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A arte do empreendedorismo

29/09/2011 11:40

(*) Prof. André Gustavo

Apesar de sua origem ser da palavra francesa entrepreuner que quer dizer “aquele que está entre” ou “intermediário”, ainda hoje não há um consenso nem uma definição única sobre o que significa a palavra “empreendedorismo”. Estudiosos, pesquisadores, estudantes universitários, professores, pessoas físicas e representantes dos governos, todos falam e usam constantemente esse termo, nas mais diversas situações, com os mais diversos sentidos. Apesar desta aparente confusão com o termo, há um entendimento único de que empreendedorismo é a arte de realizar, de fazer acontecer. Nesse ponto ninguém discute.

O termo “empreendedorismo” começou a ser usado na Idade Média “... para descrever tanto um participante quanto um administrador de grandes projetos de produção.”¹. Nessa época os encarregados das obras arquitetônicas (castelos, abadias, catedrais, etc) contratadas pelos governos eram chamados de empreendedores. Esses não tinham riscos já que eram apenas executores dos projetos. Já no século XVII o termo começou a ser vinculado a riscos, sendo representando por pessoas físicas que faziam um acordo contratual com o governo para prestar serviços ou comercializar produtos, assumindo o lucro ou prejuízo. Já no século XVIII, quando o conceito de capital começa a diferenciar aqueles que tinham recursos para investir daqueles que não possuíam, o termo ganhou uma nova roupagem, sendo nessa época utilizado para essas pessoas investidoras. Nos séculos XIX e XX, com a diversidade dos negócios e com os novos conceitos trazidos do campo da “administração de empresas”, o termo empreendedorismo ganha uma diversidade de compreensões e passa a ser usado também para definir “gerentes de empresas”, pessoas inovadoras, criadores de novos negócios, expandindo também para outras áreas do conhecimento, como a medicina, a psicologia e a engenharia, e ganhando novos campos de atuação como o empreendedor social.

Nos dias atuais, com a infinidade de possibilidades do uso da palavra “empreendedorismo”, está assume posição chave nas perspectivas de um desenvolvimento sustentável das sociedades e países. Com a quase consensual compreensão de que “empreendedor” é “aquele que cria algo novo, mobilizando recursos e pessoas, assumindo riscos e recompensas”, as mais diversas discussões sobre políticas que promovam a melhoria na qualidade de vida e uma melhor distribuição das riquezas, incluem as ações dos empreendedores como forte atores no processo deste “novo mundo”. Desde o economista Joseph Schumpeter (1883-1950), que colocou o empreendedor e sua busca pelo lucro como motor de todo desenvolvimento econômico, até os dias atuais onde o Governo Federal Brasileiro tem como prioridade econômica a inclusão do chamado “Empreendedor Individual”, estas pessoas definidas como tal, estão no imaginário e nas perspectivas das pessoas e das nações como elemento importante para a criação de um futuro melhor.

Em toda definição moderna do que seja uma pessoa empreendedora é imprescindível incluir: a criação de algo novo; A questão do tempo e do esforço; o investir e a recompensa; e o risco. Logo, empreendedores lidam com incertezas, probabilidades, tendências e possibilidade. Investir tem haver com o futuro, com o tempo, e quanto mais inovação, mais incertezas e maiores riscos. É nesse campo que esses indivíduos impulsionados por sonhos, vontade de realização, pelo desejo de criar algo novo e inovador atuam.

Indo além da visão do empreendedor pelo campo da administração e da economia, a psicologia nos traz muitas contribuições sobre esse conceito, incluindo aqui a questão comportamental. As pessoas se comportam de forma empreendedora, isto é, empreendedorismo é um comportamento e há características que são próprias de pessoas que agem assim. O SEBRAE (www.sebrae.com.br) desde 1991 desenvolve uma metodologia criada na Universidade de Harvard, nos EUA, e que é amplamente utilizada pela UNESCO, para desenvolver e aperfeiçoar as chamadas CCE – Características do Comportamento Empreendedor, são elas: Busca de Oportunidade e Iniciativa; Persistência; Correr riscos calculados; Exigência de Qualidade e Eficiência; Comprometimento; Busca de informações;  Estabelecimento de Metas; Planejamento e Monitoramento Sistemáticos; Persuasão e Rede de Contatos; Independência e Autoconfiança. Neste programa chamado Empretec, o objetivo é colocar as pessoas a se defrontarem com as CCEs e fazê-las refletir sobre si próprio, em um processo de auto-descoberta.

Mesmo com todo esse universo criado em torno de um tema tão amplo, é importante ressaltar que o que realmente importa quando falamos sobre empreendedorismo, é que tenhamos compreensão da dimensão e da importância desse campo do conhecimento e das pessoas que são ou que promovem o empreededorismo. Em um mundo onde precisamos criar muito e fazer muita coisa acontecer para que possamos sair da armadilha da insustentabilidade planetária, onde precisamos criar soluções elegantes para nossos problemas, onde precisamos encontrar formas de incluir milhões de pessoas nos padrões mínimos decentes de vida, somente pessoas empreendedoras podem alimentar de esperança os anos vindouros. O campo do conhecimento sobre empreendedorismo continuará suas batalhas para construir conceitos precisos, idéias mirabolantes, etc, enquanto o que realmente importa os indivíduos empreendedores, estes sim estarão nas ruas criando, produzindo e fazendo acontecer.

¹ HISRICH, Robert D., PETERS, Michael P., SHEPHERD, Dean A.. Empreendedorismo. Editora Artmed, São Paulo. 2008




  • Colunista: Professor André Gustavo - Mestre em Administração de Empresas e Consultor do SEBRAE.
  • e-mail: vozdabahia@hotmail.com

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