preciso ouvir mais, para que ao deixar a escola e adentrar uma faculdade, nossos adolescentes levem consigo, mais do que teoria de valores, a vivências de valores, que fará a diferença positivamente e efetivamente em suas vidas.

  As escolas mostram os troféus dos seus alunos aprovados nos vestibulares. Quem tem escola para aprovar em vestibular cumpre sua missão aí, mas quem ama a vida, terá o desafio de durante o tempo de vivência deste aluno no ambiente escolar, conduzir este aluno para amar a vida, principalmente através do exemplo. Quando despertamos numa criança ou adolescente o amor à vida, estamos gerando o maior e mais precioso bem, que nada e ninguém poderá lhes tirar e que será essencial para sua felicidade, independente de qual faculdade ele venha cursar.  Afinal, a vida é um presente de Deus, a escola e a família devem ser canais de valorização a vida, não apenas em palavras, mas principalmente em ações. Que Deus nos dê consciência enquanto adultos desta geração!



  1. Colunista Edileide Castro
  2. Pedagoga, Psicanalista Clínica, Escritora, Consultora e Palestrante.
  3. edileidecastro@hotmail.com
  4. www.edileidecastro.com
Postado por: Colunista - Edileide Castro Comente agora
Ago
17
16:02h
O poder transformador da educação

(*) Edileide Castro

Há um poder transformador no processo educativo. A educação vem antes do progresso em qualquer área da vida e é fundamental para que ele aconteça. Esta verdade é conhecida ao longo da história, mas nem sempre é vivenciada na rotina das famílias, das escolas e da sociedade de uma forma geral.

 A fábula de Licurgo, um legislador grego que viveu cerca de 400 anos antes de Cristo, ilustra esta realidade, do poder transformador que a educação tem:

“Há relatos que o legislador Licurgo foi convidado a ministrar uma palestra sobre o poder da educação. Aceitou o convite, mas solicitou que dessem seis meses para que ele pudesse se preparar. O pedido do prazo de seis meses foi considerado estranho, pois era sabido de todos da capacidade de Licurgo para falar sobre este tema, a qualquer momento. O pedido foi aceito e a palestra foi marcada para seis meses adiante.

 Passados os seis meses, compareceu ele perante o público em expectativa.  Tomou seu lugar à tribuna, onde eram realizadas as falas públicas, e logo em seguida entraram dois criados, cada um trazendo duas gaiolas. Em cada gaiola havia um tipo de animal, sendo duas lebres e dois cães. A um sinal de Licurgo, um dos criados abriu a porta de uma das gaiolas e a pequena lebre, branca, frágil, saiu a correr no espaço em frente ao público. Logo em seguida o outro criado abriu a gaiola em que estava o cão e este saiu numa correria atrás da lebre. Com facilidade alcançou a lebre e a comeu rapidamente.

 Ver aquele cão comendo vorazmente a lebre foi chocante para toda a platéia. Uma grande admiração tomou conta das pessoas presentes e os corações pareciam saltar do peito. Ninguém conseguia entender o que Licurgo desejava com tal agressão. Mesmo assim, ele nada falou. Tornou a repetir o sinal para os criados e a outra lebre foi solta. A lebre saiu também correndo, saltitante como a primeira. A seguir, o outro cão foi solto.

 O povo mal continha a respiração, num suspense, devido o que havia ocorrido há poucos instantes. Alguns, mais sensíveis, levaram as mãos aos olhos para não ver mais uma lebre que corria e saltava pelo palco ser devorada rapidamente por um cão feroz. No primeiro instante, o cão correu atrás da lebre para alcançá-la como fez o primeiro. Entretanto, em vez de mordê-la, de devorá-la, bateu-lhe com a pata e ela caiu. Logo a lebre ergueu-se e se pôs a brincar com o cão. Para surpresa de todos, os dois ficaram a demonstrar tranquila convivência, correndo e brincando de um lado a outro do palco.

 Então, somente depois destas duas cenas, Licurgo falou: “- Senhores acabais de assistir a uma demonstração do que pode a educação. Ambas as lebres são filhas da mesma matriz, foram alimentadas igualmente e receberam os mesmos cuidados. Assim, igualmente, os cães. A diferença entre os primeiros e os segundos é, simplesmente, a educação.”

 E prosseguiu de forma segura e encantadora o seu discurso, falando da essência do processo educativo: “- A educação, baseada numa concepção exata da vida, transformaria a face do mundo. Eduquemos nossos filhos, esclareçamos sua inteligência, mas, antes de tudo, falemos aos seus corações, ensinemos a eles a despojarem-se das suas imperfeições. Lembremo-nos de que a sabedoria por excelência consiste em nos tornarmos melhores.”

 Entendamos que o adulto é responsável pela condução, pelo direcionamento, pela educação. Educadores na família e na escola tem em suas mãos o poder de transformar. É responsabilidade do adulto, não da criança ou do adolescente. Concordo plenamente com Licurgo e busco fazer a minha parte, em minha família e na sociedade. E você? O que tem feito para exercer este poder transformador? 

Crianças e adolescentes, nas famílias e nas escolas, esperam por adultos que lhe sejam referenciais para transformação, que sejam exemplo, potencializando valores internos positivos que se perpetuarão por toda a sua vida e que lhe garantirá realização e intervenção positiva na sociedade. Façamos a nossa parte, hoje!

