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Cuidado com a armadilha da autossabotagem

15/02/2011 22:09

(*) Edileide Castro

 Em determinados momentos da vida reconhecemos que estamos prontos para dar um novo salto, para efetivar uma mudança profunda de estilo de vida, investir num novo empreendimento, numa nova relação afetiva, fazer aquisição de um bem, chegamos até a mudar de cidade, de emprego, mas, aos poucos, nós nos pegamos fazendo os mesmos erros de antes. É como se andássemos, andássemos e nos deparássemos no mesmo ponto. Caímos em armadilhas criadas por nós mesmos. Nos autossabotamos. Isso ocorre porque, apesar de querermos mudar, nosso inconsciente ainda não está preparado para a mudança. 

A Autossabotagem é um mecanismo de defesa e punição que está diretamente ligado à baixa autoestima. O que é mais impressionante na auto-sabotagem é que ela só ocorre quando estamos nos sentindo bem. 

Há uma voz interna que escutamos e obedecemos sem nos darmos conta. É como se fossem ordens de nosso inconsciente geradas por frases que escutamos inúmeras vezes quando ainda éramos crianças. Estas frases, fortalecidas pelos comportamentos e respostas do entorno familiar foram ganhando força dentro de nós. Tornam-se modelos mentais que comandam nossas emoções, interferem em nossas escolhas, limitam nossas percepção de capacidade e superação e nos mantém presos pela rejeição.

"Modelos mentais são pressupostos profundamente arraigados, generalizações, ilustrações, imagens ou histórias que influenciaram na nossa maneira de compreender o mundo e nele agir."   Peter Senge

Infelizmente todas as famílias tem as suas  frases e comportamentos destrutivos. Desde a escolha de favoritos pelos pais, apelidos, comparações, rótulos. Muitos adultos ainda estão presos a frases do tipo: "Porque você não é inteligente como seu irmão?", "Você faz tudo errado.", "Você não sabe fazer nada.", "Você não deveria ter nascido.", "Não queríamos mais filhos e aí você chegou...", "Você não presta.", "Vai virar vagabundo", "Fulano não quer nada." e tantas outras malditas frases que esmagam a alma dos filhos e os tornam reféns de uma autoimagem reduzida e fragilizada. Muitas vezes a preguiça e o orgulho são expressões de autossabotagem, isto é, de nosso medo de mudar."

Dificilmente as pessoas percebem a  autossabotagem. A pessoa cria uma ilusão na  mente de que há  uma solução imediata para o conflito que está vivenciando, assim evita o enfrentamento da dor ou a ameaça da mudança. Por exemplo: uma menina cresce num ambiente familiar hostil onde prevalece a dor e  a traição e ouve frequentemente da mãe que casamento é ruim e que ela nunca queira casar ou nunca confie em um homem. Ao tornar-se adulta, se esta pessoa não tiver consciência do modelo mental que  possui, é muito provável que não conseguirá manter-se numa relação estável para não ser ameaçada pelo medo de fracasso imposto pelo modelo mental. Ainda que alguém invista ou insista em querer o relacionamento ela conseguirá, através de comportamentos destrutivos proteger o modelo  e garantir que ele se reproduza nela como uma sombra da experiência infantil. Não são poucas as pessoas que destroem suas famílias e plantam um pomar de sofrimento por não compreender que pode, hoje, fazer escolhas e confrontar os modelos da sua alma.

Tenha coragem de olhar para si mesmo. "Temos uma imagem idealizada de nós mesmos, que nos impede de sermos verdadeiros." Muitas vezes não queremos pensar naquilo que sentimos, pois, em geral, temos dificuldade para lidar com nossos sentimentos sem julgá-los.

Sermos abertos para com nossos sentimentos demanda sinceridade e compaixão. Reconhecer que não estamos sentindo o que deveríamos sentir ou gostaríamos de estar sentindo é um desafio.

É nossa autoimagem que gera sentimentos e pensamentos em nosso íntimo. Podemos nos exercitar para identificá-la. Tudo que está dentro de você exerce poder sobre você.
A questão é não perder o contato interno: a percepção do que necessitamos a cada momento. A autopercepção é como uma âncora que nos mantém atentos às constantes mudanças internas. O bem estar surge da confiança de sermos capazes de nos autossustentar continuamente, mesmo diante de situações em que nos tornamos frágeis e emocionalmente reativos.

Para saber se há autossabotagem, faça a seguinte pergunta: "O que eu sei de mim mesmo que preferia não saber?". A resposta desta pergunta revelará a auto-imagem responsável por nossos comportamentos repetitivos de autossabotagem. Ao encontrar a auto-imagem que gera sentimentos desagradáveis, temos a oportunidade de confrontá-la e superá-la.

"Nós nos autossabotamos quando saímos de nosso propósito de vida. Cada um tem um propósito na vida e quando não vibramos de acordo com a intenção deste propósito nossa vida fica cheia de obstáculos."

Mantenha a autopercepção e confronte continuamente seus sentimentos e  comportamentos. Enquanto não formos capazes de ver, de compreender, de perceber nossos desejos e atuar de modo coerente, cairemos na autossabotagem. Aceite o desafio de viver dias melhores e  de curtir a jornada da vida na companhia daquele que te ama desde a eternidade.

 

 Colunista: Edileide Castro

Pedagoga, Psicanalista Clínica, Escritora, Consultora e Palestrante.

www.edileidecastro.com // edileidecastro@hotmail.com


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