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O livro: elemento imprescindível para a difusão do saber e transformação da sociedade

29/10/2011 16:47

(*) Marilene Oliveira

A imprensa sempre foi um veículo de divulgação do livro, embora enfrentasse sérios problemas de censura no período colonial, já que havia enorme preocupação das classes dominantes quanto à propagação do livro, pois poderia gerar novos conhecimentos nas classes dominadas, o que representava ameaça à elite que detinha o poder.

Ressalta-se o papel da maçonaria na disseminação de doutrinas revolucionárias, de tornar públicos os livros que, nesse período, tinha a sua circulação proibida. Apenas os livros de cunho religioso recebiam enfoque, revelando o poderio da religião, representada pela Igreja Católica.

Na primeira era moderna, especificamente na escola tradicional, a aprendizagem acontecia apenas mediante “um livro de preces ou um caderno solto” (CHARTIER, 2001, p. 74). O que faz crer que esse tipo de aprendizagem era extremamente limitada, até porque formar uma população intelectualmente esclarecida não era a intenção da Igreja nem do Estado.

O livro no Brasil, de acordo Sodré (1999, p. 11), era visto como “[i]nstrumento herético [...]” entre os indivíduos comuns, apenas no poder dos religiosos não representava nenhum tipo de ameaça à elite. As bibliotecas aqui existentes na época estavam restritas aos mosteiros sob aguarda dos religiosos. Quando da expulsão pombalina, os livros sequestrados pertencentes à biblioteca dos jesuítas – Bahia –, por se encontrarem em estado de decomposição, passaram a ser utilizados pelos comerciantes, denominados – boticários – “para embrulhar adubos e unguento” (Idem, p. 12).

No Regime Colonial, o livro estava sob as ordens da Corte e passou a ser fiscalizado severamente, já que representava perigo ao Estado. De posse dos livros, os indivíduos adquiririam conhecimentos que consequentemente poderiam ser usados contra as classes dominantes. Para os líderes, quanto mais às pessoas permanecessem na escuridão do pensamento melhor seria. “A abertura das mentes era facilitada pelo acesso a obras proibitivas por serem tão raras e caras, além de literalmente proibidas pelo próprio obscurantismo da Coroa Portuguesa” (LUSTOSA, 2000, p. 24).

Um fator relevante para a considerável entrada de impressos – livros – no país aconteceu graça à abertura do Porto. Mediante apoio do governador Luiz de Rêgo e em função do movimento portuense, acontece a divulgação do primeiro periódico brasileiro. Vale ressaltar que não demorou muito para, mais uma vez, o cerco se fechar contra os livros ou qualquer outro material impresso, que só poderiam entrar no Brasil mediante uma severa fiscalização da alfândega e conforme permissão do desembargador do Porto.  Muitos livros, na verdade, entravam no país de forma clandestina

Apenas os livros de conteúdo que não representasse nenhum tipo de reflexão poderiam circular normalmente entre as pessoas. “Os bons livros, os livros autênticos, entravam de contrabando” (SODRÉ, 1999, p. 14). A propagação de livros de caráter crítico-reflexivo não era de interesse algum da sociedade dominadora, o que justificava a entrada clandestina de muitos deles, já que essa era a única forma do povo ter acesso a uma literatura transformadora. 



  • Prof. Marilene Oliveira de Andrade
  • Professora, cabeleireira, poetisa, contista, cronista, membro da Academia de Letras do Recôncavo, Licenciada em Pedagogia, Letras Vernáculas e Especializando em Estudos Linguísticos e Literários.

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