ArtigosDinamismo Regional26/12/2011 11:26O Brasil caminha a passos largos para se tornar uma das cinco maiores economias do mundo. Segundo o Centro de Pesquisa Econômica e de Negócios da Inglaterra (CERB, na sigla em inglês), chegamos ao final de 2011 superando o Reino Unido e chegando a sexto nesse ranking, com um PIB de 2,9 trilhões de Reais. Alguns dos principais jornais do mundo apontam a crise bancária de 2008 e a crise financeira que persiste como principais motivos deste fato, mas poucos falam do ciclo econômico de expansão por que passa o Brasil, pelas políticas públicas de incentivo ao investimento e pela consolidação da gestão econômica e financeira do país. Com o aumento de 22% para 30% da demanda mundial por produtos primários no comércio, o Brasil que sempre foi um grande produtor de commodities e rico em recursos naturais, vive um período de aquecimento na sua produção e comercialização destes produtos. Apesar de muitos especialistas criticarem essa política que enfraquece a indústria local, tirando investimento deste setor, algumas regiões do país aproveitam este momento promissor e emergem se tornar verdadeiros pólos de crescimento econômico e de desenvolvimento. Nestas regiões a combinação do crescimento do PIB per capita, do número de empregados formais e o aumento acima da média de empresa abertas se tornaram indicadores dos bons resultados regionais. Em recente pesquisa realizada pela empresa de consultoria Deloitte, junto com a Revista Exame, elas chegaram a alguns dados que mostram o dinamismo destas regiões: crescimento real nos últimos três anos de 45%, enquanto no Brasil foi de 16%, e participação no PIB nacional com 5% (147 bilhões de Reais) do total, enquanto em 2008 foi de 4%. Foram identificadas as dez regiões mais dinâmicas de nosso país, excetuando dezoito microrregiões já consolidadas, mostrando que elas têm um ponto em comum: todas estão ligadas ao boom mundial das commodities. É importante observar que estas regiões são produtoras de setores que, tradicionalmente, são ligadas a economias de baixa tecnologia e ultrapassadas, mas na verdade essa visão é apenas mitos, já que os setores de mineração, agricultura, energia e logística de distribuição da produção agroindustrial, predominantes nestas áreas, são altamente consumidores de alta tecnologia e de mão de obra qualificada, além de serem grandes indutores do surgimento e crescimento do comércio, dos serviços e da construção civil (Revista Exame edição 1006). As 10 regiões de destaque são: Sudeste do Paraense (Mineração e Metalurgia); Sul Maranhense (Logística e Armazenamento); Norte Potiguar (Petróleo, Gás e Energia Eólica); Sudeste Mineiro (Mineração e Turismo); Norte Fluminense e Sul Capixaba (Petróleo e Gás); Litoral Paranaense (Porto); Litoral Norte Catarinense (Porto e Turismo); Noroeste Gaúcho (Grãos e Agroindustria); Sul Goiano (Produção de etanol e Açucar); e Norte e Sudeste Mato-Grossense (Produção de Grãos e Agroindústria). Segundo o economista prêmio Nobel de economia de 2008, Paul Krugman, outras regiões não tradicionalmente pólos econômicos vão se viabilizando após um ciclo de investimento do país em infra-estrutura, em redução dos custos de transporte, em oferta de mão de obra e surgimento de novas empresas. Esse fenômeno faz com os investimentos e a renda se concentre em algumas regiões e depois se expanda. É o que vivemos hoje no Brasil. Para nós baianos, é importante notar que, apesar do pólo agrícola do Oeste e do pólo petroquímico, esse já consolidado e fora da pesquisa, não temos nenhuma dessas dez regiões em nosso território, o que não deixa de preocupar, já que temos investimentos e potenciais nas quatro áreas apontadas pela pesquisa, mineração, agricultura, energia e logística de distribuição da produção agroindustrial, mas alguns elementos importantes ainda falta para fazer das nossas regiões serem apontadas como das mais dinâmicas do país.
CategoriasProf. André Gustavo |
||
|
todos os direitos reservados a Marcus Augusto | vozdabahia@hotmail.com
|