ArtigosO PARADOXO FEMININO03/09/2010 19:10Colunista Glênio Cabral Durante muito tempo a ditadura do pênis maltratou as mulheres. Por ditadura peniana entenda-se a arrogância masculina explicitada pelo machismo tão presente em nossa sociedade. Ao longo de séculos, as mulheres comeram o pão que a testosterona amassou, sofrendo explorações, abusos e humilhações em suas mais variadas formas, por parte dos homens. Mas a garra e a determinação da mulher nunca se apagaram, nem mesmo nos períodos mais difíceis da sua história. Graças à sua capacidade de superação, a mulher vem conquistando mais e mais espaços na sociedade, ocupando lugares antes monopolizados pelo macho. Mas então, surge um paradoxo: como é possível a convivência pacífica da mulher dos dias atuais, que é independente e dona de si, com certas músicas cujas letras depreciam e ridicularizam o sexo feminino? Tenho uma amiga que é um protótipo da Heloisa Helena. Minha amiga é independente, dona de si, politizada e altamente adepta dos movimentos feministas. No entanto, não perde um show de pagode com a presença desses grupos que adoram menosprezar a imagem da mulher. O mais engraçado é que nesses shows a minha amiga é chamada por esses cantores a todo instante de "cachorra", de "putona", de "cadela no cio" e outras coisinhas mais escabrosas. E sabe qual é a reação da minha amiga feminista? Ao invés de esbravejar e protestar contra o tal cantor, ela grita "gostoso!" Não entendo. Tantos anos de luta, de sofrimento e superação para conseguir um lugar mais que merecido na sociedade, e agora isso: a mais vil passividade feminista diante da ridicularização da mulher. Espero que nesse período de eleições, alguma candidata levante esta bandeira, a bandeira da moralização da imagem feminina. Vocês, mulheres, não merecem o que estão fazendo. Está na hora de vocês fazerem cara feia. Está na hora de esbravejarem de verdade.
Colunista: Glênio Cabral / Pós em Gestão de Pessoas e Idelizador do Site Nova Infância e-mail: vozdabahia@hotmail.com
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