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Constituição do Português Brasileiro: Aspectos históricos e culturais

03/02/2012 18:59

Pensar sobre a “Constituição Histórica do Português Brasileiro” é remeter-se ao passado histórico, precisamente ao ano de 1500, quando os portugueses chegaram aqui e começaram a impor a sua língua para os autóctones – indígenas –. A partir do contato entre eles instalou-se um novo marco histórico, que paulatinamente produziu uma nova identidade cultural, social e linguística. Sendo que, antes da chegada dos portugueses, aqui no Brasil existia um número considerável de indígenas, a princípio, esses colonizadores foram obrigados a aprender a língua predominante, a saber, a língua dos tupinambás.

Segundo Dalva Del Vigna (2001), vale ressaltar que, mediante o encontro inicial das línguas portuguesa e indígena, em especial, a língua Tupi, surgiram as denominadas línguas gerais, destacando a Geral Paulista e a Geral Amazônica ou Nhhengatu, como as principais. Já em meandros dos séculos XVII e XIX, a população brasileira era composta por um grande contingente de africanos. Destaca-se que as línguas africanas também influenciaram nesse panorama linguístico, por conta desses povos que foram trazidos pelos colonizadores para o Brasil.

Mediante essa gama de línguas e dialetos, houve uma fragmentação linguística, tornando o país plurilinguístico. Mas buscou-se a utilização de uma língua, que servisse como base para todos os povos, nesse caso, foi apontada a língua portuguesa, ou seja, a língua do dominador-colonizador, por conta de interesses sócio-econômico, político e cultural. Aponta-se também como um fator muito relevante na constituição do português brasileiro (PB), segundo Silvana Araújo e Jean Araújo (2009), em 1808, a chegada ao Rio de Janeiro de um número exorbitante de portugueses, que ali se refugiava da invasão francesa. Em seguida chegaram mais imigrantes de várias nacionalidades, fortalecendo o falar dialetal brasileiro, precisamente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil.

 Na conquista de territórios, geralmente ocorria a imposição da língua, dos hábitos e cultura do colonizador, quando acontecia a assimilação da língua desse sujeito por parte do conquistado denominava-se de substrato, mas podia também ocorrer o contrário e a língua do dominado sobrepor a do dominador, nesse caso tinha-se um superstrato ou ainda, as línguas tanto do dominador quanto do dominado mantinham-se em vigor caracterizando o chamado adstrato.    

 Os substratos são empréstimos inevitáveis às línguas novas, uma vez que não é possível abolir dos falantes uma manifestação linguística, bem como qualquer prática cultural de modo absoluto.  Caso particular de influência do substrato é o do português brasileiro, que a priore, proposto como língua oficial do Brasil, apenas como português puro, porém, sofreu forte influência dos substratos das línguas indígenas e africanas, posto que ambas as línguas se mesclaram ao português alterando consideravelmente o idioma oficial, que foi implantado por um processo colonizador, quando o país já possuía uma língua própria (a língua geral) marcadamente indígena.

Destarte, a partir desses fatores o português que se fala deixou de ser o português de Portugal apenas, para ser português brasileiro diferente do português luso e daqueles presentes em outros países de língua portuguesa. Diferente, inclusive, foneticamente em razão de grande participação africana.

Portanto, o Português Brasileiro (PB) sofreu a influência de povos, sendo eles autóctones e imigrantes que aqui chegaram, instalaram e passaram a impor a sua língua, desconsiderando a existência de uma língua aqui predominante: Tupi. Aponta-se que os fatores sócio-histórico-culturais marcaram fortemente a constituição da língua brasileira. 


  1. Prof. Marilene Oliveira de Andrade
  1. Professora, cabeleireira, poetisa, contista, cronista, membro da Academia de Letras do Recôncavo, Licenciada em Pedagogia, Letras Vernáculas e Especializando em Estudos Linguísticos e Literários.

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