  1. Colunista Edileide Castro
  2. Pedagoga, Psicanalista Clínica, Escritora, Consultora e Palestrante.
  3. edileidecastro@hotmail.com
  4. www.edileidecastro.com
Postado por: Colunista - Edileide Castro Comente agora
Jul
01
06:08h
10 atitudes assertivas do líder de sucesso

1. ACEITAR o ser humano na condição em que se encontra e mostrar-lhe que existem muitas possibilidades para melhoria e crescimento. 2. CRER que a equipe é mais forte que cada participante isoladamente. Juntos somos melhores e mais fortes. 3.SABER dar e receber feedback, estabelecendo e fortalecendo relacionamentos verdadeiros. 4. RESPEITAR as diferenças, criando condições para todos os membros se desenvolverem, reconhecendo suas dificuldades, seu potencial e principalmente, buscando sempre, a superação. 5. SER EXEMPLO. Não há outra forma de ensinar. 6. ESTABELECER uma comunicação eficaz e eficiente, onde todos saibam o quê, como, quando e por que devem desenvolver suas atividades. 7. ACOMPANHAR o desempenho dos liderados. Sempre que necessário, sugerir, delegar e cobrar, estando sempre disposto e comprometido com sua melhoria. 8.GARANTIR que todos os liderados compartilhem ideias, sugestões, criando um ambiente propício ao desenvolvimento do potencial criativo de todos os envolvidos, buscando sempre o bem comum. 9. INVESTIR tempo e recursos no crescimento pessoal e profissional seu e de sua equipe. 10. SUBSTITUIR o pronome eu pelo nós e ACREDITAR sinceramente na diferença que isso fará na sua equipe, nos resultados e na sua própria vida .  

“Você não pode mudar as pessoas. Você deve ser a mudança que deseja ver nelas.”  Gandhi 




  1. Colunista Edileide Castro
  2. Pedagoga, Psicanalista Clínica, Escritora, Consultora e Palestrante.
  3. edileidecastro@hotmail.com
  4. www.edileidecastro.com
Postado por: Colunista - Edileide Castro Comente agora
Abr
13
00:09h
APRENDA APRECIAR A VIDA

(*) Edileide Castro

 Você já conheceu alguém que reclama de tudo? Por vezes encontramos pessoas assim, e se não ficarmos atentos, nós mesmos, passamos a reclamar de situações que fogem ao nosso controle. Inicialmente precisamos entender, que apreciar a vida não tem ligação com o controle das circunstâncias, e sim, com a nossa atitude diante do que acontece conosco. Vamos pensar: criamos os nossos filhos e pensamos que eles serão de uma forma, do jeito que sonhamos, mas eles crescem e quando tornam-se diferentes do que esperamos, se não tivermos a capacidade de apreciar a vida e entender que eles podem fazer suas escolhas, ficaremos frustrados, reclamando e deixaremos de ver as muitas qualidades que eles tem. Nesta mesma lógica, ocorre em qualquer situação da nossa vida.

 John Wooden disse: "As coisas acontecem de uma forma melhor para aqueles que fazem o melhor com o que acontece." Em nosso dia a dia, decidimos o que faremos com cada acontecimento, seja na família, na Igreja, no trabalho, na escola, onde quer que estejamos. Estamos sujeitos a situações desagradáveis, que por vezes fogem ao nosso controle, mas o que deve estar em nosso controle são as nossas atitudes diante dos acontecimentos. Você fica inquieto, irritado, ansioso, quando algo inesperado acontece? Você tem tendência de querer controlar as pessoas ou situações ao seu redor? Você acha que as pessoas que lhe amam tem que fazer as coisas do jeito que você quer? Você se irrita com facilidade? Você fica mau humorado com frequência? Você fala mais do que escuta? Se sua resposta for SIM para qualquer uma das perguntas é possível que precise ajustar suas atitudes para aprender a apreciar a vida.

 Aprender a  apreciar a vida, ser grato e consequentemente ser feliz, é um aprendizado diário. Deus quer que sejamos gratos: "Em tudo dai graças!", Ele abomina  a murmuração: "Não murmureis, como alguns deles murmuraram, e pereceram pelo destruidor." A pessoa que vive num estado de murmuração, sofre muito e vive sem usufruir o melhor de Deus  para sua vida, pois sempre olha os aspectos negativos da mesma.

Desafio você a avaliar qual tem sido sua postura diante da vida. Você tem agradecido ou reclamado mais? Se você tem agradecido, certamente tem apreciado a vida e aproveitado bons momentos ao lado das pessoas com as quais convive e ama.

 Reconheça que sua atitude precisa de ajustes diariamente - Para reclamarmos não precisamos de aprendizado, é do ser humano, mas para sermos gratos, precisamos reconhecer a necessidade de agradecermos e vivenciarmos esta atitude todos os dias. Seja grato a Deus, aos seus familiares, amigos. Seja grato pela sua existência e pela existência das pessoas ao seu redor. É o começo!

  • Veja o lado positivo de tudo - Sei que há situações difíceis, mesmo nestas situações há um lado positivo. Se não vê este lado positivo (ele existe sempre), talvez seja porque sua mente está dominada pelo negativismo, pela murmuração.
  • Encontre sempre alguém positivo - As suas atitudes conduzem você a criar vínculos com pessoas de atitudes afins. Olhe ao seu redor: as pessoas com quem tem muita afinidade, costumam ser gratas, bem humoradas? Caso não, comece a aproximar-se de pessoas com o perfil positivo, que sejam gratas pela vida, que encarem os desafios com bom humor. Nesta nova perspectiva verá que serão boas influências para a sua mudança de atitude.
  • Diga algo positivo em todas as suas conversas - Antes de tomar qualquer decisão comece a observar sua fala. Você fala das coisas boas da vida, das bênçãos, ou só tem boca para falar das coisas ruins? Comece a vigiar sua fala e decida falar mais coisas positivas da sua vida, e para isso já deverá "ter melhorado sua visão" - vendo aspectos positivos em qualquer situação. É uma questão de decisão!
  • Elimine as palavras negativas do seu vocabulário - Se você decidiu apreciar a sua vida, uma das coisas que precisa fazer é mudar seu vocabulário. O que você fala tem poder sobre suas atitudes, Tiago já dizia isso há muitos anos: "Todos tropeçamos de muitas maneiras. Se alguém não tropeça no falar, tal homem é perfeito, sendo também capaz de dominar todo o corpo." Tiago 3.2. Substitua palavras como -"Se eu pudesse fazer", "não consigo" "estou com medo", "nunca dá certo", por expressões como: "eu farei", "eu consigo", "estou confiante", "vai dar certo". ... Como disse Henry Ford, "se você acha que pode, ou que não pode fazer alguma coisa, você tem sempre razão."
  • Demonstre sua gratidão aos outros diariamente - Apreciar a vida exige que compartilhemos nossa existência com pessoas, e neste compartilhar está a oportunidade de vivenciarmos o amor cristão, através da gratidão aos outros. Quem acha que pode viver sozinho, que não precisa compartilhar sua vida, tende a ser murmurador, mau humorado e infeliz. Está distante da vontade perfeita de Deus. Você quer ser feliz? Precisa exercitar a gratidão aos que o rodeiam.

