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Serão 9 bilhões de pessoas

25/05/2011 20:51

Por Professor Ms. André Gustavo Barbosa

A população no mundial vai aumentar dos quase sete bilhões de pessoas em 2012 para cerca de nove bilhões em 2050, segundo as Nações Unidas (www.un.org). Será o maior desafio da história da humanidade gerenciar no nosso planeta um número tão grande de pessoas. Se nos dias atuais muitos problemas básicos para a sobrevivência humana nos ameaça, a exemplo da fome, das pestes e proliferações de vírus, do aquecimento global e das guerras por recursos naturais, como faremos daqui a 40 anos quando 30% a mais de pessoas estiverem convivendo em nosso planeta?

Apesar da queda de fecundidade que passará de 2,56 crianças por mulher em 2005-2010 para 2,02 crianças por mulher em 2045-2050(ONU www.onu.org) e o decréscimo no ritmo de crescimento populacional, alguns outros fatores impulsionam o aumento do número de pessoas, entre estes fatores estão o desenvolvimento tecnológico, que permitiu que a qualidade de vida e a longevidade humana desse um salto nos últimos 50 anos.

"A Expectativa de vida que era em torno de 45 anos na década de 50, hoje já está próximo dos 80 anos. Nos países mais desenvolvimentos, 22% da população já têm 60 anos ou mais e esta proporção pode passar para 33% em 2050, com o número de pessoas idosas representando o dobro do de crianças. Atualmente, apenas 9% da população dos países em desenvolvimento têm 60 anos ou mais, mas esta proporção deve passar para 20% em 2050". (Agência France Press)

O cientista Ray Kurzweil, considerado o maior pesquisador do impacto da tecnologia na longevidade humana, já prevê pessoas vivendo mais de 120 anos (veja vídeo aqui http://tinyurl.com/yj6p6ss).

A tecnologia também provoca grande impacto na produção de alimento, criando possibilidades de aumento de escala e barateamento na produção, fazendo com que mais pessoas tenham acesso a produtos que melhore seus cardápios alimentares e conseqüentemente sua qualidade de vida. Porém o problema maior não está na produção e sim na distribuição e no consumo, já que há alimentos suficientes para toda humanidade, porém, a distribuição desigual faz com que os países desenvolvidos tenham um consumo alto, gerando outros problemas deste hábito, como a obesidade e doenças provenientes dela,  e os países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos tenha um consumo baixo e insuficiente para manter a população saudável. Talvez aqui esteja o maior dos desafios: "se temos cerca de um bilhão de pessoas (Fonte: www.fao.org.br) que não tem acesso a quantidade calórica mínima ideal, como alimentar tanta gente no futuro? Como distribuir de forma melhor tudo que temos?".

Lembro que produzir alimentos está diretamente ligado a outros fatores, como por exemplo, ao aquecimento global, já que grandes extensões de terras são utilizadas para criação de animais e outras para plantações de monoculturas. Hoje o desmatamento para criação de bovinos e para plantações são responsáveis por quase 25% do carbono lançado na atmosfera (http://tinyurl.com/362bfbm).

Além dos alimentos, outro grande desafio para humanidade será a redução do consumo, já que quase a totalidade dos produtos que consumimos diariamente é proveniente de matérias primas da natureza, e a energia utilizada para sua produção também são originadas desta mesma fonte. Veja no gráfico abaixo elaborado pela IEA - Agência Internacional de Energia (www.iea.org) , a projeção de utilização de fontes não-renováveis nos próximos anos, onde dobrou o consumo destes produtos dos anos 70 para a primeira década deste século.

Diante de todas estas situações e possibilidades, os seres humanos se encontram em um momento emblemático onde o paradigma da evolução crescente e do desenvolvimento deve ser revisto e atualizado. Nove bilhões de pessoas convivendo em uma única casa, o planeta terra, terão que desaprender e aprender muita coisa, mudar muitos hábitos e adquirir outros, mudar a consciência que hoje é baseada em valores ultrapassados e insustentáveis. Conviver com tantas pessoas em um ambiente frágil e precisando de tanto reparo, como será a terra nos anos 2050, exigirá de nós uma grande habilidade e que sejamos mais humanos do que nunca. Precisamos ir aprendendo e experimentando esse novo mundo.

André Gustavo de Araujo Barbosa, é Mestre e Doutorando em Administração de Empresas (EAUFBA), Especialista em Educação Transdisciplinar(FACED/UFBA), Consultoria de Empresas (USP) e Gestão de Arranjos Produtivos Locais (CEPAL/Chile). Professor Universitário de Graduação e Pós Graduação. Empresário e atual Presidente do CDL Santo Antônio de Jesus.

 

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