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Advogado da família Bastos: “A mídia tem sido muito incompetente, por que nunca procurou saber se a fábrica era legalizada ou não” / 2ª parte

30/01/2011 17:09

O repórter Marcus Augusto do 'Voz da Bahia', entrevistou o advogado Alfredo Carlos Venet de Souza Lima, que defendeu esta semana os cinco réus julgados culpados em júri popular por causa da morte de 64 pessoas há 12 anos na explosão da fábrica de fogos em Santo Antônio de Jesus. Confira a 2ª Parte da entrevista:

Marcus Augusto: O senhor entrou com recurso de apelação?

Alfredo Venet: Sim, eu apelei e agora o processo vai ao tribunal para ser apreciado e a decisão do júri. Ainda tenho várias batalhas, essa foi apenas a primeira.

Marcus Augusto: Foi colocado pela acusação o emprego do trabalho infantil, e que os funcionários recebiam R$ 0,50 por cada milheiro de fogos produzidos. Não foi uma exploração?

Alfredo Venet: Não houve o emprego do trabalho infantil as crianças entravam para levar as refeições de seus familiares, e, como o trabalho era por produção, eles ali ficavam até serem retirados da fábrica quando eram visualizados, mais não havia emprego infantil de forma deliberada. E sobre o milheiro de fogos produzidos nós temos que quantificar o valor da moeda à época. Agora, sobre a produção, quando as pessoas falam em milheiro, precisa-se saber em quanto tempo se faz um milheiro, por que a quantidade de pólvora utilizada para fazer um milheiro, são 100 gramas que era  colocado na mistura para ser feito os traques e tudo mais... Quando findava a primeira produção, eles recebiam mais quantidades de materiais, até por que, não poderiam ficar concentrados nas tendas. Existe muita mistificação, eles ganhavam por produção, eram trabalhadores sazonais, na época trabalhava nas tendas da família Bastos. As pessoas viviam disso.

Marcus Augusto: A família Bastos continua fabricando fogos clandestinamente, como foi divulgado?

Alfredo Venet: Foi divulgado erroneamente, aliás, a mídia tem sido muito incompetente, por que nunca procurou saber se a fábrica era legalizada ou não. E era absolutamente legalizada, com autorização do Exercito Nacional, com alvará de funcionamento da Prefeitura Municipal de Santo Antônio de Jesus, Contrato Social, CGC, e nunca ninguém procurou ler isso, mesmo depois do júri que foi mostrado e discutido eles continuam a repetir. Eu acho é má fé. Todos que estão confirmando que a fábrica era clandestina são maldosos, eles estão induzindo em erro a população.

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