Voz


PodCast



Enquete





Artigos

Não Custa Nada

07/06/2016 23:51

Quando o Brasil ainda não tinha se recuperado do pesadelo provocado pela barbaridade praticada contra quatro meninas no Piauí, o que culminou com a morte de uma delas, nossos meios de comunicação voltam a deixar a Nação estarrecida, com a cobertura do episódio em que uma menina de 16 anos foi vítima de um estupro coletivo, no Rio de Janeiro. E essas meninas integram uma legião de 50.000 mulheres que são molestadas sexualmente, a cada ano, no Brasil. A repercussão do crime no Rio foi de tal monta, que a barbárie foi notícia no mundo inteiro. A própria ONO se pronunciou a respeito.

Os órgãos de defesa da mulher têm manifestado sua indignação contra aqueles que creditam ao comportamento de algumas jovens, a prática desse ato criminoso. É como se a culpa fosse jogada sobre a vítima. Mas não custa nada se as mulheres forem mais cuidadosas quanto ao uso de suas vestimentas. O objetivo da roupa é embelezar quem a usa e cobrir algumas partes do corpo. Não custa nada. Se a Lei Maria da Penha não está inibindo a violência contra as mulheres, não custa nada evitar andar sozinha por lugares ermos e escuros. Se as Delegacias da Mulher, espalhadas pelo Brasil, não estão garantindo o direito à liberdade, não custa nada pensar duas vezes, antes de se jogar na garupa da primeira moto que aparecer, mesmo que o condutor seja simpático e dono de um sorriso atraente.

A essa altura, as mulheres podem estar questionando: E o “direito de ir e vir”? E o “direito de me vestir como eu quiser”? Eu diria que são direitos absolutamente legítimos, mas eles apontam para o que é ideal, e a realidade é tristemente diferente. Anualmente, no país, mais de 50.000 mulheres são abusadas sexualmente e quase 5.000 são assassinadas. E a Lei Maria da Penha, os Conselhos Estaduais dos Direitos das Mulheres, as Delegacias das Mulheres e tantos outros órgãos que supostamente existem para garantir a segurança das mulheres, não têm conseguido alterar esses números assombrosos. Temos que lutar pelo ideal, mas precisamos nos capacitar para enfrentar a realidade. E a realidade está bem distante do ideal. É constrangedor a pessoa não poder ser ela mesma em sua plenitude, mas é a vida que está em jogo.

Não custa nada!

Colunista: Pr. Ely Lourenço da Silva // Pastor da Igreja Batista Betânia e Psicanalista

As 5+ comentadas












Todos os direitos reservados a Marcus Augusto Macedo | vozdabahia@hotmail.com