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Uberdan Cardoso

São muitos os super heróis da minha vida...

Uberdan Cardoso   Postado por Colunista - Uberdan Cardoso - 06/09 17:30h
São muitos os super heróis da minha vida...

Ao ser alfabetizado, me embrenhei no universo das histórias em quadrinhos. Vivi heróis urbanos como o Batman, de Gotham City, Demolidor, de Manhattan e Homem Aranha, de Los Angeles. Da África, o Fantasma, o Pantera Negra e o Tarzan, do fundo dos oceanos vinha Namor, o Príncipe Submarino e dos planetas inventados, Thor, de Asgard e Superman, de Kripton. Esse foi o meu mundo infanto juvenil. Cresci lendo as aventuras desses super heróis que salvavam o mundo de todos os males...  

E por tanto tempo acreditei em todos eles e tantas vezes me senti cada um deles. Senti falta, é verdade, de um Super Herói brasileiro, e cresci convivendo com a única referência nos quadrinhos que aludia ao meu país: O Zé carioca, a melhor identidade que Walt Disney construiu do Brasil. Já crescido, sinto falta do meu mundo pueril e da ludicidade que o inebriava. 

Mas é isso mesmo. Não vou lamentar os tempos idos. Foram vividos! 

Desse tempo ficaram as lembranças e uma certeza: Super heróis NÃO EXISTEM! 

O problema é que, ultimamente, nesses ares tropicais, eles estão vivíssimos. Apresentam - se como salvadores da pátria. Têm solução para tudo e pregam o ecumenismo político. Da história, aprendemos que o universo político tão complexo, não é pragmático. 

Política é paixão. Um amontoado de sentimentos, de comportamentos e de éticas. Seus resultados, por mais que sejam objetivos e, em regimes de excessão nem sempre são, traduzem uma mística incomparável a qualquer outra ciência humana. 

O nosso modelo republicano, assentado em base presidencialista é de uma fragilidade risível. E isso porque o nosso federalismo, ajustado ao molde norte americano se desajustou. 

A nossa República não é PÚBLICA, nunca foi. O nosso presidencialismo é parlamentarista e o federalismo centraliza o poder na União. Aí soma – se o histórico da Escravidão, das Ditaduras e do Patrimonialismo do Estado Brasileiro que resulta em um país pouco sério, com um povo pouco afeito a debater a ética da pólis e querendo que Super Heróis apareçam para salvar a todos. 

O que precisamos é de Partidos Políticos sérios. Não na teoria, nos conteúdos programáticos, nas teses, porque ai todos são. Mas na essência dos compromissos coletivos. Nos anos iniciais do Império nasceram os nossos primeiros partidos políticos, o Liberal e o Conservador. Sem nenhuma distinção ideológica e representando apenas facções da elite agrária, ainda assim eram partidos.

A República nasceu, praticamente, à luz de um partido só, o PRP (Partido Republicano Paulista) que aliado aos militares e aos seus homônimos espalhados pelo país, protagonizaram o golpe que baniu o Imperador e sua família. 

A República não inaugurou tempo novo e, em sua primeira fase, nos trouxe a alternância de São Paulo e Minas Gerais no comando do país. Era a famigerada Política do Café com Leite. Nos anos 1920 surgiu o PCB (Partido Comunista do Brasil), nos 30 a ANL (Aliança Nacional Libertadora) e a AIB (Ação Integralista Brasileira), fruto da retórica mundial que opunha Comunistas e Fascistas no entre guerras. 

Com o colapso do Estado Novo, Vargas cria o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) e o PSD (Partido Social Democrático) e os setores mais conservadores agrupam – se na UDN (União Democrática Nacional).

 Após o AI – 2 (Ato Institucional n 2), já na Ditadura Militar, fomos absorvidos pelo bi partidarismo onde, à partir de então, ARENA (Aliança Renovadora Nacional), partido dos Militares e MDB (Movimento Democrático Brasileiro), partido da oposição, eram as duas únicas agremiações legais do país. 

Só com a Nova República que permitiu – se o pluripartidarismo e com a Constituição de 1988 a legitimação dos mesmos. O problema é que partidos viraram redutos de prostituição, na acepção pejorativa da palavra e, promíscuos, denotam valor irrelevante ao eleitor. O valor em questão, no entanto, é que precisamos de Partidos, não de Super Heróis. Sem eles a nossa democracia, ainda incipiente, vai às ruínas. 

