ArtigosImprensa: A voz da sociedade07/12/2011 08:48
(*) Marilene Oliveira Parabéns, Voz da Bahia, pelo seu trabalho em prol da sociedade! Pensar na historia do Brasil é pensar antes de tudo na importância da imprensa, seu papel decisivo nos acontecimentos políticos, econômicos e sociais ocorridos no contexto colonial. Mesmo diante da “lei do silêncio”, a imprensa jamais foi omissa aos fatos. Acredita-se que ela instigou as transformações sociais, incentivou o povo a lutar pelo ideário de independência. Luca e Martins (2008, p. 8), afirmam que, “[a] nação brasileira nasce e cresce com a imprensa. Uma explica a outra. Amadurecem juntas. Os primeiros periódicos iriam assistir à transformações da Colônia em Império e participar intensamente do processo. A imprensa é, a um só tempo, objeto e sujeito da história brasileira”. A imprensa marca decisivamente o período sócio-histórico vivenciado aqui no Brasil no Regime Colonial. Ora se colocando como objeto, ora como sujeito nesse processo, mas de grande relevância para a sociedade brasileira. Segundo Sodré (1999), a imprensa no período do Império vivia atada, os seus editores sob total observância da Corte e expostos a toda sorte de ameaça e “perigo”. Em virtude desse entrave, Hipólito da Costa[1] resolveu fundar o seu jornal fora do país, a saber, na capital inglesa, alegando a perseguição e os perigos da censura aqui no Brasil, precisamente no começo do século XIX. “No que se refere à imprensa brasileira, é fácil hoje compreender como a restrição à sua liberdade interessava às forças feudais européias, à metrópole lusa e seu governo [...]” (SODRÉ, 1999, p. 44). O fazer jornalístico de Hipólito trazia matérias que certamente iriam de encontro aos interesses dos senhores feudais, já que ele criticava o regime escravocrata e, na oportunidade, apontava as máquinas como recursos para acabar como o trabalho servil. Conforme Paulo Alberto, assinante do jornal O Palladio (1942, p. 2), “[n]o Brasil, é incontestável o serviço que a imprensa tem prestado à soberania dos princípios democráticos e à defesa da liberdade e da proteção à justiça”. O jornalismo pode ser considerado como “a voz da sociedade” e deve estar antes de tudo, comprometido em denunciar, informar, criticar, elogiar, etc. Segundo Sodré (1999), o Diário Constitucional foi o primeiro periódico a circular na Bahia em 4 de agosto de 1821. Seus conteúdos estavam voltados para os interesses do povo brasileiro, rompendo o paradigma da imprensa áulica, que se encontrava embasada em um jornalismo comum e rotineiro. Em 10 de maio de 1822, sofreu alteração no seu título, passando a ser chamado apenas de O Constitucional, pois não se configurava mais como diário. “O Constitucional era o único periódico que se atrevia a lançar em rosto daqueles tiranos sua arbitrariedade, sua injustiça, sua barbaridade” (SODRÉ, 1999, p. 52). Assumir a postura desse jornal não era uma tarefa fácil, pois significava afrontar as autoridades “poderosas”. Foi um ato heróico e corajoso do seu editor, que não temeu pagar, até mesmo com a própria vida, por esse seu trabalho. Quanto à Imprensa Régia, ela detinha o poder, o seu trabalho de impressão era muito caro, estava restrito a poucas pessoas, destinava-se apenas a grupos seletos, como os comerciantes. De acordo com Morel (2008, p. 31), “[a] própria Impressão Régia não pode ser considerada apenas divulgadora de papéis oficiais, pois desenvolveu ampla e complexa atividade tipográfica, tornando-se a primeira editora a funcionar em território brasileiro”. Paulatinamente foram surgindo outras tipografias no Rio de Janeiro: “[...] a Nova Tipografia e a de Moreira e Garcez” (SODRÉ, 1999, p. 36). E, continuamente, novas Tipografias foram se instalando no Brasil. Por meio de Carta Régia, em 1811, Manuel Antônio da Silva Serva conseguiu o consentimento que lhe outorgava o direito de funcionamento para a sua tipografia. “Depois da revolução do Porto, apareceram outras oficinas: o processo da independência se acelerava, com o regresso da Côrte a Lisboa [...]” (SODRÉ, 1999, p. 36). A imprensa sempre foi vista por muitas pessoas como um veículo imprescindível de comunicação, capaz de alterar/modificar a história de um povo, de uma nação. Parabéns ao Voz da Bahia e a toda a sua equipe, pela conquista merecida desse título e pelo brilhante trabalho em prol da sociedade, sempre se posicionando de forma imparcial, responsável e verdadeira. [1] Hipólito da Costa – Fundador, dirigente e redator do jornal o Correio Brasiliense,em Londres. Sodré, 1999, p. 26.
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