 Aprenda a aproveitar a jornada, apreciando a sua vida. Você é precioso aos olhos de Deus! Sua vida é preciosa! Vivemos uma única vez. Jamais poderemos voltar e recuperar um segundo sequer, perdido com murmurações, contendas, mau humor ou semelhantes. Devemos viver a nossa vida aproveitando a jornada. A felicidade, a "vida plena", a "vida abundante" é para HOJE. Deus nos ilumine, sempre!

 

 

Edileide Castro Pedagoga, Psicanalista Clínica, Escritora, Consultora e Palestrante. www.edileidecastro.com / edileidecastro@hotmail.com

Postado por: Colunista - Edileide Castro Comente agora
Fev
19
22:56h
FAMÍLIA & ESCOLA: RELACIONAMENTOS QUE EDUCAM

(*) Edileide Castro

A família teve origem em tempos remotos da humanidade. As ações pedagógicas, tiveram sua origem na Grécia antiga, onde surgiu a figura do pedagogo: "aquele que conduz a criança".

Se para existir escola é preciso que exista prioritariamente a família, por que tantas escolas insistem em manter as famílias distantes? Por que muitos professores, coordenadores, orientadores educacionais e até diretores, procuram manter os pais ausentes do ambiente escolar?

A família e a escola devem ter objetivos com foco em comum no que diz respeito a educação das crianças e adolescentes. Como saber dos objetivos se não houver relacionamento? A parceria se dá pelo relacionamento aberto, franco, íntegro, consistente, pelos objetivos definidos entre os adultos que educam, pela capacidade para ouvir, refletir e redirecionar a partir de valores emocionais, morais e espirituais. Quando um pai ou mãe matricula um aluno na escola, ele deve no mínimo, saber quem responde por aquela instituição e qual o canal de comunicação que existe entre a escola e a família. Não há mais espaço para escolas que querem ser "ilhas", onde os pais não têm acesso, escolas que se acham onipotentes e autossuficientes, que não conquistam, não orientam e nem se relacionam com os pais. Para obter sucesso na educação das crianças e adolescentes é necessário investir também na educação dos pais.

Ouvi de uma senhora com cerca de 65 anos: "No meu tempo o povo tinha limite e não tinha escola; o povo hoje tem escola e está sem limite. Parece que a família está entregando os filhos para a escola e a escola não está recebendo" A percepção desta senhora é verdadeira, é preciso interromper o ciclo vicioso das palavras não cumpridas, dos relacionamento superficiais, da incoerência entre o que se diz e o que se faz, tanto da parte da escola quanto da família.

Se você é pai ou mãe: Você sabe o nome dos professores dos seus filhos? Você já teve algum contato pessoal com este professor? Quando percebe alguma mudança de comportamento dos filhos, você entra em contato com a escola para conversar sobre o que está acontecendo? Você sabe a quem procurar? Você acredita na escola e busca soluções para conflitos, sem apontar erros e falhas da escola para seus filhos? Você tem liberdade para questionar pacificamente alguma postura ou procedimento que considerou inadequado dentro da escola? Você conhece a proposta político-pedagógica? Se você respondeu SIM a todas estas questões, possivelmente você tem um bom relacionamento com os educadores da escola.

Se você está na escola (professor, coordenador pedagógico, orientador educacional, supervisor, diretor ou qualquer outra função): Você conhece e trata as crianças e adolescentes pelo nome? Você conhece as famílias? Quando percebe alguma mudança de comportamento em seus alunos, após intervenções pessoais, você entra em contato com a família para conversar sobre o que está acontecendo? Você sabe a quem procurar da família? Nas reuniões com pais, você orienta ao invés de criticar e apontar falhas? Você conhece a proposta político-pedagógica da escola que trabalha e tem atitudes coerentes com a mesma? Se você respondeu SIM a todas estas questões, possivelmente você tem contribuído para um bom relacionamento entre sua escola e os pais dos seus alunos.

Haver uma aliança entre pais e professores é essencial, produtivo e eficaz. A própria escola tem de mostrar coesão e transparência, trabalhando em equipe, entre si, e em relação à família de seus alunos. A Escola pode dar o primeiro passo, pela própria base de formação da qual é portadora. É importante ter em mente que as reuniões de pais e mestres não são para falar mal ou bem do aluno, ou do filho, e sim reportar seus progressos e dificuldades, discutindo melhorias ou soluções de problemas. Pais e escola devem educar juntos (e não separados) para um bem maior. A criação de um verdadeiro cidadão, construtor de um futuro melhor para as próximas gerações, depende desta aliança, do relacionamento e da confiança mútua entre família e  escola.

Nesse processo de construção os pais e professores não devem ser vistos pelas crianças como pessoas ansiosas, vítimas das circunstâncias, desamparadas e descontentes, sofredoras e desprovidas de fé. Assim, será construído, na infância, o caminho do exemplo. A família e a escola são parceiras na construção deste caminho. Não se dá felicidade aos filhos ou alunos, mas pode-se ser exemplo de felicidade, de resiliência, de empreendedorismo, de elevada autoestima, de automotivação e de amor a vida e ao Autor da vida!