Não devemos aceitar a ordem como está, é verdade, e o que urge é a necessidade de uma Reforma Política referendada por uma nova Constituínte, para entender se precisamos mesmo de um presidencialismo, de um sistema bicameral, de reeleição, de voto não distrital e obrigatório, de financiamento privado de campanhas, etc. 

As nossas experiências de resolver os problemas do Estado Brasileiro com Super Heróis foram mal sucedidas. Lembro – me de Jânio Quadros, que com sua vassoura iria “ varrer a corrupção do Brasil ” e governou só sete meses, Collor, “ o caçador de Marajás, que permaneceu dois anos, e os populistas que deram alicerce de isopor à nossa democracia.  Acho que para as eleições que se avizinham temos dois projetos claros: 

Um liderado pelo PT (Partido dos Trabalhadores) e outro pelo PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira). Esses projetos distintos em alguns pontos, alguns nevrálgicos, vem a duas décadas disputando os espaços de poder. O PT ainda tem no Estado seu maior estandarte, e através dele promoveu políticas públicas de inclusão inegáveis, o que permitiu aos desassistidos e invisíveis da República alçar vôos antes impossíveis. O PSDB arvora – se, e é verdade, em ter estancado o fluxo indomável da inflação e estabilizou uma economia que mais dava ares de ciclones do que céu de brigadeiro.

 E essa dicotomia é interessante, pois PT e PSDB são assim, como siameses. Um não tem aprendido a viver sem o outro nem o outro sem o um. Eles têm travado os grandes debates das últimas décadas. Erram por ouvirem pouco as bases e pensam ser onipotentes. E têm razão, os dois, afinal, são Partidos! Os outros são táxis alugados para percursos curtos. Exceto os mais à esquerda, como PSOL, PSTU e PCO, até porque não foram contaminados pelo vírus do poder. 

Eu sempre tive lado. Sou de Esquerda e convicto. Também sou Petista, nesse caso menos convicto. E não pela onda, mas por entender que precisamos nos reinventar. Discutir o Partido além dos governos. PSDB não sou e nunca serei. E não é por simpatia, é por ideologia! 

Mas tem MARINA agora que, como uma catarse, tem trazido pessoas de todas as idades para as suas fileiras. Parece mesmo um Tsunami. E, se eleita, trará tragédia. Marina quer governar com os “bons” de cada partido. Coitada! A sua razão presbiteriana não a convence que todos os partidos são bons. As pessoas é que são más. Marina não é má. Como Dilma e Aécio também não o são. A diferença é que os dois últimos tem sustentação partidária. Ela não!  

E olhe que não trago como argumento o seu fundamentalismo religioso. Trago uma construção histórica para explicar que governantes não são Super Heróis. Não governam com varinhas de condão, nem resolvem problemas estruturais num piscar de olhos. 

Enfim, no meu mundo de Super Heróis, tinha também o Super Pateta.

  1. Uberdan Cardoso - Professor de História
  2. Vereador PT Sto Antonio de Jesus
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O Galícia e as nossas Migalhas

Uberdan Cardoso   Postado por Colunista - Uberdan Cardoso - 03/01 06:22h
O Galícia e as nossas Migalhas

Não me sinto entusiasmado com essa ideia de Santo Antonio de Jesus abrigar o Galícia Esporte Clube para a disputa do Campeonato Baiano de 2014.

Não vou reduzir o meu argumento a (in) conveniências político – partidárias, mas vou levantar algumas reflexões que todo santantoniense deve fazer. Em alguns casos, eu mesmo, na condição de Vereador, terei respostas, a demora é termos a confirmação que o que hoje é promessa vire realidade.

Por exemplo, a Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer tem dotação orçamentária reduzida para a demanda apresentada e, alegando que em 2013 trabalhou com um orçamento aprovado em 2012, deixou de apoiar importantes projetos e/ou pessoas que certamente ajudariam a edificar o nome de nossa cidade.

Veja bem, precisamos de Planejamento. Essa pasta, que abrange Esporte, Cultura e Lazer é extremamente complexa. Desde que o São João se tornou um espetáculo em nossa cidade (o que não quer dizer Tradição), aproximadamente 80% dos recursos desta secretaria destinam - se à festa e os parcos valores que restam são, geralmente, mal distribuídos. E por quê? Porque com a ausência de Planejamento, artistas, atletas, grupos culturais, etc, mendigam a pires na mão e só os apadrinhados sorvem algumas migalhas.

