ArtigosEm memória a imprensa Santantoniense do Século XX: O Jornal O Palladio17/11/2011 22:00(*) Marilene Oliveira O poeta, fundador e proprietário do jornal O Palladio, Antonio Mendes de Araujo – Antonio Mendes – nasceu na cidade de Maragogipe/BA, em 1872. Teve uma rápida passagem no jornal O Combate, no início da sua publicação. Ainda em Conceição do Almeida/BA, já trabalhava em um periódico. Mudou-se para Santo Antonio de Jesus/BA e fundou o jornal O Palladio. O jornal O Palladio foi instituído em 15 de novembro de 1901 e tratava-se do periódico semanal de maior circulação na Bahia. Era produzido em chapa de chumbo – oficina própria –, impresso em máquina rotoplana “Diamant” e exigia muita habilidade e atenção dos tipógrafos. Durante toda a sua existência, O Palladio sempre se colocou como uma mídia valiosa para a sociedade baiana. Noticiou acontecimentos regionais e internacionais, a exemplo da primeira guerra-mundial ocorrida entre os anos de 1914-1918, os acontecimentos locais da vida privada de pessoas públicas, a morte do grande romancista baiano Xavier Marques, a implantação de um banco do Distrito Federal em Santo Antonio de Jesus/BA, a possível invasão dos alemães ao Brasil, dentre outros acontecimentos importantes. Contou com vários colaboradores de destaque da sociedade santoantoniense, a exemplo dos professores Rômulo Almeida, Isaias Alves, fundador da Faculdade de Filosofia da Bahia, o poeta Silvestre Evangelista e do escritor Fernando Pinto de Queiroz, membro da Academia de Letras de Feira de Santana. O Palladio foi um jornal consistente, conseguiu se destacar dentre outros jornais, tais como: A Tribuna, O Combate, Actualidade, além do seu grande concorrente, o jornal A Tarde. Para viabilizar o trabalho de impressão, Araujo conseguiu junto ao governo Goes Calmon, máquina e material novo. Era um jornal sem fins lucrativos, sobrevivia apenas mediante o apoio dos seus assinantes. Agamenom Magalhães, um dos seus assinantes, em nota ao referido jornal – edição de 1942 –, escreveu: “O jornalzinho do interior não tem publicidade paga. Não ganha. A sua é, porém, a função do jornal – informar, orientar, defender o regime e o interesse público”. Para Agamenom Magalhães, O Palladio representava um grande parceiro da população e ele acreditava na seriedade desse veículo de comunicação. E vai além: “quem sabe se a imprensa matuta não acabará por reformar com o rigor e beleza de sua orientação, a imprensa das capitais? Não creio na máquina, sem o nervo e o pensamento. Não creio na máquina, sem o homem”. O Palladio exerceu forte influência sobre a vida de muitos baianos, que o consideravam de suma importância para a sociedade. Em nota ao O Palladio, o leitor Agamenom Magalhães se referiu a esse jornal chamando-o de “jornalzinho”, não de forma pejorativa, acredita-se que de maneira íntima e carinhosa, ao afirmar que: O jornalzinho que no interior resiste ao rádio, ao automóvel e à técnica da circulação instantânea das notícias e do pensamento, dos fatos e dos acontecimentos mais distantes, e não cede o seu lugar, nem perde a sua influência local, é o testemunho de uma tradição e de uma cultura que não morreu, é o espírito das cidades sempre aceso, como um fio das lamparinas nos santuários humildes. Tenho grande admiração por esses jornalzinhos. Leio todo o número que me chega às mãos. Segundo a visão desse leitor, O Palladio foi de grande relevância naquele período, mostrando o seu valor social e cultural. Antonio Mendes foi um homem habilidoso e diligente, e assim conseguiu fazer com que esse jornal sobrevivesse por mais de 50 anos. No dia 30 de maio de 1952, ao completar 80 anos, Antonio Mendes de Araujo faleceu. Depois do seu falecimento, o jornal foi desativado pelo seu filho, o bacharel Uranio, e todo o maquinário foi deixado em um museu, onde não era permitida a visitação pública.
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