O exemplo faz toda a diferença, como diz Albert Schweitzer "Dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros. -  É a única."

 

 Edileide Castro

  • Pedagoga, Psicanalista Clínica, Escritora, Consultora e Palestrante.
  • www.edileidecastro.com
  • edileidecastro@hotmail.com
Postado por: Colunista - Edileide Castro Comente agora
Fev
15
22:09h
Cuidado com a armadilha da autossabotagem

(*) Edileide Castro

 Em determinados momentos da vida reconhecemos que estamos prontos para dar um novo salto, para efetivar uma mudança profunda de estilo de vida, investir num novo empreendimento, numa nova relação afetiva, fazer aquisição de um bem, chegamos até a mudar de cidade, de emprego, mas, aos poucos, nós nos pegamos fazendo os mesmos erros de antes. É como se andássemos, andássemos e nos deparássemos no mesmo ponto. Caímos em armadilhas criadas por nós mesmos. Nos autossabotamos. Isso ocorre porque, apesar de querermos mudar, nosso inconsciente ainda não está preparado para a mudança. 

A Autossabotagem é um mecanismo de defesa e punição que está diretamente ligado à baixa autoestima. O que é mais impressionante na auto-sabotagem é que ela só ocorre quando estamos nos sentindo bem. 

Há uma voz interna que escutamos e obedecemos sem nos darmos conta. É como se fossem ordens de nosso inconsciente geradas por frases que escutamos inúmeras vezes quando ainda éramos crianças. Estas frases, fortalecidas pelos comportamentos e respostas do entorno familiar foram ganhando força dentro de nós. Tornam-se modelos mentais que comandam nossas emoções, interferem em nossas escolhas, limitam nossas percepção de capacidade e superação e nos mantém presos pela rejeição.

"Modelos mentais são pressupostos profundamente arraigados, generalizações, ilustrações, imagens ou histórias que influenciaram na nossa maneira de compreender o mundo e nele agir."   Peter Senge

Infelizmente todas as famílias tem as suas  frases e comportamentos destrutivos. Desde a escolha de favoritos pelos pais, apelidos, comparações, rótulos. Muitos adultos ainda estão presos a frases do tipo: "Porque você não é inteligente como seu irmão?", "Você faz tudo errado.", "Você não sabe fazer nada.", "Você não deveria ter nascido.", "Não queríamos mais filhos e aí você chegou...", "Você não presta.", "Vai virar vagabundo", "Fulano não quer nada." e tantas outras malditas frases que esmagam a alma dos filhos e os tornam reféns de uma autoimagem reduzida e fragilizada. Muitas vezes a preguiça e o orgulho são expressões de autossabotagem, isto é, de nosso medo de mudar."

Dificilmente as pessoas percebem a  autossabotagem. A pessoa cria uma ilusão na  mente de que há  uma solução imediata para o conflito que está vivenciando, assim evita o enfrentamento da dor ou a ameaça da mudança. Por exemplo: uma menina cresce num ambiente familiar hostil onde prevalece a dor e  a traição e ouve frequentemente da mãe que casamento é ruim e que ela nunca queira casar ou nunca confie em um homem. Ao tornar-se adulta, se esta pessoa não tiver consciência do modelo mental que  possui, é muito provável que não conseguirá manter-se numa relação estável para não ser ameaçada pelo medo de fracasso imposto pelo modelo mental. Ainda que alguém invista ou insista em querer o relacionamento ela conseguirá, através de comportamentos destrutivos proteger o modelo  e garantir que ele se reproduza nela como uma sombra da experiência infantil. Não são poucas as pessoas que destroem suas famílias e plantam um pomar de sofrimento por não compreender que pode, hoje, fazer escolhas e confrontar os modelos da sua alma.

Tenha coragem de olhar para si mesmo. "Temos uma imagem idealizada de nós mesmos, que nos impede de sermos verdadeiros." Muitas vezes não queremos pensar naquilo que sentimos, pois, em geral, temos dificuldade para lidar com nossos sentimentos sem julgá-los.

Sermos abertos para com nossos sentimentos demanda sinceridade e compaixão. Reconhecer que não estamos sentindo o que deveríamos sentir ou gostaríamos de estar sentindo é um desafio.

É nossa autoimagem que gera sentimentos e pensamentos em nosso íntimo. Podemos nos exercitar para identificá-la. Tudo que está dentro de você exerce poder sobre você.
A questão é não perder o contato interno: a percepção do que necessitamos a cada momento. A autopercepção é como uma âncora que nos mantém atentos às constantes mudanças internas. O bem estar surge da confiança de sermos capazes de nos autossustentar continuamente, mesmo diante de situações em que nos tornamos frágeis e emocionalmente reativos.

Para saber se há autossabotagem, faça a seguinte pergunta: "O que eu sei de mim mesmo que preferia não saber?". A resposta desta pergunta revelará a auto-imagem responsável por nossos comportamentos repetitivos de autossabotagem. Ao encontrar a auto-imagem que gera sentimentos desagradáveis, temos a oportunidade de confrontá-la e superá-la.

"Nós nos autossabotamos quando saímos de nosso propósito de vida. Cada um tem um propósito na vida e quando não vibramos de acordo com a intenção deste propósito nossa vida fica cheia de obstáculos."

Mantenha a autopercepção e confronte continuamente seus sentimentos e  comportamentos. Enquanto não formos capazes de ver, de compreender, de perceber nossos desejos e atuar de modo coerente, cairemos na autossabotagem. Aceite o desafio de viver dias melhores e  de curtir a jornada da vida na companhia daquele que te ama desde a eternidade.