O Prefeito, assim como prometeu e alardeou, deveria (deve), desmembrar essa Secretaria. E caberá aos Secretários e equipe, formular um plano de gestão, ouvindo, é claro, as representações (Conselhos) e mapear indivíduos, manifestações e projetos. A ideia é formular um calendário de atividades que abranja os festejos cívicos e tradicionais, os campeonatos de futebol, as atividades de Vôley, Basquete, Handbol e Futsal, além de promover nos espaços públicos, a começar das escolas, os Festivais da Canção Estudantil, os concursos de Grafitagem, o Hip Hop, o Xadrez, o Dominó, fomentar o espaço rural para rota de Bici e Moto cross, o estudo da barragem do rio da Dona como área de turismo aquático, a construção de pistas de Skate.

O incentivo às Artes Plásticas, a Música, o Teatro, a Capoeira e as Artes Marciais...

Parece muito. E é! Por isso falei da complexidade da pasta, por isso sugeri o desmembramento, por isso falei em Planejamento.

Uma cidade com demandas tão plurais não deve se contentar com tão pouco.

Acho bom participarmos do Campeonato Intermunicipal de Futebol. Mas é justo gastarmos sem planejamento, importando amadores “profissionais da bola”, sem nenhuma identidade com a cidade, recebendo nunca menos que um milhar de reais, casa com piscina, transporte e boa comida?

O Galícia Esporte Clube, antigo Demolidor de Campeões, teve seu último título baiano em 1968 e hoje, depois de 14 anos, voltou a Primeira Divisão do campeonato Baiano. É, sem dúvida, uma agremiação simpática e, se fizer do nosso José Trindade Lobo a sua casa, certamente será abraçado por nossa gente.

Mas não é ai que reside o problema. Qual a relação custo/benefício dessa estratégia de atrair o Galícia?

Recebermos Bahia e Vitória em nossa cidade é um bom argumento?

Que seja. Mas é pouco!

Por que cidades mais robustas economicamente, sobretudo as da Região Metropolitana não seduziram o Galícia?

A contrapartida de um time fraco e sem perspectivas em um campeonato ridículo como o baiano é, no máximo, 2.500 lugares ocupados a R$ 20,00 em alguns jogos. E todos sabem que qualquer time hoje, no mundo, para sobreviver, faz da venda de ingressos sua terceira ou quarta receita. Daí vem a minha preocupação: O que faremos então pelo Galícia?

Cantaremos o Hino azulino em espanhol, lotaremos nosso estádio e vibraremos com os gols de Fafá (sempre ele, aos 45 anos) e repletos de alegria por mais uma vitória do Galícia rumo às semi  finais ( a final será Bahia x Vitória), assistiremos ao Globo Esporte pra ver se a gente aparece na TV.

Só lembrem - se de guardar o troco da pipoca. Certamente algum atleta ou artista santantoniense estará na porta do Estádio aguardando alguma esmola.

  1. Uberdan Cardoso - Professor de História
  2. Vereador PT Sto Antonio de Jesus
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Padre Mateus, Niemeyer e os Ambulantes

Uberdan Cardoso   Postado por Colunista - Uberdan Cardoso - 20/03 16:25h
Padre Mateus, Niemeyer e os Ambulantes

*Por Uberdan Cardoso                      

As cidades brasileiras tiveram origens diversas. Em sua pluralidade, umas nasceram inspiradas no modelo grego de acrópole, no alto, sob forte estrutura de defesa, como a cidade do Senhor, a Soteropólis São Salvador (SSA). Outras, como Feira de Santana, surgiram, como o próprio nome sugere, de feiras do sertão onde, longe do mar, tropeiros, vaqueiros e até padres aventureiros desbravavam o interior com os pés, o gado, o charque, o couro, diamantes e metais e as drogas do sertão.

Outras, ainda, originaram – se de Missões Jesuíticas, de pousos de passagem, de refúgios de negros fugitivos ou de aldeias indígenas. Ou seja, nem todas nasceram do traçado poético de Niemeyer.

A nossa Santo Antonio de Jesus traz em suas origens a ousadia do padre nazareno Mateus Vieira que, também comerciante, descobrira nessas terras o cordão umbilical que une religião e comércio, sempre um ótimo negócio. A venda de farinha da terra, à base de mandioca, a construção da Capela em homenagem a Santo Antonio, a feira, a catequese dos índios Pedra Branca, o rio Sururu, o Padre Mateus... Eis as nossas matrizes!

