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Violência ao povo negro

22/03/2011 20:53

Ainda ecoa no Brasil conseqüências da escravidão. Mais de um século depois ainda vivemos um fosso de desigualdades de direitos, de respeito e de atenção a população negra do nosso país. O recém divulgado "Mapa da Violência 2011", do Instituto Sangari, nos mostra toda essa aberração da nossa sociedade. Os dados são alarmantes e preocupantes, haja vista, a situação não tem sido revertida, pelo contrário, a situação deste povo segregado se deteriora dia a dia.

A pesquisa nos mostra que em 2002 foram assassinados 46% mais negros (incluídos aqui os pardos, pretos e negros, como no IBGE) que branco. Em 2008 o índice aumentou para absurdos 103%. E as prévias dos estudos apontam que em 2009 foi ainda pior. Entre 2002 e 2008 o número de brancos assassinados caiu 22,3%. No nordeste do país a coisa só piora. Na Paraíba, morrem 1.083% mais de negros que brancos, em Alagoas, 974% e na Bahia, 439,8%. São estatísticas que beiram a uma limpeza étnica semelhante aos países com aspectos ditatoriais. Um verdadeiro extermínio.

Essa desigualdade de condições e tratamento é muito bem retratada na maior festa popular do Brasil, o carnaval, onde vemos a população branca se protegendo dentro dos blocos e camarotes, pagando valores altíssimos por esse "privilégio", enquanto a população negra se contorce nos poucos espaços públicos disponíveis ou mesmo trabalham nas cordas dos blocos, empurrando os carros das escolas de sambas, vendem produtos no mercado informal ou fazem parte da "turma da limpeza". A desigualdade salta aos olhos e violentamente mostra uma realizada dura e difícil de ser superada, já que também nas esferas governamentais, nos legislativos e judiciários do nosso país, e nos principais ambientes onde a mudança poderia começar, também imperam uma visão segregacionista e mantenedora do "status quo".

Nas escolas, nas faculdades, nos hospitais, nas feiras livres, nos shopping centers, nos restaurantes, em quase todos os lugares observamos quanto ainda estamos longe de estamos em um país de oportunidades iguais, um país onde o preconceito racial foi totalmente extirpado. As políticas sóciais dos governos federais e estaduais têm produzido poucos resultados para a vida desta parcela da população, mesmo tendo sido criado Ministério e Secretárias Estaduais de igualdades raciais. O fosso ainda é muito fundo, as boas políticas de cotas estão longe de produzir efeitos impactantes, já que atende somente aos negros que consegue completar o ensino médio, o que é uma minoria. Até quando faremos de conta que vivemos no melhor dos mundos?

 

 

  • Colunista: Professor André Gustavo - Mestre em Administração de Empresas e Consultor do SEBRAE.
  • e-mail: vozdabahia@hotmail.com

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