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Poeta do lixo

13/02/2012 15:53
  1. (*Marilene Oliveira)
  2. Minhas rimas são pobres,
  3. meus versos exalam cheiro de repulsa
  4. minhas estrofes são um amontoado de revoltas.
  5. Reviro cada partícula, escavo cada centímetro
  6. procuro uma gota de simetria.
  7.  
  8. Palmilho no caminho da incerteza,
  9.  busco sobrevivência ao acaso
  10.  meu grito ecoou, minhas mãos fragilizaram-se
  11. pareço estar abaixo do limbo,
  12. vermes espertos querem engolir-me.
  13. Meu céu está nebuloso, tosco, sem estrutura
  14. agarro-me ao invisível, falo o indizível.
  15.  
  16. Sou poeta do silêncio!
  17. Ninguém me vê, ninguém me ouve!
  18. Como escreveu Clarice Lispector:
  19. “Um feto jogado na lata do lixo embrulhado em um jornal”.
  20.  
  21. Sinto-me reciclável a cada quatro anos
  22. recebo até um abraço fingido,
  23. minhas lágrimas trazem ao palato
  24. o sabor insulso dessa partícula atômica indissolúvel.
  25. Ah! Sociedade artificial!
  26. Experimento o mimetismo,
  27. minha razão recusa essa covardia.
  28.  
  29. Meus sonhos parecem estar afunilando
  30. vejo armas perversas e egoístas 
  31. sendo apontadas em direção a minha cabeça
  32. Atiro - me de joelhos, peço perdão pela minha franqueza
  33. desejo saltar com os olhos vedados na imensidão
  34. modo suicida de não enfrentar o amanhã,
  35.  não sei que futuro me espera.
  36.  
  37. Talvez a minha atitude pareça covarde
  38.  medo me domina, castra os meus ideais,
  39. deixa-me completamente inerte
  40. muitos querem me ver assim... desejo da nata...
  41. meus versos protestam, dizem NÃO!



    1. Profª. Marilene Oliveira de Andrade
    1. Professora, cabeleireira, poetisa, contista, cronista, membro da Academia de Letras do Recôncavo, Licenciada em Pedagogia, Letras Vernáculas e Especializando em Estudos Linguísticos e Literários.

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