A Capela do Padre deu nome à cidade. E ela cresceu.

Nossa URBE cresceu desordenada. Orgulha - se, mas não se preparou para ser a “Capital do Recôncavo”. Não há planejamento urbano. Os bairros periféricos carecem de infra estrutura mínima, as condições higiênico - sanitárias são péssimas. Há anos as políticas de Assistência Social limitam – se a programas federais, os índices educacionais, (IDEB), nos últimos anos, atingiram níveis menores do que os das cidades vizinhas, Unidades de Saúde da Família carecem de profissionais especializados, quando não de gaze e esparadrapo.  As áreas de lazer e entretenimento, privadas.

Essa cidade, que tem DNA comercial, não se preparou para produzir cérebros. Arvora – se, agora em ser pólo universitário. Não podemos apenas distribuir diplomas. Não temos o direito de alocar no mercado analfabetos funcionais. Precisamos de pesquisadores. Precisamos de FUTURO.

Desenvolver essa cidade é organizar – lhe um Plano Diretor, é buscar entender seus vetores de crescimento e oportunizar o que ela tem de melhor: a sua gente!

O nosso protagonismo não está em disputar eleições como se fossem gincanas ou governar para torcidas organizadas. O nosso protagonismo está em eleger a meritocracia, em zelar a coisa pública, em elencar prioridades.

Nesse momento, por exemplo, a ordem do dia em Santo Antonio de Jesus é, como dizem, a questão dos “Ambulantes”. Em uma referência aos vendedores ambulantes do centro e das praças da cidade.

Ora, é claro que a questão não se limita apenas aos vendedores ambulantes. Há uma conjuntura a ser analisada. Aliás, criteriosamente analisada. E não são apenas Decretos que vão solucionar os problemas da cidade.

Problemas de infra estrutura urbana como o de mobilidade, afligem a nossa cidade, sobretudo em seu epicentro: a Praça e as vias que lhe dão acesso. O aumento do número de automóveis, o reduzido espaço para estacionamento, a ausência de um “calçadão”, a inexistência de ciclovias, as construções irregulares, o sensível afluxo de pessoas para o centro da cidade, tudo soma – se a uma importante questão social: o desemprego.

A reduzida oferta de emprego associada à péssima qualificação profissional, fez com que grande parte da população santantoniense migrasse para atividades informais. E como os grandes centros, a exemplo da capital, não mais os atraem, pelo contrário, os expulsam, as opções são o tráfico, que já é latente, a clandestinidade do fabrico artesanal de fogos ou a aventura pelo universo urbano da venda ambulante. E olhe que temos nesse campo de atividade, uma riqueza em diversidade.

Vende – se de tudo, amendoim, churros, CDs piratas, bolsas, relógios, churrasquinhos, pipoca, caldo de cana, frutas, camisas de clubes de futebol, cofres, chocolates e até, pasmem, ACARAJÉ!

Grifo o Acarajé, o bolinho de fogo dos iorubás que, junto à Baiana, devidamente caracterizada e seus saberes e fazeres à base do azeite de dendê são patrimônio cultural imaterial do povo brasileiro e, dessa forma, não podem ser tratados como mero comércio ambulante, aquele que altera a paisagem afinal, elas, as Baianas e seus tabuleiros, compõem a paisagem.

E mesmo aqueles que alteram a paisagem, que sujam as ruas, que impedem o direito de ir e vir do cidadão não podem ser tratados como “gado humano”. Entendo que precisamos garantir às pessoas direitos constitucionais, como entendo que precisa haver a regulamentação do uso do solo público e que isso valha para os condomínios, para os bares, para as revendedoras de automóveis e, é claro, para os vendedores ambulantes. Só não acho que o Ministério Público esteja acima do bem e do mal. Medidas impositivas, à revelia de pesar as conseqüências sociais, raramente são eficazes, pelo contrário, produzem mais problemas. Essas medidas encerram – se em si e não vem acompanhadas de condições educativas ou ações posteriores que melhorem a vida das pessoas e o resultado quase sempre é: “Tudo como antes no quartel de Abrantes.”

Nem todos os ambulantes são iguais. Não só pelo que vendem, mas pelo que representam. Alguns são simbólicos, nativos, constroem com os transeuntes uma relação de cordialidade, com os fregueses, uma relação de fidelidade. Não me refiro àquele que migra de cantos alheios ou ao comércio paralelo e desleal dos que não pagam um só centavo por um alvará.

