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Um dia dos namorados diferente

07/06/2011 21:43

(Glênio Cabral)

No dia 12 de Junho de 2010, eu e minha namorada procurávamos um lugar pra jantar em Santo Antônio de Jesus. Saímos de casa às 20:30h, na certeza de que em poucos minutos estaríamos sentados num bom restaurante. Então entramos em um deles. Ou melhor, tentamos entrar. Pra nosso azar o estabelecimento estava superlotado, com pessoas entrando pelas janelas e outras aguardando na fila de espera. "Tudo bem", eu disse. Vamos procurar outro restaurante".

Minutos depois já estávamos aos empurrões tentando entrar em outro local. E assim como no restaurante anterior, casais disputavam com ferocidade o mesmo espaço. Lembro-me que fomos em direção a uma mesa que aparentemente estava vazia, quando fomos surpreendidos por rosnados. Isso mesmo, rosnados. No início pensei que algum tipo de fera estava à solta no local. Um leopardo, talvez. Mas depois percebi que eles vinham de um casal humano, que rosnava pra nós reivindicando a mesa que pensávamos estar vazia. Acabei saindo de lá rosnando também, e pirado da vida disse pra minha namorada: "Vamos procurar outro lugar."

E procuramos. Procuramos em dois, três, quatro e nem sei mais quantos restaurantes da cidade, e nada... Todos lotados, com casais amontoados, estressados e rosnando por todos os lados. Aí, me bateu o desespero. Primeiro porque me senti culpado por não ter reservado uma mesa com antecedência. E segundo porque a essa altura minha namorada já estava com um bico que mais parecia uma tromba de elefante. Foi então que tive uma idéia:  

"Vamos pra lanchonete da rodoviária!"

A lanchonete da rodoviária fica sempre aberta, e a julgar pela nossa situação parecia ser a única opção que tínhamos. E lá fomos nós pra lanchonete da rodoviária. Chegando lá, fomos muito bem atendidos. Nada de pessoas aglomeradas e dispostas a brigar por mesas escassas. O recepcionista logo percebeu nossa situação e tratou de nos acalmar. Ele nos disse que outros cinco casais já haviam passado ali pelos mesmos motivos, o que diminuiu um pouco o meu sentimento de culpa. O fato é que minutos depois já estávamos saboreando um delicioso pastel de queijo, regado a suco de laranja e refrigerante. Romântico, não? Acho que minha namorada pediu um americano e um bauru também. E se eu não me engano encerrei a noite com uma banana real.  

      Naquela noite aprendi o óbvio: tudo é perfeito quando se está com a pessoa certa. Ao lado de quem se ama até mesmo uma banana real pode se tornar um manjar dos deuses. Um ótimo Dia dos Namorados a todos! E muito obrigado a competente equipe da Lanchonete da Rodoviária, que nos atendeu com educação, competência e sem rosnados.

 

 


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