 

 Colunista: Edileide Castro

Pedagoga, Psicanalista Clínica, Escritora, Consultora e Palestrante.

www.edileidecastro.com // edileidecastro@hotmail.com

Postado por: Colunista - Edileide Castro Comente agora
Fev
11
00:55h
DESENVOLVENDO A HABILIDADE DE ADMINISTRAR CONFLITOS

"Para haver conflito, bastam duas pessoas." Esta máxima aplica-se a todos os tipos de relacionamentos. Se entre um casal, que são pessoas que pressupostamente se amam, podem ter dificuldades, conflitos; imagine então sendo cinco, vinte ou cem pessoas. As probabilidades de atrito aumentam na proporção direta da quantidade de pessoas envolvidas. Choques de interesses individuais, grupais e organizacionais, extravasamentos de medo, ansiedades e frustrações, falta de inteligência emocional, luta pelo poder e pelo status quo, hábitos prejudiciais, neuroses e mudanças estruturais, essas são as principais causas de conflito entre funcionários.  O ambiente escolar é também, um espaço onde ocorrem muitos conflitos e exige dos educadores habilidade para resolver ou administrar os conflitos existentes.

Definição de papéis, estabelecimento de metas em comum e política de incentivo e acompanhamento de ações diminuem consideravelmente a possibilidade de conflito. Diminuem, mas não eliminam, pois o ser humano é caracteristicamente dinâmico e inquieto em relação a interesses e emoções.

Então, já que os conflitos, cedo ou tarde, em pequenas ou grandes proporções, acabarão fatalmente surgindo, não se trata de perguntar o que fazer para abafá-los, mas o que fazer para administrá-los. Abafar o conflito equivale a varrer a sujeira para debaixo do tapete, acreditando que a limpeza foi feita. Mas, ela continua lá embora oculta, e com o tempo não haverá mais como esconder o excesso de sujeira acumulada. Portanto, administrar o conflito é uma atitude positiva e madura que deve ser adotada por todas as gestões.

E, embora possa parecer paradoxal, nem todos os conflitos são necessariamente ruins. Muitos deles funcionam como agentes catalisadores de esforços e idéias. Outros propiciam até melhoria de relacionamento entre as partes, depois de resolvido o confronto. Por que se administram conflitos? Administram-se conflitos por vários motivos: para manter as pessoas motivadas, para alcançar metas dentro do grupo, para facilitar o trabalho em equipe e para poder gerenciar mudanças.

DEZ SUGESTÕES DE ATITUDES PARA UMA BOA ADMINISTRAÇÃO DE CONFLITOS:

1) Buscar a solução do conflito. 

2) Analisar a situação e buscar alternativas de solução:

            - QUAL é realmente o problema?

            - O QUE aconteceu?

            - QUEM está envolvido?

            - Desde QUANDO vem ocorrendo?

            - ONDE aconteceu o desentendimento (em que departamento, setor, área geográfica)?

            - POR QUE ocorreu o conflito?

            - Poderia ter sido evitado?

            - Que opções você julga mais plausíveis para resolver o conflito.

3) Manter um clima de respeito.

4) Aperfeiçoar a habilidade de ouvir e  falar.

5) Concentrar-se no problema ou comportamento e não na personalidade das pessoas.

6) Procurar uma solução onde todos ganhem. Não precisa haver um perdedor e um ganhador.

7) Agir proativamente, sempre no sentido de eliminar conflitos.

8) Evitar preconceitos e ser imparcial.

9) Manter a calma e o foco.

10) Reconhecer seus erros, quando estiver errado.

 " Por trás de toda pessoa que fere tem alguém ferido."  Tenho contribuído para aumentar ou diminuir os conflitos onde convivo?  Sou alguém confiável? A minha palavra é sempre pautada na verdade dos fatos? Administro minhas emoções em meio aos conflitos?  É preciso as pessoas virem a mim para mostrar meus erros ou faço uma autoavaliação e busco melhorar a cada dia?

 Busquemos em Deus a capacidade de visualizar as verdades e aprender a administrar a nós mesmos e consequentemente aos conflitos, com os quais convivemos. Tudo começa em nós! Quando aprendo administrar meus conflitos internos tenho grandes chances de aprender administrar positivamente os conflitos com outras pessoas. Este é o desafio: viver bem consigo e consequentemente, com as pessoas ao nosso redor. Acusar sempre os outros é uma fuga. Se estou sempre envolvido em conflitos preciso avaliar a minha postura e mudá-la. Somos seres sociais e coletivamente devemos viver. Imagine uma pessoa que vive envolvida em "fofocas", confusões, embates, falatórios, descontrole, gritarias... e ainda diz que é "vítima", que todos são contra ela.

Devemos estar preparados emocionalmente, agindo com atitudes de equilíbrio, autoconhecimento e crescimento pessoal, ampliando a percepção das próprias emoções, favorecendo envolvimentos mais empáticos e sadios, o que só trará benefícios. Afinal, para lidar bem com as emoções dos outros precisamos conhecer nossas próprias emoções, ter  controle do temperamento, adaptabilidade, persistência, amizade, respeito, amabilidade e empatia.

Aprender administrar conflitos é parte do aprendizado educativo no dia a dia, pois "o ser humano é aquilo que aprende, sobretudo o que aprende para saber conviver e ser, para ser mais humano e mais feliz."

 

 

 

Edileide Castro

Pedagoga, Psicanalista Clínica, Escritora, Consultora e Palestrante.

www.edileidecastro.com

edileidecastro@hotmail.com

Postado por: Colunista - Edileide Castro Comente agora
Nov
11
18:18h
QUAL A ESCOLA IDEAL PARA SEU FILHO?

(*) Edileide Castro

É bastante comum ouvirmos alunos insatisfeitos com determinadas escolas e os pais bradarem que eles vão continuar estudando lá, independente de gostarem ou não, pois acreditam que escola não é lugar para gostar, e sim para estudar e  aprender.  Concordo que nem sempre a criança ou o adolescente tem discernimento para fazer a melhor escolha, mas é preciso considerar o que pensam sobre a escola onde estudarão; afinal, se existe algo que os pais não podem fazer por seus filhos, é estudar.

