ArtigosO endividamento do brasileiro09/08/2011 07:39(*) Por André Gustavo Barbosa O brasileiro nunca esteve tão endividado. Essa é uma verdade mostrada nos números das mais diversas pesquisas econômicas. O Instituto Ipsos, a pedido da revista Exame, fez uma recente pesquisa que mostra números preocupantes. O Brasil, que historicamente teve um índice de endividamento relativamente baixo, chegou a 2011 com um índice comparável ao dos países desenvolvidos. A população brasileira deve 30% da renda anual, nos EUA e Alemanha é de 32% esse índice. O sinal de alerta já acendeu no Governo Federal. Com o crescimento econômico dos últimos anos, proporcionado pelo crescente aumento de empregos, pelas políticas sociais do governo federal e pelo boom causado pela elevação da renda familiar, os bancos e financeiras colocaram a disposição da população 61% a mais de dinheiro para serem adquiridos como crédito ao consumo. Desde aumento de limites de cheque especial ao acesso a cartões de créditos, à população nunca esteve com tantas opções de parcelar suas compras. São eletrodomésticos, viagens de turismo, carros e jóias, tudo, praticamente tudo, pode ser parcelado a perder de vista. O brasileiro, que viu no seu bolso mais dinheiros, também aproveita a briga pelo seu crédito, recebendo propostas cada vez mais tentadoras de financiar seus sonhos e necessidades. Porém não percebe que as linhas de crédito que mais crescem as ofertas são as que cobram os maiores juros, são elas: cheque especial (185% a.a), cartão de crédito (238% a.a) e crédito pessoal (49% a.a). Que o crédito é um dos motores das economias capitalista todos sabem, mas que pode causar e agravar crises também são outra verdade. Apesar de nosso endividamento ser de curto prazo, diferentes da crise financeira americana de 2008, baseada nas dívidas de longo prazo dos empréstimos imobiliários, o aumento em quase 70% desse endividamento, nos últimos cinco anos, preocupa o governo federal e toda a sociedade. É impossível continuar esse crescimento sem que uma crise exploda. Medidas como aumento da taxa básica de juros oito vezes nos últimos 16 meses (12,5 a.a), aumento do pagamento mínimo nos cartões de créditos e aumento dos impostos sobre transações financeiras, são algumas medidas tomadas pelo Banco Central para frear esse fenômeno brasileiro. Apesar do crescimento recorde do endividamento, a situação no Brasil ainda é controlável e as medidas tenderam a ter efeito. Como é recente esse fenômeno e a estabilidade econômica tem pouco tempo, os bancos e financeiras brasileiras ainda são mais rigorosos para emprestar, o endividamento em relação à renda ainda é razoável e administrável, a dívida é de curto prazo (máximo de dois anos) e a crise financeira que afetam o mundo desenvolvido tem poucos efeitos no Brasil, o que mantém o desemprego baixo e renda em alta. Porém, cabe a todos nós refletir sobre a cilada que estamos entrando, sob o risco de logo mais termos que pedir ajuda aos chineses, que agora administram boa parte da riqueza do mundo. Que a história que agora se dá na Europa e EUA não se repitam aqui. Não existe almoço grátis.
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