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A BOLHA DE SABÃO

26/04/2011 19:22

(*) Glênio Cabral       

   Sou uma bolha de sabão, e acabo de nascer. Meus pais, a água e o sabão, costumam fazer bolhinhas como eu sempre que se unem. Sou fruto do ímpeto amoroso entre os dois.

         A vida de uma bolha de sabão dura apenas alguns segundos. Instantes depois que nascemos, fazemos "Ploc" e damos adeus à existência. É um processo indolor, esse de estourar. Ao menos é o que eu acho.  

          Não é a toa que procuramos aproveitar ao máximo o período que antecede ao "Ploc", conhecido como período "Pré-ploc". Algumas de nós fazem isso flutuando pelo ar. Eu, por exemplo, sou uma dessas. Neste exato momento estou sobrevoando uma sala de estar, onde um feliz vovô acaba de dar a sua netinha um brinquedo que faz bolhinhas de sabão. O vovô não se cansa de soprar e fazer dezenas de nós voarmos pela sala, pra alegria de sua neta de olhos esbugalhados. E ela faz "Ploc" em cada uma de nós. Que lástima.

             Apesar do pouco tempo de vida que temos,   as bolhas de sabão podem se apaixonar. Isso é bastante comum, e muitas de nós são flagradas aos amassos a céu aberto. Quando uma bolha se sente atraída por outra, elas se unem, se entrelaçam e se tornam uma só. E assim, atravessam todo o período "Pré-ploc" no auge da paixão até explodirem de prazeres segundos depois. É o que chamamos de "Ploc do amor".

           Infelizmente eu não me apaixonei. Mas o que importa? Considero-me uma bolha de sorte, de muita sorte. Afinal, serei sempre lembrada como a única bolha de sabão que revelou ao mundo que até nós, as bolhas, fazemos amor.   

Vejo agora que a linda netinha do vovô vem em minha direção. Ela deseja me tocar, assim como fez com todas as outras bolhas que fez "Ploc" segundos atrás. É o fim. Adeus, vida... A netinha se aproxima para estourar a única bolha cronista de que se tem notícia: eu. Será que sentirei dor?   

"PLOC!"

 


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