Os pais podem escolher a escola que consideram a melhor, podem dar todas as condições físicas, emocionais e logísticas; mas a decisão final de envolver-se no processo de aprendizagem é essencialmente do aluno, com uma boa parcela de contribuição da escola, especialmente dos professores, que conduzem o processo de ensino-aprendizagem. A presença dos pais na escola tem sido cada vez mais incentivada, pois entende-se a importância do respaldo familiar ao que é vivenciado dentro do ambiente escolar, além de ter a consciência de que a escola recebe o reflexo das atitudes dos pais com os filhos, sejam positivas ou negativas.

Precisamos entender que a "escola ideal" não existe. O que há é a escola adequada para cada pessoa. Por exemplo, pais que visam exclusivamente que o filho passe no vestibular, vai procurar uma escola, que desde o Ensino Fundamental I vivenciem os "simulados" e "vestibulinhos" , pois para estes pais, a escola adequada é aquela que "não perca tempo" com projetos, aula passeio, ludicidade, atividade criativa e socialização. Desde cedo a criança precisa estudar muitas horas por dia, não pode perder tempo com brincadeira. A escola adequada para este pai, certamente não será a escola adequada para meus filhos.

Nada é mais revelador do perfil dos pais do que a escolha da escola dos seus filhos. Alguns pais colocam seus filhos em determinadas escolas porque é "a escola da moda". "Se os meus amigos colocaram seus filhos eu também vou colocar os meus". Outros acreditam fielmente em tudo o que é proposto na reunião e não acompanha o dia a dia do seu filho, a rotina que às vezes é desmotivadora ou permissiva; ainda há pais que entregam à escola a tarefa de educarem seus filhos, esquecendo que aos pais cabe a responsabilidade de educar, a escola deve ser parceira.

Há escolas diferentes, porque temos crianças e  adolescentes com perfis diferentes e pais que anseiam o desenvolvimento de aspectos diferentes na vida dos seus filhos.

Uma escola tradicional, atende perfeitamente a pais que têm como meta principal ver o filho nas melhores universidades.  Em alguns casos, focam os valores, por vezes, impõem determinadas regras que devem ser seguidas sem questionamento, o que não gera aprendizado, nem senso crítico ou autocrítico.

Certo dia, conversando com uma professora sobre um determinado aluno do quarto ano do Ensino Fundamental I, ela descrevia que ele era muito inteligente, que aprendia com facilidade, que nas revisões respondia corretamente, tinha iniciativa, participava bem das aulas mas que não tirava uma nota boa porque na hora da prova não respondia tudo o que aprendeu. Ficou claro que aquela professora só sabia avaliar através da prova escrita; o que é uma característica típica de escola tradicional.

Há escolas sociointeracionistas, construtivistas, socioconstrutivistas, em aspectos gerais, estas escolas valorizam a educação integral do ser, promovendo o aprendizado de forma diversificada, com atividades que desenvolvam a criatividade, o raciocínio lógico, o senso crítico, a vivência de valores, o gosto pela leitura espontânea, a concentração em atividades prazerosas, enfim, valoriza os vários estilos de aprendizagem e processos avaliativos. Acusam estas escolas de deixarem os alunos a vontade, outros defendem: "nessa escola o aluno é respeitado e tem um ambiente de realização, de desenvolvimento e aprendizado vivencial". 

Encerro esta reflexão com um pequeno texto de Rubem Alves:

"Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.

Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.

Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado."

 

 Colunista: Edileide Castro

Pedagoga, Psicanalista Clínica, Escritora, Consultora e Palestrante.

www.edileidecastro.com // edileidecastro@hotmail.com

Postado por: Colunista - Edileide Castro Comente agora
Set
23
23:05h
A ADOLESCÊNCIA – CONHECER PARA MELHOR CONVIVER

A perda dos rituais e a complexidade do mundo atual exigem amadurecimento mais individualizado e problemático. Mas as dificuldades não são apenas dos jovens. Afinal, a "aborrecência" existe ou o termo serve para estigmatizar os adolescentes?

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a adolescência é um período da vida, que começa aos 10 e vai até os 19 anos, 11 meses e 29 dias, e segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente começa aos 12 e vai até os 18 anos, onde acontecem diversas mudanças físicas, psicológicas e comportamentais. Nessa fase ocorrem pelo menos três fenômenos importantes do desenvolvimento humano: do ponto de vista biológico, a puberdade, com o amadurecimento sexual e reprodutor; do ponto de vista social a passagem da infância para a vida adulta, com a assunção de papéis adultos e a autonomia em relação aos pais; e, do ponto de vista psicológico, a estruturação de uma identidade definitiva para a subjetividade (projeto de vida).

O final da adolescência ocorre quando o adolescente recebe plenas prerrogativas de adulto.

A adolescência geralmente é dividida em três períodos: 

1) Pré-adolescência ou Adolescência Menor / Fase Pré-puberal: O marco principal da pré-adolescência ou adolescência menor é o aparecimento da puberdade. As mudanças biológicas da puberdade são iniciadas e controladas por interações complexas de sistemas gonadal e adrenal e pelo eixo hipotalâmico-hipofisário. A atividade dos hormônios produz as manifestações clínicas da puberdade, tradicionalmente categorizadas como características sexuais primárias e secundárias. As características primárias são aquelas diretamente envolvidas no coito e na reprodução: órgãos reprodutor e genitália externa. As características secundárias incluem o desenvolvimento dos seios, alargamento nos quadris nas mulheres, e crescimento de pêlos faciais e mudança no tom de voz, nos homens. As grandes transformações orgânicas impõem dificuldades de ajustes mentais correspondentes, daí uma fase de grande retraimento.      

