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Educação extremista? Educação exige equilíbrio!

12/09/2011 19:58

Em qualquer área da nossa vida, posições extremistas trazem prejuízos. Andando pelo Brasil em muitas escolas, particulares e públicas, posso ver a perpetuação de ideias que são tão prejudiciais e que aparentemente deveriam estar fora de uso. A tecnologia tem alcançado as escolas, mas a humanização, em muitos casos, não.

 Quando entrei na escola como aluna, há 33 anos, ouvi muito a frase: “professor bom, aluno tem medo, respeita...” E para impor este respeito, nos tratavam com falta de respeito, sem ver as nossas individualidades e especificidades.  Depois que sai da sala de aula como aluna, fui ser professora, depois coordenadora e hoje estudo o comportamento humano dentro da escola, além de ser mãe de dois estudantes. Refiro-me a escola de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio, pois é nessa escola que as bases das relações são vivenciadas de forma mais intensa e com maior influência sobre a vida dos alunos e da família. Pai que só está preocupado com a nota do filho, não está educando. Educação vai muito além das notas. As notas fazem parte de um sistema, tem sua importância, mas há valores maiores que precisam também ser acompanhados todos os dias.

 Para muitas escolas, preparar o aluno para ser aprovado num vestibular é a sua bandeira, e para isso, vale tudo. Ouvi estes dias de um aluno do Ensino Médio a frase de um professor que dizia: “Comigo ninguém vai passar...” E a classe toda tirou nota baixa.  Lembrei imediatamente das frases que eu ouvia há 33 anos.  Educar significa “conduzir para...”. Para onde está conduzindo os alunos este professor que se vangloria de ter muitos alunos sem passar em sua disciplina?  Não existe outra alternativa, além de usar as provas como armas para alertar ou punir os alunos? É neste aspecto que falo dos extremos.  É como se houvesse apenas duas possibilidades: deixar os alunos fazerem o que quiserem, sem compromisso ou serem autoritários e não estabelecer qualquer vínculo com os alunos. Ter aulas silenciosas não significa aprendizado, nem tão pouco, aulas com expressões de desrespeito aos professores e colegas significa humanização.

 Um amigo Secretário de Educação em Pernambuco, sempre dizia “a questão não é apenas aprovar, mas aprovar com qualidade. É dever da escola e da família encontrar o caminho para esta qualidade.” A finalidade social da educação é o desenvolvimento intelectual, cognitivo, social, emocional. Lembro ainda da frase do Prof. Werneck: “Se escola boa é a que reprova, hospital bom é o que mata!” É bem certo que alguns pacientes não seguem as instruções dos médicos, como alguns alunos também não seguem seus educadores. Mas a essência da escola jamais deve ser a de mostrar que é boa porque os alunos são reprovados, pelo contrário, significa que a escola não encontrou o caminho para alcançar aqueles alunos, e que de forma prática a reprovação não é apenas dos alunos, como dita o sistema, a escola também é reprovada. Precisamos avaliar a nossa prática dia a dia.

Quero afirmar que existe o equilíbrio. Já experimentei como professora e posso ver e ouvir o anseio dos alunos por este equilíbrio. ““Vamos partir de dois pressupostos:” eu só posso dar o que eu tenho” e “só posso conhecer as emoções do outro, quando conheço minhas próprias emoções.” O equilíbrio está em adultos que tem inteligência emocional para lidar com crianças e adolescentes que necessitam de limites, estes educadores darão estes limites de forma afetiva, humana. Adultos desequilibrados, seja na família ou na escola, são referenciais para crianças e adolescente.

 Cabe aos adultos, reverem suas práticas no processo e puderem educar – “conduzir para” um clima de curiosidade pelo aprendizado, ao invés do terror; “conduzir para” um estado de encantamento pelo conhecimento ao invés da rejeição, pois a relação de aprendizagem, cientificamente tem sido relacionada aos aspectos relacionais, ao clima afetivo desenvolvido entre aprendentes e ensinantes.  O adulto só pode dar o que tem e o que ele tem oferecido, muitas vezes, é a incapacidade de lidar com suas próprias frustrações, por isso não sabe ensinar as crianças e adolescentes a serem frustrados de forma pacífíca, amável e equilibrada. 

 Crianças e adolescentes necessitam de limites, que devem ser dados pelos adultos que os rodeiam. Quando não ocorre isso há a indisciplina. É preciso aprender dar limites com clareza, diálogo, ouvindo com o coração, investindo no ser humano, tratando cada comportamento inadequado e diferenciando-o da pessoa que o praticou, não esperando acontecer mais uma indisciplina para tratar todas de uma vez.

 Concordo que muitas coisas mudaram na escola. Imagine que algumas escolas conseguiram entender a importância do lúdico e começam a despertar interesse das crianças pelo ambiente escolar, com aulas participativas, trabalhos em grupo, carteiras em círculo, alunos explicando assuntos mas outras permanecem bem parecidas com escolas de quatro décadas atrás.  As relações humanas precisam ser priorizadas, é preciso ouvir mais, para que ao deixar a escola e adentrar uma faculdade, nossos adolescentes levem consigo, mais do que teoria de valores, a vivências de valores, que fará a diferença positivamente e efetivamente em suas vidas.

  As escolas mostram os troféus dos seus alunos aprovados nos vestibulares. Quem tem escola para aprovar em vestibular cumpre sua missão aí, mas quem ama a vida, terá o desafio de durante o tempo de vivência deste aluno no ambiente escolar, conduzir este aluno para amar a vida, principalmente através do exemplo. Quando despertamos numa criança ou adolescente o amor à vida, estamos gerando o maior e mais precioso bem, que nada e ninguém poderá lhes tirar e que será essencial para sua felicidade, independente de qual faculdade ele venha cursar.  Afinal, a vida é um presente de Deus, a escola e a família devem ser canais de valorização a vida, não apenas em palavras, mas principalmente em ações. Que Deus nos dê consciência enquanto adultos desta geração!



  1. Colunista Edileide Castro
  2. Pedagoga, Psicanalista Clínica, Escritora, Consultora e Palestrante.
  3. edileidecastro@hotmail.com
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 Edileide Castro 
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