ArtigosEU E O SAPO09/01/2011 13:41(*) Glênio Cabral Um dia, ao chegar do trabalho, me deparei com um sapo. Sim. Um sapo, desses enormes e asquerosos. Lá estava ele, no meio da sala olhando fixamente pra mim. Tive nojo dele. Peguei uma vassoura e o expulsei aos solavancos. O bicho esgueirou-se pela noite e sumiu. No dia seguinte, lá estava ele outra vez. Dessa vez no meu quarto. O mesmo olhar fixo em minha direção. Com raiva, expulsei-o mais uma vez com a vassoura. Pra minha surpresa, o fato se repetiu por diversas outras vezes. E assim, sempre que chegava do trabalho, lá estava ele, todo solícito a me esperar. Intrigado, comecei a investigar por onde o bicho entrava. Descobri que ele esgueirava-se pela fresta inferior da porta dos fundos, que dava para o quintal. O sapo se espremia todo, até passar para o lado de dentro da casa. Eureca, já sabia o que fazer. Coloquei vários tijolos em frente àquela passagem e bloqueei a entrada do batráquio. Problema resolvido, ele não podia mais entrar. No dia seguinte, reparei que o sapo não estava me esperando. Afinal sua passagem havia sido bloqueada. Então porque eu não estava satisfeito? Havia vencido, enfim. O homem racional prevalecera sobre as forças da natureza. Mas algo não parecia bem. Descobri que em vez de ficar feliz com minha vitória comecei a sentir falta do bicho. Isso mesmo, acabei me afeiçoando àquela "indesejável". Vai entender o bicho homem?!... Então retirei os tijolos que bloqueavam a entrada do Henrique. Sim, coloquei-lhe o nome de Henrique. Desse dia em diante, todas as tardes eu passei a fazer companhia ao Henrique e ele a mim. Henrique é um sapo sensível e inteligente. Entende meus dramas e frustrações como ninguém. Como todo sapo que se preza, adora comer mosquitos e fazer girinos. Devo admitir que é um sapo promíscuo. Não agüenta ver uma rã e já sai aos saltos pra fornicar. Temos conversado sobre isso e acho que ele tem amadurecido bastante quanto a essa questão. Ah, semana passada o Henrique apareceu com alguns amigos. Haviam acabado de chegar do brejo. Disse a ele que aquilo não estava certo e que na minha casa só ele, de sapo, estava autorizado a entrar. Encarreguei o Armando de fiscalizar isso. Ah, esqueci de mencionar: o Armando é uma lagartixa do sexo masculino que vive atrás da minha geladeira há dois anos.
Colunista: Glênio Cabral / Pós em Gestão de Pessoas e Idelizador do Site: www.novainfancia.com.br e-mail: glsilva@hotmail.com CategoriasGlênio Cabral |
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