O poeta diz que a “Praça é do povo como o céu é do Condor.” O fato é que, desde o Padre Mateus, perdemos a identidade com a Praça. Não a respeitamos. Prometeram - nos a Praça dos sonhos e, enquanto essa não vem, nos dedicamos a destruir a que existe. Afinal, ela não é mais nossa, ela é uma Praça real, e a nossa verdadeira é a dos sonhos.

Entendo a complexidade desse problema, sei ainda da dificuldade de organizar quem, por natureza é desorganizado. Sei que soluções derivam de respeito às regras, mas sei também da eficácia de se discutir coletivamente os caminhos.

Quero uma cidade para viver, para transitar livremente, para poder educar meus filhos e transformá – los em cidadãos. Quero uma cidade com identidade, com memória, planejada e que cuide do seu POVO.

Ressuscita Niemeyer...!

  1. Uberdan Cardoso - Professor de História
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Sobre o Hospital e Maternidade Luis Argolo

Uberdan Cardoso   Postado por Colunista - Uberdan Cardoso - 24/02 04:25h

(*) Por Uberdan Cardoso

Mais uma vez usei a Tribuna da Câmara de Vereadores para tratar do assunto "Hospital e Maternidade Luis Argolo". Sei das dificuldades das Santas Casas Brasil afora, inclusive a nossa, que tem em sua história o patrimônio de ter sido o berço da maioria da nossa gente.

Faz tempo, ouvimos à boca pequena, que o nosso querido Luis Argôlo padece com a precariedade dos serviços, a falta de atendimentos especializados em alguns setores (a exemplo da Pediatria), o atraso dos salários dos servidores assim como o contumaz desrespeito às leis trabalhistas.

Compreendo as dificuldades em gerir um Hospital de médio porte, o curto orçamento e as dificuldades em firmar parcerias, sobretudo com organizações governamentais são os problemas mais emblemáticos, mas o Hospital Luis Argôlo parece ter feridas mais profundas e por isso incuráveis.

Esta Confraria não pode ser tratada como um Hospital Público, tampouco como um Particular, já que seu aspecto filantrópico o coloca equidistante entre esses dois pólos. Mas, então, o que se vê? Um Hospital que exige ser tratado como público e nos trata como fosse particular.

Esperava, depois da inauguração do Hospital Regional, o óbvio. Que o Luís Argôlo tivesse oxigênio para, mesmo no limbo, respirar. Com a demanda reduzida, limitaria – se à especialidade materno – pediátrica, inclusive com a promessa do Governo do Estado em inaugurar novos leitos para UTI neonatal. O Hospital sofreu um Break Up, uma partilha que mais parece uma fratura exposta. São tantas instituições privadas ocupando a área que outrora pertencera ao Hospital que, sem a planta original, não sabemos onde ele começa ou termina.

Há alguns anos fiz algumas denúncias graves sobre o Luis Argôlo, não sei se por isso, logo houve uma intervenção que resultou em uma auditoria que, ao que parece, nada apurou de irregular, ao menos nós, a sociedade, não fomos informados.

Não tenho o interesse em aumentar a crise e não vou aqui sugerir malversação. Mas constrange perceber que, ao menos, podíamos ter uma auditoria técnica e não uma intervenção política, que, com transparência saberíamos qual a verdadeira situação desta Instituição que fecha – se n`um conclave fraterno e omite a todos a sua radiografia.

Tomei a iniciativa de convidar, via requerimento, o antigo e o atual provedor da Santa Casa para que eles possam detalhar a real situação. Até porque acredito na ressureição do Hospital e Maternidade Luis Argôlo, pois sei que juntos, governos, corpo médico e sociedade, podemos encontrar uma solução.

O que não dá é para pôr cheque em branco em caixa preta. 


  1. Uberdan Cardoso - Professor de História
  2. Vereador PT Sto Antonio de Jesus
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O Mal do Carnaval

Uberdan Cardoso   Postado por Colunista - Uberdan Cardoso - 04/02 11:37h

Dizem que o Carnaval é a oportunidade de sermos felizes com “data marcada”. E eu, vejo nos rostos das pessoas esse contentamento. Essa alegoria perene chamada sorriso que, imune às mazelas do cotidiano, parece se eternizar nesses dias do nosso calendário.