 2)Adolescência Intermediária ou Média / Fase Puberal / Puberdade: Dois importantes eventos biológicos ocorrem, durante este período de transição entre o início e final da adolescência:     

  • os meninos finalmente alcançam e ultrapassam a altura e peso das meninas;
  • a menarca (primeira menstruação) já ocorreu na maioria das meninas.

Consequentemente, os temas de sexualidade, imagem corporal, gravidez, papéis estereotipados para homens e mulheres, popularidade e identidade estão entre as múltiplas preocupações, frequentemente opressivas aos adolescentes, durante este estágio.                                                          

 

3) Adolescência tardia ou Adolescência Maior/ Fase Pós-Puberal / Pós-puberdade: Este período dura por cerca de três a quatro anos e termina quando os relacionamento do adulto jovem são estabelecidos. É uma fase de fortes sentimentos e emoções, com intensos relacionamentos de oposição. Duas importantes tarefas durante este período são: 

  • ü transformar-se, de uma pessoa dependente, em uma pessoa independente e
  • ü estabelecer uma identidade.

Ambas as tarefas são assumidas durante a adolescência, mas estendem-se até a idade adulta e devem ser retrabalhadas ao longo de todo o ciclo vital.

O conceito de "síndrome da adolescência normal" foi criado para evidenciar exatamente este aspecto: na passagem da infância para a vida adulta, mais do que um período de tempo, o sujeito terá de cumprir a tarefa de viver os lutos pela perda do corpo infantil e dos pais da infância, ressituando-se subjetivamente como adulto. Aqui devemos ressaltar a presença da palavra "luto", que revela a perda de algo muito valioso. Essa perda é vivida com grande sofrimento, mas temos de criar meios de substituí-la por novas aquisições reais, imaginárias e simbólicas. Características comuns: ser do contra, ter manias, comer alimentos diferentes, vestir-se de forma estranha, cultuar ídolos, passar a gostar mais dos amigos que dos pais, conhecer novas religiões e até mesmo experimentar variadas formas de ser.  

Todas essas vivências são comportamentos que fazem parte do processo de experimentação para encontrar a forma nova do ego. Estar meio deprimido, chorar sem motivo aparente, ser alegre de forma exagerada, reivindicar atitudes inesperadas dos pais são parte dessa elaboração do luto. O processo também pode ser vivenciado com angústia, depressão e agressividade.

É importante salientar que na contemporaneidade todas as passagens são problemáticas, pois os parâmetros históricos foram perdidos para todas as etapas do crescimento humano, por conta da complexidade do mundo ocidental contemporâneo. Assim, é difícil crescer, adolescer, ser adulto, assumir a paternidade, envelhecer e morrer.

O adolescer dos pais de hoje já é antigo e o novo adolescer lhes parece problemático, mais pela falta de identificação entre o processo de amadurecimento das diferentes gerações que propriamente porque estamos diante de uma "juventude perdida". O que perdemos foram as semelhanças: outrora o adolescer era o mesmo durante séculos, além de ser totalmente ritualizado. Hoje, com a velocidade das mudanças, o adolescente de uma geração causa estranhamento e perplexidade para a anterior. Todos sofrem com isso. Os pais, principalmente, sentem-se desorientados e vivem o luto da perda do filho dócil, companheiro - e muito idealizado, que agora os troca pela "balada com a turma" e não é mais o primeiro aluno da classe. Os jovens, por outro lado, ficam expostos a um excesso de crítica, são estigmatizados e, infelizmente, muitas vezes abandonados e incompreendidos.

O adolescer é um dos eventos cheios de emboscadas que temos de enfrentar na vida moderna. As crises relacionadas às transformações envolvem a todos. Pais, educadores e profissionais da saúde também fazem parte dela e frequentemente manifestam sintomas ao enfrentar a convivência com os jovens, revivendo suas próprias adolescências. O desamparo e a necessidade de criar os próprios rituais de passagem estão presentes em todos os períodos da vida humana, como no envelhecer, no aposentar-se e até mesmo no morrer. O homem contemporâneo está pagando, e caro, com solidão e angústia a troca dos rituais tradicionais pela liberdade e pela  individualidade.´

Cada adolescente quer revelar seu valor e sua existência:

"SE ME AMAM, EXISTO."

"PRECISO SER VISÍVEL."

"VOU MOSTRAR MEU VALOR."

"RESPEITEM MINHA OPINIÃO!"

"EU FAÇO O QUE EU QUERO!"

O adolescer implica os pais, que também vão viver um processo de mudança de seus papéis, deixando de ser os admirados e poderosos pais da infância, para ser apenas os pais despidos do imaginário infantil. Nesse processo, alguns entram em pânico ao perceber que já não precisam ser tão cuidadores e presentes como antes. Existem situações em que o processo de amadurecimento e busca de autonomia do adolescente é experimentado com tão grande sofrimento pelos pais que o medo da perda dos filhos não pode ser vivido. Assim alguns pais não conseguem mais enfrentar o desafio e as dificuldades que envolvem a tarefa de exercer a paternidade de um adolescente. Muitos se deprimem, se angustiam e usam o discurso dos perigos e dos riscos para impedir que o filho cresça, mantendo-o na posição infantil, a fim de garantir a posição de pais de uma eterna criança. É comum esse processo de domínio sobre o filho ser perpetrado com atitudes autoritárias, geradoras de grandes..conflitos..familiares.

Os educadores escolares também têm enfrentado dificuldade de lidar com este adolescente, pois querem manter a mesma postura do tratamento infantil. Na verdade, a forma mais provável de sucesso dentro do espaço escolar é a de envolver, motivar e acolher este adolescente, sendo então um referencial positivo, entre tantos negativos que o rodeiam. "Quero ser amável como meu professor." "Como é bom assistir a aula daquele professor que entende a gente!"

