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O "Bataclan "também está aqui!

20/01/2016 17:33

(*) Osvaldo Emanuel A. Alves

Os ataques de novembro de 2015, ocorridos no dia 13, em Paris e Saint-Denis, se constituíram de fuzilamento em massa, atentados terroristas, e explosões.  O ataque mais mortal foi no Teatro Bataclan, onde os terroristas fuzilaram varias pessoas, pelos menos 89 pessoas morreram no local. Mas por que o Bataclan? Ameaçado várias vezes por grupos de extremistas, em razão de uma vez por ano promover uma festa para policia de fronteira de Israel. Já em 2011, o serviço de Inteligência da França interrogou um extremista islâmico, que confessou que o grupo planejava um ataque ao Bataclan, porque os donos eram judeus.

Ultrapassadas as barreiras dos atos terroristas ocorridos do outro lado do Atlântico, separando os ideários políticos, religiosos, existencialistas, nos deparamos com circunstâncias assemelhadas no Estado da Bahia.

Para o professor Eduardo Paes Machado, o crescimento da violência é considerado contínuo. Ele conta que quando começou a discutir o assunto na segunda metade da década de 1990, a Bahia já tinha taxa de mortes por grupo de 100 mil habitantes, com índice de 33. "De lá para cá, a taxa tem crescido. Então a gente pode usar o termo espiral de violência. Temos tido fortes disputas entre grupos criminosos pelo monopólio drogas ilícitas. Temos relatos diários de disputas armadas entre esses grupos gerando homicídios. O professor também destaca a importância da escola e da família para a redução das taxas de homicídio. Para ele, os jovens estão vulneráveis e a sociedade está com um ponto de vista confuso sobre os valores sociais. "Temos estruturas familiares que não cumprem papel educacional da prole, de instruir, há pouco contato, pouco diálogo. Há uma alta concentração de jovens pobres que moram na periferia e eles que são atingidos.

Quando será que deixaremos de contabilizar o número cada vez mais crescente de mortes violentas? Até quando continuaremos indignados, chorando e levando flores para os nossos mortos? Não faz muito tempo, eram os filhos que enterravam os pais, que morriam por conta da própria idade, no entanto, essa regra hoje vem sendo modificada, obrigando aos pais conduzirem os filhos ao túmulo, em razão de mortes violentas que vêm se tornando lugar comum envolvendo jovens dos 14 aos 25 anos. Por que se mata tanto?

 “Pode-se argumentar que, felizmente, ainda há muita esperança. Mas como insistia o inesquecível Paulo Freire, não se pode confundir esperança do verbo esperança com esperança do verbo esperar. Aliás, uma das coisas mais perniciosas que temos nesse momento é o apodrecimento da esperança: em várias situações as pessoas acham que não tem mais jeito, que não tem alternativa, que a vida é assim mesmo... Violência? O que posso fazer? Espero que termine.  Isso não é esperança, é espera. Esperança é se levantar, esperança é ir atrás, esperança é construir, esperança não é desistir! Esperança é levar adiante, esperança é juntar-se com outros para fazer de outro modo.

Já se tornou lugar comum para a grande maioria dos gestores públicos, tanto em período pré e pós-eleitoral, as promessas de solução para um dos mais sérios problemas enfrentados nos dias atuais pela sociedade, no que se refere à criminalidade sempre crescente. As promessas refletidas através do futuro subjetivo do verbo é a própria essência de uma vontade traduzida em razão da insegurança que se manifesta na própria expressão - “combater” – deflagrar uma “guerra”, um “combate” frenético contra as denominadas “forças do mal”.

Na lembrança dos mortos vitimados pela “violência”, permanece registrado apenas nas estatísticas sociais que serão utilizados um ano após para diagnosticar as marcas relacionadas aos índices do crescimento dos homicídios. Entretanto, quando esses índices se mostram de forma negativa, evidencia uma “pseudo eficiência estatal”, para fazer acreditar aos menos avisados, possível eficácia de políticas públicas; no entanto, o “Estado Juiz” permanece na contramão da nova realidade dos comportamentos sociais, desrespeitando normas constitucionais, causadoras da indignação social. - AFINAL, SERÁ QUE O "BATACLAN" JÁ CHEGOU TAMBÉM AQUI??? - Em Paris, as mortes foram praticadas por grupos extremistas por motivação religiosa, aqui as mortes ocorrem na grande maioria envolvendo grupos criminosos e as motivações não são religiosas.  Assim, se pode observar que aqui o Poder Público vem se mostrando incapacitado no enfrentamento dos problemas sociais, principalmente, pela ineficácia nas políticas de segurança pública fazendo crescer a sensação de injustiça e impunidade no meio da sociedade.A Bahia teve 5.450 mortes em 2014 e ocupa o primeiro lugar em números absolutos de homicídios no país. O Rio de Janeiro ocupa o segundo lugar, com 4.610 casos; em seguida aparece São Paulo, com 4.294 mortes; Ceará, com 4.144; e Minas Gerais, com 3.958 homicídios. Chegam a 100 o número de homicídios ocorridos em Salvador e Região Metropolitana somente nos primeiros 18 dias deste ano. Até o último domingo (17/1/2016), 97 pessoas haviam sido vítimas desta modalidade de crime.Este número confirma uma premissa: o quadro de violência se mantém inalterado na Grande Salvador, pelo menos, em comparação ao ano passado. Em janeiro de 2015, foram registrados 180 homicídios. Este ano, até então, o quantitativo já representa o equivalente a 55% das ocorrências dos primeiros 31 dias do ano anterior. (Aratu Online)

Agora, a questão para uma reflexão: Por que se mata tanto?  SERÁ QUE O "BATACLAN" JÁ CHEGOU TAMBÉM AQUI???.

Colunista: Prof. Dr. Osvaldo Emanuel

Professor em Direito Penal e Advogado Criminalista

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