ArtigosA cegueira do nosso Pensamento08/07/2011 13:09Por André Gustavo Barbosa Pensar de forma intensa a complexidade do mundo é um desafio para cada ser humano. Ver o “todo”, com suas infindáveis conexões e variáveis é quase impossível para o nosso limitado modelo mental e para nossa estrutura física cerebral. Sempre vemos e entendemos “partes” de um todo. Somos condicionados a isso. Precisamos ser assim para ordenar os fenômenos que nos acontece, para organizar nossas vidas e a estrutura social que vivemos. Buscamos sempre afastar o incerto, o ambíguo, a desordem, o improvável, aquilo que não tem uma explicação lógica e racional. Assim limitamos nosso pensamento. Assim criamos a cegueira que nos levou a barbárie do pensamento e nos faz estar, segundo o Epistemólogo e Filósofo Edgar Morin (2005), ainda na pré-história do espírito humano. Para avançarmos e evoluirmos nosso modelo de pensar, é preciso exercitar o pensamento complexo e entender a complexidade. Está é originada da palavra compluxus, que quer dizer “o que é tecido junto”, e significa um tecido de constituintes heterogêneas inseparavelmente associadas (Morin, 2005). Na complexidade sempre estará presente o eu (Uno) e o todo (múltiplo), sendo assim, ela é composta de inúmeros elementos e variáveis, que juntas formarão algo que nem sempre terá a forma material ou imaterial que tenderemos a supor pelo nosso condicionamento mental, que sempre organiza, separam, hierarquiza, seleciona, busca a certeza, a ordem, etc. Esse pensamento, necessário, mas limitado, geralmente nos leva a estados de miopia ou mesmo de cegueira. Quando míopes, vemos e entendemos, objetos, fatos, acontecimento, de uma forma distorcida, limitada, que não represente a verdade original, criando assim “nossas verdades”. Quando cegos não enxergamos o todo, não vemos variáveis, fenômenos, e assim passamos longe daquilo que “verdadeiramente é”. Com essa distorção no modelo de pensar, nós ocidentais, vamos reproduzindo esse modelo de geração a geração. Nem sempre foi assim, já que a força desse modelo racional, lógico, determinista absoluto, cartesiano, se tornou predominante com a força que as ciências ganharam, principalmente, a ciência física, nos deixando carentes nos nossos pensamentos. Isso gerou uma série de atitudes e decisões que nos levou a mutilar nosso futuro. Muitos dos problemas que hoje enfrentamos nos colocando em situação delicada frente os anos vindouros são fruto do nosso modelo de pensar limitado e excessivamente lógico-racional. O aquecimento global, a poluição, o sistema financeiro, o sistema político, a fome, as guerras, a violência e muitos outros problemas que ameaçam a vida humana e a vida no planeta terra, são resultado do acumulo de ações baseadas em modelos mentais limitados e falhos, que não consideraram a complexidade e o todo. Essa patologia do pensamento hipersimplifica a complexidade do real, nos fazendo esquecer que uma parte do real é irracionalizável, e que estas duas devem sempre dialogar. Esse esquecimento nos leva a reproduzindo os mesmo erros do passado, continuando a buscar soluções baseadas nos mesmos paradigmas mentais que geraram esses erros. Assim formando um batalhão de míopes e cegos, alienados por nossas crenças e “verdades”, caminhando para um futuro que será reprodução do presente, mudando apenas a tecnologia e os recursos empregados. A esperança da mudança para um mundo melhor, são os “loucos”, os “outsiders”, “os revolucionários”, “os idealistas”, “os que pensam fora da caixa”, aqueles que trarão o “novo” de uma forma inclusiva, diferente e integradora, indo além da divisão do mundo e do pensamento fragmentado.
André Gustavo Barbosa, Doutorando e Mestre em Administração, Professor universitário de Graduação e Pós Graduação, Presidente do CDL/Saj, sócio da Intrends “Soluções para o futuro” e Análista do SEBRAE/Ba. Contatos: andre.gustav@hotmail.com Twitter: @andregustavo CategoriasProf. André Gustavo |
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