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A MORTE DE BIN LADEN E A RENÚNCIA DO SUPER-HOMEM

08/05/2011 22:21

(*) Glênio Cabral

Por essa nem o mais ferrenho dos socialistas podia esperar: o Super-homem acaba de renunciar a sua cidadania americana. Vamos aos fatos. O Homem de Aço é um dos maiores símbolos da cultura norte-americana. Criado na década de 30 pra reforçar os valores dos Estados Unidos em tempos de guerra, o herói azulado é a grande personificação do patriotismo do povo da América do Norte.  Ocorre que nos últimos dias algo inusitado aconteceu. Na revista em quadrinhos Action Comics de número 900, em que o Super-homem é protagonista principal, o herói disse com todas as letras que não gostaria mais de sustentar uma cidadania americana. A decisão deu-se após o herói perceber que "ser americano" atrapalhava suas pretensões de combater o crime ao redor do mundo, já que em todo o planeta um clima antiamericano se faz presente. Como já era de se esperar, as declarações do herói ( que nem mesmo existe ) provocaram reações indignadas por parte de diversos setores da sociedade americana.  Houve até quem exigisse que voltasse para Kripton...

Coincidência ou não, a polêmica causada pelo Homem de Aço surge em meio a um tsunami internacional: a morte do terrorista Bin Laden. Em declarações à imprensa, o governo do Paquistão disse ter sido surpreendido com a ação não autorizada do governo americano em solo paquistanês. Como já se sabe, vinte soldados da marinha americana invadiram o espaço aéreo do Paquistão sem autorização prévia do governo local e mataram o terrorista Bin Laden na cidade de Abbottabad, a 50 kilômetros da capital do país. A ação, intitulada " Operação Gerônimo", deixou o governo do Paquistão numa saia pra lá de justa, já que surgiram rumores de que o país estaria acobertando o terrorista durante todo esse tempo. Uma coisa é certa: os Estados Unidos da América violaram a soberania de um estado como se estivessem fazendo um piquenique num parque de diversões. Simples assim.

O que temos aqui são duas situações complicadas. De um lado um Super-homem com tendências megalomaníacas, praticamente um Hitler de colante vermelho e azul que se coloca na condição de salvador do mundo e que deseja ampliar consideravelmente seu campo de atuação, atualmente restrito aos quadrinhos americanos. Não foi a toa que ele renunciou a sua cidadania. Assim o herói pretende ser aceito como um ser "mundial", totalmente livre das restrições territoriais e culturais tão comumente impostas pela nacionalidade. Agora, permita-me uma pergunta: quem esse super-herói pensa que é,  afinal? Jesus Cristo? Quem foi que o elegeu salvador do mundo e príncipe da paz? Pra mim ele está muito mais para o anticristo do Apocalipse.

Do outro lado temos a maior potência do mundo desrespeitando aberta e escandalosamente todas as normas e tratados internacionais para saciar sua sede de vingança. Aliás, as Nações Unidas não se cansam de enfatizar o repetitivo discurso de que "todos os atos contra o terrorismo devem respeitar o direito internacional". Na prática, não é o que acontece. E como tudo o que já está ruim pode vir a piorar, no anonimato dos bastidores um presidente tira proveito de toda a situação para garantir a sua permanência na Casa Branca.  Trágico, não?

O combate ao terror deve persistir o tempo que for necessário, mas é imprescindível que todas as normas do direito internacional sejam respeitadas e preservadas. Fugir disso é mergulhar de cabeça numa barbárie sem precedentes, abrindo as portas para o jeito medieval de "administrar conflitos". Por isso a ação americana no Paquistão deve ser encarada como um ato de terrorismo também. Não se pode simplesmente invadir o espaço aéreo de um país como se o mesmo fosse o quintal do vizinho. O governo de Washington continua insistindo em achar que pode fazer o que der na telha pelo fato de ser a maior potência econômica do planeta. Não custa nada lembrar que a Alemanha Nazista também tinha pensamentos similares quando espalhou o terror pelos quatro cantos do mundo. Pessoalmente, não sentirei a menor falta de um terrorista que matou mais de três mil pessoas no inesquecível 11 de setembro.  Mas do jeito que as coisas vão indo, me pergunto se hoje o perigo maior hoje não está no Ocidente.  

     

 


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