 

Colunista: Edileide Castro

Pedagoga, Psicanalista Clínica, Escritora, Consultora e Palestrante.

www.edileidecastro.com

edileidecastro@hotmail.com

Postado por: Colunista - Edileide Castro Comente agora
Set
15
21:32h
EDUCAÇÃO: LIMITES E AFETIVIDADE

"As crianças e os adolescentes de hoje estão sem limites e agressivos."  Esta afirmativa tem sido bastante utilizada por educadores nas escolas e dentro do ambiente familiar e  traz junto um questionamento: O que fazer?

 Se olharmos de forma superficial a impressão que temos é que esta situação vivenciada pelas crianças e adolescentes é algo que foge ao controle dos adultos: um equívoco! Desde que há registros da humanidade, as crianças buscam formas de burlar as regras sociais pela satisfação pessoal e precisam ser orientadas, educadas continuamente pelos adultos que as rodeiam.

Quantos professores reclamam do comportamento dos seus alunos e continuam com as mesmas aulas, as mesmas "falas", as mesmas reclamações e nenhuma atitude que possibilite uma resposta positiva por parte dos seus alunos? Qual pai ou mãe não sabe que é muito importante parar e dar atenção ao seu pequeno filho ou que o diálogo e a amizade familiar são o melhor antídoto contra as drogas, prostituição e outros males? Qual professor não sabe que uma boa conversa em particular funciona bem melhor do que um discurso ou uma exposição pública de um aluno que cometeu algum erro?

 "Sabemos" mais do que fazemos. E só "saber" não funciona, é necessário agir. Precisamos entender as nossas motivações, as nossas emoções e decidir colocar em prática atitudes que levem a transformações verdadeiras. Partimos então da ideia de que se os alunos e os filhos estão sem limites ou desajustados afetivamente, os adultos que os rodeiam precisam mudar suas posturas, afim de serem influências positivas: "eu só posso dar o que tenho".  Pais responsabilizam as escolas pela educação dos seus filhos e as escolas, em muitos casos, sentem-se incapazes de intervir em tantos conflitos emocionais, pois há necessidades que jamais serão supridas dentro de um ambiente escolar. Os pais não podem e nem devem fugir desta realidade: os filhos necessitam da segurança de amor, de aceitação e de valorização dos pais. Por outro lado, a escola precisa parar de só reclamar a ausência dos pais e fazer a sua parte. Professores têm grande influência, negativa ou positiva, na vida dos seus alunos, mas o professor só pode oferecer a seus alunos o equilíbrio que existe nele, por isso a importância de trabalhar as emoções do professor.

 O grande desafio hoje é achar o equilíbrio entre exercer autoridade sem ser autoritário, é saber estabelecer os limites necessários de forma afetiva, valorizando o ser humano, trabalhando a autoestima. É  normal para a criança querer romper os limites, avançar. Cabe ao adulto, não apenas dizer o que não deve ser feito, mas o quê e como fazer. O que geralmente observamos nos lares, nas escolas ou simplesmente nas ruas, são adultos que não estão dispostos a pagar o preço de dar limites aos seus pequeninos. Não se dá limites porque é fácil, e sim, porque são essenciais.

 Junto com o limite dado pelo adulto, a criança cria um senso de satisfação. Quando a criança tem todos os seus desejos satisfeitos, ela continua com a ideia inicial de "onipotência" e isto gera um alto grau de insatisfação. Apesar de terem tudo, esses meninos estão sempre mal-humorados, insatisfeitos, como "pequenos tiranos". Estabelecer limites é oferecer à criança ou ao adolescente os extremos, a fronteira  até onde ela pode ir. Determinar esta fronteira é dever, inicialmente, dos pais e posteriormente, também dos educadores na escola. Quando estes limites são estabelecidos, a criança ou adolescente pode vir a achar ruim, ficar de cara feia, mas fique tranquilo: está tudo certo. Eles reagem e junto com esta reação há um aprendizado para o resto da vida: aprender a lidar com a frustração; o que é necessário e saudável.

 Ao estabelecer limites, alguns alunos deverão ser acompanhados e para isto lembre-se:

- Seja coerente: o que é certo não é circunstancial;

- Demonstre compaixão e amor: o amor deve dominar as atitudes dos educadores quando corrigem, a raiva manifesta deve ser controlada;

- Tenha expectativas ou regras claras: o aluno deve saber exatamente as regras e limites acerca da vida coletiva e da convivência;

- Seja relevante: as atitudes devem ter graus de relevância e formas diferentes de ser tratadas;

- Evidencie o perdão: quando um aluno admite um erro, não deve receber de volta a lista de seus erros anteriores; trate uma questão de cada vez; evite ser rancoroso;

- Tenha firmeza: nunca devemos desistir de nossos alunos ou pensar que não há esperança para eles. Seu comportamento não deve afetar o nosso amor por eles: as ações de disciplina devem ser firmes e acompanhadas de amor.

 Tratar de um comportamento negativo leva tempo, pois não é apenas dar uma bronca é tratar o coração e isso exige tempo. Os professores que deixam acumular questões e as querem tratar todas de uma vez, enfrentam muitas dificuldades.

 A afetividade positiva é a base da ação para estabelecer limites. Paulo Freire dizia há muitos anos que " não se pode falar em educação sem amor." Sem amor não há como disciplinar, ser exemplo, guiar, andar junto, enfim educar. Cada educador deve pensar que ao passar pela vida de um aluno precisa marcar positivamente. Parafraseando Madre Tereza de Calcutá: "Não permita passar pela vida de um aluno sem torná-lo melhor." Este é um desafio diário, que exige de nós, educadores, uma postura de amor a vida e ao ser humano que somos e que educamos. A cada novo dia temos a chance de fazer a diferença na vida dos nossos filhos e  alunos. Que Deus nos ilumine sempre!

Colunista Edileide Castro

Pedagoga, Psicanalista Clínica, Escritora, Consultora e Palestrante.

edileidecastro@hotmail.com

www.edileidecastro.com

todos os direitos reservados a Marcus Augusto | vozdabahia@hotmail.com