ArtigosPALMADAS06/11/2010 21:10(*) Pastor Ely Lourenço O Estatuto da Criança e do Adolescente, criado pela Lei 8069, de 13 de Julho de 1990, mexeu com a consciência da sociedade no sentido de se enxergar a criança como gente, como indivíduo, como cidadão. E como pessoa ela é merecedora das convenções sociais conferidas às pessoas adultas: bom dia, com licença, por favor, obrigado e assim por diante. Mas o grande objetivo da lei é garantir proteção ao menor. Proteção, sobretudo, contra a violência. É nesse ponto que educadores e legisladores não se entendem. O conflito principal reside no artigo 5.: " Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão..." O que é violência? A violência não está no ato em si, numa palmada, por exemplo, mas na carga emocional com que se executa a disciplina. Assim, uma palavra ríspida pode significar mais violência do que uma palavra aplicada com brandura. A palmada se torna violência quando realizada com ira, sem a consciência de que é um gesto disciplinador. É necessário fazer a distinção entre violência e disciplina. Disciplina não é algo prazeroso, mas necessário. É como uma injeção medicamentosa. Nenhum pai sente prazer em aplicar uma injeção no filho, mas será muito irresponsável se deixar o filho sem tratamento só para evitar que ele chore com a picada da agulha. Tanto a palmada quanto a injeção devem ser usados como um ato de amor que contribuirão para o fortalecimento do caráter ou para o bem-estar do corpo. Podemos dizer ainda que a palmada não é essencial, mas eventual. Se o pai deu carinho, atenção, exemplo e ainda assim a criança permanece rebelde, pode estar na hora de umas palmadas. Agora, se o pai é um indivíduo ausente, briguento e xingador é melhor "deixar como está, para ver como é que fica"; não tem moral para disciplinar. Mas de todas as formas de violência contra a criança, nenhuma delas é tão dolorosa quanto as brigas entre os pais. A separação de um casal deixa seqüelas irreversíveis no sistema emocional do infante, seja ela litigiosa ou amigável. Uma palmada não passa de um "café pequeno" comparada à dor provocada por um processo de separação. Uma palmada na hora e na região certa tem um comprovado efeito didático, principalmente se os pais tiverem autoridade moral para aplicá-la.
Colunista: Pr. Ely Lourenço // Pastor e Psicanalista E-mail: vozdabahia@hotmail.com CategoriasPr. Ely Lourenço |
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