ArtigosO poder transformador da educação19/08/2011 16:02(*) Edileide Castro Há um poder transformador no processo educativo. A educação vem antes do progresso em qualquer área da vida e é fundamental para que ele aconteça. Esta verdade é conhecida ao longo da história, mas nem sempre é vivenciada na rotina das famílias, das escolas e da sociedade de uma forma geral. A fábula de Licurgo, um legislador grego que viveu cerca de 400 anos antes de Cristo, ilustra esta realidade, do poder transformador que a educação tem: “Há relatos que o legislador Licurgo foi convidado a ministrar uma palestra sobre o poder da educação. Aceitou o convite, mas solicitou que dessem seis meses para que ele pudesse se preparar. O pedido do prazo de seis meses foi considerado estranho, pois era sabido de todos da capacidade de Licurgo para falar sobre este tema, a qualquer momento. O pedido foi aceito e a palestra foi marcada para seis meses adiante. Passados os seis meses, compareceu ele perante o público em expectativa. Tomou seu lugar à tribuna, onde eram realizadas as falas públicas, e logo em seguida entraram dois criados, cada um trazendo duas gaiolas. Em cada gaiola havia um tipo de animal, sendo duas lebres e dois cães. A um sinal de Licurgo, um dos criados abriu a porta de uma das gaiolas e a pequena lebre, branca, frágil, saiu a correr no espaço em frente ao público. Logo em seguida o outro criado abriu a gaiola em que estava o cão e este saiu numa correria atrás da lebre. Com facilidade alcançou a lebre e a comeu rapidamente. Ver aquele cão comendo vorazmente a lebre foi chocante para toda a platéia. Uma grande admiração tomou conta das pessoas presentes e os corações pareciam saltar do peito. Ninguém conseguia entender o que Licurgo desejava com tal agressão. Mesmo assim, ele nada falou. Tornou a repetir o sinal para os criados e a outra lebre foi solta. A lebre saiu também correndo, saltitante como a primeira. A seguir, o outro cão foi solto. O povo mal continha a respiração, num suspense, devido o que havia ocorrido há poucos instantes. Alguns, mais sensíveis, levaram as mãos aos olhos para não ver mais uma lebre que corria e saltava pelo palco ser devorada rapidamente por um cão feroz. No primeiro instante, o cão correu atrás da lebre para alcançá-la como fez o primeiro. Entretanto, em vez de mordê-la, de devorá-la, bateu-lhe com a pata e ela caiu. Logo a lebre ergueu-se e se pôs a brincar com o cão. Para surpresa de todos, os dois ficaram a demonstrar tranquila convivência, correndo e brincando de um lado a outro do palco. Então, somente depois destas duas cenas, Licurgo falou: “- Senhores acabais de assistir a uma demonstração do que pode a educação. Ambas as lebres são filhas da mesma matriz, foram alimentadas igualmente e receberam os mesmos cuidados. Assim, igualmente, os cães. A diferença entre os primeiros e os segundos é, simplesmente, a educação.” E prosseguiu de forma segura e encantadora o seu discurso, falando da essência do processo educativo: “- A educação, baseada numa concepção exata da vida, transformaria a face do mundo. Eduquemos nossos filhos, esclareçamos sua inteligência, mas, antes de tudo, falemos aos seus corações, ensinemos a eles a despojarem-se das suas imperfeições. Lembremo-nos de que a sabedoria por excelência consiste em nos tornarmos melhores.” Entendamos que o adulto é responsável pela condução, pelo direcionamento, pela educação. Educadores na família e na escola tem em suas mãos o poder de transformar. É responsabilidade do adulto, não da criança ou do adolescente. Concordo plenamente com Licurgo e busco fazer a minha parte, em minha família e na sociedade. E você? O que tem feito para exercer este poder transformador? Crianças e adolescentes, nas famílias e nas escolas, esperam por adultos que lhe sejam referenciais para transformação, que sejam exemplo, potencializando valores internos positivos que se perpetuarão por toda a sua vida e que lhe garantirá realização e intervenção positiva na sociedade. Façamos a nossa parte, hoje!
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