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Advogado da família Bastos: “Nunca pedir favor a político, e não dependo deles, vivo da minha advocacia” / 1ª parte

25/12/2010 13:17

O repórter Marcus Augusto do 'Voz da Bahia', entrevistou o advogado Alfredo Carlos Venet de Souza Lima, que defendeu esta semana os cinco réus julgados culpados em júri popular por causa da morte de 64 pessoas há 12 anos na explosão da fábrica de fogos em Santo Antônio de Jesus. Confira a 1ª parte da entrevista:

 Marcus Augusto: Sobre este processo contra família Bastos, como o senhor conduziu a defesa?

Alfredo Venet: Nós tentamos de todas as formas explicar ao conselho de sentença que a hipótese da acusação e inexequível, pois ali não houve o dolo eventual. Dolo eventual é quando o agente não quer o resultado, mais assume o risco de produzir. Ora, como essas pessoas estavam no local, será que elas eram suicidas? Nós acompanhamos o "massacre" da mídia, a presença de parlamentares como Nelson Pelegrino e Yulo Oiticica, uma pressão muito grande. Foi um julgamento a meu ver, para quem está a 35 anos na "trincheira" do júri, atípico, a sorte que temos um magistrado sério, um homem correto, que soube durante todo o tempo manter a ordem no plenário do júri.

 Marcus Augusto: Alguns funcionários afirmaram que não  havia medidor de temperatura no local onde houve a  explosão, sua opinião?

Alfredo Venet: Veja bem, nos altos ninguém abriu a boca para falar de medidor de temperatura, agora com orientação dos políticos que usaram do utilitarismo dos movimentos, interessados em obter uma visibilidade na região, o processo foi todo politizado, conseguiram desaforar para Salvador, e eu não tenho receio nenhum de falar de político, por que nunca pedir favor a político, e não dependo deles, vivo da minha advocacia, e tenho autoridade moral para dizer isso, o processo foi politizado e utilizado pelos políticos, sim, isso é uma verdade!

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