ArtigosOs percalços sócio-histórico-culturais e as conquistas femininas19/10/2011 21:33
"Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade''. ( Simone Beauvoir)
Ao longo de toda a história da humanidade até o final do século XVIII, a mulher era considerada como um objeto, uma vez que a sociedade sempre a considerou um ser humano passivo, ficando sujeito às ordens masculinas. Um modelo de uma sociedade patriarcal, na qual o homem – chefe da família – era o centro de tudo. A partir do século XIX, a sua participação nos mais variados espaços sociais começou a ganhar corpo, não era mais, apenas, a dona-de-casa que vivia para os seus filhos e para o seu esposo. “Esta mulher é um artigo inflamável cujas reações são temidas pelas autoridades” (PERROT, 2005, p. 212). A mulher despontou-se com uma nova roupagem, uma nova configuração, uma força ameaçadora. Segundo Perrot (2005), contrariando o sistema dominador da época, não se calou, fugiu, não mais aceitou viver sob a “escravidão”, a sua voz se fez ouvir por todos os lugares, passando até a fazer discursos em locais públicos. Por representar “uma “ameaça” ao homem, passou-se a criar espaços puramente masculinos nos quais a mulher era proibida de frequentá-los. Pretensiosa, passou a delimitar o seu espaço, percorreu universos jamais permitidos e conquistou outros ambientes, além do doméstico. “Trabalhadora ou ociosa, doente, manifestante, a mulher é observada e descrita pelo homem” (PERROT, 2005, p. 198). Por que tanta preocupação com a mulher? O que isso significou? Antes um ser humano tão indefeso, tão frágil e tão submisso! Notou-se que ela, “água dormente”, começou a despertar-se, assumindo outro papel, embora ainda um tanto quanto tímida, em função de um contexto sócio-histórico-cultural de domínio exclusivamente masculino. Já na contemporaneidade, são muitos os exemplos de mulheres que são mães, esposas, profissionais, etc. Essa dinâmica do mundo moderno as faz seres humanos tridimensionais. A cada dia elas têm conquistado o mercado de trabalho e se destacado em virtude da sua competência e da sua qualificação profissional. No passado era simples coadjuvante nos espaços profissionais, hoje está assumindo lugar de destaque em muitas empresas nacionais, multinacionais e na política, o que representava apenas privilégio do homem. Não obstante, ocupando o mesmo cargo que um homem ocupa, ainda ganha menos que ele. Oportunizar a mulher as mesmas condições de trabalho e salários igualitários, entende-se como algo justo e necessário. Destarte é dar-lhe o direito que lhe foi negado ao longo da história, oriundo de um contexto histórico excludente que ainda subsiste. Não se pode pensar em uma sociedade democrática e igualitária, onde homem e mulher possuem direitos iguais, se uma categoria é beneficiada em detrimento da outra, dessa maneira, estar-se reproduzindo os ranços da sociedade do passado. Reconhecer as conquistas femininas é algo extremamente valioso, mas infelizmente muitas mulheres ainda são vítimas de vários preconceitos e também de violências, a saber, violência de gênero, violência física, violência sexual, violência psicológica, etc. Quase diariamente a imprensa falada e escrita noticia ocorrências, em que foram brutalmente assassinadas, violentadas e agredidas moralmente pelos seus companheiros, esposos, namorados... É lamentável deparar-se com esse tipo de notícia. Faz-se necessário que esses indivíduos – agressores – se eduquem, se conscientizem e evitem essas atrocidades, para que a lei seja o último recurso a ser aplicado. Infelizmente a mulher ainda carrega consigo um estigma de “coitadinha”, de “frágil”, fruto de uma geração arcaica, ainda reportada de maneira implícita e até mesmo explícita na modernidade. Se não bastassem, há na mídia, letras de músicas nas quais é depreciada. Chega! Chega! As experiências e expectativas vividas pela mulher permitiram que ela chegasse atualmente ao pináculo da esfera sócio-global, vinculando outras vertentes personalizadas da figura feminina. Acredita-se ser esse o momento oportuno para todas as brasileiras conclamarem mais segurança, respeito, proteção à vida e igualdade de diretos, pois pela primeira vez na história política nacional, tem-se na presidência da República, uma mulher – Dilma Rousseff. Em seu primeiro discurso após ser eleita, ela falou para todos (as) brasileiros (as): “Pais e mães podem olhar nos olhos de suas filhas e dizer ‘sim, a mulher pode". As brasileiras “poderosas” do século XXI desejam e esperam da “companheira” a Exma. Srª Dilma Rousseff – presidenta do Brasil –, um olhar mais sensível para as causas femininas. “As mulheres, que força”!
CategoriasProfª. Marilene Oliveira de Andrade |
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