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Passando só um tempinho...

18/11/2011 12:08

(*) Glênio Cabral

Lembro-me de um teste de aptidão que a gente fazia antes de prestar o vestibular. O teste servia pra nos orientar com relação as nossas aptidões, a fim de escolhermos a profissão certa, de acordo com nossos dons e talentos.     

Hoje aptidão não interessa mais. Nem sei se esse teste existe ainda. Dia desses um colega me disse que faria o concurso da policia militar porque não tinha coisa melhor pra fazer.  A única razão pela qual ele faria o concurso era o fato de estar desempregado. Ou seja, ele ia ficar na polícia só até conseguir uma coisinha melhor. Isso mesmo, a palavra que ele usou foi “coisinha melhor”. Aptidão? Sabemos que muitos policiais exercem sua profissão porque são vocacionados. Mas também há outros que só estão policiais porque uma coisinha melhor ainda não apareceu. Será que um policial hoje em dia é policial por aptidão, por orgulho de sua profissão, porque nasceu pra ser policial? Ou o próprio Estado dificulta esse sentimento de realização não concedendo a esse profissional um salário digno e uma boa estrutura para o exercício de suas funções?  

 Na educação as coisas não são diferentes. O que não falta é professor desesperado pra deixar de ser professor. Conheço muitos que estão apenas passando um tempo na sala de aula até conseguir uma coisinha melhor. Sei de professores que olham pra seus alunos e se perguntam “até quando, meu Deus?”. Também não é pra menos. Hoje em dia o professor brasileiro recebe um salário de miséria e em muitas situações se sente ameaçado e é até agredido no ambiente escolar. Dá pra ter aptidão por algo assim? O jeito é só passar um tempo até uma coisinha melhor aparecer...

 O segredo pra que setores estratégicos de nossa sociedade voltem a funcionar bem é fazer com seus profissionais sintam prazer e orgulho de trabalhar onde estão. E isso significa providenciar mais segurança, melhores salários (maiores, bem maiores mesmo) e condições de trabalho realmente dignas. Professor não pode apanhar em sala de aula, pelo amor de Deus! Um país que admite que seus mestres sofram agressões enquanto lecionam é um país medíocre em todos os sentidos.

Não adianta nada essa coisa de apresentar dados estatísticos que provam que o caos não é caótico. O caos é caótico sim, e está plenamente incorporado ao dia-dia dos brasileiros. O caso é que agente está tão acostumado com a bandalheira (que não é de hoje) que já nem se espanta mais com o absurdo. E é por essas e outras que profissionais sérios e competentes estão só passando um tempinho nas suas profissões. É só até conseguir uma coisinha melhor, porque quando conseguem mandam tudo às favas... e com toda razão.    



  1. Colunista: Glênio Cabral / Pós em Gestão de Pessoas e Idelizador do Site: www.novainfancia.com.br 
  2. e-mail: glsilva@hotmail.com

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