O feriado, o trio, o abadá, a praia, o beijo, transcendem o cansaço, o risco, o ferry...

Carnaval é isso. É catarse. Cheiros, prazeres, calores, sabores e ritmos.

Mas eu não gosto do Carnaval!

Tipo assim, como no fim do ano. Sou mais o Réveillon do que o Natal. Sou mais São João que Carnaval. Como vinho, sabe?

Há pessoas que estendem o Carnaval para os outros dias do ano. Avançam pela quaresma, lotam as churrascarias na Páscoa, arrocham no Corpus Christi, trieletrizam os festejos juninos e depois da odisseia pelos bares na Festa da Padroeira, a overdose dos Finados.

Adoro esse hibridismo cultural, esse catolicismo popular que me trouxe às rezadeiras, benzedeiras, parteiras, os chás e as romarias. Esse duplo pertencimento que lava as escadarias da Igreja do Bonfim de branco para brindar a Oxalá, que saúda Nossa Senhora da Conceição com um sonoro Odoyá, que é filho de Oxóssi e veste – se com as armas de Jorge.

Que os altos dignitários não me leiam, mas esse “carnaval” é ótimo, essa geleia geral que culmina nessa baianidade, nesse pertencimento, nessa identidade cultural.

Mas para por ai.

O Carnaval que atrai vultosos investimentos e que tornou – se “o maior espetáculo da terra”, incide sobre as pessoas como a magia de Midas. Excludente, transformou gente em “Pipoca” e, dos ensaios pré-carnavalescos ao encontro dos trios na quarta feira de cinzas, o verão baiano é menos sol que coreografias.

A Baía, de todos os Santos e de fertilidade infinita, parece apresentar a cada Carnaval uma nova divindade: a Santa Bunda Nossa de Cada Dia!

E os devotos, que já são abundantes, desfilam a sua idolatria.

As bundas, pensantes, funcionam como comissões de frente de um enredo pífio. Uma cultura de massa, descartável, que assim como exilou inúmeros bons artistas e bandas nas prateleiras das lojas de discos de vinil, içou verdadeiras anomalias ao êxito.

Músicos alheios a partituras agridem melodias e harmonias. Mas impõem um ritmo. Um ritmo que, por si, não seria ultrajante se as letras não desafiassem o bom senso, não desabonassem o valor humano e opusessem – se a ética.

Entendo a nossa pluralidade cultural e seria ingênuo de pensar a Bahia sem a sua musicalidade. De Caymmi aos Doces Bárbaros, de Riachão aos Novos Baianos, sei da magnitude da música produzida neste pedaço de Brasil. Acompanhei a irreverência do Camisa de Vênus, a serenidade de Elomar, o entusiasmo de Raimundo Sodré, a denúncia de Wilson Aragão, o samba poesia de Edil Pacheco.

Uma Bahia que pariu Glauber Rocha e Roberto Pires, que adotou Verger e Caribé e doou Jorge Amado ao mundo, não pode ficar refém de uma indústria cultural vil, canalha e fascista.

Sei que alguns podem pensar: Que bobagem! Com tanta coisa importante para se preocupar e estamos aqui pautando um tipo de música, inofensiva, que tem a única e precípua função de entreter, como algo maligno e visceral.

O problema não está apenas no gênero musical (que é paupérrimo), está no tipo de comportamento que advêm dela.

A apologia às drogas e ao tráfico e a violência contra a mulher são as mensagens mais evidentes. Na linguagem subliminar, fica uma concepção de identidade onde o desprezo à leitura e a educação formal é latente. E o que é pior, esse tsunami não se encerra no Carnaval. Ele acompanha a todos (sobretudo os jovens), dia a dia, nas correntes metalizadas, nos tênis, nas gírias, nas bermudas a um palmo do cós, enfim, num comportamento que baliza a construção desse novo tipo de civilização.

Talvez outras músicas, de outros tempos, tenham carregado um teor racista, machista e desabonador (O teu cabelo não nega, Nega do cabelo Duro, Cabeleira do Zezé, etc), mas nada se compara a excrescência produzida em ritmos alucinantes nos dias atuais. Tudo isso para nutrir meninos e meninas que repetiram a sétima série ou jovens que vão à faculdade com o mesmo compromisso que vão ao shopping, ou ainda, a meros mortais que, quando leem, leem apenas livros de autoajuda.

É por isso que eu não gosto de Carnaval. 



  1. Uberdan Cardoso - Professor de História
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