ArtigosVOU EMBORA PRA LUA...29/11/2010 22:36(*) Glênio Cabral Estou organizando uma caravana pra lua. Isso mesmo, quero ir morar na lua. As inscrições estão abertas, e se você quiser vir também posso deixar sua vaga garantida. Só quero esclarecer que as vagas são limitadas e que a viajem é só de ida. Vamos pra lua pra nunca mais voltarmos. Não quero morar na lua pelo que ela tem a oferecer. Quero morar lá pelo que ela não tem a oferecer. Pelo que sei, nunca se teve noticia de que na lua um senhor de meia idade, como um certo morador de Amargosa, tenha fatiado uma ex-amante como se ela fosse um salame de sanduíche. Também nunca ouvi dizer que na lua um goleiro famoso mandou esquartejar uma mulher e jogar seus restos mortais pra cachorros comedores de gente. Também não há indícios de que na lua sequestradores tenham arrancado as cabeças de duas lindas adolescentes, colocando-as em dois pratos como se fossem uma especiaria macabra vinda do inferno. Não, isso só aconteceu em Salvador, no Planeta Terra. Por isso quero morar na lua. Acho que lá vou poder dar uma saidinha no final de tarde dando meus pulinhos naquele ambiente sem gravidade, sem correr o risco de morrer esfaqueado, esquartejado, decapitado, lançado aos cães ou queimado vivo. Afinal, essa coisa de você sair pra comprar um pão na padaria e morrer com requintes de crueldade é coisa do Planeta Terra. Ou deveria dizer do Planeta Brasil? Vou pra lua porque a nossa civilização é uma piada. Não há civilização. O que há é uma barbárie institucionalizada. O que há são lugares onde o estado não se faz presente, permitindo assim o fortalecimento do poder paralelo, o poder do crime. O que há são traficantes penetrando cada vez mais nas escolas, destruindo nossa juventude indefesa que cada vez mais sucumbe às drogas. O que há são professores sendo agredidos e ameaçados em salas de aula, como uma professora de 62 anos que recebeu duas cadeiradas de um aluno enfurecido e que por isso teve dois braços quebrados e vários dentes arrancados. O que há são arrastões agora semanais nos grandes centros urbanos, encarados com uma passiva naturalidade pelas autoridades competentes. O que há é um grande faz de conta de que as coisas vão bem, quando na verdade nada está bem. Chega. Vou pra lua. Cansei disso aqui. Não sei como farei pra ir lá, só sei que vou. Se não der pra ir pra lua, vou pra Marte, pra Saturno, pra Júpiter, pra qualquer lugar. Mas aqui é que não fico mais. Espaço sideral, aqui vou eu. E vocês que ficam, meus sinceros pêsames.
Colunista: Glênio Cabral / Pós em Gestão de Pessoas e Idelizador do Site: www.novainfancia.com.br e-mail: glsilva@hotmail.com CategoriasGlênio Cabral |
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